Uma acção inspectiva da ASAE, polícia da higiene e segurança, considerou que a cozinha do Palácio Nacional da Ajuda - onde habitualmente se realizam os banquetes oficiais - não dispunha das condições exigidas por lei e mandou encerrá-la, situação em que se mantém. (...) O encerramento da cozinha pela ASAE foi confirmado ao Público pelo assessor do Ministério da Economia, que referiu as más condições de higiene e segurança sem especificar. Outra fonte acrescentou que a falta de condições se verifica no apoio à cozinha, mas que a situação é reversível com obras e aquisição de equipamento.
E agora o detalhe 'delicioso' que acompanha a notícia: a situação obrigou, na manhã de quinta-feira, a Presidência da República e o Protocolo do Estado a transferirem às pressas o jantar em honra do Presidente da Polónia (de visita a Lisboa) para o Palácio Nacional de Queluz. É certo que não se podia esperar que Cavaco, que nem sabe às quantas anda Portugal, estivesse a par da ordem de serviço entregue, naquele dia, à brigada da ASAE. A mesma desculpa não tem esta última, habituada que está a tomar todos os zelos da nação a seu cargo. Na verdade o embaraço de protocolo era facilmente evitável. Bastava que os inspectores da ASAE consultassem a lista de marcações do Palácio da Ajuda com a mesma religiosidade com que perseguem o calendário de feiras de Norte a Sul do país. Ou que a sua assessoria de comunicação fosse tão expedita a consultar a agenda do presidente como a plantar notícias de acções e apreensões nos jornais e televisões. Ou será que a ideia era mesmo essa, aproveitar o estardalhaço da ocasião para reforçar a visibilidade? 'Mais que fazer!', argumentará certamente a ASAE: muita produção caseira de queijos, muito pequeno comércio para fechar portas, muita barraca de pipocas e farturas para interditar nas festas de aldeia. Mesmo assim. Será que não se podia ter lembrado das cozinhas dos palácios há mais tempo? Ou, já agora, será que não podia ter deixado para o dia seguinte? 'Assim-como-assim', o risco de intoxicação alimentar que Bronislaw Komorowski corria não haveria de ser diferente daquele a que outros convivas, antes dele, têm andado expostos à mesa dos banquetes oficiais oferecidos pelo Estado português!...
Nestes tempos das repúblicas em crise, as monarquias não podem julgar-se isentas. Centradas nos seus hábitos seculares tendem a esquecer-se que, entretanto, o mundo se globalizou e que, tal como os tiros, os olhos furtivos tudo miram e alcançam. Até o Botswana. Depois do exemplo do genro Iñaki Urdangarín, esperava-se que a Casa Real de Espanha tivesse aproveitado para uma reflexão idêntica à da opinião pública. Ao povo amargado em aflição pouco interessa se lhe cabe o trono e não o Parlamento. Importa apenas que não se distraia dos sofrimentos causados em conjunto. Para não ter entradas de leão e sair a pedir desculpa. Para não se exibir demasiado vitoriosa e acabar 'desancada': de uma e, o que vem a ser pior, de outra forma.
O Rei de Espanha enverga na lapela o emblema da organização conservacionista WWF, mas continua a matar elefantes, uma das espécies mais emblemáticas e ameaçadas do mundo. A vaga de protestos em Espanha contra esta dispendiosa escapadela cinegética para África do rei de um país com 23 % de desempregados, na mira da especulação financeira, e com um problema de separatismo que só aumentará com a brutal redução do orçamento das autonomias, talvez tenha ajudado a derrubar o mito de que só a monarquia salva o Estado espanhol da fragmentação. O tiro de Juan Carlos talvez não tenha derrubado só um elefante. Ele terá ajudado a dissipar os preconceitos que ainda explicam o absurdo de manter monarquias hereditárias em Estados de direito, onde, como dizia Thomas Paine, só "a lei é o rei"... Contra esta frivolidade monárquica, um pouco de austeridade republicana será uma bênção para a Espanha.
