José Hermano Saraiva [1919 -2012]



Historiador e ministro da Educação durante o Estado Novo tinha 92 anos morreu ao princípo da tarde. Leia a entrevista que José Hermano Saraiva deu ao Expresso em 2002, fazendo declarações polémicas.
José Hermano Saraiva, historiador e ministro da Educação durante o Estado Novo, figura conhecida da televisão, morreu hoje por volta das 12h30 na sua casa de Palmela, vítima das diversas doenças que ultimamente o atormentavam, disse ao Expresso o seu produtor José António Crespo.
O velório começa às 21h na igreja do Convento de Jesus, em Setúbal, enquanto a missa será celebrada no sábado, às 14h, seguindo-se o funeral no cemitério de Palmela.
Figura controversa, mas grande comunicador, José Hermano Saraiva nasceu em Leiria no dia 3 de Outubro de 1919, era irmão do professor António José Saraiva (1917-1993) e tio de José António Saraiva, diretor do semanário "Sol". Foi casado com Maria de Lurdes de Bettencourt de Sá Nogueira, com quem teve cinco filhos.
O professor "encontrava-se já num estado de saúde muito debilitado". e, como "sempre se recusou a ir para os hospitais", encontrava-se na sua residência ao cuidado de enfermeiras.
José António Crespo adiantou que Hermano Saraiva sofria de problemas cardíacos e de uma outra série de problemas de saúde, tendo, inclusive, sido operado recentemente aos intestinos no Instituto Português de Oncologia.

Forte imagem pública


José Hermano Saraiva construiu ao longo das últimas décadas uma forte imagem pública devido à presença regular em programas televisivos de divulgação histórica, merecedores de grandes reservas por parte de sectores importantes da comunidade académica.
Nos anos de 1980 coordenou uma História de Portugal, editada pela Alfa, reconhecidamente importante para a época, até pelo grande impacto público que conseguiu.
Licenciado em Ciências Jurídicas e Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, Hermano Saraiva encontrou no campo historiográfico, através de uma metodologia com frequência contestada, um meio de projetar, graças à sua grande facilidade de comunicação, pequenos e grandes episódios da história de Portugal.

Crise Académica de 1969


O seu percurso político, e apesar de ter sido deputado á Assembleia Nacional e procurador à Câmara Corporativa, ficou sempre marcado por ter ocupado a pasta da Educação entre 1968 e 1970, período durante o qual é desencadeada a Crise Académica de 1969.
No dia 17 de abril de 1969, uma quinta feira, Saraiva acompanhava, com outros ministros, o almirante Américo Tomás na inauguração do novo edifício de Matemáticas da Universidade de Coimbra. A dada altura da cerimónia, no período dos discursos, um estudante - Alberto Martins, atual deputado do PS - sentado no meio da sala, levanta-se e pede para usar da palavra em nome dos estudantes da Universidade de Coimbra. Recebe de imediato uma enorme salva de palmas por parte dos estudantes.
Uns dias depois, numa comunicação televisiva, Hermano Saraiva refere-se ao incidente para explicar que "o senhor presidente da República, de pé, e fitando o aluno que se lhe dirigira, afirmou que se seguia na palavra o senhor ministro das Obras Públicas".
Não obstante naquela mesma comunicação televisiva Hermano Saraiva ter garantido que a ordem ia ser restabelecida na Universidade, o que se seguiu foi, na verdade, um enorme período de agitação com prisão de estudantes, greve às aulas, demissão da direção da Associação Académica, encerramento da Universidade, instauração de processos contra os estudantes que, às dezenas, foram incorporados nas Forças Armadas.

Discurso comprometido



Autor de um discurso sobre a história comprometido com o seu próprio empenhamento político, José Hermano Saraiva nunca deixou de glorificar o regime de que ele próprio foi ministro, às vezes com teses no mínimo arrojadas. Num debate televisivo com o historiador Fernando Rosas, por ocasião de um dos aniversários do 25 de Abril, chegou a alegar que Oliveira Salazar teria sido um antifascista.
Irmão do professor António José Saraiva (1917 - 1993) e tio de José António Saraiva, diretor do semanário "Sol" e ex-diretor do Expresso, foi casado com Maria de Lurdes de Bettencourt de Sá Nogueira, com quem teve cinco filhos.
Os legados deste homem intenso, apaixonado, controverso, membro da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História e da Academia da Marinha, passam, entre outros feitos, por livros como a "História Concisa de Portugal", já em 25ª edição e traduzida para várias línguas, mas sobretudo pelo modo como, devido à sua eficácia comunicativa e, até, á dramaticidade imposta no seu discurso televisivo, despertou, a paixão por uma certa forma de encarar a história em sucessivas gerações de portugueses.

Leia a última entrevista que José Hermano Saraiva deu ao Expresso, em 2002, na qual, além de contar um pouco da sua vida, fez algumas declarações polémicas como, por exemplo, afirmar-se salazarista. E três cartas, uma do próprio, sobre a mesma entrevista.

Clique na imagem para ler a entrevista

Clique na imagem para ler as cartas

Cf. Reações à morte de José Hermano Saraiva


link

08:57 | Posted in , , | Read More »

Entretanto, em Portugal: mais 31 toneladas de velas a somar às contas do Santuário de Fátima

Santuário, esta manhã, durante a habitual Procissão do Adeus a 13 de Maio. fotos de Paulo Cunha
Leio na Agência Lusa:
31 toneladas de velas foram queimadas no tocheiro do Santuário de Fátima desde as 00:00 de sábado, quantidade “muito superior” ao habitual em ocasiões de grandes peregrinações, informou hoje fonte da instituição. Além das velas normais, de vários tamanhos, os peregrinos apresentavam imagens em cera de feitios tão diferentes como figuras humanas ou reprodução de órgãos do corpo humano e, nesta peregrinação, até com o feitio de casas de habitação.
A entrega de velas para derreter no tocheiro do Santuário é uma das formas mais tradicionais de cumprimento de promessas neste templo mariano.

ACTUALIZAÇÃO a isto.

Cf. também:

14:32 | Posted in , , , , , | Read More »

Entretanto, em Portugal: 19 toneladas de velas e 300 mil em culto no Santuário de Fátima

Santuário, esta noite, durante a habitual Procissão das Velas de 12 para 13 de Maio. foto de Paulo Cunha
Leio na Agência Lusa:
Cerca de 19 toneladas de velas foram vendidas e queimadas hoje no Santuário de Fátima, informou o administrador da instituição, Cristiano Saraiva. Oito toneladas de velas foram derretidas entre as 08:00 e as 13:00 e as restantes 11 toneladas entre as 13:00 e as 21:00, revelou o mesmo responsável.
O administrador do Santuário de Fátima disse que a grande afluência de peregrinos ao tocheiro, localizado nas proximidades da Capelinha das Aparições, mobilizou o serviço de sete funcionários do santuário, quer no abastecimento de velas para aquisição, quer na manutenção do espaço onde a cera é derretida.
As autoridades estimam em cerca de 300 mil o número de católicos presentes.
As cerimónias desta peregrinação, que tiveram início no sábado, assinalam os 95 anos da primeira aparição mariana aos três videntes de Fátima: Jacinta, Francisco e Lúcia.

O Santuário de Fátima está a registar uma afluência de peregrinos superior à verificada noutras peregrinações aniversárias de Maio, o que está a ser justificado pelo facto de as cerimónias decorrerem este ano ao fim de semana e pela violenta crise económica e social que o país vive. [VER VÍDEO]
foto de Paulo Cunha

01:34 | Posted in , , , , , , | Read More »

25 de Abril


Trinta e oito anos depois da Revolução, recordamos o país antes de Abril. Onde falar podia levar à cadeia. Onde as mulheres pertenciam aos maridos. Onde era preciso licença para usar isqueiro. Onde era proibido beber Coca-cola. Recordamos o «Portugal amordaçado».

22:25 | Posted in , , , , | Read More »

"Um dos defeitos do português é a falta de audácia, o excesso de disciplina"

por Fernando Pessoa
Das feições de alma que caracterizam o povo português, a mais irritante é, sem dúvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excelência. Levamos a disciplina social àquele ponto de excesso em que coisa nenhuma, por boa que seja — e eu não creio que a disciplina seja boa — por força que há-de ser prejudicial.
Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.
Parecemo-nos muito com os Alemães. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.
Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas são sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco. Como os Alemães, nós esperamos sempre pela voz de comando. Como eles, sofremos da doença da Autoridade — acatar criaturas que ninguém sabe porque são acatadas, citar nomes que nenhuma valorização objectiva autentica como citáveis, seguir chefes que nenhum gesto de competência nomeou para as responsabilidades da acção. Como os Alemães, nós compensamos a nossa rígida disciplina fundamental por uma indisciplina superficial, de crianças que brincam à vida. Refilamos só de palavras. Dizemos mal só às escondidas. E somos invejosos, grosseiros e bárbaros, de nosso verdadeiro feitio, porque tais são as qualidades de toda a criatura que a disciplina moeu, em quem a individualidade se atrofiou.
Diferimos dos Alemães, é certo, em certos pontos evidentes das realizações da vida. Mas a diferença é apenas aparente. Eles elevaram a disciplina social, temperamento neles como em nós, a um sistema de estado e de governo; ao passo que nós, mais rigidamente disciplinados e coerentes, nunca infligimos a nossa rude disciplina social, especializando-a para um estado ou uma administração. Deixamo-la coerentemente entregue ao próprio vulto íntegro da sociedade. Daí a nossa decadência!
Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma “revolução” foi para implantar uma coisa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratámos os vencidos. E não nos resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente os mesmos disciplinados que éramos. Foi um gesto infantil, de superfície e fingimento. Portugal precisa dum indisciplinador. Todos os indisciplinadores que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer assim, se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de perturbadores fracassam logo, traem logo a sua missão. Qual é a primeira coisa que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade ancestral.
 Trabalhemos ao menos — nós, os novos — por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa. Escrupulizemos no doentio e no dissolvente. É a nossa missão, a par de ser a mais civilizada e a mais moderna, será também a mais moral e a mais patriótica.

