Bento XVI em videoconferência com os 12 astronautas em órbita na Endeavour. foto:Osservatore Romano/AFP/Getty Images
O papa Bento XVI telefonou para os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS): «EARTH TO SHUTTLE!!... THE POPE IS CALLING!!» e esteve uns minutos à conversa com... a tripulação da Endeavour. Tornou-se assim o 1º papa a falar com o espaço. Vejo a notícia na CBS e fico aqui a matutar: encontro histórico, este!... Com alguém que está mesmo 'lá em cima', pairando em órbita, fora e para lá deste Mundo. E depois lembrei-me, quase de imediato, desta outra raridade, revirada aos arquivos da TV Cultura: uma canção com o dedo e a voz eterna do Gilberto Gil, aqui gravada - ao vivo e só no violão - para o programa Sr.Brasil, com o xis divino de vir finamente costurada num poema de Guimarães Rosa. Assim:
Logo à noite, às 21h, o Camané dá um concerto muito especial no Museu do Fado, em Lisboa, que vai ser transmitido, 'ao vivo e a cores', na página do Facebook da Candidatura do Fado a Património da Humanidade. Chamou ao espectáculo Memória e vai fazer dele chave d'ouro para encerrar a exposição sobre o seu percurso de fadista, que está patente ao público desde Fevereiro naquele mesmo espaço. O concerto coincide com o Dia Internacional dos Museus e servirá também para o Fado assinalar a data em casa própria. No alinhamento de logo mais, Camané promete regressar ao passado e interpretar alguns dos fados celebrizados por Alfredo Marceneiro, Carlos do Carmo, Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo ou Carlos Ramos, e que hoje se tornaram igualmente indissociáveis da sua voz. Seja no Museu do Fado, seja no Facebook: absolutamente IMPERDÍVEL!
O último jogral, Jornal do Brasil, edição de 18 de Fevereiro de 1986
Um dos mais importantes criadores de sua geração, cantor, compositor e instrumentista, Nelson Cavaquinho morreu uma semana depois de comemorar a vitória da Mangueira no carnaval. Artista boêmio, Nelson foi uma espécie de menestrel moderno, conhecido de toda a cidade, que percorria de botequim em botequim, cantando seus sambas. Começou a tocar cavaquinho aos 17 anos de idade e trocou a profissão de policial para viver do samba. Em Mangueira, fez o seu primeiro samba, Entre a Cruz e a Espada, e trocou o cavaquinho pelo violão, mas não abandonou o modo de tocar com o polegar e o indicador que sempre impressionou músicos de renome. Nunca mais parou de compor. O primeiro sucesso foi Rugas (1946), com Augusto Garcez e Ari Monteiro, mas a fama maior viria mesmo na Mangueira, na qual entrou em 1952. Nelson compôs com Cartola e com uma infinidade de parceiros, na maioria fictícios (entraram apenas com o nome). Um, se transformaria em sua alma gêmea: o mecânico de máquinas de calcular Guilherme de Brito, boêmio e seresteiro, pintor primitivo e poeta da mesma escola Nelsoniana. Nelson e Guilherme se encontraram em 1946, num botequim do subúrbio de Ramos. Nelson vivia o auge da mais destemperada boêmia: dias inteiros, semanas até, de bar em bar, sem aparecer em casa. Foi um casamento musical à primeira vista, uma união artística de 40 anos responsável por muitos dos melhores sambas já feitos. Alguns exemplos são: A Flor e o Espinho, Luto, Pranto de Poeta, Folhas Secas, Depois da Vida, Quando eu me Chamar Saudade. Guilherme, boêmio mais moderado, tentou levar Nelson pelos caminhos de uma carreira menos atípica. Em vão, apesar de algumas concessões de Nelson, que nos últimos anos concordou em aproximar-se timidamente do mercado. Apesar da grande produção artística, Nelson Cavaquinho deixou apenas dois LPs e teve algumas composições gravadas por intérpretes como Elizete Cardoso. Era um rebelde a seu modo, um verdadeiro artista do povo em estado puro. Queria apenas ver a sua arte cantada. Queria, sobretudo cantá-la ele próprio.