Surpresa, surpresa (ou não!), o colectivo hacker Anonymous também figura na lista como 'personalidade mais influente'. É o próprio editor da Time quem se ocupa do texto, onde sublinha que com humor e desprezo pelas autoridades, esse «cérebro colectivo sem líder» da Internet justifica plenamente o seu lugar entre os 100 pela capacidade de desafiar inimigos que vão desde os ditadores árabes e o Vaticano, aos bancos, FBI e CIA. No ranking constam 11 políticos, dos presidentes da Nigéria a Mianmar, passando por Barack Obama, Angela Merkel e, mais uma vez, Dilma Rousseff (cujo perfil volta a ser redigido por outra mulher, no caso Cristina Kirchner). Para além da presidente, há mais dois brasileiros na lista: o milionário Eike Baptista e a recém-eleita para o comando da Petrobras, Graça Foster. Nenhum português. Nem Cristiano Ronaldo, como em 2010. Perdeu para o Messi!
O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, a eurodeputada socialista Edite Estrela e o comentador e blogger Daniel Oliveira lideram o ranking dos dez portugueses mais influentes do universo político no Twitter. Na quarta posição está a jornalista Fernanda Câncio, seguindo-se o investigador e blogger Nuno Gouveia (5º), o jornalista José Manuel Fernandes, o deputado socialista João Galamba (6º), o argumentista João Quadros (7º), o jornalista e blogger Paulo Querido (8º) e o deputado do CDS Michael Seufert (10º). Em três meses, os dez portugueses mais influentes do Twitter receberam em média 3.067 re-tweets, 9.155 menções, tendo registado cerca de 10.443 seguidores na rede social. A lista, elaborado pela Burson-Marsteller e Lift Consulting, faz parte de um estudo denominado "G20 influencers", que avalia o impactodas 200 personalidades mais influentes na área política em 20 países. Barack Obama, Dilma Rousseff e David Cameron estão entre os mais influentes do universo político a nível mundial. O estudo tem como base a ferramenta Klout, que analisa a influência nas redes sociais, através de uma pontuação (Klout Score).
A hora vai mudar em Portugal e noutros países, esta madrugada. A passagem para a hora de inverno acontece quando forem 2h, devendo os relógios ser atrasados 60 minutos.
Por decisão do Presidente Dmitri Medvedev, os russos, a partir deste ano, passarão a ter a mesma hora ao longo de todo o ano, pondo fim à tradicional hora de Inverno em vigor nas últimas três décadas. O dirigente russo justificou a medida com base num relatório, publicado pela Academia de Medicina da Rússia, que revelou dados preocupantes: quando a hora muda no Inverno, o número de ataques cardíacos aumenta 1,5 vezes, e a taxa de suicídios cresce 66%. O Kremlin também apresentou cálculos que mostram que as horas de luz natural no país vão aumentar entre 7% a 17% e que isso poderá significar uma maior poupança de energia elétrica.
«Este é só o episódio 1», disse ontem ao i Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, responsável pelo vídeo (...) chamado "O que a Finlândia precisa de saber sobre Portugal" (...). «Temos muito material investigado para fazer muitos mais vídeos sobre o que é Portugal», afirma Carlos Carreiras.
Portugal começou e a resposta da Finlândia não se fez esperar. Os dois países conversam agora via Youtube, num diálogo viral que se propaga nas redes sociais. Um sucesso que se explica pelo apelo «a um instinto primário a que poucos se podem sentir alheios» e que é tão previsível quanto perigoso. A prová-lo fica o último parágrafo do texto que o Diário Económico publica hoje - "Uma bofetada de luva branca aos finlandeses" - e onde, a pretexto do Dia da Europa, se aproveita para introduzir a martelo a seguinte tese:
Durante muitos anos andámos a endividar-nos para comprar telemóveis à Finlândia e submarinos à Alemanha cujas exportações muito cresceram à custa de países como o nosso, consumistas e irresponsáveis, e que agora estão sem dinheiro para pagar esses mesmos submarinos e telemóveis. Aquele vídeo feito pela Câmara de Cascais e que andou a circular este fim-de-semana no Youtube, tendo já chegado às televisões de Helsínquia, é uma verdadeira bofetada de luva branca a esses senhores da Finlândia. Os Verdadeiros Finlandeses deveriam ser aqueles que se lembrassem de que em 1940 passaram fome e que na altura tiveram a solidariedade de Portugal.
