Tall Ships Race 20012 em Lisboa

  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Sugestão web: Pelos muros e paredes de Lisboa


Centenas de fotografias de pinturas murais feitas em Lisboa, desde o 25 de Abril de 1974 até aos dias de hoje, vão estar disponíveis online a partir de dia 17, no site da Galeria de Arte Urbana (GAU). O inventário será organizado a partir de um mapa de Lisboa. Clicando nos diversos pontos identificados na cidade, o utilizador acede a uma 'timeline' com o registo das pinturas que ao longo dos anos existiram naquele local, podendo assim acompanhar a própria evolução das paredes.

De acordo com a equipa responsável pelo projecto, a análise do mapa tornará possível perceber, por exemplo, o hiato que existe entre os anos de 1982/83, altura em que cessam os murais com mensagens alusivas ao 25 de Abril [Cf. AQUI], e a segunda metade dos anos 90, quando o graffiti começa a ocupar as paredes da cidade, principalmente na zona embrionária das Amoreiras.
Além do blog do projecto e de uma área de imprensa, o site vai disponibilizar um calendário com as principais actividades da GAU, informações sobre concursos, eventos e biografias de vários artistas.
A ideia é construir «um site agregador de informação sobre esta área», explica Jorge Ramos Carvalho, director do Departamento de Património Cultural da CML que coordena a GAU, até porque «uma das formas de preservar este tipo de arte, que é efémera, é através da imagem e da fotografia, e do registo dos vários momentos de criação».
O espólio inicial conta já com «milhares» de materiais recolhidos pela GAU com a colaboração de inúmeros artistas, fotógrafos e apreciadores de arte urbana. Pretende-se, no entanto, que este inventário funcione como um 'work in progress' pelo que o projecto pede a todos os que tenham fotografias de pinturas em muros da cidade, que as façam chegar ao Departamento de Património Cultural da autarquia, acompanhadas da data em que foram captadas e da sua localização.

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15:01 | Posted in , , | Read More »

O Governo quer fechar... a Maternidade Alfredo da Costa!


A informação apanhou todos de surpresa e terá chegado ontem à Maternidade Alfredo da Costa (MAC) através da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale de Tejo (ARSLVT). Hoje, foi o Bloco de Esquerda a denunciá-la em plena sessão da manhã no Parlamento. A MAC vai encerrar. Os médicos e enfermeiros da unidade, que aguardavam uma decisão sobre o destino da maternidade, reuniram-se de emergência. As consultas pararam e os rumores do fecho, somados ao atraso no atendimento normal, juntaram a voz indignada dos utentes às da MAC.
O Governo admite o cenário de encerramento, mas diz que tudo irá decorrer “com todo o cuidado e atenção”. A promessa não acalma. Aliás, na TVI24 está online uma declaração de intenções que não dizendo nada, diz muito: «Eu não sei se a MAC vai fechar ou não. Eu não tenho essa presunção, nem tenho essa informação. O que eu sei é que não posso condicionar decisões que condicionem a qualidade dos serviços de saúde em Portugal porque as pessoas estão apegadas a tijolos e a telhas» [Cf. aqui ao minuto 01:36].
O «apego» das pessoas é a muito mais do que «a tijolos e telhas». O apego das pessoas é à maior e mais bem apetrechada maternidade do país, reconhecida internacionalmente pela excelência dos seus profissionais de saúde e dos serviços que presta, das especialidades que forma e integra, da elevadíssima qualidade científica das investigações que há muito traz em curso, bem como das equipas que as desenvolvem e colocam ao nível das mais avançadas do mundo. O apego das pessoas é à longa história da MAC, ao património de experiência e saber acumulado por décadas e que, a par dos milhões de vidas que já trouxe ao mundo, tem permitido salvar tantas e tantas mães e crianças, tornando-a uma referência incontornável nos progressos da saúde materno-infantil em Portugal.
Mas ainda que fosse também a «tijolos e telhas»? Seria estranho? Seria estranho o «apego» à maternidade que tornou a freguesia de S. Sebastião da Pedreira a mais conhecida do país, tal a quantidade de portugueses que lá nasceram, um afecto estranho?
Vale ver a excelente reportagem do Vítor Bandarra, realizada há poucos dias para a TVI24. Nela se resgata um pouco dos 80 anos de história da Maternidade Alfredo da Costa que o Governo hoje surpreendeu com certidão de óbito já passada.
Um detalhe curioso: na reportagem, o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde garantia, justamente, que a decisão de encerramento ainda não estava tomada.

# Vídeo na íntegra para VER AQUI.

Em baixo, clicando no link em baixo, seguem alguns vídeos, artigos e actualizações sobre o caso, bem como um texto com a história da MAC.

Mais vídeos:


Denúncia do fecho da Maternidade em pleno Parlamento

Ao final da manhã de hoje, o encerramento da MAC foi criticado pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República durante uma intervenção de Francisco Louçã [VER VÍDEO], que falava no encerramento do debate do Orçamento Rectificativo. “O Governo tentou tornar este debate do Orçamento Retificativo numa discussão literária de um clube de cavalheiros (...), enquanto isso na [Avenida] Fontes Pereira de Melo está a ser comunicado pelo Governo que vai fechar o seu primeiro hospital, a Maternidade Alfredo da Costa. É um golpe nas costas do Serviço Nacional de Saúde, que diz tudo sobre o que o Governo está a fazer ao SNS”, afirmou.
Os bloquistas sublinham que a MAC é “a maior e mais diferenciada maternidade do país, aquela que realiza o maior número de partos e que reúne os recursos humanos e técnicos mais sofisticados no domínio da saúde da mulher e da neo-natologia”.
Ontem, o ministro da Saúde, após ser ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, disse aos jornalistas que o destino da MAC ainda não estava definido, admitindo que o conhecimento dos profissionais desta instituição era o mais importante, independentemente da sua localização geográfica.
Hoje, fontes médicas da MAC confirmaram à Lusa que a ARSLVT comunicou quarta-feira aos directores de serviço que a unidade vai encerrar. O destino da maternidade deveria ser conhecido em breve, já que o assunto é abordado na carta hospitalar, elaborada pela Entidade Reguladora da Saúde, que será conhecida no próximo dia 15.
Após a denúncia do encerramento, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo disse à Lusa que o fecho da MAC é “apenas um cenário” e que, a concretizar-se, irá acontecer “com todo o cuidado e atenção”.
Luís Cunha Ribeiro confirmou que na quarta-feira ocorreu uma reunião entre a ARS e dirigentes da MAC, a qual serviu para “pedir ajuda aos directores” para em conjunto se definir a melhor solução para a maternidade.
Sem adiantar pormenores, Luís Cunha Ribeiro limitou-se a dizer que o futuro da MAC passa “pela reorganização das equipas e dos centros de excelência” desta maternidade.
Para as 12h45 foi marcada entretanto uma conferência de imprensa sobre a reorganização da Maternidade Alfredo da Costa, na qual estará presente Luís Cunha Ribeiro e Teresa Sustelo, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Central.

publicado no Público 

Alfredo da Costa fecha depois de investimentos recentes na renovação de serviços

A Maternidade Alfredo da Costa (MAC) teve investimentos recentes, “com renovação total dos serviços de neonatologia, serviço de urgência, ginecologia, blocos operatórios e laboratório entre outros, para competir em qualidade com os melhores centros internacionais”, diz o comunicado dos funcionários da MAC após reunião durante esta tarde.
Recorde-se que todos os funcionários da MAC estiveram reunidos em plenário, depois do anúncio de que esta instituição irá fechar.
De acordo com fontes médicas à Lusa, a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale de Tejo comunicou ontem aos directores de serviço da MAC que esta unidade vai encerrar. A notícia apanhou de surpresa os profissionais desta maternidade, que aguardavam a solução em análise pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), a que pertence a MAC, referia a agência esta tarde.
Também ontem o ministro da Saúde, Paulo Macedo, após ser ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, disse aos jornalistas que o destino da MAC ainda não estava definido, admitindo que o conhecimento dos profissionais desta instituição era o mais importante, independentemente da sua localização geográfica, acrescentava a Lusa.
Agora, após o plenário, foi enviada uma carta às redacções, onde os funcionários da MAC defendem que, apesar do fecho previsto, as unidades não devem ser desmanteladas. A título de exemplo está a unidade de neonatologia, “que é a melhor do país”, disse ao Negócios um funcionário daquela instituição hospitalar. "Sabemos que isto vai fechar, mas não pode haver desmantelamento das unidades", reiterou.
“A MAC pela sua dimensão, pela centralização de recursos e pelo volume de utentes assistidos, é um exemplo de rentabilização de recursos humanos e tecnológicos dentro do SNS”, refere o documento a que o Negócios teve acesso.
Nesse mesmo documento, é referido que houve investimentos recentes na MAC, apesar de não serem avançados valores.
Os funcionários da Maternidade sublinham, nesta carta, que consideram “absolutamente necessário manter como um todo indivisível o funcionamento desta equipa”.
Segundo apurou o Negócios, desde que a notícia do encerramento da MAC foi conhecida, a Maternidade “tem estado um caos, com os telefones sempre a tocar”. “As pessoas estão preocupadas porque não sabem o que vai acontecer”, disse a mesma fonte da MAC ao nosso jornal.

publicado na Agência Lusa via Jornal de Negócios

Não há alternativa válida à Maternidade Alfredo da Costa


O antigo diretor da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco, disse, esta quinta-feira, que esta unidade de saúde "não tem uma alternativa válida" e, por isso, não deve encerrar.
O atual diretor de serviço e administrador da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) até março, Jorge Branco, confirmou ter-se realizado, na quarta-feira, uma reunião entre elementos da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e diretores da instituição.
Esta reunião, adiantou, terá servido para dizer aos profissionais que, caso estejam interessados, poderão "apoiar o corpo clínico" do Hospital São Francisco Xavier.
"Não há qualquer previsão de fecho a curto prazo", disse Jorge Branco, confrontado com as notícias de que a tutela terá intenção de fechar brevemente a MAC.
O fecho da MAC "seria um prejuízo muito grande", disse Jorge Branco, para quem esta unidade de saúde "não tem uma alternativa válida.
A MAC está integrada no Centro Hospitalar de Lisboa Central.

publicado na Agência Lusa via Jornal de Notícias

Cf. também:


Mais informações: AQUI.


História da Maternidade

Parece que a obra especial de protecção e defesa da mulher grávida terá tido início no ano de 1775 após o terramoto que destruiu mais de metade da cidade de Lisboa.
Um dos edifícios destruídos, não só pelo terramoto mas também pelo incêndio subsequente, foi o hospital de Todos os Santos, tendo sido os seus enfermos transferidos para o edifício do Colégio de Santo Antão, principal casa dos Jesuítas, que lhes fora confiscada, com todos os outros bens, em execução do decreto Pombalino que do reino os expulsara.