Também a 17 de Fevereiro, mas uma bem medida década antes, em 1973, a música brasileira despediu-se de outro "brasileiro imprescindível". Alfredo da Rocha Viana Filho, o grande Pixinguinha, que ia naquela hora ser padrinho de um baptizado, morre aos pés do altar com um enfarte fulminante.
Timbuktu, no Mali. Cidade de lendas e ainda centro nevrálgico do comércio do sal vindo de Taoudenni, um lugar desolado, 700 quilómetros para norte. The Last Salt Caravan acompanha esta caravana de salicultura varrida pelos ventos do deserto que, ao longo dos séculos, transporta o sal sob o sol escaldante das planícies áridas. O documentário é de Março de 1999 e tem a duração de 43 min..
The Last Salt Caravan
Timbuktu in Mali – city of legends, and still a centre for the salt trade. Salt comes from Taoudenni, a desolate place 700km away in the north. From here, it has been carried by camel for centuries. This wind-swept, sun-drenched film follows the ancient salt caravan. Mali in north-west Africa. Once ruled by a mighty dynasty and one of Africa's wealthiest countries. Today it's one of the world's poorest. In the Middle Ages Timbuktu flourished in trade and culture. A kilo of salt was worth a kilo of gold. The trade still exists; despite the harsh conditions young people are signing up to become caravan drivers. Work is scarce. The Persian word "caravan" means protection of trade, and larger caravans were more secure. The nomadic Tuareg have traditionally chosen this trade. Ali, is a Tuareg, a desert Nomad. Shrouded in blue tunic and scarf to avoid inhaling the desert, he prepares his caravan of camels for the journey to the bleak salt mines of Taoudenni. Ali knows the desert well - travelling this route for many years. During the day he navigates by the sand ripples and the form of the dunes. At night the stars point the way. This is an unearthly world. But Ali's heart is heavy - his family is still in a refugee camp in neighbouring Mauritania, victims of Mali's civil war. Shortly outside Timbuktu we cross a caravan laden with salt blocks, which has just made it back after 40 days' walk. Skeletons of animals which fell along the way are witness to the often deadly price of crossing the desert. At a nomad camp Mahamud tells us 'I love the way we live. Things were only hard during the civil war. They took my goats and camels and simply slaughtered them'. And then at last, the first water well. Camels can live for 2 weeks without water, and a thirsty animal can drink over one hundred litres in one go. Stories are exchanged over green tea. And the caravans continue to pass…Before the civil war tourists who were fascinated by the nomad culture of the desert used to come here. Ali spent 4 years as a desert guide showing them his way of life. But in 1990 the civil war changed all that. This godforsaken Place was forsaken by even the tourists. Left to live out a harsh life in quiet solitude. The war started when the Tuareg rebelled against the government. They wanted to win autonomy but the army hit back mercilessly. Only last year did all groups agree on peace. For five years, the entire north of Mali and almost half of the country was an impassable war zone. The 80’000 refugees have slowly been trickling back since 1996. They are no longer nomads, they want to settle.At the salt mines life is even harder. 6’000 years ago this was a huge lake from the river Niger. The salt is a remnant of that time. Miners hack painful blocks of salt from the earth. Poor quality slabs are carved from the first layers. Beneath lies the salt that is highly prized. Every layer has a name. First comes 'the white', then 'the daughter', 'the top beauty' and then 'the beautiful'. The working conditions are inhuman. Salt eats into the skin in sun which burns without mercy. For three long months Baba will quarry salt here. His home is made of salt. It keeps neither wind nor cold out at night. Increasingly, black men - descendants of the former slaves of the Tuareg - do the hard work. 'Salt workers often die here. We don’t have medicine and the water is salty. We must buy drinking water every day' says Baba.Camels, are by far the most highly performing beasts of burden. We get to know them as never before. They are great source of comfort to their fellow beasts of burden: man. Their dung provides fuel for cooking and their milk sustenance. Each morning, the cranky creatures rise with the sun and stretch and moan as their front legs are unbound. Each night they moan even louder as their legs are bound up to stop up them running away. The dextrous traders bridle the animals with care, avoiding their foul yellow teeth. Once linked together, the camel train resign themselves to their fate. As do the desert nomads.
