Em análise: 'este' insólito 1º de Maio português

Os acontecimentos do dia, a saber, a celebração do Dia do Trabalhador e a polémica campanha de promoção do Pingo Doce, em análise no programa Contracorrente, a noite passada, na SIC Notícias.

1ª parte:




Convidados: António Saraiva (presidente da CIP) e Arménio Carlos (secretário-geral da CGTP).

2ª parte:





Convidados: Frei Fernando Ventura, Manuel Carvalho da Silva (ex-líder da CGTP e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra), João Duque (presidente ISEG) e Elísio Estanque (sociólogo).

Para ouvir:
  • Fórum TSF - Trabalhadores vs. Consumidores: o que é que a polémica ontem suscitada nos diz sobre o país que somos? AQUI 
  • Mixórdia de Temáticas - AQUI
Para ver:

Política Mesmo com Garcia Pereira e Silva Peneda (TVI24 - 01.05.2012)
Política Mesmo com Helena André, Manuel Carvalho da Silva, Luís pais Antunes e Francisco van Zeller (TVI24 - 02.05.2012)
Prova dos 9 com Pedro Santana Lopes e Fernando Rosas e Manuel Pizarro (TVI24 - 02.05.2012)

21:41 | Posted in , , , , , | Read More »

Fernando Lopes (1935 - 2012)

15:34 | Posted in , , | Read More »

"Notas de um 25 de abril com chuva"

por Fernando Alves
foto de Manuel Almeida
Ontem li no Express (um portal belga de negócios) uma ideia perturbadora colhida de um jornal de Frankfurt por Mylène Vandecasteele. Para lá da crise económica e dos perigos que cercam o euro, "a Europa começa a enfrentar uma outra ameaça, ainda discreta: o fim da democracia".
Tinha acabado de escutar, da boca do presidente, a longa lista de sucessos portugueses de uma década (que não o impediu de um diagnóstico cáustico, há um ano). Cavaco enalteceu, desta vez, o cartão pré-pago e a via verde do orgulho nacional mas não retomou a reflexão quantos aos limites para o sacrifício. Mais razoável se afigura que o lider da bancada maior da oposição tenha referido os limites do consenso. Não vale tudo, não pode valer tudo.
Um deputado da maioria exibiu, entretanto, o "certificado" que o povo lhe dera para estar ali e, do mesmo passo, sustentou que "o 25 de Abril tem autores mas não tem donos". Um dos "autores" respondeu-lhe que o povo não passou certificado para a "entrega de soberania". O "autor" recusou a pretensão de ser dono daquilo que, desde o próprio dia inaugural, "pertence ao povo".
E uma mulher antiga disse, na Avenida: "aquilo por que lutámos não existe agora". Afinal, talvez o deputado da maioria devesse ter referido, em vez de certificado, senhas de racionamento. E não penso em pão para a fome do estômago, o pão que começa a faltar nos bancos alimentares.
Outras notas alinhadas por Mylène Vandecasteele, num 25 de Abril à chuva: As regras da democracia supõem que os cidadãos possam dar com frequência uma palavra sobre a política, também sobre a política económica e sobre as medidas que estão a ser tomadas. Mas, cada vez mais, essa liberdade de expressão "é vista como um factor de instabilidade pelos mercados financeiros". Mylène lembra o facto de, em França, os mercados terem já começado a sancionar a popularidade de Hollande. Por isso ela escreve, em título: "Democracia na U.E: o povo é um elemento perturbador". Entretanto cita Joseph Vogel, um professor de literatura, que a propósito das decisões tomadas quase exclusivamente em resultado da negociação entre governos, banqueiros e banca central, fala em "sovietes da finança".
Ontem não vimos, ainda não vimos, banqueiros de cravo na lapela. Mas foi estranho vermos cravos na lapela de alguns que Joseph Vogel talvez incluisse num qualquer "soviete das finanças".
foto de Manuel Almeida
NOTA: A leitura não dispensa OUVIR AQUI.

