Entretanto, em Portugal: mais 31 toneladas de velas a somar às contas do Santuário de Fátima

Santuário, esta manhã, durante a habitual Procissão do Adeus a 13 de Maio. fotos de Paulo Cunha
Leio na Agência Lusa:
31 toneladas de velas foram queimadas no tocheiro do Santuário de Fátima desde as 00:00 de sábado, quantidade “muito superior” ao habitual em ocasiões de grandes peregrinações, informou hoje fonte da instituição. Além das velas normais, de vários tamanhos, os peregrinos apresentavam imagens em cera de feitios tão diferentes como figuras humanas ou reprodução de órgãos do corpo humano e, nesta peregrinação, até com o feitio de casas de habitação.
A entrega de velas para derreter no tocheiro do Santuário é uma das formas mais tradicionais de cumprimento de promessas neste templo mariano.

ACTUALIZAÇÃO a isto.

Cf. também:

14:32 | Posted in , , , , , | Read More »

Entretanto, em Portugal: 19 toneladas de velas e 300 mil em culto no Santuário de Fátima

Santuário, esta noite, durante a habitual Procissão das Velas de 12 para 13 de Maio. foto de Paulo Cunha
Leio na Agência Lusa:
Cerca de 19 toneladas de velas foram vendidas e queimadas hoje no Santuário de Fátima, informou o administrador da instituição, Cristiano Saraiva. Oito toneladas de velas foram derretidas entre as 08:00 e as 13:00 e as restantes 11 toneladas entre as 13:00 e as 21:00, revelou o mesmo responsável.
O administrador do Santuário de Fátima disse que a grande afluência de peregrinos ao tocheiro, localizado nas proximidades da Capelinha das Aparições, mobilizou o serviço de sete funcionários do santuário, quer no abastecimento de velas para aquisição, quer na manutenção do espaço onde a cera é derretida.
As autoridades estimam em cerca de 300 mil o número de católicos presentes.
As cerimónias desta peregrinação, que tiveram início no sábado, assinalam os 95 anos da primeira aparição mariana aos três videntes de Fátima: Jacinta, Francisco e Lúcia.

O Santuário de Fátima está a registar uma afluência de peregrinos superior à verificada noutras peregrinações aniversárias de Maio, o que está a ser justificado pelo facto de as cerimónias decorrerem este ano ao fim de semana e pela violenta crise económica e social que o país vive. [VER VÍDEO]
foto de Paulo Cunha

01:34 | Posted in , , , , , , | Read More »

Em análise: 'este' insólito 1º de Maio português

Os acontecimentos do dia, a saber, a celebração do Dia do Trabalhador e a polémica campanha de promoção do Pingo Doce, em análise no programa Contracorrente, a noite passada, na SIC Notícias.

1ª parte:




Convidados: António Saraiva (presidente da CIP) e Arménio Carlos (secretário-geral da CGTP).

2ª parte:





Convidados: Frei Fernando Ventura, Manuel Carvalho da Silva (ex-líder da CGTP e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra), João Duque (presidente ISEG) e Elísio Estanque (sociólogo).

Para ouvir:
  • Fórum TSF - Trabalhadores vs. Consumidores: o que é que a polémica ontem suscitada nos diz sobre o país que somos? AQUI 
  • Mixórdia de Temáticas - AQUI
Para ver:

Política Mesmo com Garcia Pereira e Silva Peneda (TVI24 - 01.05.2012)
Política Mesmo com Helena André, Manuel Carvalho da Silva, Luís pais Antunes e Francisco van Zeller (TVI24 - 02.05.2012)
Prova dos 9 com Pedro Santana Lopes e Fernando Rosas e Manuel Pizarro (TVI24 - 02.05.2012)

21:41 | Posted in , , , , , | Read More »

E se o Pingo Doce repetir a campanha num dia de eleições?


Ainda se ouvem, em Portugal, vozes que rejubilam, troçam e ironizam com os milhares de portugueses que a promoção de um supermercado desviou das manifestações do 1º de Maio.
Com a satisfação ao rubro, têm-se servido do fenómeno para fazer prova da justeza de alguns pressupostos e afirmar a validade de outros tantos raciocínios. Se as pessoas preferem uma promoção de supermercado à celebração da data – alegam – é porque esta já não as mobiliza o suficiente. Se não as mobiliza – prosseguem – é porque perdeu significado. Se perdeu significado – concluem –, o melhor é acabar com o feriado que lhe está associado e que se destina a celebrá-la.
As mesmas vozes sucedem-se em adjectivos para elogiar a iniciativa do supermercado: as pessoas ficaram radiantes porque lucraram com a campanha, donde nenhum mal veio ao mundo. Consideram ridículas as preocupações com valores e princípios que possam ter sido comprometidos pela iniciativa e um exagero digno de escárnio que a democracia tenha saído ferida na hora do balanço final.
O jubilo e o raciocínio têm tanto de primário como de perigoso.
A crise está para durar e a situação de carência das pessoas tende, não apenas a agravar-se, como a alastrar. A concorrência de mercado há muito que veio para ficar e as armas do marketing estão aí para usar e aperfeiçoar. A campanha, já se disse, foi um sucesso e é para voltar a repetir. Interessa à empresa que, como se viu, por menos vende mais. Pedem-no os clientes que, como se ouviu, compram mais por menos.
Desta vez, o supermercado escolheu o Dia do Trabalhador. Pode ser que, para a próxima, se decida medir forças e popularidade com outra data que venha menos a calhar.
E se a data escolhida para a segunda campanha vier a coincidir em cheio com um dia de eleições? 
É um exercício de suposição interessante a fazer. A contraposição do apelo irresistível que os 50% de desconto representou para os portugueses aos números da abstenção dos últimos actos eleitorais ajuda a antever para que lado a balança, provavelmente, virá a pender. 
Na Terça-feira, entre manifestarem-se ou irem às compras, os portugueses escolheram ir às compras. E se, um destes dias, voltarem a escolher fazer o mesmo em vez de irem votar?
Estarão as vozes que agora rejubilam em condições de sustentar o mesmo raciocínio?