Resumo: A report on the plight of the nomadic Tuareg people of the Sahara. For centuries the deserts of northern Mali have sustained the Tuareg; herdsmen known as the 'blue people' of the Sahara. But, in the 1990s the combination of droughts and civil war forced most to abandon their herds and flee to refugee camps in Mauritania. Now Moussa Ag Mohammed is returning to his land; but the loss of his herds, and the remorseless advance of the desert, means his ancient lifestyle is doomed. Mohammet Ali, whose lineage can be traced back twelve hundred years, digs with pitiful tools to maintain an ever sinking well against the dusty backdrop of the desert plains. He refused to fight or flee during the war, sticking by his philosophy 'If it is hot where you are, it's even hotter somewhere else'. Orphaned Faty and her brother tend their precious market garden on a patch of sand outside the village; every last drop of water must be pumped by hand. The Tuareg are still pessimistic that their way of life will die out as their children migrate to the towns for an 'easier' lifestyle.
E para acompanhar, nunca é de mais sugerir que se percorra o trabalho dos Tinariwen:
Segue-se um excerto de uma 'jam session' dos Tinariwen com o mítico Robert Plant, durante um concerto em Paris, a 7 de Abril de 2007. A péssima qualidade do som e da imagem são perfeitamente sofríveis, diante da pérola que representa vê-los a interpretarem juntos a tremendíssima malha dos Led Zeppelin: Whole lotta love.
Estive por diversas vezes com os Tinariwen. Muitas delas entrevistando-os, outras apenas assistindo às suas actuações em Portugal ou no estrangeiro, integrados em Festivais ou em concertos exclusivamente seus. Nunca aconteceu de ficar um registo vídeo de nenhuma dessas ocasiões. Porque vale a pena relatar a sua história de viva voz, deixo um especial sobre o grupo – Music of Resistance: Tinariwen – realizado pela TV Al Jazeera em Fevereiro de 2009.
As tribos nómadas tuaregues passaram por anos de seca e guerra civil. A única constante através desta dificuldade tem sido a música de Tinariwen. Os elementos do grupo são kal tamashegs (tuaregues) e foram em tempos soldados rebeldes treinados na vizinha Líbia do coronel Kadhafi. Após anos de luta e violência decidiram depor as armas e lutar com uma arma diferente: a música.
Documentário: "Music of Resistance: Tinariwen" Parte 1:
O grupo é um dos mais importantes na corrente de renovação que, nos últimos 15 anos, tem influenciado a música tradicional tuaregue. Vozes, palmas, percussão, guitarras (“limpas” e distorcidas), uma execução irrepreensível e soluções musicais surpreendentes, têm-lhes valido um reconhecimento internacional crescente. Imidiwan: Companions e Amassakoul curvaram o Mundo em reverência e coleccionaram prémios. Aman Iman: Water is Life é o seu terceiro e mais recente álbum.
Resumo: Legendary poet guitarists and soul rebels from the southern Sahara desert, this documentary extract features performances of '63' under a tree in the desert 'Matadjem Yinmixan' in a tent in Tessalit, as well as a short interview with founder Ibrahim. In 1963, shortly after independence, the Touaregs of Mali rise up against their new masters. This revolt is brutally suppressed. It is followed by terrible droughts which force thousands of refugees from Mali, Niger and Libya out on the road. It's in the pain of exile that the Teshoumara is born. This movement proclaims the existence but also the necessary evolution of the Touareg people. This is when the guitars of the group Tinariwen first began to be heard.