Painel de azulejos representando o antigo Hospital Real de Todos os Santos
Painel de azulejos representando o antigo Hospital Real de Todos os Santos

O edifício do Colégio de Santo Antão viria a ser convertido no Hospital Real de São José, em memória do monarca que lhe facultou tão amplas instalações. Das nove enfermarias de mulheres, existentes neste hospital, uma foi destinada a grávidas e puérperas. A referida enfermaria, que foi chamada de Santa Bárbara, tinha quarenta e duas camas e situava-se num extenso corredor interior, comprido e estreito, mal iluminado e deficientemente ventilado. Mesmo com péssimas condições aí se ministravam aulas de parto.
Anos mais tarde a enfermaria de Santa Bárbara era transferida para um espaço mais amplo e arejado, num andar superior do mesmo edifício, ficando com cinquenta e cinco camas. A melhoria de condições limitou-se à existência de luz e ar que entravam pelas janelas. Foi neste espaço que o professor Alfredo da Costa, com outros grandes mestres, distribuíram pelas assistidas e alunos o seu saber. Com o decorrer do tempo as deficiências iam-se agravando desde as inadequadas instalações à carência de muito material indispensável ao bom funcionamento da enfermaria de Santa Bárbara.
Antigo Laboratório - MAC
Antigo Laboratório - MAC
Em 1906, como director da maternidade de Santa Bárbara, Alfredo da Costa não se cansava em vão de pedir melhoramentos para esta ao Enfermeiro – Mor dos Hospitais, ao tempo o médico Curry Cabral, amigo e companheiro de consultório de Alfredo da Costa.
Desesperado por não conseguir melhorar as condições indignas em que a grávidas e puérperas viviam na Maternidade, elaborou exaustivo relatório, onde na sua introdução começava por questionar "Maternidade ou antecâmara de um inferno feminino?" que dirigiu ao Conselho da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, mesmo sabendo-se sujeito à malquerença "de quem de direito".
Ao fim de anos de luta Alfredo da Costa parecia ter tido eco do seu enorme esforço na construção de uma Maternidade ao ver inscritas verbas para a sua construção no Orçamento de Estado; ter sido escolhido o local da sua construção; ter sido feito o cálculo de despesas assim como o anteprojecto da construção mas, apesar de tudo isto, infelizmente não se veio a concretizar a construção da Maternidade.
Antiga Sala - MAC
Antiga Sala - MAC
Teve conhecimento da autorização dada pelo Governo, pela lei de receita e despesas, para o exercício de 1904 – 1905, publicada no Diário do Governo nº 267, de 24 de Novembro de 1904, para realizar com a Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 300 contos de reis, amortizável em 30 anos, para obras de beneficiação de hospitais, especialmente a adaptação do extinto convento de Santa Marta a um hospital para tratamento de doenças venéreas e a apropriação do antigo edifício da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa a uma Maternidade.
Mais uma vez, apesar dos esforços desenvolvidos pelo professor Alfredo da Costa, não se viria a concretizar o seu sonho uma vez que a totalidade da verba viria a ser dispendida na construção do hospital para doenças venéreas, hoje Hospital de Santa Marta.
Em 2 de Abril de 1910 falecia o ilustre professor, sem ter visto realizado o sonho que acalentava desde 1898, ano em que assumiu a regência da cadeira de Obstetrícia da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, para o qual sempre com tanta dedicação e entusiasmo trabalhara. Em 15 de Maio de 1910, amigos e admiradores formam uma comissão de homenagem ao professor Alfredo da Costa, que outra não podia ser do que a efectivação do sonho de toda a sua vida. Após vários reveses, o sonho do professor Alfredo da Costa viria a ser realidade em 5 de Dezembro de 1932.
 
Maternidade Dr. Alfredo da Costa nos anos 30
Maternidade Dr. Alfredo da Costa nos anos 30

Em 6 de Dezembro de 1932, foi admitida na Maternidade Dr. Alfredo da Costa a primeira grávida, chamava-se Glória Virgínia, tinha 18 anos, era natural de Tomar, coube-lhe o boletim nº1, viria a parir um rapaz com 3,500 Kg no dia 23 de Janeiro de 1933.
Entre 6 e 31 de Dezembro de 1932 foram efectuados 96 partos tendo correspondido a 97 nascimentos, o primeiro ocorreu às 23.30 h do dia 8 de Dezembro de 1932. Foi uma rapariga, que nasceu com 2,500 Kg, a quem foi dado o nome de Maria da Conceição. Era o primeiro filho de Flora Martinho, de 19 anos de idade. Mãe e filha tiveram alta no dia 22 de Dezembro.

in Blog dos Técnicos da MAC


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Em Lisboa, o merceeiro do bairro já não é o 'Sr. António': agora chama-se 'Mohammed'

por Cláudia Sobral
São indianos, paquistaneses, bengalis, nepaleses. Tentam fintar o desemprego, conquistar algum prestígio nas suas comunidades. E acabam por fazer as vezes das antigas mercearias, que assim não desaparecem.
Dona Augusta gosta de se sentar mesmo em frente ao balcão. Passa horas à conversa com "Micó", que é como chama a Bhupendra Budha, um nepalês que trabalha numa das pequenas mercearias de imigrantes do subcontinente indiano que se têm multiplicado pelo seu bairro, Alfama, e também por Lisboa.
Há muito que o comércio tradicional está em crise e que se estudam e discutem possíveis soluções. Mas estes comerciantes parecem estar acima de tudo isso. Juntam ou mandam vir dos seus países o dinheiro necessário para o investimento inicial e do negócio não só tiram depois sustento, como dão emprego aos seus conterrâneos. Vêm da Índia, do Paquistão, do Bangladesh ou do Nepal. Em 2010, período a que se referem os números mais recentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, residiam em Portugal, ao todo, 9679 imigrantes dos quatro países.
Não se sabe quantas destas lojas já há. Sabe-se que quase todas são recentes. E que facilmente se tropeça nelas em qualquer bairro de Lisboa. Chegam a ser várias por rua. Um dos seus trunfos são os horários - normalmente estão autorizados a abrir das 8h à meia-noite -, o que permite diversificar o tipo de clientes.

Abastecem-se no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) e em armazéns grossistas. "Eles até têm bons preços", diz dona Augusta. "E são simpáticos." Sempre consegue comprar parte do que precisa sem ter de se deslocar às mercearias da Baixa, daquelas à antiga, onde gosta de comprar.
"Muitas destas empresas estão a ter muitas dificuldades", adverte Catarina Reis Oliveira, do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), autora de vários estudos sobre empreendedorismo imigrante. E explica que alguns destes empresários encontram a competitividade nas margens de lucro muito baixas. Ou então em "mais horas de trabalho, ou em salários mais baixos".
Mohammed Faruk, um bengali à frente de três mercearias, diz estar a passar por dificuldades: "Antigamente vendia 200, 300 euros num dia, agora vendo 40 ou 50". Só para renda do pequeno espaço da Av. Álvares Cabral vão 750 euros. Depois, lembra, ainda tem as contas da família para pagar. "Às vezes a literacia financeira também precisa de ser um bocadinho trabalhada", afirma Catarina Reis Oliveira, que diz ser frequente "misturar-se o dinheiro da empresa com o da família".

Investir as economias

Ele chegou a Portugal sozinho já lá vão cinco anos, à procura de trabalho. Há oito meses conseguiu trazer a mulher e a filha, que está agora na escola portuguesa - e isto é motivo de orgulho. Em cada loja tem dois empregados e cada um tem um ordenado de 500 euros. Diz que mesmo que o negócio não corra pelo melhor, pelo menos por uns meses está a dar emprego a alguns rapazes, de outra forma desempregados.
Depois de ter trabalhado ao balcão no Martim Moniz e no Colombo, decidiu que passaria a ser patrão de si próprio. Sempre que abre uma loja manda vir dinheiro do Bangladesh. "Uns dez ou 15 mil euros."
O antropólogo José Mapril, que fez a sua tese de doutoramento sobre a comunidade do Bangladesh em Portugal, não arrisca números, mas de uma coisa está seguro: este grupo de imigrantes investe cada vez mais nas pequenas mercearias de bairro com horários alargados, já para lá do Martim Moniz, onde surgiram as primeiras, mais vocacionadas para os produtos étnicos, importados dos países de origem. "É uma tendência do último ano e meio ou dois anos", constata.
Agora voltaram-se para produtos bem portugueses, ao jeito das mercearias, para servir a população local, diz José Mapril. "[A aposta neste tipo de negócio] é uma das tendências que se verifica mais acentuadamente nos imigrantes do Bangladesh." Tem havido "muita reconversão de capital", especialmente de lojas de vestuário grosso para mercearias ou lojas de souvenirs. A adopção destas estratégias empresariais, explica o antropólogo, tem a ver com estes imigrantes terem "algum capital educacional e económico".Estas lojas disputam a R. do Arsenal com mercearias como a Pérola do Arsenal. Rhada Bhownick, indiana, arruma caixas de tabaco em cima de um escadote, barriga empinada de fim de gravidez. Quando veio de Calcutá já o marido era dono de uma mercearia, na Rua de São Paulo, que entretanto vendeu. Ficaram com outras duas. Tarde de domingo, ninguém trabalha na Baixa. Excepto estes imigrantes. Que também já chegaram à periferia de Lisboa.

17:13 | Posted in , , | Read More »

Presidente da Câmara de Lisboa rejeita surgimento de bordel, mas estuda “safe house” na Mouraria

Leio no Público:
António Costa rejeita que a Câmara de Lisboa esteja a estudar o surgimento de um bordel na Mouraria, mas admite que foi apresentada uma proposta com vista à criação de “uma safe house” onde, entre outras coisas, as profissionais do sexo se poderiam dedicar a uma “prática segura” da sua actividade. (...) A referida “safe house” foi proposta pela Obra Social das Irmãs Oblatas, que há vários anos lidam com o problema da prostituição na zona do Intendente. O presidente da Câmara de Lisboa recusou no entanto responder se esta ideia se enquadra na sua visão para a requalificação da Mouraria, projecto que tem assumido como uma das suas bandeiras.

21:40 | Posted in , , | Read More »

Da série: "Coisas que nos estragam os dias": Ourivesaria Aliança fechar hoje para sempre, depois de 103 anos de história


Desaparece mais um estabelecimento histórico de Lisboa: hoje é o último dia da Aliança, uma das mais tradicionais ourivesarias da capital, inaugurada em 1909 na Rua Garrett, que encerra definitivamente, depois de o edifício onde está inserida ter sido adquirido pela imobiliária espanhola Soleyame Real Estate que ali pretende montar um negócio de aluguer de apartamentos de curta duração.
A ourivesaria Aliança abre hoje as portas como habitualmente às 11h e encerra-as às 19h. Para trás, ficam 103 anos de história.

Decoração estilo Luís XV

A ourivesaria Aliança abriu portas como filial da casa-mãe com o mesmo nome, no Porto. De acordo com o Gabinete de Estudos Olisiponenses, a loja actual, com uma decoração ao estilo Luis XV e a fachada em ferro trabalhado e que data de 1939, é da autoria do arquitecto Oliveira Ferreira. Na década de 1940, a loja foi alvo de obras de ampliação.
O tecto, logo na entrada, é decorado com uma tela da autoria de Alves Cardoso, autor dos painéis da Sala das Sessões da Assembleia da República, que data de 1914.
Ao longo dos anos, a Aliança possuiu oficina de ourivesaria, tendo sido responsável, entre outros, pela criação do sacrário da Igreja dos Congregados no Porto, e arrecadou vários prémios.

Património municipal

O número 50 da Rua Garrett, onde está a Aliança e que faz parte do inventário municipal do património, foi comprado há alguns anos pela Soleyame Real Estate e deverá agora albergar um negócio de aluguer de apartamentos de curta duração.
Em Janeiro, soube-se que a ourivesaria centenária encerraria portas definitivamente em Fevereiro e desde então o número de visitantes aumentou bastante.
"Veio muita gente ver a loja, que não conhecia", conta a sócia-gerente da Aliança. A maioria das pessoas entrou na ourivesaria apenas para conhecer o espaço, mas os clientes habituais aproveitaram para fazer compras. "Havia peças de que as pessoas gostavam muito, mas pensavam sempre 'um dia compro'. Quando foi estabelecida uma data limite decidiram comprar", explicou.

publicado no Expresso e Jornal i via Agência Lusa

# Reportagem para ver na TVI,  RTP, e SIC

22:33 | Posted in , , , , | Read More »

Petições online: um recurso de cidadania cada vez mais usado pelos portugueses

por Maria Luiza Rolim

Os portugueses recorrem cada vez mais às petições online como exercício democrático e forma de exercer a sua cidadania. Até ao momento, 38.269 pessoas defendem "que se apure onde foram gastos os dinheiros públicos e quais as suas motivações durante os governos do eng. José Sócrates, que duplicou a divida publica de Portugal e nos conduziu à bancarrota". Muitos mais, 44.630, são os signatários pela abolição das touradas e espetáculos com touros.
Com 72.976 subscritores,a petição pela redução do número de deputados na Assembleia da República, de 230 para 180, ocupa o top das petições.
A mais recente petição pública online é uma crítica à Lei do Arrendamento. O autor do texto, arquiteto Filipe Mário Lopes, presidente da Associação Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana, acredita na eficácia deste meio, "o único, afinal que permite dar voz ao cidadão inquietado pela defesa do bem comum".
"Se hoje temos o Aqueduto das Águas Livres inteiro, na sua rede principal, isso deveu-se à intervenção de 10.000 cidadãos, nacionais e estrangeiros, que assinaram uma petição, lançada pela OPRURB, associação que dirijo", disse Filipe Mário Lopes ao Expresso. O arquiteto recorda que "uma obra do sec. XVIII, com um sentido social e construtivo único, iria ficar estropiada e inutilizada para o futuro, para se construir um lanço de auto-estrada, se a cidadania não tivesse actuado".