10:36 | Posted in , , , , , | Read More »

Entrevista a Manuel Alegre: um novo livro, a poesia em tempo de crise e as críticas à destruição do Estado Social


via SIC Notícias - 18.04.2012

Nada está escrito, o novo livro de poesia de Manuel Alegre foi apresentado, esta segunda-feira, na Livraria Leya na Buchholz, em Lisboa. Ao longo de 88 páginas, o poeta e político escreveu, com ritmo - como gosta de frisar -, 55 poemas, divididos em sete capítulos. Trata-se do regresso do ex-candidato à presidência da República à poesia, depois de ter escrito Nambuangongo Meu Amor, publicado em 2008.
Na entrevista, além de declamar um dos novos poemas e falar sobre o livro e a poesia como arma de combate político, reflecte sobre a situação do país e a política do Governo, a crise mundial e o ataque generalizado ao Estado Social.

De quebra, fica outra conversa, ontem, na Antena 1, um dia depois do lançamento do novo livro. Apesar de mais breve, Alegre ganha mais lastro quando fala «do país de bandeira esfarrapada» e termina a declamar "A balada dos aflitos", poema dedicado à troika que abre Nada está Escrito.

# Para ouvir AQUI.

07:32 | Posted in , , , , , , | Read More »

Entrevista de Carvalho da Silva : sobre a crise em Portugal e no Mundo


via SIC Notícias - 18.04.2012

Ex-secretário geral da CGTP começou por ser chamado a comentar as propostas do dia do PS e as últimas previsões do FMI, mas foi muito além do repto. Como geralmente, aliás. Vale a pena assistir e equacionar com tempo os vectores de compreensão da crise que inteligentemente aponta. Vale a pena ponderar as «onze crises» que defende estarem entre-cruzadas no actual cenário de recessão. Vale a pena ver como quem sabe daquilo que fala, como quem fala com o fundamento que só a combinação da experiência/observação/estudo permite, esmaga em absoluto e sem nenhum esforço a prosápia superficial e pela rama de quem apenas gosta de se ouvir, enquanto vai alinhavando chavões repescados aqui e ali. Não fosse o habitual ruído causado por Mário Crespo e o tempo que consumiu ao entrevistado – que, delicadamente, lá se viu na obrigação de tentar corrigir erros de compreensão graves, imprecisões de terminologia várias, uso erróneo e sistemático de conceitos e outros inaceitáveis iguais, para evitar que o entrevistador se afundasse ainda mais na exposição grosseira da sua altaneira ignorância – e a conversa com Carvalho da Silva poderia ter sido ainda mais rica e proveitosa para quem assistia de casa.

Para compensar o ruído, fica esta outra entrevista (mais limpa!), ao programa "Gente que Conta", do último Domingo, conduzida por Paulo Baldaia para a TSF e João Marcelino, para o Diário de Noticias.

via TSF - 15.04.2012

# Para ouvir na íntegra: AQUI.

NOTA: A propósito do novo 'Observatório sobre Crises e Alternativas', referido nas entrevistas, conferir aqui e aqui.

23:22 | Posted in , , , , , | Read More »

Criticas e sugestões deste Governo para baixar o preço dos combustíveis... quando estava na oposição!

Antes da semana começar, uma coisa já é certa: os combustíveis voltam a aumentar 2ª feira. O preço da gasolina deverá atingir novos máximos históricos, subindo 1,5 cêntimos, enquanto o gasóleo passa a custar mais 0,5 cêntimos. Para situar: na 5ª feira, o preço médio da gasolina 95 já estava em 1,724 euros e o gasóleo chegava aos 1,478 euros.
O Governo insiste em «sacudir a água do capote» (para usar as palavras do próprio primeiro-ministro) e em não fazer nada. É certo que os valores internacionais do crude ditam as regras, mas existem medidas internas que podem ser tomadas para atenuar o efeito destes movimentos. Tanto Passos Coelho como Paulo Portas sabem disso. Ambos têm, aliás, várias propostas mas só quando estão... na oposição:


via SIC Notícias - 07.04.2012

Para espevitar uma resposta, podiam evocar-se alguns exemplos da gravidade da situação:


Mas como Passos Coelho não aprecia gente «piegas», pode ser que a coisa lá vá se for noutro tom. Quem sabe seguindo o exemplo do Ricardo Araújo Pereira e começando a gritar: "... Vão roubar, gatunos!!... Gatunos! Gatunagem!!":

"O preço da gasolina" - rúbrica 'Mixórdia de Temáticas" da Rádio Comercial (05.04.2012)

A ter em conta:


# Site da Direcção-geral de Energia e Geologia: Preço dos Combustíveis Online

20:12 | Posted in , , , , | Read More »

Em Portugal, nenhum médico respondeu a apelo para voluntariado a doentes oncológicos

Leio no Público:
Durante o mês de Março, a União Humanitária dos Doentes com Cancro (UHDC) promoveu uma campanha de admissão de médicos voluntários para ajudarem nas valências gratuitas do Núcleo de Apoio ao Doente Oncológico e na Linha Contra o Cancro. Nenhum médico respondeu ao apelo, lamenta a associação. (...) Actualmente são mais de dez as chamadas diárias para pedir apoio médico. “Cada vez aumentam mais as doenças oncológicas, cada vez há mais procura”, acrescenta.
A UHDC, que assinala no próximo sábado, Dia Mundial da Saúde, o seu 13º aniversário, criou a primeira linha telefónica do país de apoio a doentes com cancro, disponibilizou 9000 consultas de apoio psicológico, recebeu 20 mil chamadas para apoio a doentes com cancro e presta 14 valências gratuitas de apoio a doentes e familiares.
Só no último ano, a UHDC, que sobrevive exclusivamente de donativos e do trabalho dos voluntários, realizou 968 consultas de apoio psicológico, 1200 consultas de apoio hospitalar, 160 consultas de apoio médico, 44 consultas de apoio domiciliário e 44 consultas de apoio multidisciplinar a crianças com cancro, tendo ainda recebido 1936 chamadas de doentes oncológicos.

Vale escutar o Fórum TSF, do último dia 2 de Abril., e o debate aberto conduzido pelo Manuel Acácio sobre Política de saúde para a área oncológica, que teve como ponto de partida estudo elaborado por vários especialistas oncológicos.Testemunhos essenciais, de doentes, familiares, ouvintes em geral, bem como médicos, técnicos hospitalares e responsáveis do Governo. Essencial!
Sinopse: Queremos saber se o Estado está a cumprir o seu dever no tratamento e apoio aos doentes com cancro. Os principais especialistas médicos nesta área apontam falhas no sistema e defendem reformas urgentes para que todos os doentes sejam tratados de forma eficiente [parte 1 e parte 2].

# Para OUVIR AQUI.

Para ajudar a enquadrar um pouco a gravidade da situação:


De quebra vale assistir ao debate da última Segunda-feira no programa Prós e Contras, da RTP, sobre a actual política de saúde e a reforma hospitalar em curso.

# Para VER AQUI: 1ª parte | 2ª parte ou AQUI: 1ª parte | 2ª parte

    16:47 | Posted in , , , | Read More »

    Entrevista a Lula, 24h após notícia de remissão do tumor: «Sem voz estaria morto!»

    A Mônica Bergamo obteve um furo e tanto: conseguiu que as portas do quarto de Lula no hospital Sírio Libanês se abrissem e conversou com o ex-presidente em exclusivo. Recordando: Lula não concedia entrevistas a ninguém desde o início dos tratamentos, sendo que esta é a primeira e acontece 24h após o anúncio público da remissão do tumor. Esta manhã, a Mônica contou a Boechat, na antena da Band News FM, como foi o encontro e partilhou as suas impressões sobre o Lula que a recebeu: OUVIR AQUI.
    Segue a entrevista na íntegra.
    Lula depois da última sessão de radioterapia, em 17 de Fev. foto de Ricardo Stuckert
    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que teve mais medo de perder a voz do que de morrer, após a descoberta do câncer na laringe. "Se eu perdesse a voz, estaria morto."
    Um dia depois da notícia de que o tumor desapareceu, ele recebeu a Folha de S.Paulo para uma entrevista exclusiva num quarto do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde faz sessões de fonoaudiologia.
    Lula comparou a uma "bomba de Hiroshima" o tratamento que fez, com sessões de químio e radioterapia. Ele emocionou-se ao lembrar da luta do vice-presidente José Alencar (1931-2011), que morreu de câncer há exatamente um ano. "Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou."
    Quase 16 quilos mais magro e com a voz um pouco mais rouca que o normal, o ex-presidente ainda sente dor na garganta e diz que sonha com o dia em que poderá comer pão "com a casca dura".
    A entrevista foi acompanhada por Roberto Kalil, seu médico pessoal e "guru", pelo fotógrafo Ricardo Stuckert e pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