# Para ouvir no iTunes: AQUI (id=212053410&s=143444)
Para dar conta do muito que fervilha no panorama musical da região, fica o relato de George Azar nos bastidores de uma das últimas edições do Festival do Deserto, conceituado evento, organizado pela comunidade Tuareg do Mali.
Gravado durante uma apresentação na Casa da América Latina, em Lisboa, no dia 27.09.2007
A Roda de Choro de Lisboa é um projecto de músicos portugueses e brasileiros que se desenvolve dentro do chamado repertório clássico, respeitando a sua linguagem singular ao mesmo tempo que introduz algumas surpresas. Dizem os organizadores: «Pode-se afirmar que o choro é primo direito do fado, da morna e também do tango, pois partilha com estes várias influências de raiz.» Ritmos bem portugueses como o corridinho ou o fado são trabalhados pelo grupo de forma a evidenciar esta proximidade das linguagens lusófonas. A Roda procura o espírito do Rio de Janeiro de princípios do século XX. Os chorões vestem-se a rigor e interpretam maxixes, polcas, mazurkas, baiões, sambas-choro e valsas. No seu repertório constam compositores do género como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ernesto Nazareth, Garoto, Waldyr Azevedo, Fon Fon, Chico Buarque, Noel Rosa, Juventino Maciel, Hermeto Pascoal e João Bosco. A Roda é formada por Múcio Sá (bandolim), Luis Bastos (clarinete), Pedro Moura (cavaquinho e voz), Nuno Gambôa (violão de 7 cordas), Janeca Nogueira (contrabaixo) e Alexandre Barriga (percussão).
(Mais perto e com melhor som, mas péssima imagem: aqui. )
Foi um concerto portentoso, o de Amy Winehouse, ontem no Summer Soul Festival, que aconteceu no Stage Music Park, em Florianópolis. Discordo em absoluto da crítica publicada no Diário do Pará. Pelo contrário, diria antes que alinho em absoluto com o olhar e a escuta do correspondente da revista francesa Les InRocks, que escreve o seguinte sobre o show:
On n'avait pas vu Amy Winehouse sur une grande scène depuis 2008. Samedi, elle était, en forme, au Summer Soul Festival à Florianópolis (Brésil). Pas de révélation de nouvelles chansons, mais notamment "Boulevard of Broken Dreams" écrite pour la version de Moulin Rouge de 1934.
Além de Winehouse, e na vertente internacional, o cartaz alinhou ainda shows da cantora Janelle Monáe e do músico Mayer Hawthorne. Na vertente nacional, incluiu as brasileiríssimas participações de Instituto, Miranda Kassin e André Frateschi. A produtora Mondo Entretenimento segue agora com o Festival para Recife (Centro de Convenções de Pernambuco, no dia 13) e São Paulo (no dia 15). Vale o ingresso, garanto.