Arrendamento e "multiplicação de novos pobres"

Embora somente hoje tenha sido divulgado na Internet, 39 pessoas já subscreveram a petição sobre a Lei do Arrendamento, que tem por objetivo, entre outros, "assegurar o acesso ao aluguer por parte dos que, não sendo carenciados, não suportam custos excessivos".
Para os signatários, da análise da proposta de Lei do Arrendamento resultam "duas ordens de preocupações, ligadas, por um lado, à economia do país e à decadência urbana e por outro, às pessoas concretas e suas dificuldades. Pelo que do seu articulado se infere, ela deixa no ar a ameaça da multiplicação dos novos pobres, talvez mesmo, a do regresso das barracas".
As alterações propostas na petição visam assegurar a manutenção do valor real das rendas e que o  seu valor máximo seja fixado em 4% do valor fiscal do locado, pretendendo que a passagem para esta nova renda seja faseada para os inquilinos em situação de carência. Defende, também, que o  o estado de conservação seja considerado no cálculo do valor do locado e a atualização da renda suponha a realização de obras mínimas que deverão ser definidas, de modo a evitar aumentos excessivos da renda.
Outro objetivo da petição é "assegurar a impossibilidade de denúncia arbitrária e unilateral que abre a porta às demolições" e "que não se inutilizem prédios saudáveis, que são riqueza existente, muitas vezes patrimonial, e evitar situações sociais dramáticas desnecessárias". Por fim, os signatários defendem que seja encorajada e apoiada a reabilitação para arrendamento pela redução do IVA e do IMI e a definição de uma taxa liberatória das rendas, de modo a "tornar atractivo o investimento no arrendamento e reabilitação".

Contra um silo automóvel na zona ribeirinha e as touradas

Outra petição online recente, contra a construção de um silo automóvel de três andares no Largo do Corpo Santo - Ribeira das Naus em Lisboa, conta já com mais de 1700 signatários.
De acordo com o documento, a ser entregue à Câmara Municipal de Lisboa, o projeto de recuperação da Ribeira das Naus ia no bom caminho. Recuperava-se o património, condicionava-se a circulação automóvel, ajardinavam-se os espaços em volta do Ministério da Marinha, criando percursos pedonais agradáveis, junto ao rio e entre este e a Baixa e o Chiado, através da Rua do Arsenal e da Praça do Município.
"Esta obra está parada há um par de anos, dizem-nos que por falta de verbas, sendo apenas visíveis os cartazes que anunciam os jardins prometidos que, supostamente, iriam substituir o lamaçal do estaleiro que por lá está esquecido", lê-se no texto.
"Agora foi finalmente anunciada a assinatura da adjudicação da empreitada, com uma pequeno detalhe, que faz toda a diferença. Em vez do jardim que iria envolver a fachada poente do Ministério da Marinha e fazer a tal ligação entre o rio e a Baixa e o Chiado, vamos ter um parque de estacionamento. E não se trata de uma construção térrea, discreta, que se possa perder entre os edifícios circundantes, mas antes um silo de três andares, que irá constituir uma enorme barreira visual entre a cidade e o rio e descaracterizar de forma irreversível uma zona tão sensível da nossa cidade".
Os signatários exigem a suspensão imediata da construção do silo automóvel em causa, "antes que seja constituídos direitos adquiridos, que dificultem a busca de alternativas".

Contra abusadores sexuais de crianças ou a favor dos idosos

A petição pública para recolha de 75.000 assinaturas para aumento de penas para abusadores sexuais de crianças, a ser entregue na AR, conta com 2744 subscritores. O texto refere que em Portugal o abusador sexual de crianças pode ser condenado ao máximo de 8-10 anos. O tempo de prisão ronda menos de três anos. A taxa reincidente é 20%-40%.
Outros 4683 defendem maior proteção para os idosos. De acordo com o texto, "no ano passado, 15.596 idosos viviam sozinhos ou isolados em Portugal. No decurso de 2012, só nos últimos seis dias, foram encontrados dez idosos mortos em casa que já não eram vistos pelos vizinhos há algum tempo. Neste ano europeu do envelhecimento activo e da solidariedade entre gerações, deveria ser criada uma comissão nacional para a protecção da terceira idade que sinalize e encontre respostas e soluções para os casos de isolamento, abandono, maus-tratos e negligência praticados contra os idosos bem como o lançamento de uma campanha de sensibilização a alertar para esta triste realidade".
Esta petição pública pretende que a Assembleia da República discuta em plenário e apresente propostas no sentido de ser criada uma comissão nacional para a proteção da terceira idade.

Contra o Acordo Ortográfico ou pelos direitos humanos

O Acordo Ortográfico é alvo de duas petições públicas, ambas dirigidas à Assembleia da República. Uma, pela sua revogação, que já conta com  4926 subscritores. Outra, com 672 signatários, que querem referendar o acordo.
"A nossa língua é parte da nossa identidade. Exigimos um referendo sobre se a adopção do Acordo Ortográfico deve ser levada a cabo ou se deve ser anulado o Acordo", lê-se no documento.
Os portugueses subscrevem petições sobre as mais variadas questões, incluindo a defesa dos direitos humanos. Como a que é dirigida ao Presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, para que uma cidadã paquistanesa cristã, Asia Bibi, acusada de blasfêmia, não seja condenada à morte por beber um copo de água (1314 já subscreveram).
Outros 670 são signatários de uma petição pelo alargamento do horário em que é permitido transportar bicicletas no Metropolitano de Lisboa. Ou seja, entre as 10h e as 17h e a partir das 20h, podendo-se, eventualmente, limitar o número de bicicletas transportadas a duas por carruagem. E que se mantenha a permissão de transporte de bicicletas, sem custos acrescidos, durante todo o dia aos fins de semana e feriados. 

Pela redução do número de deputados na AR

A maior petição online - 72.976 subscritores - diz respeito ao número de deputados na AR, considerado muito elevado. "Sabendo à partida que a lei prevê a possibilidade desse número ser entre 180 e 230 membros, afigura-se difícil de compreender aos olhos da razoabilidade, a razão da opção recair sobre o número máximo possível (230) e não sobre o valor mínimo possível (180), ou sequer sobre um valor intermédio possível (ex. 200). O que se observa, é que o número de deputados está no seu limite legal. Mais um deputado na Assembleia da República, e estaríamos perante uma violação da Constituição Portuguesa", diz o texto, que data de 2 de maio de 2010.
"Como tantas vezes se afirmou no grupo do Facebook "A Favor da Redução de deputados na Assembleia da República, Já!", movimento que deu origem a este grupo de cidadãos, espera-se que a mudança se faça, já que as razões são de urgência nacional. E elas são de natureza económica, de natureza moral e não menos importante, de natureza ética", defendem os signatários.

Cf. também:

21:46 | Posted in , , , | Read More »

Da série: "Coisas que nos estragam os dias": emblemática Ourivesaria Aliança vai fechar


via SIC

Ainda Lisboa não estava refeita da notícia de que a Livraria Portugal, há 70 anos na Rua do Carmo, não tinha conseguido sobreviver à crise e seria obrigada a encerrar, quando descobriu que a centenária Ourivesaria Aliança, na Rua Garrett, seguiria o mesmo destino. Não são apenas mais duas lojas. Ambas representam redutos histórico da Baixa-Chiado e se confundem com a memória e a identidade da própria cidade. Premiada inúmeras vezes, a Ourivesaria Aliança, é ela mesma uma jóia arquitectónica do património municipal. Fecha as portas daqui a três semanas. O novo proprietário promete manter o estilo Luis XVI dos interiores, mas a dona da ourivesaria mostra-se apreensiva quanto ao seu destino depois de vendida.

Uma das ourivesarias mais bonitas de Lisboa tem os dias contados 

O tecto da sala que acolhe os visitantes foi pintado em 1914. Prédio foi comprado por empresa de aluguer de apartamentos

Quem nunca lá entrou, tem três semanas para o fazer. A centenária Ourivesaria Aliança, na Rua Garrett, ao Chiado, considerada uma das mais bonitas de Lisboa, vai fechar.
Os novos proprietários, uma empresa espanhola que comprou todo o edifício para ali instalar um negócio de aluguer de apartamentos de curta duração, garante que não vai adulterar os faustosos interiores do estabelecimento, mas a sócia-gerente da casa está apreensiva com o seu futuro. "Já andei de departamento camarário em departamento camarário, a avisá-los para estarem alerta quando eu sair e as obras de reconversão do prédio começarem", conta a proprietária. "Não quero que aconteça o mesmo que na antiga Casa Ramiro Leão", também no Chiado, onde a chegada da Benetton ditou uma descaracterização quase total dos interiores do edifício, dos quais praticamente só resta um antigo elevador.
"Oxalá que os interiores sejam mantidos. Entre os finais de 1800 e as primeiras décadas de 1900, havia muitas lojas assim nesta zona da cidade, de estilo rococó, exuberante, mas não restaram praticamente nenhumas", diz Guilherme Pereira, do Gabinete de Estudos Olisiponenses. Aos interiores glamorosos em tons pastel e dourado estilo Luís XVI, a ourivesaria soma uma fachada de ferro trabalhado de inspiração romântica. O tecto da sala que acolhe os visitantes foi pintado em 1914 por Artur Alves Cardoso, autor de vários trabalhos do género na Assembleia da República. "Éramos uma das grandes oficinas de ourivesaria da Península Ibérica", refere a sócia-gerente, recordando os vários prémios que a casa ganhou. Quando a sua família ficou com a loja, no começo da II Guerra, foi o Presidente Carmona quem inaugurou a ampliação então feita.
A passagem do edifício para as mãos da espanhola Solayme Real Estate, há poucos anos, mudou um cenário já de si pouco animador. "Não posso ter a porta aberta durante os dois anos que vai demorar a obra, porque não quero pôr em risco a integridade física de empregados e visitantes. Por outro lado, o negócio não é viável com os preços astronómicos que pedem pelas novas rendas no Chiado. Podia pagar oito mil euros, mas não 15 mil ou 20 mil". Perante este cenário, os proprietários da Aliança fizeram um acordo com o novo senhorio para se irem embora, imitando assim os habitantes dos pisos superiores do prédio. "Ficou escrito que quando a ourivesaria sair serão eles os responsáveis por este património", descreve a sócia-gerente.
"Depois das obras, a loja, que está classificada e protegida, vai ficar exactamente como está", promete um representante da Solayme, António Soler Rodríguez, ressalvando que ignora o estado em que o estabelecimento lhe vai ser entregue pela Aliança. "Não vamos fazer uma demolição, mas uma reabilitação". Quanto ao futuro da loja, "depende do mercado": "O ideal seria alugá-la a outro joalheiro, ou a um negócio similar", refere Soler Rodríguez. "Mas quem a quiser alugar terá de manter os interiores".
O facto de se encontrar numa zona protegida como o Chiado e de fazer parte do inventário municipal do património não são garantias suficientes para impedir a destruição dos interiores da Ourivesaria Aliança. Poucos metros acima, a também histórica Alfaiataria Picadilly foi recentemente transformada num pronto-a-comer. A preservação dos interiores das lojas tradicionais nunca foi alvo de legislação. O Público tentou falar com a Câmara de Lisboa sobre o caso da ourivesaria, mas ninguém se mostrou disponível para prestar esclarecimentos.

publicado no Público

21:53 | Posted in , , , | Read More »

Vai encerrar a Livraria Portugal, há 70 anos a vender livros no Chiado

A Livraria Portugal, a funcionar há 70 anos na Rua do Carmo, no Chiado, vai encerrar devido à quebra nas vendas, revelou um dos sócios à agência Lusa.
A histórica livraria, que faria 71 anos em maio próximo, chegou a ter 50 funcionários, restando hoje cerca de uma dezena, indicou um dos sócios, António Machado.
A livraria é propriedade da Dias & Andrade Lda, empresa que deverá ceder o espaço a outro negócio dentro de dois meses.
O responsável, que trabalha na Livraria Portugal há quatro décadas, explicou que a situação começou a tornar-se "insustentável com as grandes alterações no mercado livreiro, a quebra das vendas e a insuficiência de meios para pagar as despesas".
"Os livros vendem-se hoje em todo o lado: nas grandes superfícies, na internet, nos correios, a preços e com condições que não podemos acompanhar", referiu.
Dado o agravamento da situação económica, e sobretudo após os maus resultados nas vendas durante o período do Natal, os sócios decidiram há poucos dias, em assembleia-geral, ceder o espaço a outra empresa, na sequência de uma proposta.
"Já passámos por muitas crises ao longo destes anos, mas agora é impossível continuar", lamentou António Machado sobre a livraria generalista, que vende desde romances, livros técnicos a dicionários.
Com dois pisos de exposição no centro histórico de Lisboa, a livraria foi frequentada ao longo de 70 anos por escritores portugueses de renome como Fernando Namora, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, entre outros.
"O que me dói mais é que contactámos livreiros para tentar deixar este espaço a quem continue no mesmo negócio, mas nenhum se mostrou interessado", lastimou.
António Machado indicou ainda que o espaço deverá encerrar definitivamente dentro de dois meses e os funcionários serão indemnizados, mas a empresa não irá ser dissolvida, mantendo em sua posse o nome registado de Livraria Portugal.

publicado no Jornal i
[ACTUALIZADA]

Foi fundada há 70 anos por três sócios e era das poucas livrarias com um boletim literário mensal que corria mundo, com as novidades todas no mundo dos livros. No último dia do mês vai fechar as portas para sempre.