16:44 | Posted in , , , , | Read More »

Dois sintomas perturbadores de um Portugal alterado

No Expresso, de hoje, leio isto:
A administração da Bulhosa Livreiros suspendeu hoje de manhã Rui Roque, o trabalhador que surgiu, na reportagem da SIC, a denunciar a atual situação de salários em atraso na empresa, no âmbito da ação de protesto que decorreu durante a abertura da Feira do Livro de Lisboa. (...) Rui Roque indicou ao Expresso que já fora suspenso em outubro passado, devido a um comentário que efetuara no Facebook, tendo regressado em fevereiro.

e também leio isto:
Um membro do Movimento Sem Trabalho foi chamado quinta-feira à Divisão de Investigação Criminal da PSP, constituído arguído e acusado de "crime de desobediência", porque, a 6 de Março - Dia Mundial do Desempregado -, participou numa manifestação de "quatro elementos que tentaram distribuir panfletos sobre as acções dos Sem Trabalho à porta do Centro de Emprego do Conde de Redondo", em Lisboa, conta Ana Rajado, uma das dirigentes do movimento.
A porta-voz da PSP, Carla Duarte, argumenta que perante a lei "duas pessoas já fazem uma manifestação" e que "a PSP não tem de justificar a sua actuação". (...) A PSP invoca o Decreto-Lei n.º 406/74 e um parecer da Procuradoria Geral da República de 1989 que indica que "manifestação será o ajuntamento em lugar público de duas ou mais pessoas com consciência de explicitar uma mensagem dirigida a terceiros". A legislação de 1974 também diz que "incorrerão nas penalidades do crime de desobediência" quando "as pessoas forem surpreendidas armadas" (artigo 8). Neste caso, os panfletos terão sido a 'arma do crime'?  [Cf. AQUI]

Num só dia, dois casos diferentes. Dois absurdos idênticos na raiz e, por isso mesmo, dignos do mesmo alarme. Que está a acontecer a a Portugal? Que país é este, a cada dia que passa mais irreconhecível?

20:01 | Posted in , , , , | Read More »

"Notas de um 25 de abril com chuva"

por Fernando Alves
foto de Manuel Almeida
Ontem li no Express (um portal belga de negócios) uma ideia perturbadora colhida de um jornal de Frankfurt por Mylène Vandecasteele. Para lá da crise económica e dos perigos que cercam o euro, "a Europa começa a enfrentar uma outra ameaça, ainda discreta: o fim da democracia".
Tinha acabado de escutar, da boca do presidente, a longa lista de sucessos portugueses de uma década (que não o impediu de um diagnóstico cáustico, há um ano). Cavaco enalteceu, desta vez, o cartão pré-pago e a via verde do orgulho nacional mas não retomou a reflexão quantos aos limites para o sacrifício. Mais razoável se afigura que o lider da bancada maior da oposição tenha referido os limites do consenso. Não vale tudo, não pode valer tudo.
Um deputado da maioria exibiu, entretanto, o "certificado" que o povo lhe dera para estar ali e, do mesmo passo, sustentou que "o 25 de Abril tem autores mas não tem donos". Um dos "autores" respondeu-lhe que o povo não passou certificado para a "entrega de soberania". O "autor" recusou a pretensão de ser dono daquilo que, desde o próprio dia inaugural, "pertence ao povo".
E uma mulher antiga disse, na Avenida: "aquilo por que lutámos não existe agora". Afinal, talvez o deputado da maioria devesse ter referido, em vez de certificado, senhas de racionamento. E não penso em pão para a fome do estômago, o pão que começa a faltar nos bancos alimentares.
Outras notas alinhadas por Mylène Vandecasteele, num 25 de Abril à chuva: As regras da democracia supõem que os cidadãos possam dar com frequência uma palavra sobre a política, também sobre a política económica e sobre as medidas que estão a ser tomadas. Mas, cada vez mais, essa liberdade de expressão "é vista como um factor de instabilidade pelos mercados financeiros". Mylène lembra o facto de, em França, os mercados terem já começado a sancionar a popularidade de Hollande. Por isso ela escreve, em título: "Democracia na U.E: o povo é um elemento perturbador". Entretanto cita Joseph Vogel, um professor de literatura, que a propósito das decisões tomadas quase exclusivamente em resultado da negociação entre governos, banqueiros e banca central, fala em "sovietes da finança".
Ontem não vimos, ainda não vimos, banqueiros de cravo na lapela. Mas foi estranho vermos cravos na lapela de alguns que Joseph Vogel talvez incluisse num qualquer "soviete das finanças".
foto de Manuel Almeida
NOTA: A leitura não dispensa OUVIR AQUI.

10:36 | Posted in , , , , , | Read More »

Entretanto, no Porto: a Es.Col.A. da Fontinha foi reocupada


Eles tinham prometido: cumpriram... e passou em directo na TV. Relata a repórter:
A antiga escola do Alto da Fontinha, no Porto, foi reocupada cerca das 17:45 por centenas de pessoas. Centenas de pessoas solidarizaram-se com o movimento ES.COL.A, ultrapassaram as barreiras impostas pela polícia, cortaram os cadeados e reentraram nas instalações.
No pátio grita-se, agora, «a Escola é nossa».

Esteve bem a TVI, que não dormiu na Praça da Liberdade, enquanto cobria a celebração do 25 de Abril no Porto. Atenta à movimentação das pessoas, percebeu que o colectivo Es.Col.A tomava a direcção do local, de onde a Câmara Municipal o despejou à força no dia 19. Percebeu que os populares se iam juntando à marcha e engrossando uma multidão que as ruas mal conseguiam conter. Seguiu atrás e caçou, em directo, o momento em que o cadeado foi cortado e as portas de novo franqueadas [ACTUALIZAÇÃO: ver vídeo].

Fotogalerias: Público | Jornal de Notícias | TVI24 

Para acompanhar AQUI.

[ACTUALIZAÇÃO]

Ativistas saíram e escola da Fontinha voltou a ser entaipada
A escola da Fontinha, no Porto, voltou a ser entaipada, depois de na quarta-feira ter sido reocupada pelos ativistas do coletivo Es.Col.A, que se mantiveram nas instalações até cerca das 23 horas e prometeram regressar, esta quinta-feira, para uma assembleia-geral.
De acordo com fonte policial, citada pela agência Lusa, "tudo decorreu de forma tranquila, apesar dos ativistas terem afirmado ser sua intenção regressar hoje à Fontinha" para a realização de uma assembleia-geral.
Milhares de pessoas - ativistas do coletivo Es.Col.A, populares e participantes das comemorações do 25 de Abril no Porto - ocuparam na quarta-feira, cerca das 17.45 horas, a antiga escola primária da Fontinha, quebrando o cadeado de proteção do portão e entrando no espaço de onde tinham sido expulsos pelas autoridades há uma semana.
Durante toda a tarde, os ativistas retiraram as várias chapas de metal pregadas nas portas e janelas da escola que tinham sido colocadas por trabalhadores da Câmara do Porto.
Às 22 horas de quarta-feira, a música foi desligada e as luzes da escola começaram a ser apagadas, tendo as pessoas arrumado as coisas e começado a abandonar a antiga escola primária da Fontinha para "não incomodar o bairro".
Em declarações aos jornalistas, Ana Afonso, elemento do movimento, explicou que a escola "nunca foi um espaço onde as pessoas ficassem a morar ou a dormir", com a exceção de alguns dias no pré-desalojo devido à "tensão", mas realçando que esta foi uma situação "pontual".
"Eu creio que o que estará em discussão na assembleia-geral é como vamos limpar, reorganizar, recuperar as nossas coisas e voltar às atividades", disse, acrescentando que isso será feito "independentemente do que decidir a Câmara do Porto".
O movimento Es.Col.A ocupou a escola do Alto da Fontinha em abril de 2011, para dinamizar diversas atividades, desde hortas a teatro, passando por ioga e cinema, mas em maio desse ano foi despejado pela Câmara do Porto.
A autarquia acabaria por ceder a escola ao movimento até dezembro de 2011, com o argumento de que a autarquia teria "em fase de negociação" um projeto municipal para aquele edifício, abandonado há cerca de cinco anos.
O movimento revelou em fevereiro ter recebido uma carta da Câmara do Porto "a comunicar o término da cedência" e fonte oficial da autarquia revelou na altura ter autorizado o Es.Col.A a permanecer na escola até ao final de março, enquanto decorriam negociações sobre a ocupação do espaço.