Amy Winehouse abre turnê no Brasil em Florianópolis
A britânica Amy Winehouse, 27 anos, subiu ao palco com uma hora de atraso na madrugada deste domingo em Florianópolis. A cantora chegou à capital catarinense poucos instantes antes de sua primeira apresentação no País. No palco, uma imensa bandeira do Brasil servia de cenário. O show abriu a série de apresentações de Amy no Brasil, que ainda tem quatro datas programadas, nos dias 10 e 11 de janeiro, no Rio de Janeiro, em São Paulo (15) e em Recife (13). A última vez que a cantora saiu em turnê com sua banda oficial foi em 2008, com algumas escassas aparições em festivais e shows fechados desde então. Uma hora também foi o tempo de duração da performance de Amy Winehouse, que começou com a balada Just Friends. Ainda no início, logo após a quarta música, um momento de tensão: ela deixou o palco por cerca de cinco minutos. A banda continuou tocando até o seu retorno. Na volta, embalou o público, que vibrou muito com Me and Mr. Jones, canção de Back to Black. O aclamado álbum de 2006 serviu de base para boa parte da apresentação, que contou com os hits Rehab e You Know I'm No Good. Aplaudindo e cantando junto, os espectadores aprovaram a voz da cantora, que soava impecável. Alguns rostos conhecidos estavam na plateia de todas as idades, como os jogadores Ronaldinho e Raí, o ator Caco Ciocler e a cantora Maria Gadú. Amy deixou o palco de forma abrupta novamente, mas desta vez, fazia parte do seu show: foi a pausa para o bis, encerrando a noite com o cover Valerie. A cantora não apresentou músicas de seu novo disco, a ser lançado ainda este ano, apesar dos boatos de que incluiria canções inéditas nas apresentações brasileiras. Conhecida por seus problemas com álcool, o que já levou a abandonar os palcos em algumas ocasiões, durante todo o espetáculo Amy fez questão de mostrar que bebia água. Mas mesmo sem sinais de bebedeiras e cantando suas letras sem problemas, os espectadores reclamaram bastante. As acusações variaram entre o fato de que a cantora estaria usando playback e a de que a duração da apresentação teria sido muito curta. O turista uruguaio Diego Luis Villa, 41 anos, reclamou do valor do ingresso e do tempo da perfomance: "paguei R$ 350 por um camarote para ouvir 15 músicas em playback", disse. "Não acho que tenha sido um bom investimento". Após o término, um imenso congestionamento se formou na saída do bairro de Jurerê Internacional, na região norte de Florianópolis. "Pelo jeito vou ficar mais tempo no trânsito do que no show de Amy", disse o fã, Carlos Henrique Rafik, 31 anos. "Estou bastante desapontado". Desde que chegou ao Brasil, na última quarta-feira (5), Amy passou a maior parte do seu tempo curtindo a piscina do hotel em que estava hospedada, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Foi fotografada descabelada, deixou os seios à mostra acidentalmente e, supostamente, teria bebido demais e quebrado objetos em seu quarto.
Set list do show: Just Friends Back to Black Tears Dry On Their Own Boulevard of Broken Dreams Outside Looking In Lovers Never Say Goodbye I Heard Love Is Blind Love Is a Losing Game Some Unholy War Everybody Here Wants You What a Man Going to Do Rehab You Know I'm No Good BisYou're Wondering NowValerie
O Brasil está há 30 anos sem Cartola. O compositor morreu em 30 de novembro de 1980 e foi considerado por diversos músicos e críticos o maior sambista da música brasileira. Nascido no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, tomou gosto pela música e pelo samba ainda jovem. Aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão e foi um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Foi peixeiro, sorveteiro e vendedor de queijos. Mas, para além das suas inúmeras ocupações, foi sempre um namorador, um beberrão e, acima de tudo, sambista e poeta de (e do) coração. Como diria um outro sambista, Nelson Sargento, Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve. A frase, que ficou famosa, ilustra bem o que foi a sua vida: um sonho tipicamente brasileiro.
Cartola com os dois amores mais resistentes da sua vida: o violão e Dona Zica
Para complementar, fica também a sugestão do documentário estreado em 2006: Cartola - música para os olhos Lembrei-me dele porque relata de forma incisiva um dos aspectos mais perturbadores que me vem à cabeça quando penso em Cartola. É que este homem, um dos principais nomes da Estação Primeira de Mangueira, autor de sambas memoráveis como O Mundo é um Moinho e As Rosas Não Falam, gravou o seu primeiro disco quando já estava bastante velho, na verdade poucos anos antes de morrer. Muitas das suas músicas perderam-se. Do próprio Cartola, aliás, sabe-se que durante algum tempo nem sequer chegavam notícias, havendo mesmo quem acreditasse que já estava morto. Foi encontrado, certo dia, por um jornalista numa qualquer rua do Rio de Janeiro, ganhando uns trocados como guardador de carros, imagine-se!... Este documentário que evoco agora, aqui no Conexão, conta a história do sambista, dos tempos de pedreiro e compositor nas horas vagas, ao reconhecimento nacional do seu génio e talento nato. Filmado por Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, é um 'longa' fragmentado, que procura ir além da reflexão a respeito da figura do sambista. Incluindo toda a sociedade no painel a que submete a discussão de disparates e absurdos culturais como o que apanhou Cartola em cheio, o documentário ergue o sambista como exemplo do questionamento urgente dos descasos e distracções da memória nacional do país.