Assim como os acidentes nas estradas provocam a curiosidade mórbida de quem passa, também o fim de um negócio de muitos anos atrai gente. Não por curiosidade mórbida mas por solidariedade e indignação pela injustiça da crise.
Na livraria Portugal, no Chiado, em Lisboa, os clientes entram e saem à procura de títulos difíceis de encontrar nas livrarias modernas, escravas da sociedade de consumo rápido que não permite armazenar livros com mais de três anos. Velhos, militares, estudantes, clientes habituais para dois dedos de conversa.
Joaquim Carneiro, livreiro, desabafa a brincar: “Se soubesse que ia ser assim, tinhamos anunciado o fecho mais cedo”, referindo-se ao facto de na última semana ter tido mais receitas do que no mês anterior inteiro.
No dia 29 às 19h00 a Portugal fecha as portas de vez. A partir de dia 6 entra em liquidação total. Fundada há 70 anos por três sócios, Pedro Andrade, Raul Dias e Henrique Pinto, estava, desde os anos 70, já entregue a dez outros sócios, os empregados mais antigos da livraria e chefes de sector.
“A decisão de fechar não foi repentina. Já tinhamos problemas há vários anos, com poucas vendas e pouco público. Os sócios ainda tentaram o meio livreiro, aqueles que poderiam ter interesse nesta casa, mas ninguém quis”, conta Joaquim, que trabalha na Portugal há 48 anos. “Vim menino e moço, passei aqui a adolescência, a juventude. Nunca tive outra vida senão esta”, confessa.
Aos 63 anos espera-o a reforma e as recordações de tantos anos no meio dos livros.
No piso de cima, Maria Germana Ribeiro, de 62 anos, limpa o pó aos livros que irão ser devolvidos às editoras, antes da liquidação total. De bata vestida e pano do pó em riste vai encaixotando títulos, uma tarefa ingrata para quem ali trabalha há 35 anos: “Estamos tristes. Foi uma vida de convívio com colegas, patrões, clientes. Era uma camaradagem muito grande. No outro dia entrou aqui um doutor que disse que quando isto fechasse ia pôr a rua de luto durante um ano. Achei-lhe graça”, diz.
A rua não ficará de luto, mas perderá um centro de cultura: “Era uma fonte de referência e a baixa vai ficar mais pobre. Este era um centro de encontros, onde vinha gente da nossa cultura”, diz Joaquim Carneiro.
A livraria Portugal é generalista e o que a distingue das outras é o facto de não se livrar das edições antigas no que toca à literatura portuguesa só porque sairam novas com capas mais bonitas ou porque o autor já partiu para outra. Isso e o boletim bibliográfico que até aos anos 70 era um luxo de poucas livrarias: “O nosso boletim corria mundo. Tinhamos 11 faculdades americanas que através do boletim ficavam a saber o que saía cá. E nós escolhíamos as novidades mensais para lhes enviar, segundo parâmetros estabelecidos por eles. Davam-nos essa liberdade.”
Causas da Crise à parte a verdade é que é cada vez mais difícil para as pequenas livrarias competirem com as grandes superfícies e empresas. “Agora vendem-se livros a um euro. Alguma coisa está mal. Há muitas edições, edita-se de mais para o consumo que temos. E vendem-se livros em todo o lado, até nos Correios, nas bombas de gasolina...”, diz Joaquim Carneiro evitando usar a expressão “concorrência desleal”.
“Investimos bastante neste Natal e não vendemos. As pessoas procuram os centros comerciais”, continua Joaquim.
Os últimos anos têm sido possíveis graças “aos clientes amigos que continuam a procurar-nos.”

tira teimas
Ao sairmos da livraria Portugal, depois de feitas as despedidas, decidimos ir à Fnac à procura de alguns livros que Joaquim Carneiro destacou. Mãos nos bolsos, escada rolante abaixo e os olhos postos nos cartazes das campanhas de troca que tanta polémica levantaram na internet. Perguntamos a uma das funcionárias o que era feito do célebre “Troque os Maias pela Meyer” e ela indica-nos “deve estar ali no balão”. Não estava. Sobrou apenas “Troque Horas por Milénio”, numa referência à obra de Michael Cunningham e Stieg Larsson. Mas não foi por isso que ali fomos. E antes de nos sentirmos influenciados pelo conforto da loja, superior ao da livraria Portugal, há que admiti-lo, e de nos deixarmos perder entre tantas capas novas e coloridas, pedimos os livros. A lista está na coluna aí ao lado.
Título a título, editora a editora, nenhum foi encontrado. “Antecedentes Criminais”, de Amadeu Baptista? “O Prisioneiro da Torre Velha” de Fernando Campos? “Aparição” de Virgílio Ferreira em capa dura de 1980? “Eu e os Outros” de António Mendes Moreira? A funcionária limitava-se a abanar a cabeça, já aflita, com tanta resposta negativa, repetindo um “com esse nome não me aparece aqui nada”. Mas isso já nós sabíamos.

publicado no  Jornal i 

Nunca vi Natália Correia ao vivo, mas tenho dela uma imagem muito nítida, de cigarro na ponta de uma enorme boquilha, cabelo armado e os gestos fulgurantes a pontuarem uma fala segura e sonora. Encostada ao balcão da Livraria Portugal, Natália Correia perorava sobre a poesia portuguesa, enquanto os clientes da casa, muitos deles escritores, ouviam e rebatiam, ou fingiam não ouvir. É uma memória muito definida, tão definida que não é minha, apesar de integrar sem risco de falsidade maior do que tantas outras o meu acervo pessoal de memórias. É uma memória da minha mãe, que eu ouvi tantas vezes e que imaginei com tanta dedicação que passou a ser minha. E era uma memória da minha avó, caixa na Livraria Portugal durante muitos anos. Na verdade, a Livraria Portugal, onde só entrei mais tarde, quando comecei a vir para Lisboa sozinha (é uma espécie de ritual de passagem suburbano, vir a Lisboa de modo independente), forneceu-me muitas memórias como esta, episódios a que não assisti mas que se colaram ao meu imaginário sem nenhuma diferença relativamente àquilo que se consideram memórias realmente experimentadas: Vergílio Ferreira escolhendo livros na estante, David Mourão-Ferreira parando para respirar, entre livros, o sossego que não lhe dariam as suas muitas pretendentes, os recados que se deixavam, a minha tia trabalhando durante um tempo no andar de cima, aquele que tem as janelas para a rua, os livros que pediam à minha avó para esconder debaixo do balcão, não fosse a PIDE aparecer para os apreender, e que mais tarde eram passados a outra pessoa, a minha mãe, miúda, a espreitar as novidades, abrindo os livros com todo o cuidado e lendo de uma ponta à outra os volumes que não podia comprar, as discussões que por vezes estalavam entre gente das letras, umas vezes motivadas por barricadas estético-literárias, outras por histórias de cama mal contadas. Quando eu comecei a ir à Livraria Portugal já nada disto era assim, claro. A minha avó estava reformada, a minha tia trabalhava noutro sítio e a minha mãe já podia comprar alguns livros; Natália Correia aparecia na televisão, num programa chamado Mátria, David Mourão-Ferreira aparecia com o seu cachimbo na mercearia de uma aldeia onde eu também crescia, e a PIDE, felizmente, já tinha acabado há muito, entre tanques cobertos de gente e cravos que também hão-de ter passado pela Rua do Carmo. Agora, setenta anos depois de abrir as portas, a Livraria Portugal vai ter de fechá-las. A notícia vem em vários jornais, nomeadamente no i, onde António Machado, funcionário da livraria há 40 anos, explica que a situação é “insustentável com as grandes alterações no mercado livreiro, a quebra das vendas e a insuficiência de meios para pagar as despesas”. E diz mais: “Os livros vendem-se hoje em todo o lado: nas grandes superfícies, na internet, nos correios, a preços e com condições que não podemos acompanhar“. Suponho que isto seja o progresso, o mundo a funcionar, o inevitável e blá, blá, blá. Pela minha parte, estou muito triste.

por Sara Figueiredo Costa

É mais uma livraria que fecha portas. Uma livraria histórica, onde em tempos pré-FNAC perambulei entre estantes ajoujadas e a banca das novidades (nem sempre muito recentes). Uma livraria antiga, com cheiro a pó dos livros e uma certa desarrumação que era uma forma de charme, como se o leitor tivesse de ser seduzido pela dificuldade em encontrar a obra pretendida. Sem grande surpresa, um dos sócios explica que a situação «insustentável» se deve às «grandes alterações no mercado livreiro», à «quebra das vendas» e à «insuficiência de meios para pagar as despesas». Enfim, uma receita para o desastre.
Pior ainda: tendo em conta o rumo que as coisas levam, temo bem que outras livrarias históricas venham a conhecer muito em breve a mesma sorte.

por José Mário Silva

18:09 | Posted in , , , | Read More »

Hora de Inverno

A hora vai mudar em Portugal e noutros países, esta madrugada.  A passagem para a hora de inverno acontece quando forem 2h, devendo os relógios ser atrasados 60 minutos.

Confira aqui o novo horário de inverno.  

Leio em O Expresso:

Por decisão do Presidente Dmitri Medvedev, os russos, a partir deste ano, passarão a ter a mesma hora ao longo de todo o ano, pondo fim à tradicional hora de Inverno em vigor nas últimas três décadas.
O dirigente russo justificou a medida com base num relatório, publicado pela Academia de Medicina da Rússia, que revelou dados preocupantes: quando a hora muda no Inverno, o número de ataques cardíacos aumenta 1,5 vezes, e a taxa de suicídios cresce 66%.
O Kremlin também apresentou cálculos que mostram que as horas de luz natural no país vão aumentar entre 7% a 17% e que isso poderá significar uma maior poupança de energia elétrica. 

22:40 | Posted in , , | Read More »

Da série "Fala-me também do Fado!" | D.Rosa é premiada!


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Dona Rosa, a mulher invisual que foi pedinte em Lisboa e que durante anos cantou fado na Rua Augusta vai receber um prémio carreira no Festival Musical do Mediterrâneo, em Génova.

15:40 | Posted in , , , , , | Read More »

Entretanto em Lisboa: vem aí mais uma 'Noite de Santo António'


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Este ano sem direito a sardinha fresca porque, além da crise, o 'mar não tem estado para peixe'.

[ACTUALIZADA]


Marchas de Lisboa em desfile na Avenida da Liberdade


As marchas em desfile (da esq. para a dir.): Voz do Operário, Mercados, Campolide, Madragoa, Penha de França, Olivais, Mouraria, Baixa, Carnide, Bairro Alto, Marvila, Alto Pina, Bela Flor, Graça, Beato, Castelo, Santa Engrácia, Alcântara, Bica, Alfama, São Vicente. No fim: desfile dos noivos dos Casamentos de Santo António e Antóio Costa, presidete da Câmara de Lisboa a receber uma... sardinha. fotos: CM

Em 2011 as Marchas de Lisboa aliam-se à candidatura do Fado a Património da Humanidade

As Festas de Lisboa realizam-se de forma oficial desde 1932. Contudo só em 1934 a Câmara Municipal de Lisboa chamou a si a organização dos tradicionais festejos inspirados nos Santos Populares. Preservando a tradição popular de Lisboa, com relevo para as Marchas, os Casamentos de Santo António, os Arraiais e o Fado, actualmente as Festas de Lisboa assumem-se também como um evento de referência nas expressões culturais mais contemporâneas.
As Marchas Populares são um ícone da cultura popular lisboeta. Máximos expoentes do associativismo da cidade de Lisboa, fomentam desde há 79 anos o diálogo entre as componentes social e cultural. Em 2011, as Marchas Populares aliam-se à Candidatura do Fado (canção de Lisboa) a Património da Humanidade, que dá assim o mote para o desfile da Avenida da Liberdade.

