Marina, essa que passou em branco na cobertura dos media portuueses
De Dilma sabem o básico: que é «a candidata do Lula». Porquê?, desconhecem. Mas cingem-se ao que importa. E o que importa é Lula. Não desmerecendo. Apesar dos pesares, sendo que o maior deles segue sendo o PT e esse crivo que ainda custa digerir "nas Europas": o comunismo que traz na base e a reboque, como maior forma de sustento político.
De Marina sabem mais. Sabem que é a guerreira da Natureza, a mulher verde e mulata que conseguiu dar a um Ministério do Ambiente a força e a expressão que nunca alcança. Pelo menos por aqui, claro, "nas Europas". Sabem que junto com Gilberto Gil, o ministro-cantor, foi parte dos insólitos políticos que Lula trouxe para a primeira fila quando, ao final de décadas de peleja eleitoral, chegou à ribalta e ao Planalto. Alguns ainda se recordam que fez capa na revista Time e foi considerada uma das 50 personalidades mundialmente mais influentes quando se trata de tomar o Mundo como Mundo. Mas quanto ao resto, ao que no presente mexe e bole e é da maior importância, desconhecem quase tudo. A começar pelo essencial: que Marina está, sim, na corrida às Presidenciais brasileiras. Que Marina foi a primeira a anunciar a sua candidatura, aliás e por sinal. Que Marina é uma das candidatas mais fortes e consequentes na actual eleição presidencial que anima o Brasil, isso então, quem vê as televisões ou lê os jornais em Portugal, praticamente desconhece ou mal tem como supor. Além da cobertura informativa ter arrastado o tema em branco e só ter acordado para ele a duas semanas das urnas, escreve e comporta-se como se tudo se resumisse a um duelo entre Serra e Dilma. Fora os dois, é como se não existisse mais ninguém.