publicado no JN

Cf. também:

Água e luz cortadas na escola da Fontinha
Os trabalhos que estão a decorrer no edifício da antiga escola da Fontinha, no Porto, de onde foi despejado o colectivo Es.Col.A há uma semana, levaram à retirada de todo o equipamento sanitário do espaço, bem como ao corte definitivo da luz e água. A informação foi avançada pelo blogue do próprio movimento e confirmada pelo PÚBLICO.
Sanitas e lavatórios encontravam-se “partidos” e foram já retirados do local, disse ao PÚBLICO fonte ligada ao processo. A luz e a água também foram cortadas por, alegadamente, estar a ser feito um “uso abusivo” das mesmas.
O resumo que o blogue do Es.Col.A faz da operação – que ainda está a decorrer no edifício – é diferente. “Canalização destruída, sanitas e lavatórios para o lixo, haveres da Es.Col.A retirados, mobiliário destruído, instalação eléctrica propositadamente estragada”, pode ler-se no post intitulado “Antes emparedado do que ocupado”.
O edifício foi ontem reocupado por apoiantes do Es.Col.A, durante algumas horas, depois do despejo ordenado pela Câmara do Porto, há uma semana. Nesta quarta-feira, a Polícia Municipal e funcionários camarários regressaram ao local e têm estado a limpar e retirar vários objectos do local.
O novo processo de selagem do edifício deve estar concluído a meio da tarde. Pelas 18h30, o Es.Col.A tem uma nova assembleia popular, no Largo da Fontinha, para decidir o que fazer a seguir.
O Es.Col.A foi criado com o objectivo de prestar apoio à comunidade da Fontinha e organizou, no último ano, várias actividades para crianças (incluindo apoio escolar) e restantes moradores.


publicado no Público

Cf. também:


Prédio devoluto, em Lisboa, ocupado em solidariedade com movimento Es.Col.A

“Sim, o prédio foi ocupado ontem [quarta-feira] à noite e ainda estão lá”, disse o comandante André Gomes à Agência Lusa, não precisando o número de participantes.
Segundo o comandante, os jovens vão ser notificados pela Polícia Municipal para sair do edifício e terão 10 dias a partir daí para o fazer livremente.
“Se não saírem, temos de os tirar de lá coercivamente”, afirmou.
Segundo André Gomes, isso só não acontecerá se a Câmara Municipal de Lisboa, proprietária do edifício, permitir que os jovens lá permaneçam.
A ocupação do prédio em Lisboa já está a ser divulgada no Facebook, rede social em que foram colocadas fotografias, e num manifesto divulgado na Internet em que se afirma que o edifício foi ocupado por cerca de 50 pessoas.
Hoje, pelas 18h realizou-se uma assembleia em Lisboa e para as 21:00 está marcado um jantar na casa ocupada em São Lázaro “em solidariedade com a Es.Col.A”, refere o manifesto.
O movimento Es.Col.A ocupou a antiga escola do Alto da Fontinha em Abril de 2011, para dinamizar diversas actividades, desde hortas a teatro, passando por ioga e cinema, mas em Maio desse ano foi despejado pela Câmara do Porto.
A autarquia acabaria por ceder a escola ao movimento até Dezembro de 2011, com o argumento de que a autarquia teria “em fase de negociação” um projecto municipal para aquele edifício, abandonado há cerca de cinco anos.
O movimento revelou em Fevereiro ter recebido uma carta da Câmara do Porto “a comunicar o término da cedência” e fonte oficial da autarquia revelou na altura ter autorizado o Es.Col.A a permanecer na escola até ao final de Março, enquanto decorriam negociações sobre a ocupação do espaço.
Na semana passada, o movimento foi despejado pela polícia e a Câmara do Porto revelou que estava disponível a permitir a ocupação do espaço até ao fim de Junho, desde que fosse formalizado um contrato de cedência e se fizesse o pagamento de uma renda simbólica de 30 euros. Três activistas do movimento foram nessa altura detidos pela polícia e são julgados em 2 de Maio.
Na quarta-feira, 25 de Abril, milhares de pessoas ocuparam a antiga escola primária, quebrando o cadeado de protecção do portão e entrando no espaço. Durante toda a tarde, os activistas retiraram as várias chapas de metal pregadas nas portas e janelas da escola que tinham sido colocadas por trabalhadores da Câmara do Porto.
Hoje, funcionários municipais entaiparam as entradas do edifício.

publicado no Público

[ANTECEDENTES]

Clipping de notícias sobre o caso, que o blog do Movimento vem compilando na sidebar:

Crónicas do abandono



18:33 | Posted in , , , , , | Read More »

"Um dos defeitos do português é a falta de audácia, o excesso de disciplina"

por Fernando Pessoa
Das feições de alma que caracterizam o povo português, a mais irritante é, sem dúvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excelência. Levamos a disciplina social àquele ponto de excesso em que coisa nenhuma, por boa que seja — e eu não creio que a disciplina seja boa — por força que há-de ser prejudicial.
Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.
Parecemo-nos muito com os Alemães. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.
Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco. Como os Alemães, nós esperamos sempre pela voz de comando. Como eles, sofremos da doença da Autoridade — acatar criaturas que ninguém sabe porque são acatadas, citar nomes que nenhuma valorização objectiva autentica como citáveis, seguir chefes que nenhum gesto de competência nomeou para as responsabilidades da acção. Como os Alemães, nós compensamos a nossa rígida disciplina fundamental por uma indisciplina superficial, de crianças que brincam à vida. Refilamos só de palavras. Dizemos mal só às escondidas. E somos invejosos, grosseiros e bárbaros, de nosso verdadeiro feitio, porque tais são as qualidades de toda a criatura que a disciplina moeu, em quem a individualidade se atrofiou.
Diferimos dos Alemães, é certo, em certos pontos evidentes das realizações da vida. Mas a diferença é apenas aparente. Eles elevaram a disciplina social, temperamento neles como em nós, a um sistema de estado e de governo; ao passo que nós, mais rigidamente disciplinados e coerentes, nunca infligimos a nossa rude disciplina social, especializando-a para um estado ou uma administração. Deixamo-la coerentemente entregue ao próprio vulto íntegro da sociedade. Daí a nossa decadência!
Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente os mesmos disciplinados que éramos. Foi um gesto infantil, de superfície e fingimento. Portugal precisa dum indisciplinador. Todos os indisciplinadores que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer assim, se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de perturbadores fracassam logo, traem logo a sua missão. Qual é a primeira coisa que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade ancestral.
 Trabalhemos ao menos — nós, os novos — por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa. Escrupulizemos no doentio e no dissolvente. É a nossa missão, a par de ser a mais civilizada e a mais moderna, será também a mais moral e a mais patriótica.