Desfiles:
Marcha Infantil | Marcha dos Mercados | Marcha de Campolide | Marcha da Madragoa | Marcha da Penha de França | Marcha dos Olivais | Marcha da Mouraria | Marcha da Baixa | Marcha de Carnide | Marcha do Bairro Alto | Marcha de Marvila | Marcha do Alto do Pina | Marcha da Bela Flor | Marcha da Graça | Marcha do Beato | Marcha do Castelo | Marcha de Santo Engrácia | Marcha de Belém | Marcha de Alcântara | Marcha da Bica | Marcha de Alfama | Marcha de São Vicente



A noite foi de arromba, nos arraiais espalhados pelos principais bairros típicos de Lisboa, como Alfama. Este ano, o Alto Pina venceu o concurso das Marchas de Lisboa [vídeo também aqui], transmitido na íntegra e em directo pela RTP.

Vídeos:


Bairros típicos disputam título em Noite de Santo António

A Avenida da Liberdade, no coração da capital portuguesa, recebe hoje a partir das 21h, o tradicional desfile das marchas populares, em comemoração do Santo António, uma iniciativa que deverá chamar ao centro de Lisboa milhares de foliões e que promete festa até de madrugada nos bairros históricos lisboetas.
Este ano o desfile na Avenida da Liberdade conta com a presença e desfile de um agrupamento do Reino de Marrocos, num intercâmbio cultural desenhado com a embaixada representante deste país. A abertura do evento conta, este ano, com a participação especial dos OqueStrada. As marchas populares, com o desfile de agrupamentos em representação de cada freguesia da capital, são um ícone da cultura popular lisboeta. Máximos expoentes do associativismo da cidade de Lisboa, fomentam desde há 79 anos o diálogo entre as componentes social e cultural.
A Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos (ACOSOP) criticou hoje a presença de um grupo marroquino no desfile das marchas de Lisboa, considerando que se trata de um «acto de propaganda do Reino de Marrocos».

Participação marroquina em marchas criticada

«A participação marroquina, um verdadeiro acto de propaganda do Reino de Marrocos, ocorre num momento em que o regime liderado por Mohamed VI recorre à extrema violência, para reprimir manifestações em prol da democratização do País», refere em comunicado.
Um grupo de 50 artistas de seis grupos de Marrocos vai abrir este ano o desfile das Marchas de Lisboa, na Avenida da Liberdade, agendado para domingo, dia 12 de junho.
A Associação lamentou a «cumplicidade» da Câmara de Lisboa no que considera ser uma «manobra de propaganda de um regime ditatorial e colonizador, que desrespeita o seu próprio povo e oprime o povo que coloniza».

via TVI24

A marcha é linda

Lisboa vive hoje o momento alto das festas da cidade, na noite de 12 para 13 de Junho, com as marchas populares desfilarem na avenida da Liberdade, entre os habituais gritos do público: "A marcha é linda" e "Ié, ié, ié, a nossa marcha é que é". Entre os marchantes, vai haver  de tudo: guitarras, fadistas, varinas, marinheiros, sardinhas, candeeiros, tascas, marionetas, coretos, manjericos e arraiais.
As marchas executam as coreografias em pontos fixos, mas é frente ao júri que tudo se decide. Têm entre cinco e sete minutos para mostrar o que valem. Somadas as pontuações do Pavilhão Atlântico e do desfile, apura-se o vencedor. Alfama defende o título.
Antecedendo o desfile, actuam dois convidados especiais: os portugueses Oquestrada e um agrupamento de Marrocos. Na tribuna, e além de responsáveis da autarquia, vão estar vários embaixadores e o ministro das Finanças de Marrocos. A RTP 1 transmite o desfile.
No que se refere aos transportes, o Metro alarga o horário (até às 02h00) nas linhas azul e verde e a CP assegura mais comboios nas linhas de Sintra e Cascais (o último é às 04h30). 

Novatos desfilam com nepalês

Belém é a marcha mais nova a concurso. A estreia em 2009 foi azarada: ficou em penúltimo e desceu de divisão. Regressou este ano ao convívio dos "grandes". É a marcha dos novatos, que tem a particularidade de integrar um nepalês nos 24 pares de marchantes.


Grande festa das Marchas de Lisboa

Muita cor, música e alegria ocupam hoje à noite a avenida da Liberdade no grande desfile das Marchas Populares de Lisboa. A festa já começou e termina cerca das 03h00.  Tendo como mote o fado, mais de 1500 marchantes em representação de 22 colectividades "alfacinhas" estão a dar o melhor de si.
Com um público vibrante e aos gritos - "Ié, Ié, Ié, a nossa Marcha é que é" e "A nossa Marcha é linda" -, os marchantes descem a avenida, numa noite quente onde impera a alegria.
Antes do desfile, na zona do Marquês de Pombal, onde as marchas se concentram, a estudante Cátia Pereira, 22 anos, que desfila pelo sétimo ano pela Mouraria, preparava-se para dar o seu melhor: "Não estou nada nervosa. Estivemos em ensaios durante dois meses e hoje vamos mostrar o nosso trabalho", relatou ao CM.
"O que mais custa é a ansiedade. Mas estou preparada e vai correr tudo bem. Temos marcha para ganhar", diz a estreante Cláudia Miranda, 15 anos, estudante, que desfila por Campolide.
Entre o público, Isabel Silva, 56 anos, reformada, que veio de propósito dos Açores para ver o seu neto na Marcha Infantil da Voz do Operário era uma avó orgulhosa. "O meu netinho faz de Santo António", relatou. E apesar da Voz do Operário participar extra-concurso, era claro, para esta avó com o neto na marcha infantil, que "a Voz do Operário merecia ganhar".
A cabeleireira Ana Correia, 43 anos, vem de mais perto. Mora em Benfica, mas este ano a sua marcha não participa. "Venho à avenida desde o princípio. Gosto muito. Se Benfica participasse, ganhava!", diz.

Fado, tascas e mercados

Coube às crianças da Voz do Operário a abertura do desfile, com uma homenagem ao fado, onde não falou a recriação de uma tasca típica. Nos arcos, mostraram guitarras e retratos de fadistas de várias épocas, enquanto cantavam: "Somos gente pequenina/Temos o fado na Voz/De ouvir em cada esquina/A guitarra afinadinha/A cantar dentro de nós". Ao lado da pequenada, os padrinhos: Cláudia Semedo e Miguel Costa.
Seguiram-se os comerciantes dos Mercados de Lisboa (participam extra-concurso), com o tema "Em cada pregão um fado". Nos arcos, mostraram guitarras. Nos figurinos, destaque para os xailes das marchantes. Como habitualmente, presentearam o público com um "miminho". Este ano, ofereceram doces.
A noite está animada e o público vibrante. Coube a Campolide abrir o concurso. De preto vestidos, os marchantes evocaram o fado e os fadistas.
Seguiu-se a Madragoa. Descalços, como é tradição do bairro, os marchantes apresentaram o tema “Madragoa regressa às origens, descalço é o meu fado”. Varinas e pescadores lembraram as lides da pesca e dançaram, como habitualmente, o vira. Nas cores, dominava o azul.
Penha de França é a marcha que se segue. Mostrou a tradição, com Lisboa no coração, em ambiente de festa popular. De azul e brancos vestidos, é a vez dos marchantes dos Olivais descerem a avenida com arcos em forma de estrela. Numa caixa que se destapa em frente à tribuna, saem as mascotes (crianças): ela, com xaile; ele, com uma guitarra.
Sempre castiça, com Severas e Condes de Marialva, a Mouraria marcha com alegria. Nos arcos, a figura da eterna Severa. De braço dado com o fado, os marchantes executam uma coreografia onde, num determinado momento, dois homens suportam, aos ombros, uma Severa deitada.
Despedidas feitas, é a vez da Baixa marchar, com arcos em forma de candeeiros. Nas cores, impera o preto, branco, prata, dourado e verde. São as cores da cidade “alfacinha”.
De branco e pretos vestidos, irradiando felicidade, é a vez dos noivos de Santo António integrarem o desfile e mostrarem-se à cidade. Os dezasseis casais que deram o “nó” com juras de amor eterno e recolhem muitas palmas.  
Prossegue o desfile das marchas, com Carnide mostrar o que vale. E começa por surpreender com marchantes dentro de arcos em forma de candeeiros. Numa marcha com muita luz, a avenida da Liberdade ficou mais iluminada com os adereços de Carnide.
Entra em cena o Bairro Alto, cujos marchantes também surpreendem pela originalidade: transformam-se em marionetas -- a companhia do Bairro Alto de Marionetas foi uma das pioneiras em Portugal, passando por várias gerações e épocas --.e contam histórias de amor, lembrando D. Pedro e Inês de Castro, D. Quixote e Dulcineia, Romeu e Julieta.
Com motivos geométricos nas coreografias, Marvila desce a avenida, com braços de guitarra e candeeiros nos arcos, cantando: “Abraçada a uma guitarra, Que o fado vem cantar. Em Marvila o fado ri o fado chora. Tem a voz que o povo adora E não se cansa de cantar… O bom fado que nos encanta. Onde é que vive onde é que canta? Em Marvila!”.
A noite já vai longa, mas o público não revela cansaço e continua a incentivar e a bater palmas aos marchantes que descem a avenida da Liberdade. É a vez do Alto do Pina desfilar. Com uma particularidade: à frente da marcha está o ensaiador Carlos Mendonça, filho do bairro, mas que se distinguiu em Alfama, onde ganhou a alcunha de “Mourinho das Marchas” devido aos sucessivos triunfos. Descem a avenida com o tema “Amar Lisboa”, com um figurino em tons de dourado, branco e azul e arcos com motivos de azulejos.
A Bela Flor começa a desfilar e lembra os antigos campos de Campolide (bairro onde mora a marcha), com especial destaque para as vinhas. Nos figurinos, cachos de uva e parras. No arcos, pipas. A Marcha levou ainda para a avenida um adereço gigante: o Aqueduto das Águas Livres.
Com um figurino bem colorido, a Graça dedicou especial atenção ao nosso folclore, mas de braço dado com o fado e... galos de Barcelos, num apelo às tradições que não devem morrer. Nos arcos, guitarras, brincos de filigrana e o eléctrico que passa pelo bairro.
Em noite de Santo António, a sardinha é rainha nos arraiais. Isso mesmo lembrou o Beato, cantando bem alto: “Viv’a a Festa, Viv’a a Rainha, Viv’a a Sardinha”. Nos arcos, barcos e, claro está, sardinhas.
Numa homenagem a Hermínia Silva, o Castelo deu de beber à alegria, num desfile onde se evocou as tascas do antigamente, o fado e o vinho. As marchantes levavam à cabeça pequenos tabuleiros onde se via uma garrafa de vinho, pão e azeitonas. Eles, de boina e lenço ao pescoço, travaram uma luta animada com o tradicional jogo do pau.
Com o Tejo a seus pés, Santa Engrácia desaguou na avenida com motivos marítimos. Bóias e gaivotas alegram os arcos. Nos adereços, um cacilheiro.
Bairro ribeirinho e ligado aos Descobrimentos, Belém inspirou-se no Mosteiro dos Jerónimos e mostrou vitrais. Nos figurinos e arcos, também se viram motivos alusivos ao azulejo. Desfilou sem padrinho (Gonçalo da Câmara Pereira já não marcou presença no Pavilhão Atlântico devido a motivos profissionais). Numa Lisboa cada vez mais multicultural, a marcha de Belém tem uma particularidade: integra um nepalês.
Com o tema “Santo António está em festa, Lisboa em festival, não há marcha como esta, Alcântara vai de arraial”, os marchantes de Alcântara fizeram a festa à volta do arraial, onde não faltaram manjericos ao luar e muita festa.
Bairro ribeirinho, “Bica, rainha do Tejo” desce a avenida com varinas, pescadores, redes de pesca, conchas e uma ostra gigante, com uma imagem de Santo António. Os motivos ligados ao mar estão sempre presentes. Nos arcos, levavam sereias, estrelas do mar e coroas.
É a vez de Alfama, que venceu no ano passado, descer a avenida. “Alfama, Fado, Tejo” desagua e ouve-se bem alto na voz dos marchantes: “Ai, ai, ai, ai. Olha o marinheiro. Olá, olá, Olha a peixeirinha. Vem cá, vem cá, Meu amor trigueiro Com olhar matreiro Tu vais ser só minha”. Com gestos de remadores e barcos nos arcos, a marcha espraia-se na avenida, lembrando também o fado dos becos e vielas. Nos figurinos e arcos, imperam o branco, azul e cor-de-rosa.
A noite encerra com S. Vicente, bairro que tem o nome do padroeiro da cidade. Eles são arautos e elas varinas estilizadas, mostrando corações. Cantando bem alto “Este bairro está primeiro. É padroeiro, é S. Vicente”, a marcha enche a avenida de cor e alegria e fecha com chave de ouro mais uma edição das Marchas Populares de Lisboa.


