Sugestão de TV | "Choro é Samba!"

TV Brasil - 13.12.2011

Quarta-feira de Cinzas: para desabrandar do ritmo frenético da Avenida, proponho puxar uma cadeira, sentar na mesa do botequim e continuar no samba, mas com mais calma. Ficar no choro – porque choro é samba! –, na inspiração de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Pixinguinha, alguns dos grandes representantes desse género, criado no Brasil há mais de 130 anos. Ao contrário do que o nome sugere, o choro é alegre. Mais do que ritmo, é musica popular, instrumental, sofisticada e, acima de tudo, abusada de improvisos.
No vídeo, as honras da casa ficam por conta do francês de nascimento e carioca por convicção, Nicolas Krassik, e de Amélia Rabello, que carrega um sobrenome que é sinónimo de craques da música brasileira. Os dois cantam (e como!) e falam sobre o tema, no programa Samba na Garoa da TV Brasil. Delicioso!

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No Rio e em Salvador, o Carnaval não esquece centenário de Jorge Amado

Feito Jorge Ser Amado - Moraes Moreira

Este ano, a decoração do Carnaval no Pelourinho vai homenagear os 100 anos do escritor baiano Jorge Amado (que se celebra a 10 de Agosto), com particular realce para o seu primeiro romance, O país do Carnaval. Cerca de 200 peças, criadas pelo artista plástico Euro Pires, já começaram a colorir as ruas, palcos, praças e largos do mais antigo Centro Histórico do Brasil.
De acordo com o artista, a decoração foi elaborada procurando mostrar o lirismo criativo dos habitantes do País do Carnaval, através de personagens como mascarados, pierrots e travestidos. «Além de uma homenagem a Jorge Amado, essa decoração vem homenagear também aqueles importantes personagens que fazem a quadra e que são os foliões» explicou Euro Pires. «Buscaremos também traduzir essa alegria do povo baiano, principalmente durante o carnaval, em cores e formas».
Este ano, não haverão tapumes a encobrir a fachada da Casa Jorge Amado, localizada no Largo do Pelourinho, junto da qual foi montado o palco principal destinado a abrigar os grandes shows temáticos que se realizarão diariamente. A iniciativa faz parte da programação do Carnaval do Pelourinho, realizado pelo Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (SecultBa) e do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI).

Desfile da Imperatriz Leopoldinense leva Jorge Amado à Sapucaí

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense, do Grupo Especial do Rio de Janeiro, pede passagem e mergulha no universo do escritor baiano Jorge Amado. Personagens como Gabriela, Perpétua e Dona Flor vão sair das páginas dos livros e ganhar vida na Marquês de Sapucaí, no Centro. A agremiação promete contar a vida de Jorge Amado em 82 minutos de desfile.
Do Pelourinho à lavagem do Bonfim. A verde e branca de Ramos vai levar para a Avenida alguns traços da Bahia, que o autor tanto cita em suas obras, no enredo "Jorge, Amado Jorge", do carnavalesco Max Lopes. Com oito títulos, o último conquistado em 2001 com o enredo "Cana-caiana, cana roxa, cana fita, cana preta, amarela, pernambuco… Quero vê descê o suco na pancada do ganzá!", a Imperatriz vai apostar em alegorias luxuosas e fantasias coloridas para chegar ao lugar mais alto do pódio.
Pelo terceiro ano seguido na verde e branca, o carnavalesco Max Lopes disse que o foco do desfile será a vida de Jorge Amado, desde a sua infância até a chegada dele ao Rio de Janeiro. Sem perder o luxo, uma de suas marcas no carnaval carioca, o carnavalesco afirmou que fará um desfile colorido, com enfoque na religiosidade e festas populares da Bahia.
“Há várias coisinhas que vão acontecer, essa parte do luxo realmente vai ter, mas o principal de tudo é o colorido que é exacerbado. Eu extrapolei um pouco na minha condição de mago das cores e venho com um desfile muito colorido, a alegria da comunidade, e o samba, que é muito carnavalizado e forte. Eu acho que são os requisitos principais”, disse o carnavalesco.
Terceira escola a desfilar no domingo (19), com previsão de entrada na Sapucaí entre 23h10 e 23h44, a Imperatriz vai levar sete carros alegóricos, 30 alas e 3,5 mil componentes para a Avenida. Sinônimo de beleza, glamour e classe do carnaval carioca, a rainha Luiza Brunet virá de baiana à frente da bateria comandada pelo mestre Márcio (Noca). A musa completará neste ano 17 anos de reinado na verde e branco.

O primeiro setor fará uma alusão aos orixás. foto de Rodrigo Vianna (Cf. galeria de imagens do barracão da escola AQUI)

Símbolo da escola virá no abre-alas

A coroa, símbolo da agremiação, virá prateada no abre-alas da escola, que vai falar sobre a religiosidade. De acordo com Max Lopes, o primeiro setor fará uma alusão aos orixás. A alegoria será acoplada e vai trazer uma grande escultura de Iemanjá, a rainha do mar, puxando a coroa de Oxalá, que, segundo o carnavalesco, é considerado o pai da Bahia.
“A gente começa o nosso desfile com a coroa de Oxalá, que é o símbolo da escola, no mar de Iemanjá. Então, já começamos com o branco total. Teremos ainda a parte religiosa de Jorge Amado, aonde ele foi eleito um dos Obás de Xangô. Então a gente faz uma homenagem a Obá, que ele era de Xangô, e à Mãe Menininha do Gantois”, explicou Max Lopes.
Uma das alegorias que prometem chamar a atenção é a que vai representar a lavagem do Bonfim. De acordo com o carnavalesco, o carro vai trazer uma réplica da igreja baiana e suas famosas escadarias. De alfazema e vassouras na mãos, componentes vão representar a tradicional festa. Max explicou que, desde pequeno, Jorge Amado participava da lavagem. A escola dará também destaque ao mercado da Bahia, que o escritor tanto citou em suas obras. “Ele se referia às frutas, às flores, ao que se vendia no mercado. E as baianas mexendo seus acarajés, suas comidas”, lembrou o carnavalesco. Em suma, o enredo vai servir para a escola vai levar para a Avenida vários ícones da Bahia, que o autor tanto cita em suas obras

Mistura de carnavais

O enredo também fará referência ao carnaval baiano e outros eventos populares no estado. A literatura estará representada em uma das alegorias. Segundo o carnavalesco Max Lopes, o carro vai trazer uma grande cama com as esculturas de Dona Flor e seus dois maridos, em menção à obra, e no alto, será possível ver a famosa cena de Gabriela subindo num telhado.
O papel de Gabriela ficará sob a responsabilidade da atriz Desirée Oliveira.
“A Desirré é perfeita para reviver memorável cena de Sônia Braga subindo de vestido em um telhado. Eu tento reunir neste carro as principais obras de Jorge Amada. Quincas Berro d’água, Capitães da Areia, Dona Flor, Gabriela, Tieta, entre outros, sem deixar de fora suas histórias infantis. Muita pouca gente sabe que Jorge Amado escreveu também sobre criança. Tenho certeza que vai emocionar”, contou Max Lopes.
Para encerrar o desfile, nada melhor do que um dos maiores símbolos baianos, o Pelourinho. A alegoria vai trazer as ladeiras e casarões num clima de comemoração. “Na Bahia tudo acaba em festa. Como um carnaval que fala da Bahia tudo acaba em festa. Então, grupos como o Ilê Aiyê, Oludum e Filhos de Gandhi, estarão na parte final desse desfile”, adiantou Max Lopes.
Max Lopes não quis dar detalhes sobre as fantasias do casal de mestre-sala e porta-bandeira Phelipe Lemos e Rafaela Teodoro. O samba-enredo "Jorge, Amado Jorge", de autoria de Jeferson Lima, Ribamar, Alexandre D'Mendes, Cristovão Luiz e Tuninho Professor, será mais uma vez interpretado por Dominguinhos do Estácio.


«Briguei pela boa causa, a do homem e a da grandeza, a do pão e a da liberdade, bati-me contra os preconceitos, ousei as práticas condenadas, percorri os caminhos proibidos, fui o oposto, o vice-versa, o não, me consumi, chorei e ri, sofri, amei, me diverti.»
Jorge Amado, Navegação de Cabotagem (1992)

Sinopse

Ave Bahia! Bahia sagrada!
1912. A lua prateada banha o céu de axé...
Eis a coroa de Oxalá, o Senhor da Bahia!
Venha nos proteger, meu Senhor do Bonfim!
Vem do mar a esperança... Litoral de magia... Iemanjá! Oferendas à rainha do mar!
“Ela é sereia, é a mãe-d’água, a dona do mar, Iemanjá”
Velas bailam ao som do vento baiano. Veleiros, canoinhas e jangadas, deixem-se levar.
“...cerca o peixe, bate o remo, puxa corda, colhe a rede
Canoeiro puxa rede do mar...”
Jorge, Amado Jorge... Eis aqui sua história, vida e memória!
Vai, criança baiana; descubra os segredos dessa terra.
Jorge conheceu fazendas, ruas, vielas,
Becos e guetos, tipos e jeitos.
- Quem quer flores? Frutas? – grita o vendedor.
- Olha o acarajé! – oferece a velha baiana.
Águas de Oxalá! Venha ver a Lavagem do Bonfim!
As letras lhe chegam num sopro. Um vento de liberdade em defesa do povo.