Lisboa, 8 de Abril de 1915

in Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional - Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.Nota: 1ª publ.:”Crónicas da Vida que Passa” in O Jornal , nº5. Lisboa: 8-4-1915

09:04 | Posted in , , , , | Read More »

A propósito da polémica que rebentou nas vésperas deste 25 de Abril


O mote: a pedrada no charco causada pelas ausências de peso anunciadas para amanhã [Cf. aqui], nas cerimónias oficiais de celebração do 25 de Abril. Sempre um prazer ouvir gente inteligente pensar em voz alta, especialmente depois do turbilhão de disparates que se têm ouvido nas últimas 24h [Cf. em resumo aqui (até ao minuto 12:10), com microfone aberto aqui e apogeu aqui]: a historiadora Irene Pimentel e o politólogo José Adelino Maltez, ontem à noite, no programa Contra-corrente.

01:55 | Posted in , , , , , | Read More »

Entrevista de Carvalho da Silva : sobre a crise em Portugal e no Mundo


via SIC Notícias - 18.04.2012

Ex-secretário geral da CGTP começou por ser chamado a comentar as propostas do dia do PS e as últimas previsões do FMI, mas foi muito além do repto. Como geralmente, aliás. Vale a pena assistir e equacionar com tempo os vectores de compreensão da crise que inteligentemente aponta. Vale a pena ponderar as «onze crises» que defende estarem entre-cruzadas no actual cenário de recessão. Vale a pena ver como quem sabe daquilo que fala, como quem fala com o fundamento que só a combinação da experiência/observação/estudo permite, esmaga em absoluto e sem nenhum esforço a prosápia superficial e pela rama de quem apenas gosta de se ouvir, enquanto vai alinhavando chavões repescados aqui e ali. Não fosse o habitual ruído causado por Mário Crespo e o tempo que consumiu ao entrevistado – que, delicadamente, lá se viu na obrigação de tentar corrigir erros de compreensão graves, imprecisões de terminologia várias, uso erróneo e sistemático de conceitos e outros inaceitáveis iguais, para evitar que o entrevistador se afundasse ainda mais na exposição grosseira da sua altaneira ignorância – e a conversa com Carvalho da Silva poderia ter sido ainda mais rica e proveitosa para quem assistia de casa.

Para compensar o ruído, fica esta outra entrevista (mais limpa!), ao programa "Gente que Conta", do último Domingo, conduzida por Paulo Baldaia para a TSF e João Marcelino, para o Diário de Noticias.

via TSF - 15.04.2012

# Para ouvir na íntegra: AQUI.

NOTA: A propósito do novo 'Observatório sobre Crises e Alternativas', referido nas entrevistas, conferir aqui e aqui.

23:22 | Posted in , , , , , | Read More »

"Cidade grega tenta driblar crise com moeda alternativa ao euro"

por Mark Lowen
Há alguns meses, uma moeda alternativa foi introduzida na cidade portuária de Volos, na Grécia.
A iniciativa resultou na criação de uma rede com mais de 800 integrantes, em uma comunidade que não estava mais conseguindo manter seu poder aquisitivo com bens cobrados em euros, devido à grave crise econômica que atinge o país.
O local onde o sistema funciona melhor é o mercado central da cidade. Em uma das barraquinhas de artesanato, a moradora Hara Soldatou compra um conjunto de velas decoradas. A transação é feita sem nenhuma moeda ou nota de euro. "Eles me custaram apenas 24 TEM, que eu juntei ao dar aulas de ioga", diz ela.
O TEM é a moeda alternativa de Volos. Com ela, é possível comprar praticamente qualquer coisa no mercado, como joias, comida, roupas e equipamentos elétricos. Na prática, a moeda é baseada num sistema de trocas, onde pessoas que têm bens ou serviços a oferecer podem acumular crédito para usar em determinadas lojas e mercados. A paridade do TEM é de quase um para um com o euro. Mas alguns comerciantes aceitam trocar seus bens diretamente por outros bens ou serviços, como no antigo sistema de escambo, anterior ao uso de moedas. "Eu aceito receber aulas de idiomas ou de computação", diz Stavros Ntentos, que vende roupa íntima em uma barraca no mercado. "É uma ótima ideia, porque precisamos fazer as pessoas entenderem que todos nós podemos comprar ou vender alguma coisa. Nós não precisamos de euros."

Moedas paralelas

O sistema é organizado pela internet. Cada integrante tem uma conta TEM, onde são depositados os créditos de transações virtuais.
O fundador do sistema, Yiannis Grigoriou, passa os dias em frente ao computador no mercado, supervisionando todas as transações. "O sistema é vantajoso porque as pessoas encontram esperança aqui. Elas descobrem coisas para dar e receber." Grigoriou é modesto ao ser perguntado se o TEM pode se tornar a moeda dominante em Volos. "Não sei, nós teremos que ver isso aí."
Nos últimos meses, a Grécia tem discutido cada vez mais a possibilidade de abandonar o euro, devido à grave crise econômica. Muitos em Volos veem o TEM como uma alternativa à moeda europeia. Um feirante chegou a dizer que "o euro é uma coisa do passado". Mas para a maioria, o sistema é mais uma espécie de complemento à moeda europeia.
O prefeito de Volos, Panos Skotiniotis, afirma que o TEM não ameaça de forma alguma a hegemonia do euro. Ele defende o projeto e diz que as duas moedas podem existir simultaneamente. "Nós apoiamos a iniciativa porque é uma boa forma de sairmos de uma profunda crise econômica e social", diz o prefeito. "É uma iniciativa que complementa o euro, mas não o substitui. A Grécia está na zona do euro, e nós queremos continuar lá."