    [ENTREVISTA]

    Como o sr. está?
    O câncer está resolvido porque não existe mais aqui [aponta para a garganta]. Mas eu tenho que fazer tratamento por um tempo ainda. Tenho que manter a disciplina para evitar que aconteça alguma coisa. Aprendi que tanto quanto os médicos, tanto quanto as injeções, tanto quanto a quimioterapia, tanto quanto a radioterapia, a disciplina no tratamento, cumprir as normas que tem que cumprir, fazer as coisas corretamente, são condições básicas para a gente poder curar o câncer.

    Foi difícil abrir mão...
    Hoje é que eu tenho noção do que o Zé Alencar passou. [Fica com a voz embargada e os olhos marejados]. Eu, que convivi com ele tanto tempo, não tinha noção do que ele passou. A gente não sabe o que é pior, se a quimioterapia ou a radioterapia. Uns dizem que é a químio, outros que é a rádio. Para mim, os dois são um desastre. Um é uma bomba de Hiroshima e, o outro, eu nem sei que bomba é. Os dois são arrasadores.

    O sr. teve medo?
    A palavra correta não é medo. É um processo difícil de evitar, não tem uma única causa. As pessoas falam que é o cigarro [que causa a doença], falam que é um monte de coisa que dá, mas tá cheio de criancinha que nasce com câncer e não fuma.

    Qual é a palavra correta?
    A palavra correta... É uma doença que eu acho que é a mais delicada de todas. É avassaladora. Eu vim aqui com um tumor de 3 cm e de repente estava recebendo uma Hiroshima dentro de mim. [Em alguns momentos] Eu preferiria entrar em coma.

    Kalil [interrompendo] - Pelo amor de Deus, presidente!

    Em coma?
    Eu falei para o Kalil: eu preferiria me trancar num freezer como um carpaccio. Sabe como se faz carpaccio? Você pega o contrafilé, tira a gordura, enrola a carne, amarra o barbante e coloca o contrafilé no freezer e, quando ele está congelado, você corta e faz o carpaccio. A minha vontade era me trancar no freezer e ficar congelado até...

    Sentia dor?
    Náusea, náusea. A boca não suporta nada, nada, nada, nada. A gente ouvindo as pessoas [que passam por um tratamento contra o câncer] falarem não tem dimensão do que estão sentindo.

    Teve medo de morrer?
    Eu tinha mais preocupação de perder a voz do que de morrer. Se eu perdesse a voz, estaria morto. Tem gente que fala que não tem medo de morrer, mas eu tenho. Se eu souber que a morte está na China, eu vou para a Bolívia.

    O sr. acredita que existe alguma coisa depois da morte?
    Eu acredito. Eu acredito que entre a vida que a gente conhece [e a morte] há muita coisa que ainda não compreendemos. Sou um homem que acredita que existam outras coisas que determinam a passagem nossa pela Terra. Sou um homem que acredita, que tem muita fé.

    Mesmo assim, teve um medo grande?
    Medo, medo, eu vivo com medo. Eu sou um medroso. Não venha me dizer: 'Não tenha medo da morte'. Porque eu me quero vivo. Uma vez ouvi meu amigo [o escritor] Ariano Suassuna dizer que ele chama a morte de Caetana e que, quando vê a Caetana, ele corre dela. Eu não quero ver a Caetana nem...