Ah... O Rio de Janeiro... Nova casa do rapaz escritor.
Graduado na vida e na universidade.
Na política, com o “coração vermelho”, se engajou.
É a vida na capital. Amigos, papos e mulheres...
Ah... As mulheres... Vida perfumada e sensual...
Bares e cabarés... Eis a malandragem, o primeiro livro: o “país do carnaval”.
Primeiros romances. Romances da guerreira e apimentada Bahia, sua eterna paixão.
O ciclo do cacau, grande inspiração.
Viver nas areias da história e sonhar em ser capitão.
Um ideal. O valor do homem. O reconhecimento da valente alma do povo.
Vivência e personagens se confundem. Verdadeiros baianos traduzidos nos folhetins.
Onde está a liberdade?
Essa é a “Bahia de todos os santos”, de toda gente! Gente brasileira.
Doce amor, doce flor. Amiga, companheira, parceira de letras e caminhadas
Que o segue fielmente pelo “sem fim” do mundo.
Retornar a sua origem... Os passos rumo à alvorada da literatura.
Rumo à consagração: premiado e Amado. De farda e fardão.
Busca no tempero de Gabriela os sabores da vida. O aroma da crônica do interior.
A brisa que balança as madeixas da morena embala palavras ao encontro de Dona Flor.
Tieta do “chão dos prazeres”, do agreste. Tereza Batista, “fonte de mel”.
Mulheres e “milagres” do Nordeste.
Jogue a rede, pescador! Traga do mar de memórias as palavras inspiradoras.
Hoje o capitão é Jorge Amado. Capitão de sua navegação. “Navegação de Cabotagem”.
Misticismo e miscigenação, a alma desse chão.
Que Exu nos permita caminhar! “Se for de paz, pode entrar.”
Okê Arô Oxossi! Salve todos os Orixás! Joga búzios, canta a reza!
Kaô kabesilê! Kaô meu pai Xangô! Jorge é obá no Ilê Axé Opô Afonjá!
Ora iê iê Oxum! Mãe de Mãe Menininha do Gantois, amiga na fé, axé!
É festa na ladeira do Pelô! É festa na Bahia! Fervilha a mestiça terra de Jorge!
A Magia dos Filhos de Ghandi... É energia do sangue nordestino...
Tocam atabaques e alabês. O Pelourinho estremece! Vem descendo o Ilê Aiyê!
É o tambor! É a força do ritmo! É o som do Olodum!
Venham, amigos queridos! Amada família do escritor, venha conosco cantar!
100 anos do nascimento de Jorge Amado... Comemora a Imperatriz Leopoldinense!
De alma e coração, vamos todos brindar ao mestre das letras!
Sentadas sob a sombra da copa de uma grande árvore, suas palavras vão para sempre descansar...
Jorge, Amado Jorge...
Muito obrigado!
Hoje, a ti canto e me declaro:
sou mais um gresilense apaixonado!

Carnavalesco: Max Lopes
Direção de Carnaval: Wagner Araújo
Texto e desenvolvimento: Max Lopes e Gabriel Haddad

Samba-enredo "Jorge, Amado Jorge"
 
Sou Imperatriz! Sou emoção!
Meu coração quer festejar!
Ao mestre escritor, um canto de amor
Jorge Amado, saravá!

Ave, Bahia sagrada!
Abençoada por Oxalá!
O mar, beijando a esperança,
Descansa nos braços de Iemanjá.
Menino Amado...
Destino bordado de inspiração.
Iluminado...
Vestiu palavras de fascinação.

Olha o acarajé! Quem vai querer?
Temperado no axé e dendê
Quem tem fé vai a pé... Vai, sim!
Abrir caminhos na lavagem do Bonfim

O vento soprou
As letras em liberdade.
Joga a rede, pescador!
O povo tem sede de felicidade.
A brisa a embalar
Histórias que falam de amor.
Memórias sob o lume do luar.
O doce perfume da flor.
Ê Bahia! Ê Bahia!
Dos santos, encantos, magia.
Kaô kabesilê! Ora iê iê Oxum!
Tem festa no Pelô.
Na ladeira, capoeira mata um.

# Para OUVIR AQUI

08:36 | Posted in , , , , , | Read More »

Da série: 'Hoje tem show!' | Show colectivo da Virada 2012


... Para quem perdeu e não assistiu: ainda vai em tempo de entrar Janeiro dançando ao som de Michel Teló, Fernando e Sorocaba, Daniel, Chitãozinho e Xororó, Cesar Menotti e Fabiano, Jorge e Mateus, Zezé di Camargo e Luciano, Revelação, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Zeca e Sombrinha, Asa de Águia, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Tuca Fernandes, Preta Gil e Naldo, Wanessa, Capital Inicial, NX Zero e J Quest. Com a devida vénia à TV Globo, bem entendido!

21:53 | Posted in , , , , , | Read More »

Da série: 'Hoje tem show!' | Ivete Sangalo, Caetano Veloso & Gilberto Gil


Para ver na íntegra: o especial Ivete, Gil & Caetano, exibido nesta sexta-feira, 23 de Dezembro, pela Rede Globo. Com direcção de núcleo de Roberto Talma e roteiro de Rafael Dragaud, os três cantaram músicas que falavam do corpo, da alma, do amor e das dores da separação do universo feminino que inspirou Gil, Caetano, Chico Buarque e Herbert Vianna. Entre uma música e outra, cada um foi aproveitando para revelar curiosidades sobre a composição das canções.

21:29 | Posted in , , , , , | Read More »

15 mil pessoas viram ao vivo Chico Buarque a cantar na Internet

por Isabel Coutinho
Quinze mil pessoas assistiram à apresentação que Chico Buarque acabou de fazer na Internet do seu novo disco "Chico". A apresentação em directo a partir do site Chico: Bastidores durou trinta minutos e foi feita a partir da casa do compositor e cantor no Rio de Janeiro.
Na imagem, antes das oito da noite em Portugal aparecia um relógio a marcar o tempo de espera. Ao lado, num chat ao vivo os internautas iam mandando mensagens. Pouco depois Chico apareceu, sentado numa cadeira e com o violão nas mãos agradeceu aos produtores, ao João Bosco e aos internautas que ao longo deste mês compraram o disco na pré-venda no site Chico: Bastidores e ganharam uma senha para assistir ao que se passou na gravação do disco. "Já estou começando a ficar esperto nisto, mas se vocês não me perguntarem coisas eu não vou saber o que falar", disse. "É legal isso das músicas terem ido pingando através da Internet" e isso "favorece o entendimento das canções".
Nessa altura, a imagem estava boa mas o som estava aos soluços. Chamou depois João Bosco ("João, vamos trabalhar!") e como o som continuava a dar problemas Bruno Natal, um dos responsáveis pelo site e realizador e produtor do documentário sobre as gravações, explicou que iam sair do ar para que fosse possível resolver o problema do som. Foi necessário desligar o chat e isso fez com que os problemas de som ficassem resolvidos. "Já entrei ou preciso de entrar de novo?", perguntava baralhado João Bosco. E começaram a assobiar os dois. Os músicos cantaram ao vivo "Sinhá", que faz parte do disco e que foi feita em parceria pelos dois, e conversaram sobre diversos assuntos.
Falaram de futebol, de amigos da praia (do cantor Mário Sérgio), das pesquisas que fizeram na Internet nomeadamente para a letra desta canção. Chico explicou a João Bosco o que é um "meme" ("os caras pegam uma frase sua e aplicam isso a um filminho") e outras coisas da Internet como os comentários que as pessoas fazem. "Eu sei que não sou amado há muito tempo, desde o começo. Há gente que entra nesse site, paga, só para detestar, 'Ah deixa eu detestar mais um bocadinho'. Mas o que é que eu estava dizendo mesmo?", diz Chico. Quase no final a produção pediu ao cantor que repetisse aquilo que tinha dito no início para aqueles que não tinham conseguido apanhar por causa dos problemas de som. “Vão pensar... O velho está com problemas, repetindo as falas todas (risos)", brincou o músico.
A determinada altura avisaram o músico que as quinze mil pessoas que estavam a assistir à transmissão ao vivo estavam a enviar mensagens a pedir "bis". Foi então que Chico optou por cantar mais uma canção, "Nina", e explicou que a sua amiga portuguesa, a cineasta Teresa Villaverde lhe tinha pedido uma canção para o seu próximo filme, "Cisne", a estrear em Setembro, e ele deu-lhe mesmo com medo de ficar com menos uma inédita do seu disco. Mas como o filme atrasou, a canção será lançada no disco como inédita.

(...)

NOTA do Conexão: se perdeu na hora, vá até lá agora. Chico e a Biscoito Fino têm um entendimento generoso da liberdade no ciberespaço e o registo em vídeo do momento está online: acessível a todos. O endereço segue em baixo.

# Site oficial: AQUI.

22:43 | Posted in , , , , , , | Read More »

Hoje é 'Dia de Reflexão' pré-eleitoral em Portugal

Paiol de pólvora - Vinicius de Moraes & Toquinho


Estamos trancados no paiol de pólvora
Paralisados no paiol de pólvora
Olhos vedados no paiol de pólvora
Dentes cerrados no paiol de pólvora

Só tem entrada no paiol de pólvora
Ninguém diz nada no paiol de pólvora
Ninguém se encara no paiol de pólvora
Só se enche a cara no paiol de pólvora

Mulher e homem no paiol de pólvora
Ninguém tem nome no paiol de pólvora
O azar é sorte no paiol de pólvora
A vida é morte no paiol de pólvora

São tudo flores no paiol de pólvora
TV a cores no paiol de pólvora
Tomem lugares no paiol de pólvora
Vai pelos ares o paiol de pólvora

08:33 | Posted in , , , , , , | Read More »

Bento XVI telefonou para o espaço e esteve uns minutos à conversa!