Um novo começo


A rede monetária alternativa está se espalhando pela comunidade, com cada vez mais comerciantes participando do projeto.
Em um cooperativa de produtores de flores, que conta apenas com funcionários com deficiências físicas, os trabalhadores usam TEM para vender sua produção em troca de serviços que eles não conseguiriam adquirir de outras formas. "Nós podemos comprar pão ou carne ao trocar nossos produtos, e nossas meninas conseguem ir ao cabeleireiro", diz Peri Mantzafleri, que administra a cooperativa. Alguns dos clientes, interessados em comprar flores, podem adquirir os produtos sem dinheiro, apenas prestando pequenos serviços, como cortar grama e arrumar cercas. "Eu cresci em um vilarejo, e é assim que as coisas funcionavam antigamente, antes de começarmos a nos envolver com dinheiro. Isso é uma chance para começarmos novamente", diz o administrador da cooperativa.
As crianças também se beneficiam do sistema. Os pais podem matricular seus filhos em oficinas que misturam jogos, música e desenho. Esse tipo de atividade tinha um preço proibitivo antigamente, mas agora pode ser pago graças ao TEM. O coordenador das oficinas, Charalampos Bardas, disse que a moeda local é de grande valor para a comunidade. "É uma grande solução contra a crise. A vida continua, nós temos que continuar lutando", diz Bardas. "Nós temos que ver tudo de forma diferente agora. Não é o fim do mundo se estamos em crise. Nós queremos nos dar bem e seguir adiante."

02:59 | Posted in , , , | Read More »

Entrevista de Boaventura de Sousa Santos à Antena1: sobre a crise em Portugal e no Mundo


via Antena 1/RTP 2 - 12.04.2012

Maria Flor Pedroso, editora de Política da Antena 1 entrevista Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e director do Centro de Estudos Sociais de Coimbra.

18:17 | Posted in , , , , , | Read More »

Entretanto, na Grécia: reformado suicida-se frente ao Parlamento por causa da crise


Era hora de ponta, faltava pouco para as 9h. Um homem – sabe-se que tinha 77 anos e que foi farmacêutico – dirigiu-se nesta quarta-feira para o quilómetro zero de Atenas com uma arma e um bilhete no bolso. Já a poucos metros do Parlamento, disparou.
Uma testemunha contou à televisão estatal que ainda o ouviu gritar “não quero deixar dívidas aos meus filhos”, e terão sido estas as suas últimas palavras. No bilhete que trazia no bolso estava escrito “Sou reformado. Não posso viver nestas condições. Recuso-me a procurar comida no lixo, por isso decidi pôr fim à vida”. Depois acusou ainda o Governo de “aniquilar qualquer esperança de sobrevivência”.
(clique para ampliar)
Bilhete:

"The Tsolakoglou government has annihilated all traces for my survival, which was based on a very dignified pension that I alone paid for 35 years with no help from the state. And since my advanced age does not allow me a way of dynamically reacting (although if a fellow Greek were to grab a Kalashnikov, I would be right behind him), I see no other solution than this dignified end to my life, so I don’t find myself fishing through garbage cans for my sustenance. I believe that young people with no future, will one day take up arms and hang the traitors of this country at Syntagma Square, just like the Italians did to Mussolini in 1945".

via: The Athens News

A notícia espalhou-se depressa, a mensagem percorreu as redes sociais e a Praça Sintagma, que já foi palco de tantos protestos contra as medidas de austeridade, voltou a encher-se de gente.  [Cf. Facebook: “Everyone at Syntagma. Let's not get used to death.”]
Debaixo de uma árvore, ramos de flores e velas lembravam o que aconteceu, deram forma à indignação das centenas de pessoas que de juntaram ali.
Houve quem deixasse mensagens de revolta. “Não foi um suicídio, foi um assassínio”, “Governo assassino” ou “quem será o próximo?”

Sabia-se que o número de suicídios na Grécia tem vindo aumentar – os dados do Ministério da Saúde apontam para um aumento de 40% desde o início da crise e um relatório divulgado pela polícia referiu 622 suicídios em 2010 e 598 até 10 de Dezembro de 2011 (a média era 366 entre 2000 e 2008). Mas esta morte, junto à sede da democracia e em plena praça, emocionou o país.
“Sinto-me triste. Ultimamente ocorrem muitos suicídios, na Grécia, mas este é especialmente triste pela situação em que morreu este homem”, disse à agência espanhola Efe Vassilis, de 33 anos. “Por este caminho de austeridade, a Grécia não vai bem”.
Jronis, de 51 anos, sentiu revolta. “O que sinto é raiva. Porque isto é um assassínio e porque somos todos culpados: o Governo, a troika, a austeridade e os partidos de esquerda, que apoio, porque são incapazes de se unir e propor algo de novo, só se preocupam com os seus pequenos interesses.”
O que aconteceu na Praça Sintagma “torna irrelevante e vão qualquer comentário político”, disse Evánguelos Venizelos, líder do partido socialista PASOK. À direita, o líder da Nova Democracia, Antonis Samarras, que as sondagens apontam como o favorito às eleições de Maio, disse ter ficado “devastado” com a notícia, e o principal responsável do ultradireitista Laos, Yorgos Karatzaferis, considerou que “quando há um suicídio na Sintagma é o fim, estalou a coesão social”.
Na Grécia, pelo menos uma em cada cinco pessoas está no desemprego, muitas pensões sofreram cortes superiores a 25%. “É este o ponto a que nos trouxeram”, disse à Reuters Maria Parashou, de 54 anos, que se juntou à homenagem na praça. “Cortaram os nossos salários, humilharam-nos. Tenho uma filha desempregada, o meu marido perdeu metade do salário mas não me vou permitir perder a esperança.”

via Público

via RT - 04/04/2012

via RT - 09/03/2012

‘Killing Austerity’ sweeps through stricken EU 

The number of suicides has dramatically increased in the country since the beginning of the economic crisis, shows data released by the Greek Health Ministry.
Prior to the economic downturn Greece had the lowest suicide rate in Europe at 2.8 for every 100,000 inhabitants. Now, this figure has almost doubled, with police reporting over 600 suicide cases in 2010 and 2011 respectively. Attempted suicides are also on the up.
Just on Tuesday, a 38-year-old Albanian man killed himself on the island of Crete. He had been unemployed for some time. The financial hardship made him jump off his second-floor balcony, reported local news.
The private sector is proving to be no safe haven either, as in the last few months several businessmen have fatally shot themselves.
Greece is not the only country to see a spike in the suicide rate caused by the government’s effort to battle crippled finances.
In neighboring Italy, a 78-year-old woman threw herself out of her third-floor apartment on Tuesday after her monthly pension was cut from 800 to 600 euro. Since the 25 per cent cut, the pensioner from Sicily had reportedly been struggling to make ends meet.
"The government is making us all poorer, apart from the wealthy – who they don't touch – in contrast with us workers and small businessmen who are struggling with heavy debts," said her son, Bruno Marsana, as quoted by The Daily Telegraph.
On Monday, a picture frame-maker hanged himself in Rome. His suicide note told of "overwhelming economic problems." Previously, two men in northern Italy set themselves on fire in two separate incidents, citing financial woes as well. Both survived, sustaining severe burns.
Italy, like Greece, is struggling with a recession and mounting unemployment by increasingly severe austerity measures. This includes drastic spending cuts, tax hikes and pension reform. Rome is also trying to pass an unpopular labor decree, which will make it easier for companies to sack employees.