É traiçoeiramente estreita a margem a partir da qual o natural amor à pátria se converte em nacionalismo exacerbado, com todas as ameaças nele contidas. Pelo tom, suspeito que o texto desconhece - ou, se conhece, fez de conta que não viu - o vídeo que os finlandeses também já trataram de dedicar aos portugueses. Como também suspeito que desconhece ser, precisamente, esse o mal que já está a enfermar a Europa, destruindo o que resta de coesão e alimentando as raivas veladas: a fartura de "bofetadas de luva branca" que, tal como os vídeos, se propagam como vírus. Seriam sempre de evitar, mais que não fosse porque, ao que consta e está bom de ver, a Europa ainda está longe de conhecer o remédio para a sua cura.
O jornal i completa hoje dois anos de publicação e está nas bancas com uma edição alargada. Eleito o jornal com "o melhor design do mundo", assinala a ocasião com um suplemento dedicado à selecção das suas melhores capas, para além do habitual suplemento LiV, que vai dos livros às viagens.
A Hamilton College class and their public policy professor analyzed the predicts of 26 pundits — including Sunday morning TV talkers — and used a scale of 1 to 5 to rate their accuracy. After Paul Krugman, the most accurate pundits were Maureen Dowd, former Pennsylvania Governor Ed Rendell, U.S. Senator Chuck Schumer (D-NY), and former House Speaker Nancy Pelosi. “The Bad” list includes Thomas Friedman, Clarence Page, and Bob Herbert.
Com os verdadeiros desastres de opinião, comentário, análise e previsão a que todos os dias se assiste nos jornais, rádios e televisões portuguesas, especialmente desde que a crise bateu à porta, deixa-me a pensar: por cá deveria fazer-se o mesmo.
Segue uma colectânea de vídeos, organizada pelo Luís Pedro Nunes, que vale a pena ver:
Foi a semana de Barack Obama. Basta ver os top virais. Começou por "aniquilar" Donald Trump, que tinha desenterrado a questão da nacionalidade do Presidente americano. E explodiu de popularidade com o anúncio da morte de Bin Laden. Das histriónicas manifestações de nacionalismo às mais bizarras teorias da conspiração, os comentários dos vídeos foram antros mal frequentados de insultos e ameaças USA vs World...
Presidente Barack Obama faz KO a Donald Trump no jantar de correspondentes estrangeiros
É logo um começo de bom augúrio para Barack Obama, com o stand-up comedy presidencial mais apreciado dos últimos anos. Donald Trump, que tem aspirações a ser candidato presidencial republicano e baseara a sua campanha na acusação de Barack Obama de não ter nascido nos EUA, foi esmagado e humilhado publicamente sem direito de resposta. Uma novidade para o milionário.
Phillies fãs reagem à morte de Bin Landen com canto "USA! USA!"
Este vídeo tem está a fazer furor na Net por ter características muito americanas e muito por ter ingredientes virais-tipo. A questão não é o canto emocionado da multidão mas as coincidências do momento e do local. As duas equipas estão ligadas ao atentado (Nova Iorque e Pensilvânia) e estava-se no 9.º inning do jogo de basebol, com um empate a 1-1. Ou seja: 9,1,1. Não e preciso dizer mais nada... "A mão de Deus..."
Um dia após anúncio da morte de Bin Landen, já os teóricos da conspiração estavam em campo. Um dos mais famosos, Alex Jones, da direita conservadora aliada de Roswell e OVNIS e que tem um programa de rádio sindicado em 60 estações, já sabia como tinha sido feita a "marosca" hollywoodesca.