Bento XVI em videoconferência com os 12 astronautas em órbita na Endeavour. foto:Osservatore Romano/AFP/Getty Images

O papa Bento XVI telefonou para os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS): «EARTH TO SHUTTLE!!... THE POPE IS CALLING!!» e esteve uns minutos à conversa com... a tripulação da Endeavour. Tornou-se assim o 1º papa a falar com o espaço.
Vejo a notícia na CBS e fico aqui a matutar: encontro histórico, este!... Com alguém que está mesmo 'lá em cima', pairando em órbita, fora e para lá deste Mundo. E depois lembrei-me, quase de imediato, desta outra raridade, revirada aos arquivos da TV Cultura: uma canção com o dedo e a voz eterna do Gilberto Gil, aqui gravada - ao vivo e só no violão - para o programa Sr.Brasil, com o xis divino de vir finamente costurada num poema de Guimarães Rosa. Assim:

Se eu quiser falar com Deus - Gilberto Gil

17:39 | Posted in , , , , , , , , , | Read More »

Da série "Fala-me também do Fado!" | Concerto do Camané, esta noite, no Facebook


Logo à noite, às 21h, o Camané dá um concerto muito especial no Museu do Fado, em Lisboa, que vai ser transmitido, 'ao vivo e a cores', na página do Facebook da Candidatura do Fado a Património da Humanidade.
Chamou ao espectáculo Memória e vai fazer dele chave d'ouro para encerrar a exposição sobre o seu percurso de fadista, que está patente ao público desde Fevereiro naquele mesmo espaço. O concerto coincide com o Dia Internacional dos Museus e servirá também para o Fado assinalar a data em casa própria.
No alinhamento de logo mais, Camané promete regressar ao passado e interpretar alguns dos fados celebrizados por Alfredo Marceneiro, Carlos do Carmo, Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo ou Carlos Ramos, e que hoje se tornaram igualmente indissociáveis da sua voz.
Seja no Museu do Fado, seja no Facebook: absolutamente IMPERDÍVEL!



[ACTUALIZADA]



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16:15 | Posted in , , , , , , , , | Read More »

Ainda o "FMI" de José Mário Branco

Por estes dias o Conexão colocou aqui a tocar FMI de José Mário Branco. Agora, com a devida vénia ao Daniel, remete-se para o texto completo «revisto não actualizado, o ano passado», pelo próprio José Mário Branco: a reboque do Arrastão.

22:18 | Posted in , , , , , , , , | Read More »

Hoje é dia 25 de Abril: Dia da Liberdade

A canção que ficou como eterno hino da Revolução:



A canção que serviu de senha para o arranque da revolução:


Depois do adeus - Paulo de Carvalho

O dia da revolução contado em fotografias:



Breviário sobre o 25 de Abril de 1974: aqui e aqui.

Cf. também:

Mais informação em:

10:10 | Posted in , , , , | Read More »

A propósito da chegada da 'Troika' a Portugal:


FMI - José Mário Branco

07:22 | Posted in , , , , , , , | Read More »

Faz hoje 25 anos que o samba perdeu Nelson Cavaquinho

O último jogral, Jornal do Brasil, edição de 18 de Fevereiro de 1986

Um dos mais importantes criadores de sua geração, cantor, compositor e instrumentista, Nelson Cavaquinho morreu uma semana depois de comemorar a vitória da Mangueira no carnaval.
Artista boêmio, Nelson foi uma espécie de menestrel moderno, conhecido de toda a cidade, que percorria de botequim em botequim, cantando seus sambas. Começou a tocar cavaquinho aos 17 anos de idade e trocou a profissão de policial para viver do samba. Em Mangueira, fez o seu primeiro samba, Entre a Cruz e a Espada, e trocou o cavaquinho pelo violão, mas não abandonou o modo de tocar com o polegar e o indicador que sempre impressionou músicos de renome. Nunca mais parou de compor.
O primeiro sucesso foi Rugas (1946), com Augusto Garcez e Ari Monteiro, mas a fama maior viria mesmo na Mangueira, na qual entrou em 1952.
Nelson compôs com Cartola e com uma infinidade de parceiros, na maioria fictícios (entraram apenas com o nome). Um, se transformaria em sua alma gêmea: o mecânico de máquinas de calcular Guilherme de Brito, boêmio e seresteiro, pintor primitivo e poeta da mesma escola Nelsoniana. Nelson e Guilherme se encontraram em 1946, num botequim do subúrbio de Ramos. Nelson vivia o auge da mais destemperada boêmia: dias inteiros, semanas até, de bar em bar, sem aparecer em casa. Foi um casamento musical à primeira vista, uma união artística de 40 anos responsável por muitos dos melhores sambas já feitos. Alguns exemplos são: A Flor e o Espinho, Luto, Pranto de Poeta, Folhas Secas, Depois da Vida, Quando eu me Chamar Saudade.
Guilherme, boêmio mais moderado, tentou levar Nelson pelos caminhos de uma carreira menos atípica. Em vão, apesar de algumas concessões de Nelson, que nos últimos anos concordou em aproximar-se timidamente do mercado.
Apesar da grande produção artística, Nelson Cavaquinho deixou apenas dois LPs e teve algumas composições gravadas por intérpretes como Elizete Cardoso. Era um rebelde a seu modo, um verdadeiro artista do povo em estado puro. Queria apenas ver a sua arte cantada. Queria, sobretudo cantá-la ele próprio.

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17 de Fevereiro: dia de curvar vénia também a pixinguinha


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Também a 17 de Fevereiro, mas uma bem medida década antes, em 1973, a música brasileira despediu-se de outro "brasileiro imprescindível". Alfredo da Rocha Viana Filho, o grande Pixinguinha, que ia naquela hora ser padrinho de um baptizado, morre aos pés do altar com um enfarte fulminante.

09:39 | Posted in , , , , , , , , | Read More »

Gary Moore

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Casarão alugado por Thalma de Freitas vira espaço coletivo de artistas onde todo fim de semana acontecem shows


Difícil encontrar a casa. Dependurada numa colina de Santa Teresa, ela se esconde, protegida por um grande portão e cercada por um denso jardim. Mais difícil, porém, é sair de lá: música, arte, gente bacana, energia de criação, espírito coletivo e vontade de fazer diferente. Oficialmente, a dona do pedaço é a cantora e atriz Thalma de Freitas. Ela alugou o casarão de oito quartos, onde morou por alguns anos o baterista Renato Massa, e transformou o lugar numa comunidade artística. Pessoas chegam e se hospedam, ou passam a morar. Outras frequentam assiduamente. Sempre, no entanto, tem gente - muita gente - circulando. No primeiro andar, são três grandes salas, voltadas para uma varanda com vista de 180 graus da cidade, e um estúdio de gravação e ensaios, todo equipado. No segundo piso, os quartos. E um banheiro imenso, com acústica perfeita. No terceiro e último pavimento, uma gigantesca laje coberta, um espaço mais que perfeito para pequenos shows, no estilo jam session. Thalma anda até pedindo aos amigos que customizem suas cadeiras de praia e as deixem por ali, porque todo fim de semana algo vai acontecer. Está acontecendo.
- É muito mais fácil uma coisa interessante acontecer com a gente, ou através da gente, quando estamos em grupo. Sozinho, você fica ali, pagando mil contas, naquele caminhozinho, com as suas ideias, tentando realizar as coisas. Mas em grupo... Em grupo, tem troca. Isso vai ser bom para a minha vida. É uma família que está se formando. Eu sempre tive essa coisa de proporcionar. Sempre hospedei pessoas na minha casa por um mês, dois meses. Viajo e fico na casa das pessoas. Na verdade eu não mudei meu estilo de vida - diz Thalma. - Só resolvi juntar tudo. O que eu quero para mim? Eu quero fazer música, fazer teatro, dar festas, fazer shows, receber pessoas e conviver com gente de todo tipo. Estou concentrando tudo isso num espaço. Aqui é o lugar onde eu moro, o lugar onde eu trabalho, onde eu recebo os amigos... Em vez de bancar um apartamento, um escritório, alugar estúdio para gravar... Entende?