via RT



Cf. também:

23:21 | Posted in , , , | Read More »

Cientistas lançam "Declaração sobre o estado do Planeta" para servir de recomendação à Rio+20

O funcionamento do sistema terrestre que viabilizou a civilização nos últimos séculos está ameaçado e o resultado disso poderá ser uma emergência humanitária de escala global, com a intensificação das crises sociais, econômicas e ambientais. As ações amplas e urgentes necessárias para reverter esse cenário só serão viáveis com o estabelecimento de um novo pacto entre a ciência e a sociedade, com maior conectividade entre as lideranças de todos os setores.
Essa é a principal conclusão da Declaração sobre o estado do planeta, divulgada nesta quinta-feira (29/03) depois de intensos debates envolvendo cientistas especializados em temas socioambientais, durante a reunião Planet Under Pressure, realizada em Londres (Inglaterra) entre 26 e 29 de março.
O documento sintetiza a posição da comunidade científica em relação aos temas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20) e foi elaborado com o objetivo de influenciar a agenda de discussões e as decisões que deverão ser tomadas durante a conferência. A RIO+20 será realizada no Rio de Janeiro entre os dias 20 e 22 de junho.
O evento em Londres foi organizado pelos quatro programas da Organização das Nações Unidas (ONU) voltados para a área ambiental: International Programme of Biodiversity Science (Diversitas), International Human Dimensions Programme on Global Environment Change (IHDP), World Climate Research Programme (WCRP) e International Council of Scientific Unions (ICSU).
Durante o evento, as intrincadas conexões entre todos os diferentes sistemas e ciclos que governam o oceano, a atmosfera, os sistemas terrestres e a vida humana e animal que depende desses ambientes foram discutidas por mais de 3 mil especialistas em temas como mudança climática, geoengenharia ambiental, governança internacional, futuro dos oceanos e da biodiversidade, comércio global, desenvolvimento, combate à pobreza e segurança alimentar.

De acordo com Lidia Brito, copresidente da conferência e diretora da divisão de Políticas Científicas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na declaração os cientistas reconhecem a complexidade e a urgência dos desafios da atualidade e propõem uma nova visão da ciência em relação à sustentabilidade global.
“Temos uma mensagem positiva: com uma forte liderança em todos os setores e com o aproveitamento da crescente conectividade, temos a esperança de que o risco de uma crise ambiental de longo prazo seja minimizado”, disse Lidia Brito à Agência FAPESP.
Segundo ela, que também é ex-ministra da Ciência de Moçambique, os cientistas apoiam o conceito de economia verde, reconhecendo que, com a globalização, as economias, as sociedades e a sustentabilidade ambiental e social são altamente interconectadas e interdependentes.
“Essa nova conectividade é o início do caminho pelo qual a comunidade científica precisa operar. Nós precisamos de uma poderosa rede de inovação envolvendo o Norte e o Sul. Essa abordagem precisa fazer parte do nosso DNA a partir de agora”, disse Lidia Brito.
De acordo com a declaração, cresce cada vez mais o consenso na comunidade científica em relação à passagem do planeta para uma nova era – o Antropoceno – na qual muitos processos de escala planetária são dominados pelas atividades humanas. Os cientistas concluem que a sociedade não tem mais condições de adiar a tomada urgente de ações em larga escala. “O tempo é o recurso natural mais escasso de todos. Nós precisamos mudar o curso das coisas de uma maneira fundamental nesta década”, afirmou Lidia Brito.
Segundo a declaração, a alta interconectividade da sociedade contemporânea pode ser aproveitada para estimular as inovações em uma velocidade sem precedentes. Mas, para isso, será preciso disponibilizar um acesso mais aberto ao conhecimento, o PIB deverá deixar de ser a única medida de progresso e será preciso estabelecer novos paradigmas de trabalho em cooperação internacional.
Para que seja possível uma administração planetária mais eficaz, também será preciso desenvolver novos modos de participação em todos os níveis, lideranças mais fortes em todos os setores da sociedade e maior conectividade entre os que geram novos conhecimentos e o resto da sociedade. Será preciso, ainda, repensar os papéis da ciência, da política, da indústria e da sociedade civil.

via Agência Fapesp

# Site oficial: Planet Under Pressure 2012

23:10 | Posted in , , , , | Read More »

Uma esquerda cada vez menos verde: os conflitos ambientais na América Latina

por Claudia Fanti *
Se hoje o verdadeiro teste da esquerda é a capacidade de conciliar um modelo ecocompatível com a satisfação das necessidades básicas de toda a população, os resultados parecem ser agora realmente modestos.

E, certamente, não só na Itália, onde, apenas para dar um exemplo, Susanna Camusso chegou a defender um projeto inútil, caro e ecologicamente devastador como o da nova linha ferroviária Turim-Lyon, em nome da criação de postos de trabalho, mas também na região que, ao longo dos últimos 20 anos, mostrou mais vivacidade em termos de resistência e de luta por um outro mundo possível: aquela América Latina, cujo chamado modelo extrativista, baseado na exportação de matérias-primas brutas e em amplas concessões minerárias para empresas transnacionais, se revelou, como escreveu recentemente o sociólogo venezuelano Edgardo Lander, "a principal fonte das contradições internas e das decepções com relação aos governos 'progressistas' e de esquerda", que parecem, de fato, dar por óbvio que não há nenhum outro caminho possível senão o de um sistema baseado no crescimento econômico.
Ao modelo extrativista, definido pelo jornalista e escritor uruguaio Raúl Zibechi como "apropriação dos bens comuns, direta ou indiretamente, para transformá-los em mercadorias", porém, nenhum país da região escapa, seja ele governado pela esquerda ou pela direita, incluindo Venezuela e Bolívia.
Não por acaso, o sociólogo uruguaio Eduardo Gudynas (Alai, 02-03-2012, disponível aqui, em espanhol) fala sobre uma esquerda cada vez menos "vermelha" e cada vez mais "marrom", ressaltando como, em todo o continente, os governos "progressistas" focam nos altos preços das matérias-primas nos mercados globais, defendem explicitamente o extrativismo, apoiando as empresas (estatais, mistas ou privadas) que o promovem, oferecendo facilidades aos investimentos ou flexibilizando as normas ambientais, no mesmo momento em que, contra o protesto social, assumem posições que chegam até a criminalização e à repressão.
Por trás das palavras de ordem do crescimento econômico, da atração dos investimentos e da promoção das exportações, tais governos, argumenta Gudynas, agem para que "o Estado capte parte dessa riqueza para manter a si mesmo e financiar programas de luta contra a pobreza". Nessa ótica, continua o sociólogo, "a esquerda governante não sabe muito bem o que fazer com os temas ambientais", acabando por ver neles, ao invés e além de vagas referências à questão ecológica e até de invocações à Pacha Mama, obstáculos ao crescimento econômico e, portanto, "um freio para a reprodução do aparato estatal e a assistência econômica aos mais necessitados". Assistência que torna os governos cada vez mais dependentes da exportação de matérias-primas.
O protesto social, no entanto, cresce juntamente com o processo de apropriação dos bens comuns, como revela a longa série de conflitos em curso em todo o continente. Na verdade, remonta a 2002, como evidencia Zibechi (La Jornada, 09-03-2012), a primeira consulta popular municipal sobre a atividade de mineração em Tambogrande, no norte do Peru: mais de 90% dos eleitores se manifestou contra o projeto de exploração de uma jazida de ouro, prata e zinco por parte da empresa canadense Manhattan. Foi o início de uma série de consultas populares, todas com resultados semelhantes, que se tornaram "a forma de luta encontrada pelas comunidades locais para romper o isolamento e evitar que suas razões fossem afogadas pelo silêncio oficial e dos meios de comunicação. Hoje, pode-se dizer que tiveram um resultado mais do que exitoso", tornando possíveis as inúmeras mobilizações que ocorrem agora, segundo um "modelo de ação" graças ao qual, destaca Zibechi, os movimentos superaram largamente a esfera local, apresentando-se como "as principais alternativas ao modelo assentado na expropriação dos bens comuns".