Lisboa, 8 de Abril de 1915

in Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional - Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.Nota: 1ª publ.:”Crónicas da Vida que Passa” in O Jornal , nº5. Lisboa: 8-4-1915

09:04 | Posted in , , , , | Read More »

Sugestão Web | Novo Portal 'Conhecer a Crise' em Portugal


A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou, esta semana, um novo portal onde estão compilados indicadores sobre as mais variadas vertentes da economia, que permitirão aos utilizadores perceber melhor os verdadeiros efeitos da crise em Portugal.

#  Site Conhecer a Crise.

07:02 | Posted in , , , , , | Read More »

Entrevista a António Zambujo: «Minha aproximação com o Brasil é cada vez maior»

O cantor português António Zambujo, 37 anos, lança o disco "Quinto": "O que eu faço, eventualmente, será um cool fado. Sempre foi essa linha que me influenciou enquanto cantor. Depois do Chet Baker, veio o João Gilberto, o Caetano Veloso"

António Zambujo: "70% dos portugueses ainda estão com a gravata apertada"
O cantor António Zambujo chega ao disco "Quinto", a ser lançado em abril, em Portugal, não apenas com a guitarra de renovador do fado - na mesma intensidade, notabiliza-se como um aproximador dessa tradição com o repertório da música popular brasileira. Nascido em Beja, no Alentejo, em 1975, Zambujo imprime um cool fado desde o álbum "Outro sentido", o início de sua transição musical. Influenciado por Chet Baker e João Gilberto, ele faz uma arriscada e até há pouco improvável ponte entre a Bossa Nova e um gênero historicamente marcado por suas cantoras viscerais, como Amália Rodrigues.
Nesta entrevista a Terra Magazine, António Zambujo recompõe sua trajetória profissional - estudou clarinete a partir dos 8 anos - e relata seus diálogos com músicos brasileiros, de Rodrigo Maranhão a Ivan Lins, de Moreno Veloso a Marcelo Camelo. Com este último já engatilhou uma parceria e pretende desenvolver um projeto de disco, que reunirá ainda Miguel Araújo Jorge.
- Apaixonei-me pela música brasileira a primeira vez que ouvi o João Gilberto. Quando ouvi João Gilberto, tive vontade de conhecer toda a origem, até um pouco antes da Bossa Nova, os movimentos que a sucederam, a música que vinha lá atrás, com Orlando Silva, Pixinguinha, Cartola, Adoniran Barbosa - Zambujo relata.
Admirador de Vinicius de Moraes, ele já gravou "Apelo", "Quanto tu passas por mim" e "Poema dos olhos da amada". E aprecia imenso uma mensagem do poeta aos portugueses, gravada no disco "Amália/Vinicius", no qual o visitante confessa sua "impressão de tristeza em ver esse povo tão formalizado". "Eu tenho a impressão de que o povo português precisava se desengravatar", declarou o bardo. Quarenta anos depois, Zambujo vibra com esse conselho:
- Eu adoro isso! Eu adoro ele dizer isso! Ele disse em 1969. Nós estamos em 2012 e, não digo todos, mas 70% dos portugueses ainda estão com a gravata apertada!
No começo de sua carreira em Lisboa, o fadista integrou por quatro anos o elenco do musical "Amália", interpretando o papel de Francisco Cruz, o primeiro marido da cantora. Pertencente a uma geração que procura modernizar o fado, António Zambujo reconhece a grandeza da artista:
- A Amália funcionava um pouco como eucalipto. Ela estava lá enquanto tudo à volta secava. Acho que não é propositado. Acho que isso, de fato, aconteceu, mas só aconteceu porque Amália tinha uma dimensão fora do comum. Nem sei se existe alguma coisa que se possa comparar no mundo. Porque ela tinha uma qualidade artística. Ela cantava e escrevia os poemas, fazias músicas, fazia tudo.
Provocado sobre os impactos da internet na indústria fonográfica, principalmente após o alastramento do download de músicas, Zambujo defende o conceito de álbum e acredita que ele não será alterado, na essência, pelas novidades tecnológicas.
- Ah, eu acho que nunca vai acabar. Nesse aspecto, é como eu te digo: como ouvinte, gosto de ouvir o disco, não gosto de uma música como nas tais coletâneas. E, como músico, gosto de imaginar um disco como um todo. Não gosto de imaginar faixa a faixa. Uma disco é um conjunto de músicas. Faz sentido naquela ordem, existe uma razão para isso - expõe.
A entrevista ocorreu no apartamento do fadista no Chiado, em Lisboa, a poucos metros da praça Luis de Camões, no final de janeiro. Risonho e provocador, ele não se esquiva de criticar os "ortodoxos" do fado. "A ideia que eu tenho é que talvez tivessem pensado que a minha ideia era desvirtuar o que já tinha sido feito há 50, 60 anos atrás em Portugal".

[ENTREVISTA]

Terra Magazine - Nos seus últimos discos, você tem dialogado com a música brasileira, trazendo-a, incorporando-a à tradição do fado...
António Zambujo - Mais ou menos as duas coisas. Para lá e para cá.

Como surgiu essa ideia de aproximar as duas tradições?
Sempre fui muito influenciado pela música brasileira. Aliás, se vocês forem ver os meus discos e os meus filmes, tem muitas coisas. O documentário do Vinicius, um monte de DVDs do Chico (Buarque), concertos do (Gilberto) Gil... Apaixonei-me pela música brasileira a primeira vez que ouvi o João Gilberto. Quando ouvi João Gilberto, tive vontade de conhecer toda a origem, até um pouco antes da Bossa Nova, os movimentos que a sucederam, a música que vinha lá atrás, com Orlando Silva, Pixinguinha, Cartola, Adoniran Barbosa. Uma série de compositores que eu tive curiosidade de conhecer. A partir daí, fui descobrindo. E tem muitos discos de músicos atuais, que fizeram uma série de discos retrospectivos, com novas orquestrações. Me lembro de um disco que eu gostei imenso, de Zé Renato, com orquestrações do Wagner Tiso, que se chamava "Memorial". Tocaram muitas músicas antigas...

Zé Renato se vinculou também ao repertório de Cartola.
Sim, e tinha Cândido das Neves, do princípio do choro, Pixinguinha... A partir daí fui me interessando. E descobri uma coisa. O português, hoje em dia, se nós ouvirmos um disco brasileiro, percebe-se que existe uma diferença maior entre as línguas. Ou seja, para cantar uma coisa de um compositor com que tenho compartilhado coisas, ultimamente - o Ivan Lins, o Rodrigo Maranhão, o Marcelo Camelo, o Pedro Luis - algumas letras que eles me mandam têm que ser feitas algumas retificações, para que seja possível serem cantadas em português de Portugal.

Como assim?
Vocês dizem: "Me leve". Nós dizemos: "Leve-me". Alguns acertos gramaticais, que no vosso caso ficam corretos, mas em Portugal ficam um pouco estranho, pois não temos o hábito de dizer. Em algumas frases fará sentido, mas em geral não dizemos. São pequenas alterações que precisam ser feitas. Mas, as músicas dessa altura (de décadas atrás), serem cantadas no português do Brasil ou português de Portugal, ficam exatamente iguais. Utilizam um português mais arcaico, mais obsoleto, que não se diz mais nem lá nem cá, mas que fazem sentido na música. Daí eu comecei a ter vontade de recriar algumas dessas coisas.

Você se aproximou muito de Vinicius de Moraes. Ele tem algo em comum com a cultura portuguesa, que é uma alma lírica mais aguçada. O Brasil teve um movimento modernista que praticamente reprimiu o lirismo.
Mas tem outros artistas que, ao menos, tentam aproximar-se dessa forma de escrita. O Vinicius é assumidamente influenciado pelo Fernando Pessoa, por Camões, ou seja, fica mais fácil. Há uma música que eu toquei no último disco, o "Apelo". Se calhar, ele conseguiu fazer um fado tradicional, porque depois tirei a música original do Baden Powell daquela letra e colocamos na estrutura de um fado tradicional. Musicamos e encaixa à perfeição. Portanto, ele conseguiu fazer coisas inacreditáveis, com quase tudo que fez. Era inevitável para mim aproximar-me do Vinicius. Aproximar-me da música brasileira e não me aproximar de Vinicius seria impossível.

Sua relação com a Bossa Nova é bastante destacada quando avaliam seus discos...
O João Gilberto... Nem é preciso explicar mais. Eu tento seguir uma estética musical que vem desde o tempo do Chet Baker, desde aqueles cantores...