O Instituto de Meteorologia já tinha avisado que 12 distritos podiam ser acossados por fortes chuvas e queda de granizo a partir do final do dia de quinta-feira. Acontece que a intempérie chegou esta tarde, de repente, depois de uma manhã mais ou menos soalheira. Passava pouco das 15h 40. E, no caso de Lisboa, desabou em força. A zona de Benfica foi a mais afectada, mas a confusão também tomou conta da Amadora, Pontinha, Queluz e Oeiras. Muitas ruas ficaram totalmente pintadas de branco. O gelo cobriu por completo o relvado do Estádio da Luz, interrompeu o trânsito na 2ª Circular, uma das principais artérias da capital, entopiu a nova CRIL e o caos instalou-se na cidade. Os bombeiros não tiveram mãos a medir: registaram-se mais de 200 inundações e choveram pedidos de ajuda de moradores e lojistas. O temporal fez apenas um ferido, mas contabilizam-se muitos danos em viaturas, especialmente na zona da Damaia com os moradores a descreverem um verdadeiro "cenário de guerra". O Zé Goulão fotografou o insólito, mas há mais: AQUI. Os vídeos invadiram de imediato as redes sociais e o Youtube. Veja-se este, este e este. Mais selecções, para ver AQUI e AQUI. Vídeos SIC sobre o mau tempo Parece que o tempo só melhora a partir de 2ª feira.
... até porque o mais mediático acontecimento cor-de-rosa do ano pode ser companhado minuto a minuto, em várias frentes: para além de qualquer jornal ou TV online nacional ou internacional, no site da família em Princeofwales.gov.uk, na página oficial do Facebook, no Twitter da Clarence House ou nas hastags#rw2011 e #royalwedding. A cerimónia tem canal próprio no YouTube com direito a live stream via theroyalchannel e todas as fotos estão a ser publicadas num Flickr Album.
Pig Island, oficialmente Staniel Cay, é uma ilha habitada somente por porcos onde Jim Abernethy, um fotógrafo da Flórida, registou o dia a dia dos suínos naquele paraíso de águas claras e tépidas no meio das Bahamas. A pequena ilha abriga porcos há séculos, que foram lá introduzidos por marinheiros como garantia de reservas de alimentos durante as suas longas viagens. Acontece que os homens nunca mais lá voltaram e os animais criaram uma verdadeira colónia independente e de fazer inveja a qualquer um.
Marina Silva was nominated for a Shorty Award! Sou senadora (AC). Fui candidata à Presidência pelo PV, professora de História, e ex-ministra do Meio Ambiente. http://www.minhamarina.org.br
Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras e dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Oeiras e Amadora, disponibilizou-se para oferecer à Assembleia da República os recipientes considerados adequados e em quantidade necessária para que ali se possa instituir o consumo de água da torneira.
A carta de Isaltino vem na sequência do parecer sobre a alegada falta de higiene da água canalizada – e que também levantava problemas de ordem prática quanto, por exemplo, à manutenção e distribuição de jarros de água – aprovado pelo Conselho de Administração da Assembleia da República, no âmbito de um projecto de deliberação do PS que propõe a substituição da água engarrafada pela água da torneira no Parlamento, como forma de reduzir os resíduos e evitar a associação publicitária a marcas.
Um sem abrigo da cidade americana de Columbus é a mais recente celebridade da internet. Ted Williams vivia na rua há 13 anos até que um repórter de um jornal local descobriu que este homem era dono de uma voz radiofónica.