Uma marcha após a outra

A última em ordem de tempo é a mobilização em curso no Equador, onde, no dia 8 de março, partiu do vilarejo de Pangui, em uma região de exploração minerária, a Marcha Plurinacional pela Vida, pela Água e pela Dignidade dos Povos, que chegará a Quito no dia 22 de março. Apenas três dias antes, no dia 5 de março, o presidente Rafael Correa saudara com tons triunfantes a assinatura do contrato com a empresa Ecsa, de propriedade do consórcio chinês CRCC-Tongguanper, para a exploração de uma jazida de mineração na Cordilheira de Cóndor, na fronteira com o Peru, uma das áreas mais ricas de biodiversidade do país.
Trata-se de um dos cinco projetos de mineração considerados prioritários pelo governo de Correa, que – como frisa Decio Machado (Rebelión, 12-03-2012, disponível aqui, em espanhol) – "é o primeiro governo que converteu a megamineração em uma atividade estratégica que deixa uma marca sobre o futuro modelo de desenvolvimento equatoriano". "Nós queremos nos resignar – declaram os manifestantes da marcha (Adital, 13-03-2012) – a sobreviver em um país devastado nas garras do medo ou da indiferença, um país com realidades paralelas de rios mortos e de rodovias idílicas, de pessoas 'felizes' com o seu punhado de dólares dados pelo Estado e de pessoas doentes por causa da contaminação minerária e petrolífera, de pessoas que se consomem no consumismo e de pessoas mortas em vida, sem memória nem identidade, desprovidas das suas florestas e da sua condição humana, entre árvores e animais massacrados".
Uma outra marcha nacional pelo direito à água – "a mobilização popular mais importante desde a época de Fujimori", definiu Hugo Blanco – ocorreu entre os dias 1º a 9 de fevereiro no Peru, contra o grande projeto de mineração de Conga, em Cajamarca, promovido pela Yanacocha, a primeira empresa de extração de ouro na América do Sul e a segunda do mundo: em seu currículo, destaca-se, durante os últimos meses do governo Fujimori, o devastador vazamento de mercúrio em Choropampa, que custou a vida de mais de 70 pessoas e continua impune.
Rejeitado pelo próprio governo regional de Cajamarca, o projeto Conga, que conta com um investimento de quase 5 bilhões de dólares, ameaça destruir as reservas de água doce da região, produzindo, segundo os estudos de impacto ambiental do Ministério do Meio Ambiente, danos irreversíveis ao ecossistema e contaminando a bacia do rio Marañón, um importante afluente do rio Amazonas.
"É um projeto altamente depredador – afirmou Gregorio Santos, presidente regional de Cajamarca (Alai, 06-02-2012, disponível aqui, em português) – que entra em conflito profundamente com o momento que vivemos no mundo, com o discurso do presidente Ollanta Humala" quando, depois de ter dito: "O que vocês querem, ouro ou água?" e ter recebido a resposta clara do povo: "Queremos água", se comprometeu a "defender os recursos hídricos de Cajamarca".
Uma meia-volta de Humala que se explica facilmente com o peso assumido, na economia peruana, pelas exportações de mineração (em grande parte de ouro, do qual o Peru é o primeiro produtor latino-americano e o sexto no mundo, e de cobre), que, como lembra Javier Diez Canseco (Sin Permiso, 04-03-2012), representaram em 2011 quase 60% do valor total das exportações. E isso em um país em que a atividade de mineração está concentrada nas mãos de nem 20 empresas (até mesmo duas, no caso do cobre, e de três no caso do ouro), que conseguem, em média, dobrar todo o seu patrimônio em um período que varia de dois a quatro anos.
E, enquanto isso, na Bolívia, se anuncia uma nova mobilização em defesa do Tipnis, na Argentina, onde os conflitos ligados à atividade de mineração interessam ao menos a 12 províncias, a vitoriosa luta dos habitantes de Famatina, que levou à suspensão de um projeto de mineração a céu aberto (método que requer, para extrair um quilo de ouro, a remoção de 130 a 150 toneladas de terra e o uso de enormes quantidades de cianureto, arsênico e mercúrio), alimentou os protestos das populações de Catamarca e de Tucumán contra a maior jazida minerária da Argentina, em Bajo de la Alumbrera, e as de La Rioja contra a empresa mineradora canadense Osisko.
Os conflitos ambientais também abundam, obviamente, nos países governados pela direita. Na Colômbia, uma grande mobilização popular levou o Ministério do Meio Ambiente a negar à empresa canadense Eco Ouro Minerals a autorização para um projeto de exploração de mineração a céu aberto em Páramo de Santurbán, em Santander, um complexo lagunar que fornece água a uma população de 2,2 milhões de pessoas.
No Panamá, após a mobilização dos povos indígenas Ngäbe-Buglé, que, dos dias 31 de janeiro a 7 de fevereiro, bloquearam a rodovia Panamericana recebendo um forte apoio da população, o governo de Ricardo Martinelli teve que se curvar às reivindicações indígenas, aceitando iniciar as negociações sobre a lei relativa à atividade de mineração e à construção de usinas hidrelétricas.
Crítica é a situação na América Central, onde centenas de projetos de mineração estão à espera de aprovação. Em Honduras, em particular, onde já haviam sido liberadas mais de 370 concessões, foram apresentadas, depois do golpe de 2009, outros 300 pedidos de exploração minerária, também a céu aberto.
Mas na América Central também não faltam protestos e mobilizações: na Guatemala, por exemplo, graças à pressão popular, 56 municípios se proclamaram "livres da atividade de mineração".

publicado pela agência italiana Adista em 19/03/2012, tradução de Moisés Sbardelotto.