Do cool.
O cool jazz. A Bossa Nova acaba sendo um cool choro... O que eu faço, eventualmente, será um cool fado. Sempre foi essa linha que me influenciou enquanto cantor. Depois do Chet Baker, veio o João Gilberto, o Caetano Veloso, mais tarde comecei a me interessar mais por jazz e pela música anglo-saxônica. A época dos crooners, o Frank Sinatra, o Tony Benett, Bing Crosby, Nat King Cole. Tudo isso acaba por influenciar muito a música que eu faço, mas interesso-me muito mais pela música cantada em português no Brasil e na África. Sou apaixonado pelas mornas de Cabo Verde.

Em Portugal, como seus discos foram recebidos? Porque você faz um fado muito diferente do que é feito. Houve resistência?
No princípio houve um pouco. Eu acho que houve uma certa resistência porque os ortodoxos do fado devem ter julgado... Não sei o que eles pensaram. Porque eu fiz o meu primeiro disco com fados tradicionais. Ou seja, ainda sem essas influências. Foi um disco bem aceito aqui no mercado interno, mas é um disco que nem sequer foi vendido para fora de Portugal. Internamente, foi muito bem aceito. As críticas foram muito boas e a expectativa para o segundo disco era alta. Só que na altura eu conheci o Chet Baker e conheci o João Gilberto, e o disco já nasceu completamente diferente do que as pessoas esperavam. Foi um choque porque foi um corte radical. O primeiro disco saiu em 2002 e o segundo disco em 2004, já completamente diferente. A ideia que eu tenho é que talvez tivessem pensado que a minha ideia era desvirtuar o que já tinha sido feito há 50, 60 anos atrás em Portugal. E no Brasil acontece muito isso. Vocês falam que são um país muito moderno, mas eu sei o que às vezes acontece quando alguém quer fazer alguma coisa diferente.

João Gilberto mesmo. Até hoje é atacado.
Como acontece com Caetano Veloso, com os últimos discos. Caetano fez o "Cê"... É por isso que o admiro. Caetano sabe que as pessoas gostam de ver um show voz e violão, aquelas coisas, mas eu acho que o artista tem que se autodesafiar de vez em quando, tem que fazer coisas novas.

Em Lisboa, o circuito do fado é purista?
Existe um circuito do fado ortodoxo e existe um circuito do fado, como poderíamos chamar?, pós-modernista. Não sei se será a palavra certa, mas vanguardista sim. Nesse circuito existe uma cantora muito interessante, que se chama Cristina Branco. Não sei se vocês conhecem...

Já se apresentou no Teatro Castro Alves, em Salvador, anos atrás. Fez um show excelente.
Ela faz umas coisas diferentes, com outras influências. Tem muita influência do Brasil, mas também da música do centro da Europa.

E da Amália Rodrigues, no início, não?
Um pouco também. A própria Amália, nos anos 70... Veja o ridículo do país que nós vivíamos na altura, durante a ditadura. Veio um compositor francês para fazer músicas para Amália e que foi determinante para a carreira dela, Alain Oulmain. Influenciou. O fado, inicialmente, é escrito por poetas populares. Não é nada de erudito. É feito por poetas populares que falam da realidade exclusiva de Lisboa, falam da realidade dos bairros típicos, dos personagens como a mulher que vendia o peixe, o ardina que vendia jornais na rua, o cauteleiro que vendia cautela (bilhete de loteria). Era isso. Então, Amália aparece cantando poetas eruditos.

Alexandre O'Neill...
Camões, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira, Pedro Homem de Melo, a vossa Cecília Meireles...

E fez um disco com Vinicius.
Com Vinicius. Nessa altura, foi um escândalo em Portugal, porque diziam que cantar Camões, Fernando Pessoa e outros poetas eruditos, era um atentado à cultura de um País.

Um atentado a essa tradição literária ou ao fado?
À tradição literária. Para os poetas eruditos, o fado era considerado uma música inferior, onde era impensável e impossível pôr esses poetas eruditos numa música tão reles.

E foi também o caso de Vinicius de Moraes, que, aos olhos de muitos, se apequenou porque foi para a música popular.
Exato. Quando ele começou, era considerado um poeta erudito de grande potencial, e depois não. A história do Vinicius está no documentário. Ele recebe influência erudita do pai e popular da mãe. Então, ele sempre andou ali meio no limbo. Optou pelo que gostaria de fazer. Aqui em Portugal é assim também. E é cíclico. Sempre que alguém tenta mexer em alguma coisa que está bem aceita, há sempre reação.



Do seu primeiro disco para o último, seu modo de cantar muda bastante.
Completamente. O primeiro disco ("O mesmo fado"), salvo algumas exceções, é aquela vontade de fazer o primeiro disco, não interessa o que vai cantar. Quero ter um registro. Tem medo de morrer e não ficar nada registrado! Então, tem que fazer um disco. Foi mais ou menos assim que aconteceu. Eu estava junto de alguns poetas populares, que escreveram poemas, os músicos com quem tocava foram para o estúdio. Ou seja, foi um disco pouco criterioso. Um disco não é nada mais que isso. É um registro do momento. Aquilo era o meu momento. Em 2004 já era um momento completamente diferente. E agora o último disco, que vai sair em abril. É o registro deste momento. Daqui a um ano ou dois, quando fizer o próximo disco, se calhar já será diferente. Nunca se sabe.

Sai um disco seu agora em abril?
Sim.

Você pode adiantar o repertório?
Os autores, eu normalmente gosto de ter alguma estabilidade no processo criativo. Desde o "Outro sentido", quando comecei a ter uma ligação maior com o Brasil e outros países lusófonos, comecei a conhecer pessoas que me interessavam. No caso do Brasil, o Pedro Luís, o Rodrigo Maranhão, o Marcelo Camelo, o Zé Renato, o Ivan Lins, o Moreno Veloso, a Roberta Sá, a Vanessa da Matta...

Marcelo Camelo outro dia disse que tinha vontade de morar aqui em Lisboa.
(ri) Nesta casa, quem morou antes de eu vir para cá foi o irmão dele, o Thiago (Camelo). Recebeu uma bolsa para escrever um romance em Lisboa. Morou aqui durante quatro ou cinco meses.

Qual foi seu percurso? Você saiu com quantos anos de sua cidade?
Eu saí muito tarde. Morei no Alentejo, em Beja concretamente, desde que nasci até o ano 2000. Vim para Lisboa com 25 anos. Beja tem conservatório, fiz o conservatório lá, fiz os estudos lá e quando vim para Lisboa já estava preparado para entrar no mercado. Vim para Lisboa porque recebi um convite para participar do elenco de uma peça de teatro, que foi preparada sobre a vida de Amália Rodrigues. Convidaram para uma audição. Eu vim, cantei, depois me convidaram para ficar. Tive que permanecer definitivamente em Lisboa. Fui para o teatro, fui conhecendo a realidade dessas casas de fado, as pessoas do meio fadista, essas coisas assim. Fui me dando conhecer, porque ninguém tinha ouvido falar de mim. Pouco tempo depois surgiu o convite para preparar o tal primeiro disco, que foi gravado durante 2001 e foi lançado em 2002. Foi assim. A peça durou até 2004.

Quantos anos em cartaz?
Quatro anos.

E você, permanentemente nela?
Eu não estive durante... Eles fizeram uma pequena digressão pelo centro da Europa, França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça, para apresentar à comunidade portuguesa desses países. Nessa altura eu não fui porque coincidiu com o lançamento do meu disco cá. Foi uma peça de teatro que bateu todos os recordes, com o maior número de apresentações, mais de mil apresentações...

Com que frequência?
De terça a domingo, num teatro com 700 lugares. O Teatro Politeama.

No Brasil se fala muito de um reflorescimento do fado, de um momento bom, que rejuvenesceu e tem novos artistas como você. Quando você começou, como andava o fado? Vivia um momento bom?
Estava a começar esse movimento. Já existiam alguns indícios de que alguma coisa iria acontecer. Lisboa foi a capital europeia da cultura em 1994. E já foi dada uma grande relevância ao fado, já com novos intérpretes. Foi quando apareceu Mísia, Camené, Mafalda Arnaulth... Foram os primeiros que começaram a surgir dessa geração. Camené é um pouco mais velho, mas em 1994 começou também a aparecer com mais destaque. Em 2000, aparece a Marisa. Aí muda tudo. Eu acho que ela não gravou em 2000, mas começou a aparecer em 2000 e as pessoas começaram a perceber que era uma coisa diferente, que seria uma coisa com muito peso na história do fado. A Marisa começou a aparecer a conta-gotas. E começaram a aparecer pessoas interessantes. A Ana Moura, uma cantora que eu gosto muito, a Cristina Branco também... Eu, apesar de ter um primeiro disco, a essa altura, não considero que tenha alguma relevância. As coisas começam a ter importância a partir do momento que começam a ser conquistado dos tais puristas e ortodoxos. Só aí que o resto do público começa a querer prestar atenção à música que nós fazíamos. Para além desses todos, começa a aparecer uma série de gente, uns a agradar os tais ortodoxos, outros a agradar aos vanguardistas.