Sócrates e todos os outros, que mesmo quando nada o justifica preferem falar mal numa língua estrangeira do que bem na sua própria, deveriam aprender alguma coisa com José Mourinho. É por essas e tantas outras que acaba de ser eleito, há minutos, pela FIFA o 'Melhor Treinador do Mundo de 2010'. No momento em que ouviu o seu nome, e antes de se dirigir ao palco suíço, o treinador português fez questão de cumprimentar, um a um, os seus actuais e antigos jogadores presentes na sala: Iker Casillas e Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, Maicon, Lúcio e Schneider, do Inter de Milão. Já com o troféu nas mãos, falou pouco. Foi breve, mas assertivo e eficaz. Começou com um pedido de desculpa que, mais do que uma justificação, foi um aviso: «Peço desculpa por falar em português, mas sou um orgulhoso português». Depois disso reconheceu que «trabalhei muito para chegar até aqui, mas não cheguei cá sozinho. Cheguei com os meus jogadores e técnicos». Agradeceu o prémio com uma menção especial «à força de todos os que me amam e com quem vou celebrar a seguir».
O "La Gazzetta dello Sport" enganou-se em toda a linha quando, a 5 de Dezembro, garantiu que os espanhóis Del Bosque e Iniesta iriam receber a Bola de Ouro, respectivamente para treinador e jogador do ano. A gala da FIFA em Zurique serviu sim para consagrar o português José Mourinho e o argentino Messi, que não disfarçou a surpresa. No primeiro ano em que os treinadores foram premiados, Mourinho fez jus ao título de "special one". O jornal italiano havia anteriormente antecipado com total fiabilidade a lista dos três nomeados para cada um dos dois prémios. Isso deu ainda maior credibilidade à segunda notícia. A tal ponto que Mourinho chegou a reagir com insatisfação, dizendo que se não ganhasse o troféu no ano em que se sagrou campeão europeu e venceu tudo o que havia para ganhar em Itália não sabia quando o poderia ganhar. E torceu ainda o nariz ao facto de uma boa parte dos votantes ser os seleccionadores inscritos na FIFA, facto que indiciava favorecer um Del Bosque acabado de se sagrar campeão do mundo na África do Sul.
Os troféus deste ano tinham ainda como novidade o facto de assinalarem a fusão dos prémios da FIFA com os da France Football. Desta vez, foram chamados a votar não só os 208 seleccionadores e capitães das diversas selecções, mas também os 154 jornalistas e correspondentes que a revista francesa tem espalhados por todo o mundo.
O técnico português acabou por levar a melhor sobre o seleccionador espanhol, mas por uma pequena diferença. Mourinho recolheu 35,92 por cento dos votos, enquanto Del Bosque conseguiu 33,08%. Guardiola registou apenas 8,45%. Um pormenor: Del Bosque teria ganho se só contassem os votos dos seleccionadores (teve mais 1,85% dos votos), apesar de Mourinho ter recebido o máximo dos votos possíveis de Fernando Santos, Henrique Calisto e Paulo Duarte... Mourinho levou claramente a melhor entre os capitães das selecções (mais 4,1%), confirmando-se que a relação com os jogadores está na base do seu sucesso. Entre os jornalistas, houve quase um empate (Mourinho ganhou por 0,57%). Del Bosque não votou em Mourinho; Ronaldo não votou em Del Bosque...
Mourinho não participou na conferência de imprensa que antecedeu a gala. O avião privado que levou a comitiva madridista, incluindo o director-geral Jorge Valdano (que mantém relações pouco afáveis com o português), aterrou demasiado tarde em Zurique. Quem conhece bem Mourinho, não descarta a hipótese de ele ter tentado apurar antecipadamente se iria ou não ser premiado.
O primeiro sinal de que as coisas lhe iam correr bem veio do seu ex-craque no Inter de Milão Sneijder. Quando subiu ao palco para integrar o melhor “onze”, o holandês teve o cuidado de dizer que Mourinho era “o melhor treinador do mundo”. Sentado entre Guardiola e Ronaldo, Mourinho quase chorou. E quando Silvia Neid, que arrebatou o prémio de melhor treinadora enquanto seleccionadora da Alemanha, abriu o envelope onde se anunciava que Mourinho era o mais votado, o português ergueu-se lentamente e foi primeiro cumprimentar os jogadores do Inter e do Real presentes na sala, antes de subir ao palco. “Trabalhei muito para chegar aqui, mas não chego sozinho. Chego com os meus jogadores, com os meus colaboradores, com a força dos que me amam e me esperam para celebrar este momento fantástico”, disse Mourinho, que fez questão de falar em português. Antes, tinha dado os parabéns a dois fantásticos treinadores, “o senhor Del Bosque e o Pep Guardiola”.