Cibelle pode ficar no Brasil

A casa de Thalma é uma ideia gestada no Skype. De um lado, Thalma, conectada no seu antigo apartamento, no Bairro Peixoto, no Rio. Do outro, Cibelle, a cantora paulistana que surgiu ao lado de Suba (1961-1999), no CD "São Paulo confessions", em sua casa no Leste de Londres, onde viveu os últimos oito anos. As duas ficaram amigas durante o TIM Festival de 2007, Cibelle sempre insistindo na ideia do coletivo. Não conseguia entender como as pessoas no Brasil ainda podiam viver tão "burguesamente", "cada um no seu apartamentozinho, com a sua TV a cabo e sua internet". Desde que se mudou, Cibelle mora - ou morava, ela ainda não sabe responder se, de fato, voltou para o Brasil - numa casa com seis artistas, que funciona como residência, ateliê, galeria de arte e estúdio de gravação. O endereço da cantora na capital inglesa fica nos arredores de Brick Lane, uma rua que é símbolo, justamente, de vida alternativa.
- Toda vez que eu vinha ao Brasil, ficava azucrinando as pessoas. Não entrava na minha cabeça a maneira como ainda se vive aqui. Em agosto de 2010, vim mostrar uma instalação numa galeria de São Paulo. Vim de artista plástica, imagina. Muito louco. Um dia cruzei a com Thalma e a Iara (Rennó, cantora paulistana) num boteco. Falamos da ideia de ter uma casa assim no Brasil: uma casa da galera. Enchi o saco delas. Quando voltei para Londres, continuamos via Skype - conta Cibelle. - Acho que em setembro, não me lembro bem, a Thalma falou: "Achei uma mansão em Santa Teresa, com estúdio. Você vem?" Eu respondi: "Gata, estou só esperando alguém tomar essa iniciativa. Tô indo." Tenho total a onda desse tipo de existência coletiva. Mas não tenho a natureza de organizar. Minha função é ligar as pessoas, tacar lenha na fogueira.
A casa tornou-se poesia concreta em novembro. Thalma pegou a chave e se mudou para lá. Cibelle chegou um mês depois, 19 de dezembro.
- O bom é que a Cibelle me legitima. Eu sei que não parece mais maluquice fazer isso. Mas, de certa forma, a Cibelle ajuda a legitimar, sim. Quero estar no Brasil, não quero morar fora. não quero o estilo de vida do Brasil. O individualismo is over - comenta Thalma.
E Cibelle arremata, botando na mesa o imprescindível quando o assunto é comunidade:
- Para não ter treta, põe uma faxineira e faz a vaquinha das compras. Se você quer ter as suas coisas, põe o seu nome na sua caixa de leite. Na minha casa em Londres é leite coletivo, café coletivo, açúcar coletivo e chá coletivo. O resto, cada um tem o seu gosto.
Atualmente, residindo na casa estão Thalma, Cibelle, Iara Rennó e Gabriel Martins, ilustrador de São Paulo. A cantora pernambucana Karina Buhr ficou uma temporada em janeiro. A família de Thalma também, além de dezenas de amigos, alguns com a mochila nas costas, de passagem pelo Rio, como Marina Gasolina, ex-Bonde do Rolê, que hoje é vizinha de Cibelle em Londres e se despediu na última quinta-feira, dia 27.01. Nos fins de semana a casa enche, principalmente aos domingos, quando rolam as jams. Aí é piscina, música, encontros. Boa parte dos músicos da nova geração dá pinta por lá, os paulistanos e os cariocas. Thalma faz questão: a casa é uma ponte Rio-São Paulo. Com o mundo. O francês Vincent Moon, film-maker independente, conhecido pela junção de cinema e música em pequenos filmes de arte, passou o mês de janeiro inteiro por lá. Ele, que já trabalhou com artistas como Tom Jones, R.E.M e Arcade Fire, filmou Ney Matogrosso na piscina.
- A casa materializa coisas em que eu estava pirando também: tocar junto, cantar, compor... A primeira vez em que eu fui lá foi no aniversário de Cibelle, no dia 2 de janeiro. A Thalma está fazendo uma coisa muito legal: um lugar onde a gente pode se hospedar e fazer as coisas acontecerem - diz Karina Buhr. - Voltei várias vezes, passei depois uns dias seguidos. Estou com planos de ficar mais no Rio. Estamos gravando as brincadeiras. Disso pode sair coisa boa.
Parcerias já estão surgindo. Thalma e Iara, que está com um disco pronto, "Oriki", compuseram a música "Amor imenso", e vão cantar juntas no show de Thalma no Solar de Botafogo, quarta-feira. Cibelle e Iara andam dando canjas pelas festas da cidade. Cibelle começou a produzir um novo trabalho, com Pedro Bernardes, que chama de homem-banda. Diz que encontrou um cara que é só plugar na tomada. Santa Teresa é uma festa.

# Assistir ao vídeo da casa

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Documentário sobre Alain Oulman estreia quinta-feira nos cinemas portugueses


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Alain Oulmain inovou o fado de Lisboa e compôs em exclusivo para Amália Rodrigues, formando uma dupla de profundo impacto internacional. O filho de Oulman realizou um documentário sobre a história do pai. O filme, que ganhou prémios, estreia-se quinta-feira nas salas de cinema.

21:27 | Posted in , , , , , | Read More »

Da série: "Canções que nos salvam os dias"

Tô Feliz (Matei O Presidente) - Gabriel, O Pensador

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Documentários sobre os Tuaregues do deserto


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Timbuktu, no Mali. Cidade de lendas e ainda centro nevrálgico do comércio do sal vindo de Taoudenni, um lugar desolado, 700 quilómetros para norte. The Last Salt Caravan acompanha esta caravana de salicultura varrida pelos ventos do deserto que, ao longo dos séculos, transporta o sal sob o sol escaldante das planícies áridas. O documentário é de Março de 1999 e tem a duração de 43 min..

The Last Salt Caravan

Timbuktu in Mali – city of legends, and still a centre for the salt trade. Salt comes from Taoudenni, a desolate place 700km away in the north. From here, it has been carried by camel for centuries. This wind-swept, sun-drenched film follows the ancient salt caravan.
Mali in north-west Africa. Once ruled by a mighty dynasty and one of Africa's wealthiest countries. Today it's one of the world's poorest. In the Middle Ages Timbuktu flourished in trade and culture. A kilo of salt was worth a kilo of gold. The trade still exists; despite the harsh conditions young people are signing up to become caravan drivers. Work is scarce. The Persian word "caravan" means protection of trade, and larger caravans were more secure. The nomadic Tuareg have traditionally chosen this trade. Ali, is a Tuareg, a desert Nomad. Shrouded in blue tunic and scarf to avoid inhaling the desert, he prepares his caravan of camels for the journey to the bleak salt mines of Taoudenni. Ali knows the desert well - travelling this route for many years. During the day he navigates by the sand ripples and the form of the dunes. At night the stars point the way. This is an unearthly world. But Ali's heart is heavy - his family is still in a refugee camp in neighbouring Mauritania, victims of Mali's civil war. Shortly outside Timbuktu we cross a caravan laden with salt blocks, which has just made it back after 40 days' walk. Skeletons of animals which fell along the way are witness to the often deadly price of crossing the desert. At a nomad camp Mahamud tells us 'I love the way we live. Things were only hard during the civil war. They took my goats and camels and simply slaughtered them'. And then at last, the first water well. Camels can live for 2 weeks without water, and a thirsty animal can drink over one hundred litres in one go. Stories are exchanged over green tea. And the caravans continue to pass…Before the civil war tourists who were fascinated by the nomad culture of the desert used to come here. Ali spent 4 years as a desert guide showing them his way of life. But in 1990 the civil war changed all that. This godforsaken Place was forsaken by even the tourists. Left to live out a harsh life in quiet solitude. The war started when the Tuareg rebelled against the government. They wanted to win autonomy but the army hit back mercilessly. Only last year did all groups agree on peace. For five years, the entire north of Mali and almost half of the country was an impassable war zone. The 80’000 refugees have slowly been trickling back since 1996. They are no longer nomads, they want to settle.At the salt mines life is even harder. 6’000 years ago this was a huge lake from the river Niger. The salt is a remnant of that time. Miners hack painful blocks of salt from the earth. Poor quality slabs are carved from the first layers. Beneath lies the salt that is highly prized. Every layer has a name. First comes 'the white', then 'the daughter', 'the top beauty' and then 'the beautiful'. The working conditions are inhuman. Salt eats into the skin in sun which burns without mercy. For three long months Baba will quarry salt here. His home is made of salt. It keeps neither wind nor cold out at night. Increasingly, black men - descendants of the former slaves of the Tuareg - do the hard work. 'Salt workers often die here. We don’t have medicine and the water is salty. We must buy drinking water every day' says Baba.Camels, are by far the most highly performing beasts of burden. We get to know them as never before. They are great source of comfort to their fellow beasts of burden: man. Their dung provides fuel for cooking and their milk sustenance. Each morning, the cranky creatures rise with the sun and stretch and moan as their front legs are unbound. Each night they moan even louder as their legs are bound up to stop up them running away. The dextrous traders bridle the animals with care, avoiding their foul yellow teeth. Once linked together, the camel train resign themselves to their fate. As do the desert nomads.

via The Journeyman

Publisher: Journeyman
Length: 43mins 30secs
Location: Mali
Copyright: ©Marion Mayer Hohdahl
Published: 1 Jan, 1999
Last Updated: 26 Nov, 2010
Ref: 552

Cf. também um outro documentário: Tuareg's Return Home (Mali, Maio de 1997)

Resumo:
A report on the plight of the nomadic Tuareg people of the Sahara.
For centuries the deserts of northern Mali have sustained the Tuareg; herdsmen known as the 'blue people' of the Sahara. But, in the 1990s the combination of droughts and civil war forced most to abandon their herds and flee to refugee camps in Mauritania. Now Moussa Ag Mohammed is returning to his land; but the loss of his herds, and the remorseless advance of the desert, means his ancient lifestyle is doomed. Mohammet Ali, whose lineage can be traced back twelve hundred years, digs with pitiful tools to maintain an ever sinking well against the dusty backdrop of the desert plains. He refused to fight or flee during the war, sticking by his philosophy 'If it is hot where you are, it's even hotter somewhere else'. Orphaned Faty and her brother tend their precious market garden on a patch of sand outside the village; every last drop of water must be pumped by hand. The Tuareg are still pessimistic that their way of life will die out as their children migrate to the towns for an 'easier' lifestyle.