    Qual foi o pior momento neste processo?
    Foi quando eu soube. Vim trazer a minha mulher para um exame e a Marisa e o Kalil armaram uma arapuca e me colocaram no tal de PET [aparelho que rastreia tumores]. Eu tinha passado pelo otorrino, o otorrino tinha visto a minha garganta inflamada.
    Eu já estava há 40 dias com a garganta inflamada e cada pessoa que eu encontrava me dava uma pastilha No Brasil, as pessoas têm o hábito de dar pastilha para a gente. Não tinha uma pessoa que eu encontrasse que não me desse uma pastilha: 'Essa aqui é boa, maravilhosa, essa é melhor'. Eu já tava cansado de chupar pastilha.
    No dia do meu aniversário, eu disse: 'Kalil, vou levar a Marisa para fazer uns exames'. E viemos para cá. O rapaz fez o exame, fez a endoscopia, disse que estava muito inflamada a minha garganta. Aí inventaram essa história de eu fazer o PET. Eu não queria fazer, eu não tinha nada, pô. Aí eu fui fazer depois de xingar muito o Kalil.
    Depois, fui para uma sala onde estava o Kalil e mais uns dez médicos. Eu senti um clima meio estranho. O Kalil estava com uma cara meio de chorar. Aí eu falei: 'Sabe de uma coisa? Vocês já foram na casa de alguém para comunicar a morte? Eu já fui. Então falem o que aconteceu, digam!' Aí me contaram que eu tinha um tumor. E eu disse: 'Então vamos tratar'.

    Existia a possibilidade de operar o tumor, em vez de fazer o tratamento que o senhor fez.
    Na realidade, isso nem foi discutido. Eles chegaram à conclusão de que tinha que fazer o que tinha que fazer para destruir o bicho [quimioterapia seguida de radioterapia], que era o mais certo. Eu disse: 'Vamos fazer'.
    O meu papel, então, a partir dessa decisão, era cumprir, era obedecer, me submeter a todos os caprichos que a medicina exigia. Porque eu sabia que era assim. Não pode vacilar. Você não pode [dizer]: 'Hoje eu não quero, não tô com vontade'.

    O senhor rezava, buscou ajuda espiritual?
    Eu rezo muito, eu rezo muito, independentemente de estar doente.

    Fez alguma promessa?
    Não.

    Existia também uma informação de que o senhor procurou ajuda do médium João de Deus.
    Eu não procurei porque não conhecia as pessoas, mas várias pessoas me procuraram e eu sou muito agradecido. Várias pessoas vieram aqui, ainda hoje há várias pessoas me procurando. E todas as que me procurarem eu vou atender, conversar, porque eu acho que isso ajuda.

    E como será a vida do sr. a partir de agora? Vai seguir com suas palestras?
    Eu não quero tomar nenhuma decisão maluca. Eu ainda estou com a garganta muito dolorida, não posso dizer que estou normal porque, para comer, ainda dói.
    Mas acho que entramos na fase em que, daqui a alguns dias, eu vou acordar e vou poder comer pão, sem fazer sopinha. Vou poder comer pão com aquela casca dura. Vai ser o dia!
    Eu vou tomando as decisões com o tempo. Uma coisa eu tenho a certeza: eu não farei a agenda que já fiz. Nunca mais eu irei fazer a agenda alucinante e maluca que eu fiz nesses dez meses desde que eu deixei o governo. O que eu trabalhei entre março e outubro de 2011... Nós visitamos 30 e poucos países.
    Eu não tenho mais vontade para isso, eu não vou fazer isso. Vou fazer menos coisas, com mais qualidade, participar das eleições de forma mais seletiva, ajudar a minha companheira Dilma [Rousseff] de forma mais seletiva, naquilo que ela entender que eu possa ajudar. Vou voltar mais tranquilo. O mundo não acaba na semana que vem.

    Quando é que o senhor começa a participar da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo?
    Eu acho o Fernando Haddad o melhor candidato. São Paulo não pode continuar na mesmice de tantas e tantas décadas. Eu acho que ele vai surpreender muita gente. E desse negócio de surpreender muita gente eu sei. Muita gente dizia que a Dilma era um poste, que eu estava louco, que eu não entendia de política. Com o Fernando Haddad será a mesma coisa.

    O senhor vai pedir à senadora Marta Suplicy para entrar na campanha dele também?
    Eu acho que a Marta é uma militante política, ela está na campanha.