A cerimónia acabou por redundar num relativo fracasso para a Espanha. Falhou os principais prémios (Luiz Suárez – em 1960 – continua a ser o seu único jogador premiado) e a Marca titulou na sua edição online que “Messi deixou a Espanha sem a Bola de Ouro”. Os seis espanhóis no “onze ideal” não chegaram para atenuar a frustação.
foto: Reuters
Bola de Ouro
Mourinho: “Depois de Eusébio, Figo e Cristiano, tocou-me a mim”
José Mourinho qualificou como “histórico” o facto de ter recebido nesta segunda-feira o prémio de melhor treinador do mundo em 2010. “É um troféu histórico para mim e para o futebol português”, disse o treinador aos jornalistas em Zurique. “Depois de Eusébio, Figo e Cristiano, tocou-me a mim. Já somos quatro [a ganhar a Bola de Ouro]. Para um país como o nosso é motivo de satisfação”, acrescentou o técnico, explicando as razões de ter discursado em português. “Os portugueses não têm tantas alegrias assim.” Mourinho reconheceu, por um lado, que lhe faltava este prémio, até porque “não existia”, e que é um troféu “marcante”, por ser a primeira vez que é atribuído. Mas, por outro lado, também o desvalorizou: “Mais importante do que o troféu é ouvir palavras como as do Sneijder, Marcam mais do que troféus”, disse o treinador, referindo-se à declaração do médio holandês durante a gala (“foi um prazer trabalhar contigo. Para mim, és o melhor treinador do mundo”). O treinador do Real Madrid fez ainda questão de salientar que “amanhã há treino e quinta-feira há jogo”: “Quem me conhece sabe que olho sempre para frente e não para trás.” Nas declarações em Zurique, já depois de ter recebido o prémio, Mourinho defendeu ainda que o galardão é uma homenagem ao seu título europeu: “O Inter foi um bocadinho injustiçado como campeão europeu por não ter tido nenhum jogador sentado nestas três cadeiras. Sabia que para a família interista tinha algum significado que o seu treinador recebesse a Bola de Ouro”, disse Mourinho, que se despediu descrevendo o troféu que levou para casa: “É pesadinho, bonito, mas o importante é o significado dele.” link
A carreira de José Mourinho como treinador principal começou há exactamente dez anos e, ironicamente, da maneira menos ajustada para ilustrar o seu trajecto vencedor. Foi com uma derrota (1-0) no Estádio do Bessa, frente ao Boavista, que o então técnico do Benfica iniciou, a 23 de Setembro de 2000, um percurso que uma década depois inclui 17 troféus e uma marca indelével no futebol mundial. As palavras proferidas nas chegadas ao FC Porto (“Para o ano seremos campeões) e ao Chelsea (“Sou especial”) são bem mais indicadas para descrever “a mais poderosa mentalidade que o futebol gerou”, como lhe chama Manuel Sérgio, um dos seus professores. “Defino-me como um grande treinador, com qualidade nas diferentes vertentes que constituem o trabalho de um treinador nos dias de hoje. Desde a gestão, a planificação, a metodologia e a liderança”, disse Mourinho à Lusa, a propósito desta efeméride. Mas afinal o que é que Mourinho tem que os outros não têm? Manuel Sérgio defende que em José Mourinho “confluem todas as qualidades necessárias para se ser treinador de futebol”: “Para ser treinador não basta estudar e saber muito. É preciso ter determinadas qualidades humanas”, afirma este professor de Filosofia, resumindo as características essenciais. “Tem uma leitura do jogo incomum, sabe motivar jogadores e comunicar com eles. É um líder”, resume. Mourinho recusa explicar em que é que inovou. “Mas, em alguns aspectos, há, seguramente, um antes e um depois de mim. O estilo de liderança, o modo de comunicar, a metodologia de treino”, afirma. Mas está-se realmente perante um treinador inovador? Jorge Castelo, professor da Faculdade de Motricidade Humana, não tem dúvidas. “É inovador, porque tem sucesso regularmente, o que não é habitual”, aponta, não hesitando em afirmar que