E para acompanhar, nunca é de mais sugerir que se percorra o trabalho dos Tinariwen:


Tinariwen no BBC Folk Festival, em 2005

Segue-se um excerto de uma 'jam session' dos Tinariwen com o mítico Robert Plant, durante um concerto em Paris, a 7 de Abril de 2007. A péssima qualidade do som e da imagem são perfeitamente sofríveis, diante da pérola que representa vê-los a interpretarem juntos a tremendíssima malha dos Led Zeppelin: Whole lotta love.


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Estive por diversas vezes com os Tinariwen. Muitas delas entrevistando-os, outras apenas assistindo às suas actuações em Portugal ou no estrangeiro, integrados em Festivais ou em concertos exclusivamente seus. Nunca aconteceu de ficar um registo vídeo de nenhuma dessas ocasiões. Porque vale a pena relatar a sua história de viva voz, deixo um especial sobre o grupo – Music of Resistance: Tinariwen – realizado pela TV Al Jazeera em Fevereiro de 2009.

As tribos nómadas tuaregues passaram por anos de seca e guerra civil. A única constante através desta dificuldade tem sido a música de Tinariwen.
Os elementos do grupo são kal tamashegs (tuaregues) e foram em tempos soldados rebeldes treinados na vizinha Líbia do coronel Kadhafi. Após anos de luta e violência decidiram depor as armas e lutar com uma arma diferente: a música.
 
Documentário: "Music of Resistance: Tinariwen"
Parte 1:


Parte 2:


O grupo é um dos mais importantes na corrente de renovação que, nos últimos 15 anos, tem influenciado a música tradicional tuaregue. Vozes, palmas, percussão, guitarras (“limpas” e distorcidas), uma execução irrepreensível e soluções musicais surpreendentes, têm-lhes valido um reconhecimento internacional crescente. Imidiwan: Companions e Amassakoul curvaram o Mundo em reverência e coleccionaram prémios. Aman Iman: Water is Life é o seu terceiro e mais recente álbum. 

Documentário oficial: "Tinariwen - Amam Iman: Water is life"
Clip de apresentação


Parte 1:


Parte 2:


Resumo:
Legendary poet guitarists and soul rebels from the southern Sahara desert, this documentary extract features performances of '63' under a tree in the desert 'Matadjem Yinmixan' in a tent in Tessalit, as well as a short interview with founder Ibrahim. In 1963, shortly after independence, the Touaregs of Mali rise up against their new masters. This revolt is brutally suppressed. It is followed by terrible droughts which force thousands of refugees from Mali, Niger and Libya out on the road. It's in the pain of exile that the Teshoumara is born. This movement proclaims the existence but also the necessary evolution of the Touareg people. This is when the guitars of the group Tinariwen first began to be heard.

# Para ouvir no iTunes: AQUI (id=212053410&s=143444)

# Tinariwen: Site | MySpace

Para dar conta do muito que fervilha no panorama musical da região, fica o relato de George Azar nos bastidores de uma das últimas edições do Festival do Deserto, conceituado evento, organizado pela comunidade Tuareg do Mali.

Parte 1:


Parte 2:


A fechar, algo mais sobre o povo Tuateg:


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Sugestão cultural: Roda de Choro de Lisboa


Gravado durante uma apresentação na Casa da América Latina, em Lisboa, no dia 27.09.2007

A Roda de Choro de Lisboa é um projecto de músicos portugueses e brasileiros que se desenvolve dentro do chamado repertório clássico, respeitando a sua linguagem singular ao mesmo tempo que introduz algumas surpresas.
Dizem os organizadores: «Pode-se afirmar que o choro é primo direito do fado, da morna e também do tango, pois partilha com estes várias influências de raiz.»
Ritmos bem portugueses como o corridinho ou o fado são trabalhados pelo grupo de forma a evidenciar esta proximidade das linguagens lusófonas.
A Roda procura o espírito do Rio de Janeiro de princípios do século XX. Os chorões vestem-se a rigor e interpretam maxixes, polcas, mazurkas, baiões, sambas-choro e valsas. No seu repertório constam compositores do género como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Garoto, Waldyr Azevedo, Fon Fon, Chico Buarque, Noel Rosa, Juventino Maciel, Hermeto Pascoal e João Bosco.
A Roda é formada por Múcio Sá (bandolim), Luis Bastos (clarinete), Pedro Moura (cavaquinho e voz), Nuno Gambôa (violão de 7 cordas), Janeca Nogueira (contrabaixo) e Alexandre Barriga (percussão).

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Alcino Correia:: um português no samba do Brasil

foto: Igor Lopes

Com centenas de músicas gravadas e cerca de 600 por gravar, aos 61 anos de idade Alcino Correia é um dos maiores compositores de samba do Brasil. Português de nascença, natural de uma aldeia no concelho de Armamar, no distrito de Viseu, "Ratinho", como é conhecido, tem hoje um sotaque completamente brasileiro. Mas faz questão de sublinhar a sua origem: "Eu sou português, mas canto e faço samba como os brasileiros. Se eu estivesse em Portugal, faria música portuguesa”, enfatiza.
Do lado do Atlântico oposto à sua Lumiares natal, o compositor conta com dezenas de prémios, um deles um Estandarte de Ouro, uma espécie de Óscar da música mais característica do Brasil. “Coração em Desalinho” e “Vai Vadiar” foram as músicas que levaram o letrista ao topo da tradição do samba.

O homem do “Coração em Desalinho”


Alcino Correia Ferreira recebeu a nossa reportagem na sua casa no bairro de Todos os Santos, na zona Norte do Rio de Janeiro. O compositor mora numa vivenda simples, agradável e acolhedora. No quintal, tem um espaço reservado para levar a cabo a arte do samba, onde se encontra com amigos, sambistas, num ato de valorização do samba de raiz. Veste-se de uma forma despojada, corriqueira, sem grandes preocupações com a imagem. O rosto fica meio escondido pela barba crescida, que serve quase como a sua assinatura.
A vida corre-lhe bem. É honesto e, por vezes, pacato, só estremecido pelos ares dos clubes onde atua, à noite, exibindo as rimas que fizeram dele uma referência no samba nacional. No seu estilo arrebatador, confessa que cantar não é o seu forte, embora seja muito respeitado na categoria dos compositores de samba, um dom que descobriu quando tinha 14 anos.
“Sou muito respeitado, pois todas as músicas que faço, por sorte minha, são sempre qualificadas como boas. Assim, o respeito cresce. Se você faz uma música que todos ouvem e cantam, você vai ser respeitado. Eu sou português, mas canto e faço samba como os brasileiros. Se eu estivesse em Portugal, faria música portuguesa”, enfatiza.
Sem papas na língua, diz o que lhe vem a cabeça. Não guarda rancor, mas odeia ser traído. É amigo dos seus amigos e ajuda a todos quando é preciso. O dinheiro é escasso, mas leva a vida como vai dando. Sem muito luxo, mas com muita alegria. Entre uma composição e outra, surgem novas ideias. E a gaveta vai ficando cheia de pedaços de papel com anotações de rimas e estrofes, à espera que alguém se lembre de dar voz às letras mais recentes. Em casa, tem uma relação amistosa com a sua esposa, Denize, que é brasileira, e com a sua filha mais nova, Priscila. O filho mais velho, Paulo Afonso, vive em São Paulo e, sempre que dá, conta com a visita do pai coruja. Os dois filhos nasceram no Brasil.
Na alma, leva a dinâmica não só de um grande compositor, mas também de poeta. Ratinho tem já pronto um livro. “Duas Faces – Fases” vai mostrar poemas, pensamentos, sonetos e crónicas do nosso entrevistado. A data do lançamento ainda não foi definida. Enquanto isso, também trabalha na sua autobiografia e em dois livros de crónicas intitulados "Quintais do meu subúrbio" e “Causos do Samba”.
Basta uma ideia e um pequeno gravador que sempre leva consigo quando sai à rua. Surgem assim, verdadeiras obras de arte da música brasileira, através da inspiração deste compositor. O carinho pela música é uma marca característica de Alcino Correia.
Antes de se dedicar a tempo inteiro à composição, Ratinho trabalhou como estafeta de banco e vendedor. Exerceu profissão também numa ótica e numa empresa de autocarros. Mas foi no samba que encontrou a sua vocação. Mesmo assim, garante: “A música nunca me deu o suficiente para viver”.