"Seu momento" acontece a partir de "Outro sentido"?
Acho que a afirmação é sim. Apesar de o anterior, "Por meu cante", já começava a ter algumas coisas interessantes. "Outro sentido" foi o que definiu mais, foi o que marcou mais o meu momento de fazer concertos em teatros grandes, de fazer turnês internacionais, essas coisas todas.

E sua presença se aprofunda aí?
Nessa altura. Por uma série de fatores que ajudaram bastante. Por exemplo, eu estava a tocar numa casa de fados, Sr. Vinho, onde começavam a surgir algumas pessoas que vinham do Brasil passar férias em Portugal e que no Brasil já tinham ouvido falar no Zambujo, queriam conhecer. Entre muitas dessas pessoas, apareceu a jornalista Marília Gabriela, que estava cá a apresentar uma peça de teatro e me ouviu lá no Sr. Vinho. Resolveu comprar alguns dos meus discos na Fnac e ofereceu a Caetano Veloso. E o Caetano Veloso escreveu uma crônica, num blog (Obra em Progresso), que foi vista logo por muita gente. O produtor que nos representa lá no Brasil, João Mario Linhares, veio cá com Roberta Sá apresentar o disco dela. Foram lá ao Sr. Vinho, ouviram meu disco também. Ele quis logo editar esse disco no Brasil, quis que eu fosse apresentar o disco. Nosso primeiro concerto foi no espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico. Em 2008. A essa altura, já tinha saído isso do Caetano, depois chegamos ao Brasil e fomos convidados a participar do programa do Jô. Depois, a seguir, fui dar um beijo na boca da Hebe Camargo... (risos)

Um selinho...
Depois eu fui a Marília Gabriela, onde fizemos uma coisa muito interessante, onde eu conheci a Vanessa da Matta, que estava a participar desse programa. Tudo aconteceu nessa altura. Quando eu chego ao Rio de Janeiro, apesar de nunca ter tocado lá, percebi que já havia muita gente que me conhecia. No meu concerto no Rio de Janeiro, estavam assistindo João Bosco, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Roberta Sá participou, tocou Yamandu Costa conosco, o Trio Madeira Brasil... Ou seja, foi uma coisa assim que nem nós esperávamos que pudesse acontecer. A partir daí as coisas começaram a surgir. Depois tocamos em São Paulo, no Bourbon Street, um espaço de jazz. Sempre duas vezes por ano tiramos uma temporada para ir ao Brasil.

Nesse disco que você lançará em abril, qual vai ser a linha? Você vai se aprofundar no que já vem fazendo?
Um pouco. Vão participar todos os autores que gravamos no "Guia", mas não vamos gravar Vinicius desta vez. O objetivo foi fazer mais temas originais. Então, dos brasileiros, tem uma do Rodrigo Maranhão, tem uma do Marcio Faraco, um compositor brasileiro que está morando na França...

Marcelo Camelo?
Não. Trocamos algumas músicas, mas isso ficou para outro projeto que nós temos.

Você pode falar mais um pouco sobre esse projeto ou é embrionário?
Isso foi mais ou menos falado. A ideia era criar a base de um projeto com três vozes e três violões. Seria eu, Marcelo e um músico português que também participa deste disco, é autor, Miguel Araújo Jorge. A ideia era fazer um projeto com temas originais nossos para apresentar num formato diferente daquele que eu tenho, que o Miguel tem... Miguel está numa fase de transição, tem uma banda de pop/rock. Seria um concerto acústico com os três. Isso é interessante. Em função de nossas disponibilidades, nós vamos preparando com calma. Já temos o suficiente para gravar um disco, é só arranjar um tempinho para entrar no estúdio.

Essas trocas aconteceram como? Pela internet? Como você conheceu o Camelo?
Eu já era fã dele. O disco dele "Sou" foi muito importante na altura que nós gravamos o "Outro sentido", o "Guia". O "Sou" era um disco que eu tinha muito na cabeça, que eu adorava. E adoro. Depois, quando eu estava no Brasil, soube que o Marcelo Camelo me conhecia, já tinha ouvido minha música. E ele foi ouvir o primeiro concerto em São Paulo, no Bourbon. Conversamos, trocamos ideias. Nos encontramos no Rio de Janeiro e agora aqui em Lisboa. A ideia é aprofundar essa relação, já que existe uma admiração mútua. É colocá-la em concerto e ao vivo.

Como você pesquisa a música brasileira? Quais são os caminhos?
Olha, eu compro muito disco e, cada vez que vou ao Brasil... Vocês tem uma coisa que é muito interessante. Quando eu termino um concerto no Rio de Janeiro ou em São Paulo, mais no Rio, quando eu vou voltar para o hotel já não tenho espaço para guardar tanto disco! Porque os músicos que vão ao concerto me oferecem os discos! (risos) Aí eu conheci coisas muito interessantes. Por exemplo, agora eu participei do disco de um músico brasileiro, André Mehmari. Foi assim que nos conhecemos. Ele foi a um concerto meu, deu-me um disco dele com Hamilton de Holanda. Depois ele disse que gostaria que eu cantasse no disco dele, é uma música também que eu toco com Hamilton de Holanda. Wagner Tiso, eu também conheci no final de um show. Jaques Morelenbaum, José Miguel Wisnik... E sempre acontece isso: "Aqui o meu disco...". E tem pessoas amigas, o Moreno, o Marcelo, uma série de músicos que vez em quando me mandam um link: "Você vai gostar disso".

 
O fadista António Zambujo acredita que o conceito de "álbum" não vai acabar: "Gosto de imaginar um disco como um todo. Não gosto de imaginar faixa a faixa. Uma disco é um conjunto de músicas. Faz sentido naquela ordem, existe uma razão para isso".

Você falou de seus álbuns, dos conceitos dos seus álbuns, mas no Brasil existe uma discussão sobre a desconstrução desssa ideia, com a possibilidade de você baixar as músicas pela internet. Isso lhe afeta?
Eu, ultimamente, é só o que faço. Eu baixo, comprando, como é óbvio, principalmente no iTunes. Comecei a comprar. Já é difícil comprar aqui em Portugal. As lojas já não se oferecem como uma alternativa, porque se tu quiseres um disco de uma coisa diferente é difícil de comprar. Só existe a Fnac, é verdade. É a única loja com relevância. Mas, se você vai à Fnac e voltar seis meses depois, a seção de discos é cada vez mais pequena, mais pequena.

E acabou aquela tradição de o vendedor conhecer o produto, indicar...
Estás a falar daquela lojinha de bairro, pequena e tal? Não há mesmo. Na Fnac eles sabem do que nós falamos. Se você for à Fnac falar de uma cantora que você pensa que eles nunca ouviram falar, uma cantora que cantou num festival de World Music na Suécia... É impossível encontrar. A única hipótese é o iTunes. É o que tenho feito.

Mas essa situação afeta o modo de você conceber seu trabalho?
Não.

Você continua acreditando no formato do álbum?
Mesmo no iTunes o disco está lá todo pra vender. Normalmente é raro você comprar uma música individual. O disco tem um conceito estético. É claro que destaca-se uma música ou outra, mas o disco destaca-se pelo seu todo. É como você comprar um quadro e só comprar um canto do quadro. Ou como se você comprasse um filme e só tivesse um extra. Um disco são as músicas todas. Pelo menos eu acho. As pessoas de quem eu gosto e compro os discos, os discos contam uma história, faz sentido a faixa 3 estar no número 3, porque vem depois da 2, antes da 4. Faz sentido ali. Existe uma sequência lógica. Se comprares a música individual, a música pode ser muito boa, mas não terá tanto força...

Ela sai de um conceito?
Eu acho que sim.

Gilberto Gil tem uma posição bem diferente dessa sua e de outros músicos. Ele acha que os garotos, na hora da audição, não estão mais ligados na ordem do disco ou no conceito do álbum, eles vão ouvindo numa sequência que não é mais a do autor. Esse modelo de álbum...
Ah, eu acho que nunca vai acabar. Nesse aspecto, é como eu te digo: como ouvinte, gosto de ouvir o disco, não gosto de uma música como nas tais coletâneas. E, como músico, gosto de imaginar um disco como um todo. Não gosto de imaginar faixa a faixa. Uma disco é um conjunto de músicas. Faz sentido naquela ordem, existe uma razão para isso. Não sei. Também pode ser por uma ignorância minha. Não estou muito a par do que as outras pessoas fazem, por que elas fazem... Temos ali uma ouvinte de música e podemos perguntar: Raquel, você compra um disco e ouves o disco todo, ou não te importa ouvir faixa a faixa? ("No iTunes?", pergunta Raquel). Sim. ("Posso comprar só aquelas que gosto", responde). (risos) Sou eu que estou errado! (risos) Eu gosto assim, não gosto de imaginar faixa a faixa.

Para o criador, é muito difícil aceitar que a concepção da obra, enfeixada num disco, não é mais vista como tal?
Quer dizer, nós temos que nos adaptar. Se as exigências do mercado forem essas, tem que existir um período de adaptação e, nessa altura, tem que se pensar de outra forma. Não sei. Não me imagino a fazer isso. Sinceramente. Mas, eventualmente, num futuro próximo, as coisas mudam muito. Como a música. A minha música há dez anos atrás era completamente diferente da que faço hoje. Não faço idéia.