Mourinho é o treinador “com maior impacto no futebol mundial desde [o holandês] Rinus Michels”. Não por ter desenvolvido um sistema táctico nunca antes visto ou por ter criado uma nova forma de jogar, mas por reunir qualidades únicas e conseguir coisas que “ninguém imaginaria possíveis”. Uma delas foi ser campeão europeu com um clube português, depois da chamada lei Bosman, que liberalizou a utilização de jogadores comunitários, dificultando a tarefa a clubes médios. Aí mesmo Jorge Castelo vê outro dos méritos de Mourinho, o de encontrar jogadores desconhecidos e transformá-los em futebolistas de primeiras linhas – a lista de exemplos é longa, de Derlei a Milito, passando por Deco. A metodologia de Mourinho (“treinar a matriz de jogo”) consiste em elaborar exercícios que reproduzam o jogo. Não separa o treino físico, do táctico, técnico e psicológico. Tudo é trabalhado ao mesmo tempo. O método não foi inventado por ele, mas para Manuel Sérgio foi ele quem “concretizou bem essas teorias”. Estes métodos permitiram-lhe ganhar a admiração dos jogadores, um dos grandes segredos. E a inovação passa também pela forma como consegue motivar os seus futebolistas. A lista de truques é longa: recortes nas paredes do balneário, pontapés em caixotes de roupa ao intervalo para espicaçar os jogadores, discursos inflamados, bilhetes com recados durante o jogo. E até dar indicações para o banco por SMS (como aconteceu na meia-final da Taça UEFA 2003), quando estava castigado e vigiado por um responsável da UEFA. “Um dos jogadores de Mourinho disse-me que o melhor de trabalhar com ele é não ter pressão, porque todos os focos se concentram no treinador”, diz Jorge Castelo. Famosa é também a capacidade de antecipação de Mourinho, capaz de acertar na equipa do adversário. “Às vezes, adivinhava o resultado do jogo. Noutras contava-nos o que ia acontecer”, conta Drogba, na sua biografia. Por tudo isto, Manuel Sérgio considera Mourinho “um génio, o maior treinador da história do futebol”. Jorge Castelo não quer endeusá-lo, mas coloca-o entre os melhores. E antevê um futuro brilhante, porque este homem “nunca se cansa de ganhar”.
Alguns inimigos de estimação Jaime Pacheco, Manuel José, Octávio Machado, Rafael Benítez, Claudio Ranieri e Johan Cruyff não estão, certamente, na lista de admiradores de José Mourinho. Os primeiros, porque se envolveram em picardias com o “Special One”. Manuel José porque não gostou de ser trocado por Mourinho em Leiria, Jaime Pacheco também por trocas de palavras logo nos primeiros tempos e Octávio por ter sido despedido para “Mou” entrar no FC Porto. Benítez, em Inglaterra, e Ranieiri, em Itália, foram ódios de estimação de Mourinho, enquanto Cruyff nunca apreciou o estilo de jogo adoptado pelo técnico português. Jorge Valdano, director desportivo do Real Madrid, esteve entre os críticos, mas rendeu-se (ou foi obrigado a render-se) aos encantos do português. A personalidade de Mourinho atrai sentimentos fortes, de ódio ou paixão, mas em quase dez anos de carreira é difícil encontrar jogadores que critiquem o treinador português, mesmo no caso daqueles que mantiveram relações mais conturbadas com o técnico. “Tive uma relação de amor-ódio com Mourinho”, confessou recentemente Balotelli, ex-avançado do Inter. E, mesmo tendo Mourinho saído quase sempre a “mal” dos clubes por onde passou (FC Porto, Chelsea e Inter, em certa medida), a relação com os presidentes não é tão má como seria de esperar. Um exemplo? “Vi-o como um homem que trai a sua mulher, mas que, no fundo, ainda a ama, e por isso sai pela janela porque não tem coragem de lhe dizer que foi uma aventura”, afirmou Massimo Moratti, presidente do Inter ao canal televisivo 7Gold. “[Mas] Não vejo a saída dele como uma traição, nem me sinto traído”, acrescentou o dirigente, defendendo que o treinador “desenvolveu laços afectivos com o Inter”.