A chegada ao Brasil

No dia 5 de Março de 1948, nascia Alcino Correia, em Portugal. Ainda pequeno, corria livre, leve e solto pela aldeia de Lumiares, no concelho de Armamar, distrito de Viseu, na famosa região do Douro. Sendo o mais novo dos filhos de Afonso e Maria dos Santos, Alcino tem poucas recordações de Portugal.
“Lembro-me muito pouco de Portugal. Tenho algumas imagens de algumas coisas da minha infância. Uma das recordações é que as vezes íamos pegar castanhas e machucávamos o pé no ouriço. Uma vez me recordo da minha irmã Odete que me levava pela mão e eu vi uns bois soltos pela aldeia. Eles vieram na nossa direção. Ela se escondeu atrás de um poste e eu caí e machuquei os dentes. Sei que devo ter bastantes parentes em Portugal, pois a minha família era muito grande”, recorda com um ar de nostalgia.
Pouco tempo depois, o seu destino estaria ligado ao Brasil e à cultura popular daquele país. Em 1953, ainda aos quatro anos de idade, Alcino chegava ao Brasil com os seus pais e mais quatro irmãos. A ida para as terras de Vera Cruz prendeu-se com a necessidade da família Ferreira encontrar uma vida melhor. A viagem de Portugal para o Rio de Janeiro foi feita ainda de navio e “foi muito enjoada”.
Desde então, Ratinho ainda não teve a oportunidade de voltar a Portugal. “Estou ansioso para que isso aconteça. Alguns dos meus irmãos voltaram e os meus pais foram lá muitas vezes”. Do regresso das férias dos pais, que já faleceram, Ratinho recorda, com água na boca, as guloseimas que eles traziam.
“Tenho boas recordações dos meus pais. Os nossos almoços eram todos baseados na culinária portuguesa, com muito bacalhau, além do famoso cozido. Lembro-me que sempre que os meus pais iam a Portugal, eles traziam azeite e enchidos deliciosos”, recorda.
Com os irmãos, mantém pouco contacto, por imposição da rotina da grande cidade. A história da sua família é um eterno vai e vem entre os dois países irmãos.
“O meu pai veio para o Brasil com um ano de idade, com os meus avós. Aos 19 anos, o meu pai voltou para Portugal, devido a uma doença pulmonar. Em terras lusas, conheceu a minha mãe, que era prima dele. Casaram-se. Mais tarde, viemos para o Brasil”, remata.
No Brasil conheceu as batucadas e a alegria do samba. Seguiu carreira. Mesmo assim, e por querer entender a lei de direitos autorais, licenciou-se em Direito, mas não pretende exercer essa profissão.
Agora, conta com 36 anos de carreira. Continua compondo e faz muito sucesso no mundo do samba. Tem cerca de 300 músicas gravadas e um historial de 600 canções ainda por gravar. “Nunca me preocupei em gravar. Nem tudo conseguimos gravar. As coisas vão acontecendo. As vezes, temos trabalhos mais importantes dos que os que foram gravados”, observa. Durante todos estes anos, nunca recebeu nenhum apoio por parte das autoridades portuguesas no Rio de Janeiro. Acabou por se naturalizar brasileiro.
Alcino não foi o único português de sucesso no samba no Brasil. A história dá conta também de Carlos Teixeira Martins (ou Carlinhos Maracanã) e Alfredo Lourenço. Mas as letras de Ratinho entraram para a história. Com uma sensibilidade ímpar, Alcino cativou os corações de uma camada considerável de brasileiros e não só. As suas músicas transmitem muita alegria e atitude, sem que ninguém se deixe ficar indiferente ao seu ritmo.
Criado no bairro de Pilares, também na zona Norte do Rio, cedo ganhou a alcunha de Ratinho. O nome surgiu quando tinha nove anos. O menino costumava mexer nas frutas da quitanda vizinha ao bar do seu pai. Sempre que era flagrado, gritavam: “Sai daí, Ratinho”. Surgiu, assim, o Ratinho de Pilares.
Atualmente, tem o coração dividido entre as escolas de samba Mangueira, Salgueiro, Portela e a equipa de futebol do Clube de Regatas do Flamengo. “Na Portela sou muito bem recebido. Mas sinto um impulso muito forte pela Mangueira”, confessa.
Profundo conhecedor do passado do samba, Ratinho insiste em explicar que o estilo veio do “batuque africano, mas teve influência do português em termos de instrumentos. O ritmo começou na Bahia. Mais tarde, veio para o Rio de Janeiro e tomou outra roupagem”.
Autor de várias músicas de sucesso, Ratinho ainda hoje é ovacionado quando apresenta as suas canções nas casas de espetáculo da cidade do Rio. Tal foi o sucesso de uma das suas letras, que o compositor batizou a sua quinta, no município de Magé, como “Coração em Desalinho”. Mas, por motivos financeiros, a quinta, que tinha piscina, área dedicada à agricultura, campo de futebol e muito cómodos, acabou por ter de ser vendida para suprir as necessidades da sua família.
Talvez por essa razão, Ratinho esteja desencantado com o mundo do samba. Mesmo assim, mantém o rumo das composições. Ratinho reconhece que o compositor quase sempre vive à margem da sua criação, sem ter direito ao valor merecido pelas suas letras. Os méritos ficam com o cantor ou com o intérprete.
“O samba tem o lado bom e o lado ruim. Não é uma coisa valorizada. Ele chega a ser descartado da cultura popular. Vivemos da felicidade de compor e não de ganhar dinheiro. Ser compositor é difícil. Quase não se fala do compositor, mas sim do cantor. Muita gente que sabe cantar não tem gravadora ou não tem divulgação. O mercado é fechado. Ninguém vive de samba. As coisas acontecem como amador. Até hoje, não sei se posso ser considerado profissional. Por vezes, o samba é muito mais valorizado fora do Brasil”, garante.

A estreia no samba

Quando tinha cinco anos de idade, já escutava samba. Tinha um tio que fazia parte de um bloco que parava constantemente na Rua Djalma Dutra, em Pilares, zona Norte do Rio de Janeiro. Nessa casa, Ratinho vivia com a sua avó. Assim, escutava a batucada. Aquilo começou a soar bem no seu ouvido. Quando se mudou daquela casa, aos nove anos de idade, começou a ir para a escola de samba Caprichosos de Pilares que fazia os seus ensaios num clube na Rua Soares Meirelles, onde estava a viver. Ainda muito jovem, Ratinho contou com a ajuda de alguns amigos do pai para ter o aval para frequentar os ensaios.
“Alguns amigos que frequentavam o bar do meu pai pediram-lhe para me deixar ir com eles. Mesmo contra a sua vontade, o meu pai deixou. Assim comecei a gostar de samba e a sambar”, relata. Mais tarde, a música tornava-se numa constante na vida deste compositor.
“Com 14 anos comecei a fazer umas rimas. Mostrava para os meus colegas e eles gostavam dos sambas que eu fazia. Quando completei 16 anos, fugi de casa. Fui para o morro do Salgueiro, onde o samba fervilhava com mais intensidade. A escola de samba do Salgueiro era grande. Dessa forma, comecei a viver no meio dos grandes nomes do samba”, explica.

Os parceiros musicais

Ratinho teve muitos parceiros ao longo da sua carreira. Compôs com Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Arlindo Cruz, Wilson Moreira, Walter Rosa, Guilherme de Brito, Cláudionor Santana, entre outros, além de uma parceria póstuma com Nelson Cavaquinho. Hoje em dia, o rei das letras de samba faz nascer canções com outros parceiros, entre eles Aldir Blanc e Rico Dorilêo, que viveu em Lisboa por dez anos, sempre a compor.
Mas foi com Monarco que encontrou o tom certo para o sucesso. Ao todo, durante essa parceira, foram criadas 180 músicas, tendo sido gravadas 60. A história do encontro desses dois sambistas é longa. Em 1967, Ratinho conheceu Monarco, na Portela. Dois anos mais tarde, Monarco gostou de um samba feito por Ratinho e acabou por completar a canção. “Assim começámos a nossa parceria. E deu certo”, lembra.
Muitas das suas canções, num total de 19, ganharam a voz de Zeca Pagodinho, um dos intérpretes de samba mais aclamados do Brasil, com uma extensa discografia e com milhares de cópias vendidas. “O intérprete dá mais ênfase ao que se está contando na música. O cantor geralmente tem uma voz bonita, melódica”, elucida Ratinho.
As letras de Alcino também foram interpretadas por Emílio Santiago, Leila Pinheiro, Beth Carvalho, Alcione, Ivete Sangalo, Jorge Aragão e o grupo Fundo de Quintal.
Por motivos pessoais, Ratinho está afastado dos seus dois principais parceiros: Zeca Pagodinho e Monarco. A nossa reportagem tentou contactar os dois, mas a agenda dos profissionais não possibilitou o nosso encontro.