António, aquela música "Em quatro Luas" é uma composição sua...
É.

No novo disco, vai ter composição sua?
Umas três inéditas. Poemas do João Monge, Maria do Rosário Pedreira...

E letras, você nunca fez?
Nunca fiz. Talvez por ter parceiros tão bons, nunca senti necessidade de me esforçar para tentar fazer o que quer que seja. O que fazem pra mim é sempre muito bom. É difícil eu fazer melhor que eles.

É uma tradição do fado? De que os poetas e os grandes intérpretes não são a mesma pessoa?
Em algumas canções, tem sim. Mas, em regra geral, quem canta não escreve. E vice-versa. Eu gosto de fazer música.

Como você vê a evolução das relações culturais entre Brasil e Portugal? A impressão que a gente tem, no Brasil, é que o jornalismo e as pessoas de uma maneira geral não acompanham a cultura portuguesa com muita frequência.
É natural, eu acho natural.

Por quê?
Vocês tem tanta coisa pra se preocupar lá! (risos) Tem tanta música, tem tantos músicos... O Brasil tem tudo, a maior parte da música de lá é de boa qualidade. E é natural que o mercado esteja mais virado pra dentro e seja difícil conseguir entrar lá.

Mas não é estranho que a língua portuguesa não integre tanto o mundo lusófono?
Eu estranho um pouco...

Talvez não seja o seu caso, ultimamente.
Sim, no meu caso tem existido uma aproximação e é cada vez maior. Em 2012 temos o ano de Portugal no Brasil. Já estão preparados eventos, as coisas ainda estão muito vagas, não sei o que vai acontecer, mas sei que vai acontecer qualquer coisa já. O que tem que se fazer para que isso resulte em aproximação pela língua e pela cultura é nos tocarmos lá e os de lá tocarem cá.

Mas, da parte de Portugal, há mais interesse pelo Brasil.
(Sinaliza, indicando que não é bem assim).

Mais ou menos?
Mais ou menos. Quem é que vem a Portugal e enche salas? À exceção daquela horrível, aquela música "assim você me pega"...

"Ai se eu te pego!".
Vai fazer concerto aqui, está em primeiro lugar nas vendas. É uma loucura! Porque Cristiano Ronaldo dançou aí num jogo de futebol... Mas, tirando essas exceções, em Portugal, seguro de casa cheia é Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Gilberto Gil.

E Maria Bethânia.
Bethânia também. Gal (Costa), Simone... Mas são os consagrados. Por exemplo, o Marcelo Camelo, que é um músico incrível, sei que muita gente adora, tocou aqui em Lisboa para uma sala de 200 pessoas. Ou seja, ainda são nichos no mercado. São coisas muito pequenas. É um número de público muito reduzido que vai aos concertos. Tirando os consagrados... É incomparavelmente mais caro do que lá (no Brasil).

E é uma aproximação mais da cultura de massa, das telenovelas?
É muito isso, as músicas que passam na novela, alguns artistas que atingem uma notoriedade por algum motivo. Por exemplo, a Maria Gadú fez esse disco com Caetano e já vai fazer show em algumas salas com dimensão. Ela vendeu bastante cá. Vanessa da Matta tem bastante público em Portugal desde aquele dueto com Ben Harper...

Chato aquilo, né? (risos)
São pequenas exceções. No geral, se você vai fazer o circuito no Bairro Alto, em algumas salas, tem músicos brasileiros a tocar. Certeza absoluta.

Mesmo o fado, em suas diferentes ramificações, tem diferentes tipos de público. O fado tradicional tem penetração entre o público jovem?
Agora já vai tendo, sabe? Imagina, no caso da Marisa, da Cristina Branco... O disco de Marisa de maior sucesso aqui em Portugal é o disco que ela fez com Jaques Morelenbaum, o "Transparente", que é um disco incrível. Nessa altura ela fez um concerto cá. Um grande concerto. Um concerto de fado para 40 mil pessoas, junto à Torre de Belém, nos jardins dali. Eu acho que a partir dali... Apesar de não ser tradicional, as pessoas ouvem e dizem: "Isso é interessante, como será o tradicional?". E sentem vontade de ouvir. Camené é um fadista tradicional, tem um imenso público, já enche o Coliseu. Carminho é uma fadista tradicional e já enche o Coliseu. Ela tem um timbre assim rouco...

Ela canta com muita paixão, né?
O Ricardo Ribeiro, já ouviste? Fisicamente, e com a voz, é muito parecido com... Como se chama aquele cantor brasileiro? Enorme...

Tim Maia?
Tim Maia! (risos) Tem um vozeirão incrível.


E as cantoras de fado? Quais as que você ouve e que estão próximas de seu trabalho?
Próximas não estão, mas eu gosto muito dos projetos da Cristina Branco, da Ana Moura, da Carminho e, depois, gosto muito do Camané e do Ricardo Ribeiro. São os cinco que eu gosto mais de ouvir. E que eu acho que têm os projetos mais interessantes.

Numa tasca em Alfama, tinha a Carminho e outras cantoras de fado, super-desimpedidas, cantando ali... É "Fado da Bela", uma casa de dois anos. Uma coisa improvisada. Carminho parecia como qualquer outra cantora que estava ali. Não tem uma rigidez. Ainda há muita liberdade desse universo do fado, não?
Começou a ser criado esse universo paralelo das casas, alternativo, para escutar fado. Porque antigamente tudo era resumido às casas de fado. E, hoje em dia, as casas de fado não têm qualidade artística. Como posso explicar isso, de maneira que os puristas do fado não... (risos) Quem canta nas casas de fado são fadistas já velhos, que veem aquilo como um trabalho - e uma arte não pode nunca ser pensada como um trabalho, aí começa errado - e depois as casas de fado querem manter...

Um folclore?
Um folclore, que é de uma decadência horrível. Mas querem manter um glamour que existia nos anos sessenta. Esse glamour, hoje, parece decadente. Já não faz sentido você ficar num restaurante fino a ouvir fados com um empregado de gravata. É tudo muito caro. Tu pagas muito caro. Se queres ir a uma casa de fado, aqui no Bairro Alto, regra geral, pois há sempre exceções à regra... Se eu sair de minha casa agora para ir a uma casa de fado, não saio de lá satisfeito. Ouves má música, músicos maus e com pouca vontade de tocar. Ouves fadistas maus e com pouca vontade de cantar. Tens um mau serviço de restaurante. E, no final, paga cento e tais euros por cada refeição. Ou seja, é tudo muito caro e o serviço não é bom. Há exceções! Há casas de fado muito boas, com bom elenco que se renova. Por exemplo, o Clube do Fado, em Alfama, uma casa em que pagas caro, mas que tem qualidade. "Sr. Vinho" também... Agora já não tem mais tanta qualidade, porque não estou lá a cantar! (risos) São casas que fazem questão de ter uma certa qualidade artística e também como restaurante, com uma boa cozinha.

Essa geração que renovou o fado nasceu desse outro movimento, de fado vadio?
Na verdade, quando eu vim para Lisboa, o sítio que eu ia mais vezes era uma casa desse gênero: o Bacalhau de Molho. Era assim. Os fadistas mais novos, da minha idade, que já cantavam em casas de fado tradicionais, quando terminavam de cantar nessas casas tradicionais, iam lá e lá então eles se divertiam, bebiam, conversavam... Aprendia-se muito da história dos fados tradicionais. Foi nesse ambiente que comecei a tocar no violão os fados, porque via como é que eles tocavam. E havia disponibilidade deles para ensinar.

Você vê isso como uma geração? É algo fechado? Você se integra a uma geração?
Eu acho que é um trabalho individual que, no fim, todos sairão a ganhar com isso. Mas não existe, acho eu, um trabalho de equipe, pensado...

Um movimento?
Não existe um movimento, uma Tropicália. Não existe nada disso. O que existe, sim, é uma série de pessoas que, com muita qualidade musical, cada um vai criando o seu público... Se calhar, quando o público ouve a mim, vai se interessar por Camené, Ricardo Ribeiro, Ana Moura, Carminho... E vice-versa. Os públicos vão se cruzando. É claro que há coisas pontuais que vão surgindo. Nas festas de Lisboa, vou cantar com Ana Moura ou com Carminho, vamos fazer concertos juntos e com Milton Nascimento, no final de junho. As festas de Lisboa são no mês de junho. Vamos fazer o concerto do encerramento.

Tem a ver com o São João, como no Brasil?
Em Lisboa é Santo Antonio. O dia de Santo Antônio é 13 de junho. São Pedro é 27. Mas tem, tem a ver com os santos de Portugal... Vai ter muitas festividade, concertos no Castelo São Jorge, shows no Museu do Fado, arraiais para as pessoas dançarem em vários sitios, principalmente nos bairros típicos.

A Amália, durante muito tempo, ajudou a afirmar o fado mundialmente. Mas, durante décadas, ela não projetou uma sombra sobre os novos fadistas?
Confesso que não sei. Mas a ideia que eu tenho, coincidência ou não, a Amália funcionava um pouco como eucalipto. Ela estava lá enquanto tudo à volta secava. Acho que não é propositado. Acho que isso, de fato, aconteceu, mas só aconteceu porque Amália tinha uma dimensão fora do comum. Nem sei se existe alguma coisa que se possa comparar no mundo. Porque ela tinha uma qualidade artística. Ela cantava e escrevia os poemas, fazias músicas, fazia tudo. Não fazia tudo em todos os discos. Mais pro fim da vida, até fez um disco só com os poemas dela.