publicado no Correio da Manhã

Marchas de Lisboa com um cheirinho a Angola, Brasil e Nepal

Um nepalês de arco e balão. Um brasileiro que troca o samba pelas marchas de Lisboa. Estranho ou talvez não, são a nova realidade de marchantes dos bairros lisboetas, que alargaram fronteiras e atraem gente de todo o mundo.
Ser marchante é ser bairrista, mas os bairros típicos da capital mudaram. Do Nepal ao Brasil, passando por Angola, as marchas de Lisboa chamam novos participantes atraídos pelo mais típico da cultura nacional.
Kamal Gurung, 30 anos, está em Portugal há cinco anos, depois de ter emigrado do Nepal à procura de um sítio mais seguro para onde pudesse levar a família. Tem um restaurante de cozinha nepalesa e entre as suas muitas paixões está o gosto por conhecer diferentes culturas. Daí até integrar a marcha de Belém foi um passo.
«Vi numa revista da Junta de Freguesia de Belém em que pedia que quem quisesse [ser marchante] se inscrevesse no Belém Clube e eu pensei porque não tentar uma vez. Desde há dois, três anos que eu vou sempre ver à avenida da Liberdade e acho muito giro», contou à Lusa.
Quanto a marchar e a aprender as coreografias, Kamal disse não se ter sentido atrapalhado porque, assegura, dança bem e no Nepal chegou a entrar em concursos de dança e a ganhar alguns prémios. O problema está na língua, que «foi difícil aprender», porque como bom marchante também tem de saber cantar.
«Eu sou um mau cantor e também não canto muito bem em nepalês. Cantar em português é ainda mais difícil, mas eu vou conseguir», afiançou e provou com convicção, cantando logo de seguida parte da letra de uma das músicas.
Do país da mais alta montanha do mundo, o Monte Everest, o salto faz-se para o país do samba que tem em Wesley Fonseca um digno representante nas marchas de 2011.
Foi uma amiga que lhe lançou o desafio porque sabia que Wesley gosta de «dançar e de conhecer diferentes culturas», apesar de desconhecer por completo o que são as marchas de Lisboa.
«Na altura eu perguntei: o que é uma marcha? E ela disse-me: olha, pensa no Carnaval do Brasil. É quase a mesma coisa, mas com a cultura portuguesa. E eu falei: ah, então eu quero participar!», contou.
Wesley Fonseca apontou que no Brasil «a dança parece que está no sangue e já nasce com a maioria das pessoas», o que facilitou então, a aprendizagem dos passos e das coreografias.
«Estou a gostar muito e no ano que vem, se puder, quero participar de novo», disse, entusiasmado.
O entusiasmo estende-se aos amigos, a quem conta todos os dias o que se passa nos ensaios e que já se referem às marchas como o «samba português».
«Já intimei todos. Ao Pavilhão [Atlântico] só vão alguns, mas à avenida da Liberdade vão praticamente todos os meus amigos brasileiros porque eles querem conhecer», adiantou.
Do Brasil, o salto faz-se até Angola, de onde Gilberto, 24 anos, saiu em direcção a Portugal quando tinha 13. Mais habituado aos ritmos do ‘kizomba’ ou do ‘kuduro’, não conseguiu resistir ao desafio de dançar ao ritmo das marchas.
«Ao princípio estranhei um bocado, mas não foi assim tão difícil a adaptação visto que em Angola também temos as nossas danças tradicionais e depois também gosto de dançar. Tive dificuldade em alguns passos, mas com outros adaptei-me rapidamente», explicou à Lusa, no final de um dos ensaios.
Gilberto admite que nunca lhe tinha pensado em participar numa marcha, «até porque não sabia nem fazia ideia de como ser marchante», mas, agora que está quase a chegar o dia da apresentação no Pavilhão Atlântico, a certeza é só uma: «Se surgir o convite para voltar para o ano, cá estarei».

via Agência Lusa


Cf. outras notícias: AQUI.


A propósito de manjericos
Bilhete de identidade. "Originário da Índia, o manjerico (cuja espécie é a Ocimum minimum) é uma planta popular no nosso país graças à utilização simbólica na altura das festas como o Santo António ou o São João, onde é vendida em vasos. É chamado também de erva dos namorados, pois é oferecida por estas alturas entre pares."

Lance a semente. "Pode ser cultivado em vasos, como planta de interior ou exterior, não tolerando frio muito intenso. A sua propagação faz-se por semente, na Primavera. Convém plantar várias plantas juntas para produzir o efeito de tufo redondo tão apreciado. Qualquer boa sementeira tem sementes de manjerico.

Cuidados básicos. "Regue apenas o substrato e/ou mantenha água no prato do vaso. Nunca colocar em exposição solar intensa. Quando adquiridos em vasos muito pequenos, o tempo de vida aumenta se mudados para um maior. Após a floração e formação de frutos é possível recolher sementes, que depois de secas podem ser semeadas no ano seguinte.

Anti-insectos. "É um excelente repelente de insectos e por isso muitas vezes cultivado em floreiras próximo de janelas e portadas, reunindo um 2 em 1: de manhã quando abrimos as janelas, a casa fica a cheirar lindamente e existe menor probabilidade de entrarem estes convidados indesejados."

Saúde e gourmet. "As suas folhas são comestíveis, tal como as do manjericão (ou alfádega ou basílico), com o qual partilha um cheiro semelhante. É também uma planta medicinal, sendo utilizada para o tratamento de flatulência, gripes e constipações e até problemas digestivos."

Mitos. Diz-se que só se pode cheirar pondo a mão na planta e mexendo; não se deve cheirar com o nariz, pois este morre. Errado. "Deve ser cheirado com o órgão que Nosso Senhor nos deu para cheirar! O nariz! O que acontece quando por vezes morrem é que muitas pessoas mexem vigorosamente na planta, danificando as folhas."

via Luís Alves, do blog Cantinho das Aromáticas

Santo António: De Lisboa a Pádua, santo do mundo


Santo António de Lisboa, para os portugueses, ou de Pádua, para os italianos, é um santo do mundo, que une dois frades franciscanos, mesmo que não se entendam quanto à denominação mais adequada.
Frei Vítor Melícias, responsável pela província portuguesa da Ordem dos Frades Menores [Franciscanos], refere que “Santo António, antes de mais, é um santo universal, de todo o mundo” e, em particular, um santo da Europa. “É um cidadão do mundo, um santo de toda a gente”, acrescenta, sublinhando que, em Portugal, António é visto como “o companheiro”.
Para os italianos este é o santo de Pádua, como assinala frei Fabrizio Bordin, franciscano conventual que trabalha em Lisboa, na paróquia de Chelas, e não esquece a “devoção” com que a festa deste dia é vivida, particularmente junto dos restos mortais. Tendo como diocese de origem precisamente a de Pádua, frei Bordin fala de S. António como o “santo mais amado e mais próximo das pessoas”. “É uma amizade que cresceu. O povo de Pádua, depois da morte de António, proclamou-o logo ‘santo súbito’ [santo já]”, acrescenta.
Frei Melícias recorda S. António como “um dos maiores economistas da Idade Média”, um “verdadeiro filósofo da economia, do social”, em particular nas suas posições contra os “excessos da usura” e na defesa da “propriedade comum”. O santo, acrescenta Vítor Melícias, era também um “pregador das coisas de que o povo gostava e sentia”.
Nascido no final do século XII, Fernando, que viria a assumir o nome de António, foi recebido entre os Cónegos Regulares de S. Agostinho em Lisboa e Coimbra, mas pouco depois da sua ordenação sacerdotal ingressou na Ordem dos Frades Menores, com a intenção de se dedicar à propagação da fé entre os povos da África.
O santo português, que morreu em Pádua, Itália, no ano de 1231, foi o primeiro professor de teologia na ordem fundada por São Francisco de Assis, tendo ficado famoso pelos seus sermões. O Papa Gregório IX canonizou-o apenas um ano depois da morte, em 1232, também após os milagres que se verificaram por sua intercessão. Pio XII, em 1946, proclamou Santo António como “Doutor da Igreja”, atribuindo-lhe o título de "Doutor evangélico".


via Agência Ecclesia

Santo dos pobres em tempo de crise

Junho é, por excelência, o mês dos santos populares e Santo António, o santo casamenteiro, abre as festividades de Verão que trazem cor e alegria com os tradicionais arraiais decorados com as típicas flores de plástico, habitualmente utilizadas nas festas populares, música, barraquinhas de comes-e-bebes, bazares das igrejas ,gastronomia típica e outros artefactos tradicionalmente vendidos nos arraiais.
A par do movimento garantido no arraial, também os comerciantes aguardavam por umas horas de bom negócio, atendendo a situação de crise financeira.
Face a esta situação, poder-se-á utilizar uma quadra popular associada a esta festa popular: “Santo António Casamenteiro/Traz-me uma mulher/E muito dinheiro.”
«O arraial é bom, mas há crise», recordou um vendedor, revelando que «às vezes, vende-se uma sandes para dois». O mesmo lamento foi feito por Maria Romana Gonçalves, vendedora ambulante há 30 anos, que se queixou de os euros não renderem. «Tempo bom, bom, foi na altura dos escudos. Agora, lá se foi a nossa vida», manifestou.
Com uma pequena barraca cheia de brinquedos, uns modernos e outros a lembrar os velhos tempos, e, ainda, os típicos colares e rebuçados das festas, confeccionados por si, apontou também às taxas a pagar para poder vender. Situação que, segundo referiu, não ajuda os vendedores com dificuldades e que, nesta altura, não vêem o negócio render. «Há pessoas que já deixaram de vender, porque não dava», disse.
Além disso, referiu que as pessoas queixam-se dos preços. «Os miúdos olham para os brinquedos e as mães dizem logo, puxando pelo braço: Vamos que a mãe não tem dinheiro», contou. Relativamente aos rebuçados das festas, «os que se vendem mais que os colares», esta vendedora de 67 anos dá conta que há pessoas que chegam a queixar-se do preço de um saquinho destes doces (um euro), «quando não sabem que são feitos artesanalmente». «O preço do gás aumentou e agora pago três vezes mais pelo açúcar», destacou.
Por isso, «vende-se pouco, nunca estive como agora, que só dá para a gente ir comendo», concluiu.
Sendo Santo António também o protector dos pobres e, por estar em festa, pode ser que auxilie, não só nas causas do amor, mas também os comerciantes, que esperam por dias mais lucrativos.

O santo casamenteiro

No arraial de Santo António, a gastronomia é quase tão importante como a religiosidade que lhe está associada. Os espaços circundantes à festa enchem-se de cheiros.
A tradição gastronómica típica de determinadas festividades mantém-se, porém, com o passar dos anos esta pode sofrer algumas modificações. Refira-se que no continente, o arraial de Santo António significa comer sardinhas assadas na brasa, caldo verde e beber vinho tinto. Os bazares das igrejas vendem os bolos, sempre muito apreciados, e o café. Saltar a fogueira de Santo António é uma tradição de longa data que caiu em desuso. O ritual era um pretexto para rapazes e raparigas permanecerem fora de casa, noite fora, e para alguns mais corajosos mostrarem que não têm medo do fogo.