O segredo de uma boa parceria

Com a experiência e depois de muitas músicas compostas, Ratinho descobriu o segredo para uma parceria dar certo.
“A música é um casamento. As vezes me chamam para fazer uma letra e eu digo o seguinte: primeiro, temos que namorar. Depois, noivar e casar. As vezes querem de qualquer maneira fazer parceria comigo, mas assim não funciona. Se a parceria não tiver um elo, pode até sair uma música bonita, mas depois cada um vai para o seu lado, não sobra mais a convivência e o lado gostoso do samba. Um parceiro é um amigo que queremos ter do nosso lado, mesmo sem ser para fazer samba. Ser parceiro não é só fazer música, é conviver no dia a dia, é conversar”, relata.
O compositor admite que fazer música é um dom e que, geralmente, não há intenções comerciais na criação de uma obra-prima.
“Não faço música para ninguém gravar. Faço música sem intenções, pois sinto vontade de compor. Sinto no meu coração e tenho uma inspiração. Por eu ter o nome que tenho hoje, é que muitos cantores se interessam por gravar as minhas músicas. Os intérpretes gostam das letras e decidem gravá-las. O público nem sempre conhece o compositor, mas nós existimos e criamos as canções”, explica.
Mesmo a crise mundial não lhe retira inspiração, nem nos piores momentos. Mas, segundo Ratinho, a Internet é a grande vilã no cenário musical.
“O mercado de discos está falindo no mundo inteiro, isso está acontecendo depois que a Internet surgiu, acabando com as vendas de disco em lojas. Os compositores estão sentindo muita dificuldade para sobreviver”, adianta.
A saudade aumenta quando fazemos o compositor recordar a interpretação da sua música que mais lhe agradou. Entretanto, aceita a renovação e os novos nomes que dão sucesso ao seu samba.
“Temos grandes cantores no Brasil. Mas tenho saudades de um que já faleceu e que cantava muito bem o samba. Ele se chamava Roberto Ribeiro. Na voz feminina temos a Alcione, que é uma excelente cantora. Mas, certamente, o mais famoso hoje em dia é o Zeca Pagodinho, pela forma como ele canta o samba. Gosto muito quando ele grava as minhas letras”, diz.

A carreira

No final de 1972, Ratinho gravou o seu primeiro samba enredo, que falava da coroação de Dom Pedro, para a escola de samba Caprichosos de Pilares. Na mesma escola foi campeão por sete vezes consecutivas. Em 1983, fez a última música para a Caprichosos. “Frequentei a escola nos anos 60 e 70. São sambas que se fazem para concorrer na avenida, na altura do Carnaval, de acordo com o tema que a escola apresenta. Um dos sambas que fiz foi campeão na avenida do samba, no Rio de Janeiro. Chamava-se “Lili” ou “Samba da Feira”. Com esse samba enredo de 1982, que se tornou num clássico, Ratinho foi homenageado pelos feirantes da cidade. Este foi eleito um dos melhores sambas daquele ano e um dos mais lembrados até hoje. Na época, a composição foi uma novidade, já que a canção contava com três refrães seguidos.
Em 1978, foi vencedor do Estandarte de Ouro, do jornal “O Globo”, em relação ao um samba que falava sobre a festa da uva no Rio Grande do Sul. “Com os prémios, o astral se revitaliza. O compositor vive da emoção que passam para ele”, sustenta.
Foi três vezes campeão de samba de enredo dos blocos “Embalo do Morro do Urubu”, “Difícil é o Nome” e “Boémios de Inhaúma”.
Em 2005, foi o vencedor do samba de terreiro na escola de samba Portela, com a canção “Voltei para Portela”.
Com Noca da Portela divide a autoria do samba “Não me venha com indiretas”, que foi utilizado com hino na época em que o Brasil lutava pelo voto directo.
Segundo Alcino, não foi difícil conquistar o seu espaço no samba, mesmo sendo português.
“Sinto-me totalmente integrado no Brasil. Pode até acontecer de um dia eu voltar a Portugal e querer por lá permanecer. Isso seria muito bonito, pois foi a terra onde eu nasci. O meu pai me levou para o Brasil, onde aprendi os costumes, a música e me tornei num compositor de samba. Se eu estivesse em Portugal, talvez fosse um fadista ou cantasse desgarrada”, salienta.
Sobre a música portuguesa, Ratinho mostra que o fado e o folclore são os estilos que mais admira.
“Conheço muito pouco a música portuguesa. As vezes, recebia uma cassete vinda de Portugal, com cantares bem regionais. Um marco para mim foi os fados que ouvi pela voz de Amália Rodrigues. Gosto também de folclore”, menciona Alcino, que sublinha ainda que “se não fosse no Brasil, em qualquer lugar do mundo estaria fazendo músicas”.

Os maiores sucessos

Entre 1986 e 1987, Monarco mostrou uma melodia para Ratinho. Nascia assim, a canção “Coração em Desalinho”, uma das mais emblemáticas da dupla de compositores.
“Ele (Monarco) fez a primeira parte da canção e eu fiz a segunda. O samba foi um sucesso em 1987. O Zeca Pagodinho teria vendido 700 mil cópias sem tocar no rádio, só na promoção boca a boca. Em todo os shows do Zeca, ele é obrigado a cantá-la”, explica.
A segunda parte de Ratinho tem poucas rimas, mas a melodia envolve-nos. Na mesma linha, está “Vai Vadiar”. A letra foi finalizada em 1999, após 17 anos esquecida.
“Eu cantava, o pessoal ria e gostava. O Zeca adorava. Mas ninguém gravava. Fui então incentivado por um amigo a terminar o samba. Um dia, na rua, nasceu a parte final do “Vai Vadiar”. Nessa música, o Monarco botou o verso do meio”, menciona. A canção “Vai Vadiar” foi eleita um dos 12 melhores sambas de todos os tempos, numa votação da Rede Globo.
Outros sucessos que ficaram na boca do povo foram “Parabéns para você”, eternizada na voz do grupo Fundo de Quintal, “A vaca”, “Meiguice Descarada”, “Termina Aqui”, “Água Benta”, “O dia se Zangou”, “A Feira”, “Loucuras de Uma Paixão”, “Tempo de Amar” e “Sua Presença”. “São sambas que eu canto e todo mundo sabe a letra”, diz orgulhoso.
Recentemente, gravou o seu primeiro Cd, com músicas inéditas. “Quis gravar umas músicas para dar para o Zeca, mas o trabalho estava tão bom que fui incentivado a fazer o meu próprio Cd”, conta.
“O Rato Sai da Toca” conta com 16 músicas inéditas, sendo dez de Ratinho com Zeca Pagodinho. “As vozes foram consertadas digitalmente. Não é preciso hoje em dia ter grande voz para cantar”, ironiza.

A “Toca do Rato”

Nos fundos da casa número 101, na Rua Conselheiro Agostinho, onde vive Ratinho, muitos cantores e compositores se reúnem para dar vida ao samba de raiz. Para ter acesso ao local, é preciso passar pela garagem, onde está um porteiro que cobra 10 Reais (pouco mais de 3 Euros) por pessoa. Logo na entrada, há um quadro com recortes de jornais que falam sobre o compositor. Mais a frente, numa pequena prateleira, estão algumas dezenas de troféus ganhos por Ratinho durante a sua carreira.
Uma rampa dá acesso à chamada Toca do Rato. Os dois primeiros domingos de cada mês são destinados ao encontro de amigos, sendo eles artistas ou apenas amantes desse género brasileiro. O local conta com algumas mesas e cadeiras de ferro. Há um pequeno bar que serve bebidas frescas e aperitivos. A cerveja é a mais consumida. Praticamente em frente ao bar estão expostos alguns quadros na galeria “Bartolomeu Júnior”, onde estão pintados rostos conhecidos do meio do samba. Também na parede podem-se ver várias fotografias coladas a uma moldura de cortiça de momentos e encontros importantes na vida de Alcino Correia.
Mais adiante, está uma mesa, com cerca de dois metros de comprimento, onde se posicionam os músicos. No centro da mesa está sempre uma imagem de São Jorge, um dos santos mais populares no Brasil. No microfone apresenta-se a estrela maior. Aquele compositor que não teve a oportunidade de estar nos programas de televisão, sendo ovacionado e valorizado tal qual os intérpretes das suas músicas. A Toca do Rato é considerada uma das principais rodas de samba do Rio de Janeiro.
“O objectivo é mostrar o lado cultural do samba. Quero mostrar ao povo a forma de fazer samba, a forma de cantar samba e, geralmente, falar de quem faz o samba. Pretendo dar a conhecer quem faz as letras e não quem canta. Estamos sempre ao lado do compositor, de quem criou aquela obra”, acentua.
A Toca do Rato está a funcionar há seis anos. Por vezes “fecha” e por vezes “abre”. “Os vizinhos reclamam. Eles dizem que o nosso encontro faz muito barulho”. A música começa às 16 horas e termina às 20h30. Na Toca, canta-se “um samba que não é barulhento, um samba feito com coração, autêntico”.

O samba em Portugal

O trabalho de portugueses como Roberto Leal, Carmem Miranda, Maria Alcina, Amália Rodrigues e Carlos do Carmo fez sucesso no cenário musical no Brasil. “Vejo isso com importância. Muitos portugueses vieram para cá e fizeram sucesso”, afirma.
Em relação ao samba em terras lusitanas, Ratinho é impiedoso: “Acho que poderia haver mais representação do samba em Portugal. O samba é um batuque, mas a harmonia é portuguesa. Deveria haver uma harmonia melhor entre música portuguesa e brasileira. Espero que isso mude num futuro bem próximo”, desabafa.

O possível regresso

Alcino não esconde a alegria de ter a oportunidade de um dia poder pisar de novo o chão da terra onde nasceu. Essa oportunidade pode surgir com a homenagem que a Câmara de Armamar quer lhe prestar.
“Hoje em dia eu amo o Brasil, pois é a terra onde vivo há 57 anos. Gostaria de poder conhecer mais a história e a realidade do Portugal contemporâneo. O que me ligava a Portugal era os meus pais. Sou mais brasileiro do que português. Mesmo assim, tenho vontade de voltar a Portugal, até por que foi lá onde eu nasci. O valor emotivo nessas horas é muito grande. Voltando a Portugal, gostaria de ter uma boa acolhida e de dar um pouco de mim para o povo de lá. Eu também faço parte de Lumiares”, alega.