Sinopse A história de um dos compositores mais importantes da música brasileira. A história do samba a partir de um dos seus expoentes mais nobres. Utilizando linguagem fragmentada, Cartola traça um painel da formação cultural do Brasil, convidando a uma reflexão na construção da memória deste país. O retrato de um homem que se reconstruia com seu tempo.
Ficha Técnica
Título: Cartola - música para os olhos Duração: 88 min e 9 seg. Ano: 2006 Cidade: Rio de Janeiro
País: Brasil Gênero: Documentário Subgênero: Histórico Cor: Colorido/PB
Para prosseguir em "sessão Cartola", fica também este outro documentário. Com Marília Trindade Barboza, Dudu Nobre, Teresa Cristina, Miguel dos Anjos, entre outros.
Em seguida, assista a este programa Ensaio, garimpado no arquivo da TV Cultura, com o mestre Cartola. Não está na íntegra mas, mesmo assim, são quase vinte minutos de samba e poesia, com Cartola cantando Amor Proibido, Acontece, Nós Dois, Tive Sim e Bem Feito. O show em referência, gravado em 1973, conta com igualmente com a presença de Dona Zica.
Continue sentado e aperte o play: vale rever o programa de homenagem ao centenário de Angenor de Oliveira, o Cartola, emitido a 24.08.2008 pela TV Brasil:
No mesmo espírito, segue o 'Especial Cartola', produzido também por ocasião do centenário da morte do sambista, para o programa Entrevista Record Cultura, da Record News.
Chama-se A guerra das rosas e consta do recentíssimo trabalho de Camané: Do amor e dos dias.
p.s – É favor deixar correr o vídeo mesmo até ao fim porque tem Ficha Técnica e – como fica bom de ver – é da mais elementar justiça saboreá-la também . Mais que não seja, para ficar a saber o nome dos iluminados que foram responsáveis pelo 'muito excelente' videoclip.
Caetano Veloso actua, sempre às 22h, nos dias 26 e 27 de Julho no Coliseu dos Recreios de Lisboa e no dia 29.Julho, subindo ao norte do país, no Coliseu do Porto. Desta vez traz na bagagem uma asa delta que será montada em palco e também várias projecções de imagens do Rio. França, Inglaterra, Dinamarca, Itália, Bélgica, Espanha e Finlândia são os países por onde Caetano Veloso já passou na sua tournée europeia que teve o seu início dia 25 de Junho em Paris. Na passada semana, e antes do seu regresso a Portugal dia 26 de Julho, Caetano Veloso apresentou-se no Líbano, mais propriamente em Beirute onde foi calorosamente recebido. Este novo espectáculo, que têm uma duração de 1h30, apresenta grandes novidades. No palco estará montada como escultura uma asa delta (verdadeira) com 9,5m de largura por 3 de comprimento. Pela primeira vez num espectáculo seu, Caetano Veloso recorre a algumas projecções em vídeo. Imagens do conceituado cineasta Miguel Przewodovski ilustram alguns dos temas dedicados ao grande homenageado de Zii e Zie: o Rio de Janeiro. As imagens contextualizam a letra do tema que está a ser interpretado, como é o caso da canção Lapa, permitindo à plateia "visitar", sem sair do lugar, o tradicional e boémio bairro do Rio. Caetano Veloso vai trazer canções novas, menos novas, inéditas, recriações, todas as canções e todo o seu génio para dar alma a mais dois espectáculos em Portugal que se adivinham inesquecíveis Em palco, para ajudar a fazer a festa e dar sabor à noite, vai ter a seu lado Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (teclados) e Marcello Callado (bateria).