13:13 | Posted in , , , , | Read More »

Entretanto, em Portugal: mais duas manifestações nas ruas

A contestação social está a tornar-se uma constante nas ruas da capital. É cada vez mais frequente, mais generalizada e mobiliza cada vez mais pessoas, de uma forma assustadoramente transversal à sociedade.
Um sério aviso à insensibilidade social do Governo e às medidas cegas da sua política de austeridade. Bem pode Passos Coelho repetir até à exaustão que 'isto aqui não é a Grécia'. Continue assim e, infelizmente, as ruas de Lisboa poderão muito em breve assemelhar-se às de Atenas. É só o abandono e o desespero, a fome e a falta de trabalho se arrastarem. Alertas não têm faltado. Do povo e dos analistas sociais.
Só este sábado, foram dois protestos simultâneos. Nota inquietante: ambos sujeitos a forte vigilância policial. Nota perturbadora: ambos seguidos do mesmo reparo aliviado, a saber, «felizmente, não se registaram incidentes».
A pergunta que sugere a primeira nota: porquê e para quê? não está o direito à manifestação consagrado na Constituição da República? A que ponto chegou o estado da democracia quando o exercício de um direito preocupa o Estado ao ponto de considerar que deve ser seguido de perto pela polícia!
A pergunta que sugere a segunda nota: e outra coisa seria de esperar? se sim, quais as razões? A que ponto chegou a intranquilidade do Governo, que já só espera reacções violentas da parte do seu povo!
'Isto aqui não é a Grécia', mas eles lá sabem o 'tratamento grego' que têm andado a dar ao país... É talvez por isso que, embora instalados em S. Bento-Lisboa-Portugal, quando se deitam a antecipar, mais depressa imaginam ver gregos do que portugueses nas ruas da capital.
Cf. Galeria: aqui e aqui

Mais de 200 mil portugueses desceram a Av. da Liberdade, em direcção ao Rossio, na manifestação contra a extinção de freguesias.
Mais informação, fotos e vídeo: AQUI.

Cf. Galeria aqui e aqui

Centenas de jovens indignados subiram o Chiado, em direcção ao Largo de Camões, em protesto contra o desemprego e a condição de precários a que estão condenados.
Mais informação, fotos e vídeo: AQUI.

23:49 | Posted in , , , , , , | Read More »

Quais são e quanto custam as rendas do sector da energia que aumentam a conta da luz

Se a factura da electricidade discriminasse todos os subsídios, rendas e impostos que nos são cobrados, seria muito mais extensa. Já representaram 42% da factura da electricidade mas, neste ano, está prevista uma diminuição para 25% dos custos mensais, de acordo com as contas da ERSE, a entidade reguladora do sector energético.
Os subsídios e rendas excessivas na energia causaram a primeira baixa no Governo, com a demissão, na segunda-feira, 12, do secretário de Estado da Energia Henrique Gomes, entretanto substituído por Artur Trindade [Cf aquiaqui]. Com base num estudo de uma consultora internacional, que contabiliza as rendas excessivas no sector em cerca de 370 milhões de euros anuais, o Governo vai negociar com a EDP, a Endesa e as empresas de energias renováveis a revisão de contratos jurídicos de maneira a reduzir alguns dos chamados custos de política energética. Esses custos, contabilizados em 2,5 mil milhões de euros anuais, são cobrados aos consumidores, na factura da electricidade e incluem itens tão diversos como as rendas pagas pela cedência de terrenos municipais, subsidiação de tarifas nas regiões autónomas, encargos com o défice tarifário, rendas dos CAE e CMEC (contratos que garantem preços pré-definidos aos produtores), garantia de potência (assegura o funcionamento permanente de centrais a gás e barragens), incentivos à cogeração e às energias renováveis.

Veja quais são e quanto custam os principais encargos que oneram a conta da luz, em Portugal, acrescidos de impostos.
(clique para ampliar)
publicado na Visão

19:44 | Posted in , , | Read More »

Classe C já representa 54% da população brasileira

Leio no Zero Hora:
O número de brasileiros que ascenderam à classe C chegou a 40,3 milhões entre 2005 e 2011. Com isso, a classe C, no período, passou de 34% para 54% da população, de acordo com o estudo "O Observador Brasil 2012", divulgado nesta quinta-feira pela Cetelem BGN, empresa do grupo BNP Paribas.
Em 2005, a classe C tinha 62.702.248 brasileiros. No ano passado, esse número chegou a 103.054.685, com a inclusão de 2,7 milhões de brasileiros vindos da classe D e E entre 2010 e 2011.
O estudo, desenvolvido pela Cetelem BGN em parceria com a Ipsos Public Affairs, mostra que em 2011 as classes A e B representavam, juntas, 22% do total da população e as classes D e E somavam 24%.
De acordo com a pesquisa, a renda média familiar da classe C passou de R$ 1.107 em 2005 para R$ 1.450 em 2011 - crescimento de 30,9%. Já a renda média familiar geral da população passou de R$ 974 para R$ 1.618 - aumento de 66,1%.


De 2010 para 2011 o aumento da renda média familiar geral foi impulsionada pela classe C, única faixa da população em que foi observado crescimento. A renda dos integrantes da classe C passou de R$ 1.338 para R$ 1.450. Nas classes A e B, a renda média familiar caiu de R$ 2.983 para R$ 2.907. Nas classes D e E, o valor baixou de R$ 809 para R$ 792.

A mesma notícia em O Globo:

Um total de 2,7 milhões de brasileiros mudou o perfil de renda, deixando as classes D e E para fazer parte da C no ano passado, segundo dados divulgados ontem pela Cetelem BGN, braço financeiro do grupo francês BNP Paribas. Assim, a classe C passou a representar 54% da população do país, frente a 34% em 2005. Em contrapartida, a fatia das classes D e E caiu de 51% para 24% no período.
Outras 230 mil pessoas saíram da classe C e entraram para A e B. Um total de 22% dos brasileiros estava no perfil das classes A e B em 2011, o que também representa um aumento em comparação a 2005, quando 15% da população as integravam.
No ano passado, enquanto as classes A e B e D e E permaneceram com a renda média estável, em R$ 2.907 e R$ 792, respectivamente, o rendimento médio familiar da classe C cresceu 8,4%, para R$ 1.450. Já a renda média da família brasileira chegou a R$ 1.618, uma alta de 4%.
De acordo com a sétima edição da pesquisa "Observador Brasil 2012", feita pela Cetelem BGN em parceria com o Ipsos Publics Affairs, a capacidade de consumo do brasileiro aumentou. A renda disponível - calculada pela subtração de todos os gastos do rendimento total das famílias - subiu de R$ 368, em 2010, para R$ 449, em 2011, uma alta de pouco mais de 20%. Mais uma vez, o destaque ficou com a classe C, que apurou alta bem mais expressiva, de quase 50% na renda disponível no mês.

14:23 | Posted in , , , | Read More »