A família e os amigos

Procurámos vestígios da família de Ratinho em Lumiares. Encontrámos Floripes Amélia Santos, de 59 anos. Ela é prima em terceiro grau de Ratinho. O seu pai é padrinho de um dos irmãos do compositor. Floripes não se recorda muito do familiar, mas conhece o seu trabalho.
“Sei que ele tem vários prémios no ramo da música. Em Lumiares, as pessoas conhecem pouco ou quase nada do seu trabalho. Por isso, seria muito bom poder trazê-lo cá e fazer-lhe uma homenagem”, sugere.
Quando era criança, Floripes costumava brincar com os irmãos mais velhos do seu conterrâneo. “Ele ainda era muito novo, mas os irmãos dele viviam em minha casa”, admite.
Falamos também com Aldir Blanc, um dos mais novos parceiros de Ratinho. Apesar de ser formado em medicina, Aldir atua como compositor e escritor, sendo um dos mais conceituados e reconhecidos do Brasil. Em relação ao novo companheiro de samba, Aldir é irredutível.
“Acho que o Ratinho representa um fenómeno único na música popular brasileira. Ele é inteiramente intuitivo. Ele é quase cem por cento inspiração. Usa um pequeno gravador nos transportes públicos, onde grava as suas impressões. E agora me trás para eu colocar a letra, já que sou um dos seus mais novos parceiros”, conta. Aldir reconhece o talento de Ratinho e a qualidade das suas letras.
“Ele ainda compõe sem a utilização de instrumentos. Mesmo eu, como letrista, toco um pouco de violão enquanto componho. Ninguém sabe como nascem coisas tão bonitas e tão ricas. Me impressiona muito essa tendência que é antiga no Rio de Janeiro e que o Ratinho talvez seja um dos últimos seguidores”, adianta Aldir, que alega que “trabalhar com o Ratinho é muito fácil”, já que ele “se adapta rapidamente à letra que você entrega, assim como é capaz de receber a letra que você escreveu para a música dele, ajeitá-la e fica mais bonita”.
O compositor brasileiro garante que é “raríssimo encontrar um parceiro dessa qualidade e dessa simplicidade”. Aldir complementa dizendo que Ratinho mudou algumas coisas no samba brasileiro. “Ele trouxe para o samba uma qualidade nova. Ele trouxe a intuição, trouxe a inspiração, trouxe uma forma nova de compor, onde o coração do compositor se sobrepõe a qualquer outra coisa. Eu não conheço ninguém na música popular brasileira de hoje que faça os sambas da forma, pureza e alegria como ele faz”, sublinha.
Atualmente, Ratinho e Aldir contam com seis músicas prontas. São sambas de meio de ano, que são gravados entre um carnaval e outro. “Muito me alegra encontrar um parceiro muito semelhante ao que sinto no íntimo. Acho que vamos fazer músicas que vão alegrar brasileiros e portugueses”, finaliza.
Ircéa Gomes é irmã de Zeca Pagodinho. Fã de Ratinho, já gravou uma das suas músicas, que se chama “Coração Criança”. Há muitos anos conhece e admira o trabalho desse letrista.
“Conheço o Ratinho há muitos anos no meio do samba. É um compositor conceituado. Faz um samba sério, de raiz. Quem sabe valorizar o samba genuíno está na Toca do Rato”, comenta Ircéa.
Para a cantora, a forma de compor de Ratinho serve de modelo. “O trabalho do Ratinho como compositor é excelente. É uma linguagem bem aberta. Ele é romântico. As letras são inteligentes e não corriqueiras. Ele continua no bom caminho das composições”, completa.
Lan é um caricaturista italiano famoso. Trabalha há mais de 60 anos na imprensa uruguaia, argentina e brasileira e é amigo pessoal de Ratinho. Através do samba, conheceu a identidade do povo brasileiro. Foi assim que teve contacto com Alcino Correia. Uma das suas novas funções é fazer a ilustração do livro de Ratinho.
“Tive a sorte de conhecer os maiores nomes do samba do Brasil. Considero o Ratinho um fenómeno excepcional no campo da cultura popular. Além de sambista é poeta. Eu admiro muito o Ratinho. O samba é a grande expressão nacional e marca o Brasil. Antes de mais nada, ele é um poeta que conhece a cidade como poucas pessoas”, assinala Lan.
André Freire é crítico e amigo de Ratinho. Este responsável, luso-brasileiro, conhece de perto a cultura do Brasil e garante que Ratinho faz parte dela como ninguém.
“O Ratinho significa a valorização da cultura brasileira. Ele é um nome importante no samba do Rio de Janeiro e do Brasil”, destaca.
Já a esposa Denize prefere lembrar as dificuldades que rondam a carreira de Ratinho.
“O Ratinho tem uma carreira que foi muito sofrida, com muitas dificuldades, mas o resultado é muito bonito e gratificante. As pessoas cantam as músicas dele com muito carinho. Em termos de finanças ele não é valorizado como deveria. Ele tem muitos sucessos e luta com dificuldade. A ideia da Toca foi mais minha do que dele. Foi a forma que encontrei de demonstrar o meu amor pelo seu trabalho”, argumenta. O casamento com o compositor dura já 29 anos.
Priscila é a filha mais nova do compositor. Estuda publicidade e tem 21 anos. Quando houve falar no talento do seu pai, o seu rosto esboça um sorriso sem fim.
“A música faz parte da nossa vida. Gosto muito das canções dele. Não só ele, mas a maioria dos compositores não tem o valor que deveria ter. Gosto de várias músicas dele, mas a minha preferida é “Vai Vadiar”. Fico toda boba quando alguém descobre que o meu pai é compositor de uma música de sucesso”, afirma.
Priscila recorda que quando era pequena também gostava de escrever músicas e gravava para mostrar ao pai. Mas hoje deixou a composição de lado. Sobre Alcino, acredita que ele tem muita música bonita guardada. “Ele só gravou um Cd, deveria gravar mais”, lamenta.
Já o seu irmão, Paulo Afonso, sargento do exército brasileiro, vive numa luta constante para tentar perceber por que o pai não tem o reconhecimento merecido para além da fama.
“A valorização da nossa arte se perdeu. Há uma inversão de valores. Qualquer música, qualquer rima, faz sucesso. Quando vejo uma música que o meu pai compôs há 20 anos fazendo sucesso, é sinal de que é um trabalho bom que vem durando décadas. Pode ser que a obra se torne imortal. Ele tem uma capacidade artística e criativa muito boa. Ele está dando a sua contribuição para que não se perca o bom samba de raiz, o bom pagode”, considera.
Paulo mostra-se orgulhoso do pai e sublinha que uma das coisas que mais admira é a capacidade criativa de Ratinho. “No meio de uma conversa, pode acontecer dele assobiar uma melodia, fazer uma rima e daí brotar um grande sucesso”, revela.
A nossa reportagem ouviu ainda Sérgio da Silva, presidente da Junta de Freguesia de São Martinho das Chãs, a qual pertence Lumiares.
Este responsável diz que já ouviu falar no trabalho de Ratinho no Brasil, mas não o conhece. “Gostaria de o conhecer. Não sei se ele ainda tem familiares vivos aqui em Lumiares, mas vou procurar”, adianta Sérgio, que diz-se contente em saber que há um filho da terra a fazer sucesso. “Queria vê-lo em Portugal, fazer-lhe uma homenagem e mostrar-lhe a sua terra natal”, termina.
Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal de Armamar, Hernâni Almeida, justifica que o mínimo que o concelho pode fazer em relação ao compositor é trazê-lo a Portugal para rever Lumiares.
“Conheço mais a história do Ratinho agora. Sei que é um compositor famoso ligado à música tradicional brasileira. Sei que já ganhou alguns prémios nessa área. E continua a desenvolver o seu trabalho com bastante qualidade”, realça.
O autarca destaca ainda que “gostaria de trazer o Ratinho a Armamar para que o povo do concelho pudesse conhecer o seu trabalho e a sua pessoa e que nos pudesse mostrar o que ele tem feito pela música brasileira, o que é um grande orgulho para o nosso concelho”.
O edil diz que ter um português, ainda por cima de Lumiares, que tem valorizado a cultura e a língua portuguesa é uma alegria.
“Penso que ele pode levar a imagem do concelho, os nossos usos e costumes, para o Rio de Janeiro. Seria interessante fazer um protocolo de colaboração com a Casa de Viseu da cidade do Rio. Era fundamental apoiá-lo. Ele poderia nos transmitir o seu trabalho e o seu conhecimento sobre a cultura brasileira. O Ratinho merece o nosso carinho. Ter alguém de Armamar que chegou a um patamar de projeção e de qualidade bastante grande é extremamente positivo para todos nós”, conclui.
A vida de Ratinho certamente daria um livro. Ou melhor, uma música. Alcino Correia viveu muitos desafios em sua vida. Foi escoteiro e estudou em colégio interno por dois anos. O seu espírito é criativo, versátil e irrequieto. Outra das suas facetas é ser inventor. Isso mesmo. Ratinho cria peças, como uma escova de dentes que vem com pasta, fio dental e espelho, além de um barbeador com espaço para pincel, entre outras invenções. Mas o seu passatempo preferido é compor. Criar músicas que deixam em desalinho milhares de corações brasileiros.

publicado no Mundo Português
14.07.2009

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