Ela era aberta aos outros fadistas? Fazia saraus...
Era mais com poetas. Há um disco gravado dela com Vinicius. Com David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos... Tenho esse disco aí.

Vinicius gravou nele o "Poema dos olhos da amada", que você regravou.
Nesse disco ele gravou uma música feita para Amália, "Saudades do Brasil em Portugal".

Linda música. Vinicius diz numa das gravações que o português precisava tirar a gravata...
Eu adoro isso! Eu adoro ele dizer isso! Ele disse em 1969. Nós estamos em 2012 e, não digo todos, mas 70% dos portugueses ainda estão com a gravata apertada! (risos)

Em Portugal, só se fala em crise econômica. Nas TVs, nas ruas, nos jornais... Você acompanha essas questões políticas?
Claro que, como cidadão, me interesso. O que sei é através dos jornais e do que vejo na televisão, nas notícias. O que está a acontecer, hoje em dia, é claro que a culpa é de quem gere. Mas, neste momento, não há nada a fazer, não adianta culpar quem lá está, porque as medidas são inevitáveis. Portugal tem aquela coisa: desde o 25 de abril, apesar de existirem outros partidos, parece que o poder é bola de ping-pong: quatro anos no PSD, quatro anos no PS, quatro anos no PSD... É assim o tempo todo. Eu acho que as coisas precisam ter tempo para amadurecer. O que esse governo está a fazer, qualquer governo que lá estivesse, fosse o PS, a esquerda, a extrema esquerda, a extrema direita, teria que tomar essas medidas. São erros do passado. Erros graves.
Foi um deslumbramento grande quando Portugal entrou para a União Europeia e começou a receber aqueles subsídios todos. Achavam que recebiam esses subsídios e não precisavam trabalhar para produzir. Mas o dinheiro acaba. É o que está a acontecer agora. Há o endividamento das famílias, há uma série de fatores. Estava aqui a ver a greve dos transportes públicos... Não é esta a solução. Em vez de as pessoas estarem sempre a responsabilizar o poder, nós é que temos que assumir nossa responsabilidade individual. Os fadistas trabalham individualmente, mas, no fim, acaba sendo igual para todos, porque todos tentam durar em termos de qualidade. Isso faz com que o público se interesse mais. Cada um tem que assumir a sua responsabilidade e tentar produzir um pouco mais, tentar fazer um pouco mais, tentar fazer com que o País enriqueça. É esta a solução.

Literariamente, do que você se nutre para seu trabalho? Lê poesia, romance?
Eu leio muita coisa. Sei lá. O último livro que eu li foi o "Milagrário Pessoal", de José Eduardo Agualusa. Leio muita coisa, não tenho assim autores de eleição. Gosto muito de ler poesia, não só poetas de língua portuguesa, mas também Pablo Neruda, coisas assim.

Você chegou primeiro ao Vinicius da poesia ou da música?
Logo na altura em que conheci o Vinicius, alguém me ofereceu, ou eu comprei, já não lembro, um livro de crônicas dele, "Para viver um grande amor". Esse foi o primeiro contato mais intenso com Vinicius. A música, eu já conhecia. Já conhecia o João Gilberto, o "Chega de Saudade", aquelas coisas todas. Como escritor, foi esse livro. Depois, o Chico Buarque, gostei muito de "Budapeste". Enfim, literatura é o que vai surgindo, vou lendo. Em Portugal, há uma voga de autores novos: Pedro Paixão, que eu gosto imenso, Gonçalo M. Tavares, valter hugo mãe, Pedro Mexia, Maria do Rosário Pedreira, que escreve também poemas para eu cantar, o Agualusa, o Mia Couto... É um pouco por aí.

Para finalizar, uma informação a mais: qual o nome do disco novo?
Quinto.

Por causa do Quinto Império?
Não, não! (risos) É "Quinto" só. Por uma série de coisas. Tocamos em quinteto, é o meu quinto disco e... Como eu sou António, não sei como funciona lá, mas na escola nós todos temos uma numeração. Eu, por ser Antonio, estava sempre ali no número cinco (risos). Quintilhas é uma forma poética que não é usual, mas, por coincidência, a maior parte dos poetas me mandaram quintilhas. Foi assim pensado e decidiu-se ficar como "Quinto". Também por uma falta de paciência para imaginar nomes para o disco!

O resultado ficou bacana?
Sim, acho que está muito interessante. É um disco com muitos temas originais.

Os fadistas novos estão com essa preocupação de lançar novos compositores?
Sim. Agora sim. De algum tempo pra cá não tanto. Mas, nos últimos três anos, tem acontecido isso. Inclusive os autores têm se aproximado dos fadistas para fazer. O José Luis Peixoto, o valter hugo mãe, o Pedro Paixão... Sei lá, tanta gente. Existe esse interesse em colaborar com a música. O Agualusa escreveu para o meu disco, o "Guia", e escreveu para este. Há uma série de escritores com essa vontade.

* com Claudio Leal e Rodrigo Sombra, em Lisboa
publicado no Terra Magazine (1ª parte e 2ª parte) em 01.03.2012

09:14 | Posted in , , , | Read More »

Entrevista a António Lobo Antunes


via SIC Notícias - 19.10.2011

António Lobo Antunes, a propósito da publicação de Comissão das Lágrimas. Sempre um prazer ouvi-lo. Mesmo tendo que partilhar a mesa com as observações bacocas do Sr. Crespo.

12:46 | Posted in , , , , | Read More »

Encontrado lince-ibérico baleado com 32 chumbos no corpo


As autoridades espanholas encontraram este domingo um lince-ibérico morto em Aznalcázar, Sevilha. O animal, da espécie de felino mais ameaçada do planeta, tinha no corpo 32 chumbos. A WWF pede “tolerância zero”.
O lince foi encontrado domingo à noite entre duas propriedades agrícolas do município de Aznalcázar, segundo as autoridades ambientais andaluzas, citadas pelo jornal ABC de Sevilha. A necropsia realizada pelo Centro de Análises e Diagnóstico da Junta da Andaluzia encontrou 32 bocados de chumbo no corpo do lince.
Na mesma noite foi encontrado outro lince morto, atropelado na A-49, perto de Salteras, Sevilha.
Estima-se que existam apenas no mundo cerca de 200 linces-ibéricos (Lynx pardinus) em estado selvagem, em duas populações em Espanha: Doñana e Serra Morena. A população de Doñana terá cerca de 60 animais; apenas 18 são fêmeas.
“A época de reprodução terminou e os linces mais jovens, que já têm maturidade suficiente para andarem sozinhos, procuram novos territórios e espaços para caçar, o que faz com que se amplie a zona de influência do lince”, explicou à EuropaPress Francisco Javier Fernández, delegado de Ambiente da província de Sevilha.
Aquele centro de diagnóstico continua a tentar determinar as circunstâncias exactas da morte daqueles dois animais, avança a agência EuropaPress. Assim que seja possível, a Junta da Andaluzia vai abrir uma investigação para apurar responsabilidades.
Ontem, as associações ambientalistas WWF e Ecologistas em Acção pediram à Junta da Andaluzia e à Federação Andaluza de Caça “tolerância zero” com a caça ilegal. Para Juan Romero, porta-voz dos Ecologistas em Acção em Huelva, há uma “intenção” por detrás dos disparos. Por isso pediu uma "investigação rigorosa".
Felipe Fuentelsaz, responsável da WWF em Doñana, este foi um acontecimento “lamentável e um crime”. “Apesar dos esforços dos últimos anos, através dos programas Life da União Europeia e da colaboração com os caçadores na conservação do lince, o caso deste animal abatido a tiro não é o primeiro”, acrescentou Fuentelsaz à EuropaPress.
Na verdade, no final de Setembro de 2010 as autoridades espanholas encontraram na mesma região de Aznalcázar um lince-ibérico, de dois anos e meio, baleado por doze disparos. No ano passado morreram
sete linces em estado selvagem na região de Doñana. Este número significa que já se perdeu mais de dez por cento de uma das duas únicas populações viáveis do planeta.
Esta época de reprodução nos centros de criação em cativeiro em Portugal e Espanha terminou com o nascimento de 45 crias, das quais apenas sobreviveram 26. Hoje, o Programa de Criação em Cativeiro do Lince conta com um total de 92 animais: 19 linces em Silves, 39 linces em Olivilla (25 adultos e 14 crias), 30 linces em El Acebuche (18 adultos e 12 crias), três no Zoo de Jerez de la Frontera e sete em Granadilla.

publicado no Ecosfera

11:38 | Posted in , | Read More »

Portugal: "vá para fora cá dentro"



Documentário sobre Portugal, realizado pela espanhola TVE. Com a devida vénia ao Luís Monteiro e ao Bruno Sena Martins.