Casamentos de Santo António e marchas populares em Lisboa

Lisboa vive hoje um dos seus dias mais animados, a véspera do Santo António: a festa começa com os casamentos ‘abençoados’ pelo padroeiro, continua com o desfile das marchas populares e termina nos arraiais nos bairros históricos da cidade.
As celebrações começam às 12h com a cerimónia civil dos casamentos de Santo António, que junta 16 casais nos Paços do Concelho. Duas horas e meia depois iniciam-se as cerimónias religiosas na Sé de Lisboa, com 11 casais.
A comemoração dos Santos Populares continua depois durante a tarde, com vários arraiais espalhados pelos bairros históricos com música, as conhecidas sardinhadas típicas desta altura do ano e os manjericos com as suas rimas populares.
O ponto alto do dia é o desfile das 22 marchas populares na Avenida da Liberdade. As marchas da Baixa, Beato, Belém, Campolide, Marvila, Castelo, Mouraria, Penha de França, Graça, Carnide, Santa Engrácia, Bairro Alto, Bica, Olivais, São Vicente, Madragoa, Bela Flor, Alto do Pina, Alfama e Alcântara competem entre si para eleger o melhor desfile da cidade.
Pela avenida passam também, fora de concurso, as marchas dos Mercados e Infantil, organizada pela Voz do Operário.
O desfile desta noite começa às 21h e conta com a presença de um agrupamento do Reino de Marrocos, num intercâmbio cultural desenhado com a embaixada representante deste país.
A abertura do evento está a cargo da banda OqueStrada e entre os padrinhos dos marchantes encontram-se, por exemplo, os atores Joaquim Monchique e Florbela Queiroz e apresentadores como Nuno Eiró e Cláudia Vieira.
Durante a madrugada, as ruas dos bairros típicos, como Alfama, Mouraria, Bica ou Bairro Alto, deverão manter-se, como habitualmente, com milhares de apreciadores dos arraiais.
Devido às comemorações dos Santos Populares, o Metropolitano de Lisboa vai prolongar a circulação nas linhas azul e verde até às 02:00 de domingo e a CP fornece mais três comboios nocturnos para Cascais e Sintra do que o serviço habitual.
As comemorações condicionam, no entanto, algum do trânsito na cidade, principalmente nas ligações à Avenida da Liberdade, e 11 carreiras da Carris são afitadas, terminando os seus serviços mais cedo ou encurtando os seus percursos.
O feriado municipal de Lisboa, na segunda-feira, é comemorado em honra de Santo António, conhecido como um santo casamenteiro, já que, reza a lenda, era um excelente conciliador de casais.
Apesar de os dias 12 e 13 incluírem as principais comemorações, as Festas de Lisboa têm um cartaz cultural e de animação que se estende por todo o mês.

publicado na Agência Lusa via Sol

As noivas de Santo António já não vão ao médico

Palmira Figueira chegou às oito e não arreda pé. O saco do farnel foi escondido - não pode ser filmado pelas câmaras da RTP - e vai ser preciso uma carga de trabalhos e horas de tu cá, tu lá com um polícia para o conseguir reencontrar, no final da cerimónia civil. Tem sede, mas a água foi-se. Tem fome, mas para já vai ter de conter a vontade de comer uvas. Tem calor, mas o chapéu de palha também ficou no saco que ganhou pernas. Tudo por culpa de uma sugestão da RTP: ficava mais bonita se não aparecesse "mascarada".
Traz um cartaz que não larga, na esperança de que algum noivo consiga lê-lo. Tem um verso a pedir ao Santo António protecção para "estas noivas e as do mundo inteiro" e a fotografia de uma mulher vestida de noiva: ela própria, Palmira Figueira, com 19 anos, noiva de Santo António. Como era na altura? A resposta não podia ser mais previsível. "Eram outros tempos."
"A pessoa não podia casar se não fosse como deve ser", murmura Palmira entre dentes. "Tinha de ir virgem, virgenzinha", continua a amiga do lado, como se as palavras de Palmira precisassem de tradução. "Pssscht, está calada, olha aqui o homem a olhar para nós", censura Palmira, enquanto dá um valente safanão no braço da amiga. "Ainda não podia ter lá ido ninguém", continua a vizinha cheia da sua graça, e desta vez Palmira dá-lhe um safanão na cabeça, e agita-lhe o braço, como se se preparasse para abrir um néctar.
"Tínhamos de ir a uma ''inspecção''. Quando nos candidatávamos a noivas de Santo António, tínhamos de passar pelo médico para ele confirmar que ainda estávamos como deve ser. Há 41 anos era assim", conta Palmira, quase em sussurro, para o homem do lado não ouvir.
Os "outros tempos" de que fala eram isso: o namoro de um ano com muita visão e pouco tacto, um médico a coscuvilhar--lhe o corpo e um vestido oferecido pelos patrocinadores que a deixava "tapadinha". Confirma-se pela foto: com aquele vestido, Palmira parecia só ter pescoço.
"Acho muito bem que as coisas tenham mudado. Na altura era o melhor tesouro que podíamos dar aos nossos homens. Agora a miúda que tiver 19 anos e não tiver ''ido'' está encalhada, coitada", remata Palmira, antes de pescoço e olhos se virarem para a escadaria dos Paços do Concelho, a boca acelerada soltar "viva os noivos!" e todo o corpo se encher de excitação por ver as primeiras noivas. "Olha para ali, aquela podia ser eu, há 41 anos." O que vai ser dito lá dentro, no casamento civil, Palmira e as amigas do Feijó não vão ouvir. Madrugaram, fizeram cartazes, prepararam o farnel, mas não vão poder passar da porta. Não reclamam. "Vimos todos os anos, no final vamos poder vê-los passar aqui." Isso basta-lhes. Enquanto esperam pela saída dos noivos, não falta conversa sobre casamentos felizes, bitaites sobre os vestidos e penteados e coscuvilhices que variam entre a Maria que descasou e "a pobrezinha da Luísa", que casou no mesmo dia, mas enviuvou.
Conselhos matrimoniais, parte um Primeira lição a reter: num casamento civil de Santo António, não há só espaço para nomes de solteiros transformados em nomes de casados, trocas de alianças, beijos envergonhados e dissertações sobre os deveres de respeito e fidelidade. Há também uma espécie de pré-terapia de casal. A conservadora e oficial pública - que se ria tanto que a todo o momento parecia ter de posicionar o maxilar - quis deixar um conselho aos noivos. "Vivam intensamente o amor hoje. Não adormeçam chateados um com o outro." A mãe da primeira noiva a ser casada solta uma lágrima. E a conservadora distribui mais presentes: um poema de Florbela Espanca, mais um de Eugénio de Andrade. Tudo entre sorrisos. Os ossos do maxilar ainda devem estar a ressentir-se.
Segunda lição: assistir a um casamento civil obriga a conhecer um novo léxico. A todo o momento é preciso encaixar que um noivo é um nubente, uma noiva é uma nubente e dois noivos são dois nubentes.
E eis que chega a pergunta fatal. "Algum dos presentes conhece algum impedimento legal a esta celebração?" Tchan, tchan, tchan, tchan. Caras tensas, silêncio sepulcral, olhares de um lado ao outro da sala. Ninguém dá um espirro, por segundos ninguém respira. Mas nada acontece. Está provado: esses momentos só acontecem nos filmes, nunca nos directos para a RTP.
Terceira lição: se um casamento exige muita paciência, cinco de uma vez só são capazes de levar uma romântica cansativa a desistir de sonhar com o seu próprio casório. A rapidez nunca foi um forte dos noivos e dos padres, mas as obrigações dos directos, dos intervalos e das câmaras no sítio X tornam-nos cinco vezes mais lentos. A terceira noiva perdeu o véu ao descer os degraus e vê-se um sorriso triste quando leva a mão ao cabelo e percebe que não vai a tempo de o pôr para o directo. As duas noivas da frente são as mais magras, as três dos degraus atrás são as mais gordinhas. Queremos acreditar que a posição não foi programada para as câmaras.
Conselhos matrimoniais, parte II Palmira e as amigas foram a pé para a Sé, mas conseguiram chegar a tempo de apanhar a "tribuna vip", que é como quem diz os lugares com melhor visibilidade. Palmira não se vestiu numa retrosaria mas bem que podia ter-se vestido: tem umas sandálias de trapos, um cachucho de pechisbeque no anelar, com uma flor de croché vermelha e verde e as unhas pintadas da mesma cor. "Olhe, são as cores do Santo António." (Ou de Portugal?) A pintura é aprovada por unanimidade pelas amigas até algo interromper a discussão estética.

"Ó Júlio Isidriiiiooo, vem cá!"

As noivas chegam em carros antigos. Ninguém foi muito original nos penteados apanhados nem na cor dos vestidos, entre o branco, o bege e uma cor que não é nem branco nem bege. Os noivos já saíram para engolir cigarros mas a esta hora já esperam estoicamente no altar. Os directos são uma chatice, devem pensar as 11 noivas e os 11 pais que têm de esperar 20 minutos à torreira do sol até poderem caminhar na passadeira vermelha, varrida até à última migalha.
Na igreja, os casais que completam as bodas de ouro renovam os votos, mas mesmo com microfone é difícil ouvi-los. Os que, não tarda, serão recém-casados repetem "na alegria e na tristeza". O mesmo discurso multiplicado por 22 vezes: "Na saúde e na doença..." E os convidados, cá atrás, 22 vezes a levantarem os pescoços como galináceos, na tentativa de avistarem as caras dos noivos.
Diz a lenda que Santo António se transformou no santo casamenteiro porque era um conciliador de casais. E quem presidiu às duas cerimónias imbuiu-se desse espírito. Desta vez é o padre a dar conselhos para quando os casamentos precisarem de ir às urgências: "Quando sentirem que tudo está cinzento no vosso casamento, sentem-se. E sintam a força do Espírito Santo." Também na cerimónia religiosa há um novo léxico. "Podeis saudar-vos" é a maneira pudica de anunciar o momento que os noivos mais esperam. Sim, podem beijar as noivas.
Palmira esperou duas horas ao sol pelo fim da missa. Esperou o quê? Que algum noivo tenha olhos de lince e consiga ler a dedicatória no seu cartaz. João Baião chega e ninguém se cala. Última lição a reter dos Casamentos de Santo António: o João Baião e o Júlio Isidro não são os noivos, mas é pena. Têm mais palmas e assobios do que os 16 casais juntos.

publicado no jornal i

História dos Casamentos de Santo António


Santo António nasceu em Lisboa em 1195, tendo ingressado, ainda muito jovem, na Ordem dos Franciscanos. Era um pregador culto e apaixonado, conhecido pela sua devoção aos pobres e pela habilidade para converter heréticos.
Leccionou teologia em diversas universidades europeias e passou os seus últimos meses de vida em Pádua, Itália, onde viria a falecer, em 1231.
A Igreja Católica canonizou-o menos de um ano depois da sua morte e em 1934 o Papa Pio XI proclamou-o segundo padroeiro de Portugal, a par de Nossa Senhora da Conceição.
Santo António é vulgarmente considerado como um santo casamenteiro, pois, segundo a lenda, era um excelente conciliador de casais.
É particularmente venerado na Cidade de Lisboa e o seu dia, 13 de Junho, é feriado municipal. Contudo, as festas em honra de Santo António começam logo no dia 12 com a realização dos Casamentos de Santo António, evento inserido nas Festas da Cidade.
Este acontecimento, de grande relevo para Lisboa, comemorou no ano passado o seu Cinquentenário; foi em 1958 que 26 casais ficaram unidos pelo matrimónio na Igreja de Santo António. O objectivo da iniciativa, então patrocinada pelo Diário Popular, era possibilitar o casamento a casais com maiores dificuldades financeiras.
Após diversos anos de interrupção, a tradição foi retomada em 1997, agora sob a égide da Câmara Municipal de Lisboa, passando a admitir-se, também, casamentos civis.
Os Casamentos de Santo António constituem uma marca incontornável na tradição popular de Lisboa, contribuindo, em cada ano, para firmar a identidade cultural da Cidade.
Em 2009, a Câmara Municipal de Lisboa, com a participação e o empenho da sociedade civil, proporcionará, uma vez mais, a união de 16 jovens casais no dia 12 de Junho. 