* texto originalmente publicado na edição de 23/09/2010 de O Público
Os portugueses vão pagar mais pelas taxas de desbloqueamento e reboque dos automóveis e motos. Desbloquear um carro ligeiro vai passar a custar 60 euros, o dobro do ano passado. A portaria publicada no dia 31 de dezembro, em Diário da República, não deixa margens para dúvidas. O carro bloqueado por infração do Código de Estrada vai custar, para os automóveis ligeiros, 60 euros, o dobro dos atuais 30. Os ciclomotores e motociclos passam de 15 para 30 euros e os veículos pesados de 60 para 120 euros. A justificação para um aumento tão elevado deve-se ao fato de nunca ter acontecido um atualização desde a sua fixação inicial. O valor da infração passa a ser atualizado anualmente de acordo com a inflação. No caso de um automóvel ser rebocado, no interior de uma cidade, a multa sobe de 50 para 75 euros. Fora da cidade ou a partir de uma localidade, até ao máximo de 10 quilómetros, passa de 60 para 90 euros. Se o carro ultrapassar os 10 quilómetros ou a viatura for guardada num local com distância superior, cada quilómetro a mais custará dois euros. Já nas motos, o reboque custará 30 euros nas localidades e 45 euros fora delas. Nos pesados, a remoção dos veículos passa dentro da localidade de 100 para 150 euros e fora das localidades de 120 para 180 euros. O valor do estacionamento nos locais de depósito dos veículos rebocados também aumenta. Por cada período de 24 horas ou parte deste período, os automóveis ligeiros têm de pagar mais 15 euros e os pesados mais 30 euros. Ou seja, no caso de uma viatura ligeira o valor total a pagar dentro das localidades é de 90 (75 euros de reboque e 15 euros de parqueamento).
Em esclarecimentos aos leitores do Conexão que não moram em Portugal. A notícia diz respeito ao bloqueador aplicado pela polícia nos carros mal estacionados. É colocado na roda, como se vê na foto, e impede que o veículo possa sair do local. Para isso é necessário contactar a polícia pois só ela pode efectuar o desbloqueio, mediante o pagamento da coima. É a esse custo que a notícia se refere. Acresce depois o valor da multa pela infracção de estacionamento que estiver a ser cometida. Se, decorridas algumas horas, a polícia voltar a passar no local e o veículo bloqueado se mantiver no local, então é passível de ser rebocado. Esse reboque passa a ser tabelado a um novo custo, como se lê na notícia. Se estiver no centro da cidade o valor é um; se estiver fora, e até 10km dos estacionamentos de que a polícia dispõe para o efeito, é outro; se exceder a distância de 10km é outro ainda, somando depois um custo adicional por cada quilometro. Uma vez aí depositados ficam sujeitos a pagar ainda outra importância, por cada período de 24h que aí permanecerem até serem reclamados pelos condutores.
Como está bom de ver, o melhor é não correr nenhum risco de transgressão porque a multa vai pesar ainda mais. Se os carros forem velhos, quase que compensa deixá-los no depósito da polícia de vez, pois não é difícil que o total da multa a pagar seja maior do que o próprio valor comercial do veículo!!...