14:24 | Posted in , , | Read More »

Brasília inaugura semana de homenagem a Amália Rodrigues


O Tributo a Amália Rodrigues aberto hoje para o público na Embaixada portuguesa de Brasília mostrará a estreita relação que a fadista possuía com o Brasil.
"Pouca gente sabe, mas os primeiros discos da Amália foram todos gravados no Brasil. Em 1945, ela se apresentou no Rio de Janeiro e o concerto teve uma repercussão muito grande", contou o curador da exposição Jorge Rodrigues.
Fã confesso da cantora, Rodrigues é ele próprio dono da coleção que esta semana compartilha com o público brasileiro."Desde os 13 anos faço duas coleções: uma sobre a Amália e outra sobre cantores de ópera", explica o organizador, ao contar que a ideia de realizar o tributo surgiu após o grande sucesso registado durante outro evento cultural, relacionado com Amália, no ano passado, também em Brasília.

(...)

Entrevista à TV Tupi, conduzida pela actriz brasileira Mariza Urban, a momentos de Amália dar inicio a um espectáculo em São Paulo, no ano de 1979: PARA VER AQUI.


O Centro Cultural da Embaixada de Portugal em Brasília abre as portas, esta semana, para um conjunto de eventos em homenagem à memória da fadista Amália Rodrigues.
De acordo com nota da Embaixada de Portugal, os eventos têm a coordenação do radialista português Jorge Rodrigues, que tem assiduamente colaborado com o Instituto Camões/Brasília.

Confira o programa divulgado pela Embaixada:

Dia 2 de Agosto, terça-feira

Projeção do filme de Bruno Almeida “The Art of Amalia", um documentário exaustivo sobre a carreira de Amália Rodrigues

Dia 3 de Agosto, quarta-feira

Projeção de um concerto de Amália Rodrigues na Roménia
Lançamento do Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto, do brasileiro Carlos Cabral e do português Manuel Pintão

Dia 4 de Agosto, quinta-feira

Inauguração de exposição sobre Amália Rodrigues
Projeção de DVD gravado pela RTP - televisão pública portuguesa - sobre Amália
Jantar da Academia do Bacalhau em homenagem a Ana Paula Zacarias, embaixadora da União Europeia no Brasil.

Morada: 

INSTITUTO CAMÕES - EMBAIXADA DE PORTUGAL
SES Av. das Nações, Quadra 801, Lote 02 - CEP 70402-900 Brasília-DF
Tel: (0xx61) 3032.9600 - Fax: (0xx61) 3032.9634
Site oficial
E-mail: geral@institutocamoes.org.br

Quem foi Amália?

Amália da Piedade Rodrigues (Lisboa, 23 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999) foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.
Tornou-se conhecida mundialmente como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo.
Aparecia em vários programas de televisão pelo mundo fora, onde não só cantava fados e outras músicas de tradição popular portuguesa, como ainda canções contemporâneas (iniciando o chamado fado-canção) e mesmo alguma música de origem estrangeira (francesa, americana, espanhola, italiana, brasileira).
Marcante contribuição sua para a história do Fado, foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, depois de musicados. Teve ainda ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, Ary dos Santos, Manuel Alegre, Alexandre O’Neill.

via Portugal Digital




Amália Rodrigues o ícone do fado será homenageada na capital do Brasil a partir de amanhã e até quinta-feira, através de filmes sobre a sua carreira e vida. A organização é do Instituto Camões, em parceria com a embaixada portuguesa em Brasília, quando uma mostra sobre a sua vida for inaugurada.
A estreia sobre a sua vida realiza-se amanhã com a projecção do filme 'The Art of Amália' , do realizador português Bruno Almeida.
O filme relata os principais momentos da carreira da fadista, com excertos dos espectáculos mais marcantes da sua carreira.
Na quarta-feira, dia 3, será projectado o concerto que a artista deu na Roménia, em 1969. Nesse mesmo dia a embaixada promove um cocktail que marca o lançamento do Dicionário I lustrado do vinho do Porto, de Carlos Cabral e Manuel Pintão.
Para encerrar as comemorações, será inaugurada uma mostra sobre a cantora, com a exibição de um DVD gravado pela RTP em 1960.

via Correio da Manhã

10:40 | Posted in , , , , , | Read More »

Construção naval: Portugal passou de 26 mil trabalhadores para um milhar em 40 anos

Estaleiros Navais de Viana do Castelo

A indústria naval portuguesa já empregou 26.000 pessoas mas actualmente restam os Estaleiros Navais de Viana do Castelo como a última grande empresa de um sector que nunca se conseguiu levantar após a chegada dos construtores asiáticos.
O contra-almirante Victor Gonçalves de Brito, um dos maiores especialistas em indústria naval, recorda que o pico do sector foi atingido em meados dos anos setenta. Desde então o sector só tem perdido postos de trabalho, empresas e encomendas, até aos cerca de mil trabalhadores actuais.
“As crises económicas cíclicas desde 1973 fizeram reduzir a procura e desviar a indústria da construção naval desde a América do Norte e Europa para a Ásia. Mais recentemente a China e outros países vizinhos tornaram-se construtores com elevada quota de mercado”, justificou o especialista, à Lusa.


Gonçalves de Brito destacou-se no Arsenal do Alfeite, onde foi chefe de divisão de projectos, director técnico e presidente do Conselho de Administração. “Maior produtividade, menores custos de produção e condições de mercado distorcidas”, são os motivos na alteração do mercado.
Há cerca de 40 anos, só nos estaleiros de Viana do Castelo (ENVC), a construção e reparação naval empregava mais de 2.500 trabalhadores, na LISNAVE mais de 8.500 e em Setúbal (SETENAVE) cerca de 5.000. A estes somavam-se ainda 3.400 trabalhadores no Arsenal do Alfeite e cerca de 2.000 espalhados por outros estaleiros.
“A importação de soluções desenvolvidas no Ocidente permitiram a implantação da Ásia como principal centro da indústria naval de grandes navios e de embarcações de serviços”, explica.
A Europa foi relegada para “nichos de navios específicos de alta tecnologia, incluindo navios militares e equipamento para plataformas de exploração oceânica”, diz ainda o homem que liderou o Departamento de Construções da Direcção de Navios da Marinha portuguesa, entre 1994 e 2001.
Quanto a Portugal, os Estaleiros da Lisnave, com cerca de 300 trabalhadores e o maior da Europa na reparação naval, são uma “honrosa excepção” ao panorama em que a modernização e especialização das empresas nacionais simplesmente não foi feita.
“Portugal apenas deverá aspirar à construção de navios em nichos dentro dos nichos, aproveitando situações pontuais de ocasião, potenciando a diplomacia económica e valorizando a entrada na construção de navios militares de tecnologia média, marítimo turísticas e mais algumas outras oportunidades que aparecem esporadicamente”, afirma.
Além da conjuntura internacional e das dificuldades do país, Victor Gonçalves de Brito sublinha que “neste momento a indústria naval portuguesa debate-se com o problema adicional de falta de profissionais qualificados”.
“Mesmo que ocorresse uma viragem nas perspectivas de mercado de procura, a incapacidade de resposta seria um facto face à dita falta de recursos humanos qualificados e à descapitalização dos estaleiros que limita a respectiva actualização tecnológica e a inovação”, assume, ele que também foi presidente do Executivo dos ENVC, em 2010, onde trabalham cerca de 700 pessoas.
“Portugal deixou de ser competitivo”, admite.
Assinala que o país não tem custos de produção baixos, produtividade ou sequer capacidade de gestão “adequadas”. “E não dispomos de centro de excelência que disponibilizem rapidamente projectos técnicos inovadores e atractivos para os armadores, por total descapitalização das poucas estruturas de engenheiros e projectistas, existentes”, aponta.
Entre o “nicho tecnológico” ao alcance de Portugal, conta-se, defende ainda, a aposta nas renováveis.
“Sobretudo grandes estruturas oceânicas de energia, investigação e recolha de matérias prima para as águas sob controlo nacional, onde seja importante minimizar a distância do local de construção ao local de utilização”.

publicado em O Público


Comissão Europeia propõe reduções das pescas portuguesas até 20 por cento 

A Comissão Europeia propôs hoje reduções de até 20 por cento nas pescas em mares portugueses, no âmbito da diminuição dos totais admissíveis de pesca em 2006. Bruxelas justifica a redução do esforço de capturas nos mares da União Europeia com a necessidade de recuperar a existência de várias espécies.
O documento que o executivo comunitário coloca anualmente à consideração dos Estados membros prevê reduções de dez por cento nas capturas permitidas de lagostim, 15 de carapau, tamboril e biqueirão e 20 por cento de badejo.
No caso de outras espécies importantes para os pescadores portugueses, Bruxelas pretende manter o esforço nas capturas de linguado, solha, arinca e maruca e propõe um aumento de 12 por cento no caso da pescada.
No caso do carapau - a espécie sujeita a limites impostos pela União Europeia que é ainda economicamente a mais importante para os pescadores portugueses -, Bruxelas propõe uma redução de 15 por cento na costa de Portugal continental, de 20 por cento nos mares da Madeira e a manutenção do actual esforço das capturas nos Açores.
A Comissão Europeia também propõe que o aumento no Total Admissível de Pesca de pescada seja limitado por uma diminuição para 240 dias de esforço anual, o que corresponde numa passagem de 22 para 20 dias mensais.
As propostas da Comissão Europeia dizem respeito a cerca de 130 espécies de peixe que Bruxelas considera estarem "gravemente ameaçadas de esgotamento".
No entanto, as duas espécies mais importantes para os pescadores portugueses do ponto de vista económico não estão sujeitas a limites de pesca: polvo (35 milhões de euros de vendas nas lotas portuguesas em 2004) e a sardinha (31 milhões de euros). A seguir vem o carapau (19), linguado (11), pescada (sete), peixe espada preto (seis), lagostim (seis) e choco (5,5).
O Executivo comunitário pretende proteger os "’stocks’ biológicos sãos" preservando, na medida do possível, a actividade económica das frotas de pesca europeias.
A proposta da Comissão Europeia levou em consideração os pareceres científicos do Conselho Internacional para a Exploração do Mar e do Comité Cientifico, Técnico e Económico. O Instituto Português de Investigação Marítima participou nos trabalhos que levaram à elaboração dos referidos pareceres científicos.
Uma decisão final sobre os Totais Admissíveis de Captura para cada espécie e a quota para cada Estado membro será tomada na reunião dos ministros das Pescas dos 25, que se reúne a 20 e 21 de Dezembro, em Bruxelas.