Lisboa celebra os Casamentos de Santo António

São dezasseis os casais que a 12 de Junho vão concretizar o seu sonho quer seja nos Paços do Concelho onde se realiza a cerimónia civil, quer seja na Sé de Lisboa onde terá lugar a cerimónia religiosa. De seguida os noivos desfilarão em cortejo de carros antigos pela Avenida da Liberdade dirigindo-se para o Museu da Cidade onde terá lugar o copo – d'água e aí se lhes juntarão familiares e amigos, convidados da boda.
Este ano e porque o Fado é candidato a Património Imaterial da Humanidade também ele estará presente nesta festa que sendo dos noivos é também da cidade de Lisboa.
Mafalda Arnauth, Carlos Paulo e Marco Rodrigues são os cantores que vão estar presentes no Museu da Cidade brindando aos recém-casados e aos seus convidados, com temas como Valsa das Paixões, O Marujo Português e Rosinha dos Limões. Actuará ainda o grupo Mário Rui Sexteto, e os bailarinos Alexander Aleksandrov, Catarina Lourenço, João Carlos Petrucci, Jullia Darych, Rita Palma, Rute Lopes, Sergei Fychuk e Tiago Branco preparam uma coreografia que decerto ajudará a que a Festa seja o culminar de um dia tão importante na vida daqueles dezasseis novos casais.


publicado na revista Hardmúsica

Casamentos de Santo António "mantêm procura"


Os casamentos de Santo António, em Lisboa, "têm mantido a procura nos últimos anos, variando entre 60 e 100 inscrições todas as edições", explicou à agência Lusa a coordenadora geral do evento, que volta a realizar-se no domingo. Segundo Maria do Carmo Rosa, as inscrições para a participação nos tradicionais casamentos "têm sido constantes nos últimos anos". Ainda assim, a organização dos casamentos de Santo António, promovidos pela Câmara de Lisboa, nota que "há uma tendência para ver menos inscrições", apesar de "a diminuição ainda não ser expressiva" e "dever-se à tendência para haver menos casamentos no geral". Maria do Carmo Rosa rejeita que a crise tenha um impacto nesta tradição, embora admita que as motivações para participar num casamento de Santo António passem também pelas ajudas económicas. "Um dos principais motivos da inscrição é ter um casamento de sonho. Um casamento é muito caro, os casamentos de Santo António acabam por ser a possibilidade de ter um. Há pessoas que não têm mesmo dinheiro para casar, mesmo os documentos são caríssimos", explicou. Os mais de 30 patrocinadores da cerimónia oferecem os vestidos de noiva, os fatos para os noivos, os sapatos, os penteados, o copo de água para 20 convidados, mil euros para gastar em electrodomésticos e tecnologia, a lua de mel, a noite de núpcias e as alianças, entre outras ofertas. Além da ajuda económica, outro dos motivos que leva os munícipes a continuarem a participar nos casamentos de Santo António é a "tradição". "Estes casamentos já são uma tradição da cidade. Os noivos acabam por fazer parte da história da cidade. Mas também é um casamento que não é vulgar, porque é muito mediático, os noivos aparecem na televisão... Isto associado às ofertas continua a motivar muitas pessoas", afirmou Maria do Carmo Rosa.
Dezasseis casais participam no domingo na iniciativa, uma tradição que nasceu em 1958, quando 26 casais ficaram unidos pelo matrimónio na Igreja de Santo António. O objectivo da iniciativa, então patrocinada pelo Diário Popular, era possibilitar o casamento a casais com maiores dificuldades financeiras. Os casamentos de Santo António foram interrompidos em 1974, após 16 edições patrocinadas pelo Diário Popular, e recuperados trinta anos depois pela Câmara de Lisboa, durante o mandato do socialista João Soares.
Depois dos casamentos civis, nos Paços do Concelho, realiza-se a cerimónia religiosa na Sé de Lisboa, com 11 casais. 


publicado no Diário de Notícias

Vídeos para ver aqui:



Outra tradição, mais ou menos recente, é convidar uma bateria de 'famosos' para madrinhas e padrinhos da marcha de cada um dos bairros.  Slideshow com fotos de Catarina Larcher e Nuno Miguel Sousa: AQUI.

Marchas dividem-se entre 'famosos' e figuras típicas dos bairros

No início eram ilustres desconhecidos, salvo honrosas exceções, mas figuras importantes do bairro, hoje são figuras públicas e quase nunca pertencem ao bairro que representam. São os padrinhos das marchas populares de Lisboa.
As marchas de Lisboa assinalam 79 anos de existência e de uma história que também se conta através dos padrinhos, figura sempre presente, mas que não foram sempre escolhidos pelos mesmos critérios.
O diretor de gestão cultural da EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), entidade organizadora das marchas de Lisboa, explicou à Lusa que no início das marchas, em 1932, “havia uma maior relação dos padrinhos com os bairros”.
“Regra geral escolhiam pessoas conhecidas do bairro, mas que eram também figuras conhecidas no país, como foi o caso de Amália Rodrigues. Mas na maior parte das vezes eram pessoas do bairro, que toda a gente conhecia”, adiantou Pedro Moreira.
De acordo com o responsável da EGEAC, foi por volta dos anos 1990 que a realidade dos padrinhos se alterou, quando as marchas passaram a ter direito a intensa cobertura televisiva.
“A partir daí, as marchas procuram ter padrinhos sobejamente conhecidos pelas pessoas, pelo público, porque isso arrasta mais apoiantes, mesmo que não sejam do bairro”, justificou.
Em Alfama, Cinha Jardim, figura conhecida do ‘jet-set’ português, foi madrinha durante muitos anos, juntamente com Carlos Mendonça, que agora aparece como ensaiador do Alto do Pina. Este ano, os padrinhos são a fadista Raquel Tavares e o apresentador de televisão Nuno Graciano. À Lusa, o responsável da marcha assume que “ter padrinhos mediáticos ajuda na empatia com o povo”.
“Quanto mais a pessoa for conhecida, mais fácil é aparecer nas televisões. Se eu puser o Tony Carreira na marcha tenho um mediatismo diferente do que se puser o Jerónimo de Sousa ou o José Sócrates”, explicou João Ramos.
Lembrou, no entanto, que a madrinha deste ano é uma figura do bairro que “chorou baba e ranho” quando lhe fizeram o convite.
No Bairro Alto, a escolha recaiu nos apresentadores televisivos Vanessa Oliveira e Nuno Eiró e o responsável da marcha disse à Lusa que em relação ao segundo a proposta foi feita quando aquele fez a reportagem sobre as marchas há dois anos.
“Pela simpatia, pelo carisma e porque agradou à marcha”, explicou Vítor Silva, acrescentando que foi depois Nuno Eiró quem sugeriu o nome de Vanessa Oliveira. 

publicado no Jornal da Madeira

RESULTADOS MARCHAS POPULARES DE LISBOA 2011

1º lugar: Alto do Pina
2º lugar: Alfama
3º lugar: Madragoa

Classificações finais das Marchas Populares de Lisboa 2011

Marcha                       Lugar       Pontuação
Alto do Pina   1º              152
Alfama                        2º 150
Madragoa                    3º              143
Marvila         4º              142
Castelo                        5º              141
Bica                             6º              138
Bairro Alto                   7º              136
Beato                           8º      132
S. Vicente                    9º              129
Graça                         10º             128
Carnide                      11º             121
Campolide                 12º             118
Alcântara
(ex-aequo)                 13º             115
Santa Engrácia
(ex-aequo)                 13º             115
Mouraria       14º             114
Olivais                      15º               111
Penha de França
(ex-aequo)  16º              109
Belém
(ex-aequo)                16º              109
Bela Flor                   17º 99
Baixa                        18º 97

Classificações por categoria das Marchas Populares de Lisboa 2011:

Categoria                                     Marcha
Melhor Coreografia                       Beato
Melhor Cenografia                         Alfama e Castelo
Melhor Figurino                             Alfama, Alto do Pina e Mouraria
Melhor Letra                                 Bairro Alto
Melhor Musicalidade                     Bica e Madragoa
Melhor Composição Original         Bica – Rainha de Lisboa
Melhor Desfile da Avenida            Alto do Pina

fonte: EGEAC

'Mourinho' das marchas volta a ganhar

A marcha do Alto do Pina venceu a edição deste ano das Marchas Populares de Lisboa. Em segundo lugar ficou Alfama e em terceiro a Madragoa. Somadas as pontuações das exibições no pavilhão Atlântico e do desfile de ontem na avenida da Liberdade, o Alto do Pina vence Alfama por dois pontos. Apresentou o tema “Amar Lisboa”, com um figurino em tons de dourado, azul e branco e arcos com motivos de azulejos.
"Foi a melhor prenda para a colectividade que organiza a marcha, pois o Ginásio do Alto do Pina está a comemorar o seu centenário", diz Micael Costa, responsável da Marcha, que justifica a vitória com "o espírito de união do grupo" e a "grande ajuda do ensaiador Carlos Mendonça". "Dizem que ele é o Mourinho das Marchas - devido ao grande número de vitórias -, mas nós dizemos que o Mourinho é que é o Mendonça do futebol", remata.

Alto Pina vence pela 1ª vez com ensaiador campeão

Aos gritos de "campeões, campeões, nós somos campeões", as gentes do Alto do Pina encheram as ruas do bairro celebrando a primeira vitória nas Marchas de Lisboa. "Foi a melhor prenda para a colectividade. O Ginásio do Alto do Pina, que organiza a marcha, está a comemorar o centenário, e esta vitória tem um sabor especial", diz Micael Costa, responsável da colectividade, atribuindo o sucesso à "união do grupo e ao ensaiador Carlos Mendonça. "Dizem que é o Mourinho das Marchas, mas nós dizemos que o Mourinho é que é o Mendonça do futebol", sublinha.
Às quatro da tarde de ontem, ainda se festejava no bairro. "Nem fui à cama, não consigo dormir com tanta alegria", diz o marchante Luís Brás, 38 anos. "Foi o sr. Mendonça que fez a diferença; ele mudou a mentalidade da marcha", realça. Manuela Araújo, 53 anos, estava eufórica: "Desde o desfile no Pavilhão Atlântico percebi que íamos ganhar."
Com a voz embargada, Carlos Mendonça, o novo ‘treinador’ da equipa do Alto do Pina, confessa: "Esta vitória teve um sabor especial. Foi o bairro onde nasci e onde a minha mãe marchou em 1932." Acerca deste regresso, depois de ter anunciado a despedida, explica: "Não podia dizer que não. É o meu bairro e ano de centenário do Ginásio do Alto do Pina."

Figurinista e bailarino

Ganhou 12 títulos com Alfama e a alcunha de ‘Mourinho das Marchas’. Anunciou a retirada em 2009, mas não resistiu ao convite do Alto do Pina, bairro onde nasceu há 72 anos. Anteontem, ganhou mais um título, o 13º. Antigo bailarino clássico, Carlos Mendonça viveu 18 anos em Inglaterra e trabalhou como figurinista na BBC. Por cá, trabalhou como figurinista na RTP, na TVI e no Parque Mayer.[ver vídeo]


publicado no Correio da Manhã


via EGEAC

A imagem-ícone das Festas de Lisboa: a sardinha

A sardinha faz parte da história de Lisboa. Já entre o século I e V d.C. as fábricas de Olisipo produziam valiosas conservas de peixe com especiarias cuja composição apresentava pelo menos 90% de sardinha, exportadas para todo o império Romano, em ânforas de cerâmica. Em conjunto com o Núcleo Arqueológico da Fundação Millennium bcp (NARC) onde se podem visitar 2500 anos da história da cidade, reúne-se agora uma selecção de 300 representações de sardinhas de um total de 2080 que participaram no concurso Sardinhas Festas de Lisboa’11, lançado no âmbito das Festas da Cidade pela EGEAC. Ao público, foi assim aberto o desafio de participar na imagem das Festas de Lisboa’11, que têm desde 2003 a sardinha como ícone máximo. A notoriedade alcançada permitiu que as sardinhas pudessem ser objecto de reinterpretação. Primeiro, em 2009 e 2010, por ilustradores, designers e artistas plásticos convidados e, este ano, finalmente, em democracia absoluta e ao alcance de qualquer um! Da cartolina ao tecido, da folha de papel aos objectos tridimensionais mais surpreendentes, esta mostra é um espelho do talento de todos os que vivem as Festas de Lisboa.

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