Mísia canta José Saramago sobre o tradicionalíssimo 'Fado Franklin': Nenhuma estrela caiu. Irrepreensível e grandioso momento.
Janelas que me separam do vento frio da tarde num recanto de silêncio onde os gestos do pensar são as traves duma ponte que não paro de lançar Vem a noite e o seu recado sua negra natureza Talvez a lua não falte ou venha a chuva de estrelas Basta que o sono desperte o sonho que deixa vê-las Abro as janelas por fim e o frio vento se esquece nenhuma estrela caiu nem a lua me ajudou mas a ruiva madrugada por trás da ponte aparece.
O press de lançamento destacava com letras gordas: "Jasmin Jones é Verão, Sol, Praia, Mar e Amor".É verdade. Eu acrescentaria: um acústico cálido e envolvente, 'light' porém 'gostoso'. Fácil de gostar porque descomplicado e despretencioso. Sabe ao balanço das ondas no escanchado da prancha, a noite de aragem quente, a fogueiras à luz da lua sobre areias macias. Não tem nada que saber e sabe bem melhor assim. Filha de pai neo-zelandês e mãe portuguesa, Jasmin Jones desde muito cedo se habitou a viver e conviver com diferentes culturas. Em Portugal, a australiana encontrou o cenário ideal para a sua vida e as ondas perfeitas para o seu surf. Em 2004, forma com 3 amigos a banda punk/hardcore Triplet. Apesar de continuar a destilar energia em grupo, a sua multi-culturalidade falou mais alto e deixou-se seduzir por outro tipo de ambientes. Daí surgiu a necessidade de compor um álbum a solo com uma sonoridade mais low-fi. O resultado dá pelo nome de Beyond The Clouds, o primeiro trabalho a solo da cantora/surfista, composto por 13 canções plenas de melodias simples mas profundas que nos transportam de imediato para cenários de sol, praia e boas vibrações. O álbum foi apresentado na noite de 15 de Maio no Ribeira D’Ilhas Surf Camp, na Ericeira (entrevista aqui). Depois disso seguiram-se diversos showcases nas FNAC, o Musicbox e outras tantas apresentações em eventos ligados aos circuitos de surf, de que o Estoril Surf Billabong Girls é um promissor exemplo.
O single de apresentação intitula-se Lost in Rainbows. Aproveitando o convite da Surf Total, que foi à Indonésia realizar filmagens para o documentário Sumatra - A Ilha das Ondas, a cantora filmou o vídeoclip nessas mesmas praias idílicas e contou com a participação das melhores surfistas portuguesas. Estão lá, por exemplo, Joana Rocha, Joana Andrade, Francisca Santos, Francisca Sousa, Rita Rocha e Patricia Graça.
Versão belíssima da nossa Maria João para o tema dos U2. Lindaaa de morrer.
Jesus, Jesus help me I'm alone in this world And a fucked-up world it is too.
Tell me, tell me the story The one about eternity And the way it's all gonna be.
Wake up, wake up dead man Wake up, wake up dead man.
Jesus, I'm waiting here, boss I know you're looking out for us But maybe your hands aren't free.
Your Father, He made the world in seven He's in charge of heaven. Will you put a word in for me?
Wake up, wake up dead man Wake up, wake up dead man.
Listen to the words they'll tell you what to do Listen over the rhythm that's confusing you Listen to the reed in the saxophone Listen over the hum of the radio Listen over the sound of blades in rotation Listen through the traffic and circulation Listen as hope and peace try to rhyme Listen over marching bands playing out their time.
Wake up, wake up dead man Wake up, wake up dead man.
Jesus, were you just around the corner? Did you think to try and warn her? Were you working on something new? If there's an order in all of this disorder Is it like a tape recorder? Can we rewind it just once more?
Wake up, wake up dead man Wake up, wake up dead man. Wake up, wake up dead man.