publicado na Agência Lusa em 30.11.2005

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'Ideias de Origem Portuguesa': um excelente argumento para estancar urgentemente a 'fuga de cérebros'

A edição do concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, da Fundação Gulbenkian e da Fundação Talento, dedicada a Diogo Vasconcelos, premiou com 50 mil euros o projecto Reabilitar a Custo Zero, que deverá já ser posto em prática em Outubro. Primeiro o Porto, depois o mundo.
Uma ideia. O início de qualquer projecto começa com uma simples ideia que é depois trabalhada, organizada, planeada. Há uns meses atrás foi assim que tudo começou para o arquitecto José Paixão, de 27 anos, a viver em Viena, na Áustria. Quando soube do concurso FAZ - Ideias de Origem Portuguesa, uma iniciativa da Fundação Gulbenkian e da Fundação Talento, juntou-se a Diogo Coutinho, engenheiro civil, e Angélica Carvalho, futura arquitecta, e em conjunto criaram o projecto Reabilitação a Custo Zero. Com o pensamento nos prédios degradados na cidade do Porto, de onde são naturais, pensaram o que poderiam fazer para mudar a situação. Tiveram uma ideia e hoje foram premiados. Mal imaginavam há uns meses que se destacariam, primeiro entre as 209 candidaturas [ver: Listagem das Ideias], e, agora no fim, entre as dez finalistas. Ou se calhar, até já desconfiavam. “Estávamos na expectativa, trabalhámos muito e tínhamos consciência de que o nosso trabalho tinha qualidade e potencial”, revelou ao P2 José Paixão, mostrando-se cheio de vontade de começar a pôr o projecto a andar. “Aliás já estamos a trabalhar nesse sentido.”
O projecto, como o próprio nome indica, tem por base a criação de uma organização sem fins lucrativos para reabilitar as cidades a custo zero, através da ajuda de estudantes de Engenharia e de Arquitectura, não só de Portugal, mas de toda a Europa, que poderão voluntariar-se, assemelhando-se aos programas de mobilidade estudantil, como o Erasmus.
O júri, presidido por João Caraça, director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, e composto por Daniel Bessa, Diogo Vasconcelos (recentemente falecido), Isabel Almeida Rodrigues, Luísa Schmidt e Simone Duarte, destacou em comunicado que este é o projecto que “melhor cumpre os desígnios desta iniciativa, com base nos critérios de originalidade, inovação, potencial de impacto social e sustentabilidade”.
Para Luísa Valle, directora do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano, o concurso superou as expectativas, mostrando que Portugal tem talento e pode tornar-se num país melhor, através do reforço das relações entre “nós cá e os nossos portugueses lá fora”. “Portugal é cada vez menos rectângulo e cada vez mais o mundo. Não podemos permitir que se realize o divórcio com os portugueses no estrangeiro e a melhor forma de evitar isto é trabalhar com eles”, explicou a responsável, contando que desde que as ideias foram tornadas públicas, são muitos os interessados que querem apoiar e saber mais.
“Reabilitação a custo zero foi o projecto vencedor mas os outros nove finalistas também já venceram. As outras ideias que não chegaram aqui são os futuros vencedores.” Luísa Valle revelou que muitos dos projectos, apesar de não terem ganho o concurso, vão contar também com o apoio da Fundação Gulbenkian para que se concretizem. Entretanto, muitos privados têm também manifestado interesse em participar como José Paixão confirma. Quando a sua ideia foi publicada no P2, ainda não a tinha apresentado à Universidade do Porto mas também não foi preciso. A própria instituição não perdeu tempo e contactou os jovens. “Uma empresa de construção civil também já se mostrou interessada em apoiar-nos” e a Câmara Municipal do Porto também não quis ficar de fora. “Estamos a formalizar agora uma parceria e se tudo correr bem em Outubro arrancamos já com um projecto-piloto. Um edifício na Ribeira da Porto”, contou orgulhoso o arquitecto, revelando que com isto vai voltar para Portugal. “Estamos mesmo dedicados ao projecto, estamos a fazer os contactos não só com empresas e instituições como com as universidades lá fora. Acreditamos que para o projecto se tornar universal, tem que ser bem-sucedido no Porto.”
Luísa Valle não tem dúvidas de que o projecto, que representa também uma oportunidade para os jovens estudantes da área ganharem alguma prática e aprenderem, seguirá em frente. “É preciso perceber que tudo depende de nós e acreditarmos que conseguimos, é preciso participar na mudança e estes jovens entendem isto muito bem e estão cheios de vontade.”O sucesso e o interesse gerado foi tanto que o concurso vai voltar. O FAZ – Ideias de Origem Portuguesa vai tornar-se numa iniciativa bianual. “Pretendemos dar um melhor acompanhamento e ajudar mesmo os projectos que não venceram de forma a que consigam implementar-se no terreno, dando-os a conhecer a potenciais financiadores e investidores”, acrescentou a responsável.
Luísa Valle anunciou ainda que a edição deste ano é dedicada a Diogo Vasconcelos, recentemente falecido, que além de ter sido consultor da Fundação Gulbenkian e membro do júri da iniciativa, “representava o espírito de inovação e empreendedorismo que tanto contribuiu para um novo olhar sobre o mundo” [ver vídeo].

publicado em O Público

Cf. também:

# Site oficial: AQUI

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Descobertos nos Açores prováveis templos dedicados a deusa Tanit do séc. IV a.C.

Arqueólogos da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica localizaram no Monte Brasil, em Angra do Heroísmo, novos sítios arqueológicos, alguns dos quais poderão ser templos dedicados a Tanit, deusa cartaginesa, provavelmente do século IV a.C..

“Descobriu-se um conjunto significativo de mais de cinco monumentos do tipo hipogeu (túmulos escavados nas rochas) e de pelo menos três ‘santuários’ proto-históricos, escavados na rocha”, revelaram hoje à Lusa os arqueólogos Nuno Ribeiro e Anabela Joaquinito.
Um dos monumentos localiza-se no ‘Monte do Facho’ e possui estruturas tipo pias, associadas a canais provavelmente para libações, ‘cadeiras’ escavadas na rocha, um tanque cerimonial coberto pela vegetação e dezenas de buracos de poste, que confirmam a existência de coberturas leves destes espaços.
O segundo e o terceiro santuários localizam-se na área do Forte de São Diogo e foram descobertos no passado mês de Junho durante uma viagem de recreio.
Segundo os investigadores da APIA, “são grandes templos escavados dentro de monumentos do tipo hipogeu, de grandes dimensões, muito bem conservados, com uma planta quase triangular”.
Os especialistas adiantaram que “no primeiro existem quatro pias circulares, associadas a canais, visando a recolha de água doce e a realização de rituais com libações, associadas com a água, provavelmente associadas a sacrifícios”.
Quanto ao segundo ‘templo-santuário’ também escavado na rocha, do tipo hipogeu, “encerra no seu interior um tanque ritual, que se acede por pequenas escadas, tendo ao longo do seu interior um banco onde se praticavam abluções, possuindo ainda dois nichos onde se poriam a estátua da divindade”.
A APIA irá apresentar publicamente estas descobertas em congressos mundiais, que decorrem em Évora em Setembro deste ano (SEAC 2011) e em Florença (Itália) no próximo ano, no Simpósio de Arqueologia do Mediterrâneo.
Nuno Ribeiro e Anabela Joaquino apresentaram recentemente em Angra do Heroísmo um hipogeu e outros vestígios escavados na rocha, um no Monte Brasil e outro na ilha do Corvo.
“Estes vestígios podem indiciar um registo proto-histórico de povos que aqui tivessem permanecido por breves ou longos períodos, mas falta efectuar trabalho de prospecção arqueológica, que nunca foi feito, para se poderem tirar conclusões”, defendeu o especialista.
De acordo com Nuno Ribeiro, com estas descobertas “a data do povoamento dos Açores pode não ser a que a História refere mas outra dependente de estudos arqueológicos a estruturas e objectos existentes no arquipélago”.
Para efectuarem as investigações, os arqueólogos concorreram a um financiamento da Direcção Regional da Cultura dos Açores que foi recusado por falta de verbas.

via Agência Lusa
Deusa Tanit, no British Museum

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