    Tem falado com ela?
    Falei com ela faz uns 15 dias. Ela me ligou para saber da saúde. Eu disse que, quando eu sarar, a gente vai conversar um monte.

    E em 2014? O senhor volta a disputar a Presidência?
    Para mim não tem 2014, 2018, 2022. Deixa eu contar uma coisa para vocês: eu acabei de deixar a Presidência da República, tem apenas um ano e quatro meses que eu deixei a Presidência.
    Poucos brasileiros tiveram a sorte de passar pela Presidência da forma exitosa com que eu passei. E repetir o que eu fiz não será tarefa fácil. Eu sempre terei como adversário eu mesmo. Para que é que eu vou procurar sarna para me coçar se eu posso ajudar outras pessoas, posso trabalhar para outras pessoas? E depois é o seguinte: você precisa esperar o tempo passar. Essas coisas você não decide agora. Um belo dia você não quer uma coisa, de repente se apresenta uma chance, você participa.
    Mas a minha vontade agora é ajudar a minha companheira a ser a melhor presidenta, a trabalhar a reeleição dela. Eu digo sempre o seguinte: a Dilma só não será candidata à reeleição se ela não quiser. É direito dela, constitucional, de ser candidata a presidente da República. E eu terei imenso prazer de ser cabo eleitoral.

    publicado na Folha de S. Paulo em 30/03/2012

    Cf. também:

    12:29 | Posted in , , , , | Read More »

    Reportagem: Amazônia:'Labirinto Infinito'

    "Labirinto Infinito" é uma grande reportagem de Vanessa Rodrigues,com sonoplastia de Joaquim Dias, para a TSF. Quatro meses a percorrer uma selva ameaçada pelo homem, carregada de mitos e de desafios para os exploradores, no âmbito da nomeação da Floresta Amazónica para a eleição das sete maravilhas naturais do mundo, que decorrerá no próximo mês de Setembro.

    Passou este final de tarde na TSF. Repete no Domingo ao meio-dia.

    # Para OUVIR AQUI.

    23:15 | Posted in , | Read More »

    Jornalista Leonardo Sakamoto é indicado para prémio da 'Repórteres Sem Fronteiras'

    Esta segunda-feira celebra-se o Dia Mundial contra a Censura na Internet. A data foi instituída em 2008 pela ONG Repórteres Sem Fronteiras com o objectivo de alertar para os casos de cerceamento da liberdade de expressão ao redor do mundo e distinguir blogueiros, jornalistas ou ciberdissidentes que furam cortinas de silêncio nos seus países com o prémio Netizen (Net-Cidadão).
    Este ano, o jornalista brasileiro Leonardo Sakamoto, do Blog do Sakamoto, está entre os seis indicados ao prémio internacional Netizen.
    Amigo de longa data do Conexão, Leo acompanha faz tempo problemas como o desmatamento, as desigualdades sociais, a exploração laboral e os conflitos de terra com palco no Brasil. A Repórteres Sem Fronteiras apresenta-o destacando que: «em seu blog, Sakamoto escreve sobre conflitos sociais e ambientais, tendo um interesse particular pelas minorias indígenas do Brasil e o trabalho escravo».

    Concorrem com Sakamoto, na edição deste ano, os habitantes da vila de Wukan, na China, que se organizaram para protestar contra o confisco de terras e obrigaram o governo a negociar; o blogueiro Maikel Nabil Sanad, do Egipto, que chegou a ser preso pelo envolvimento nos protestos no Egipto e que, após ser solto, em Janeiro de 2012, não hesitou em voltar a criticar as Forças Armadas; Grigory Melkonyants e membros do NGO Golos, da Rússia, que criaram um mapa para os internautas postarem informações sobre fraudes eleitorais nas eleições presidenciais; os centros de media do Comitê de Coordenação Local, na Síria, que colectam e publicam informações sobre a situação do país; e o blogueiro Paulus Lê Van Son, do Vietnã, que escreve sobre política, sociedade, religião e direitos humanos. 
    O resultado será conhecido na segunda-feira (12) às 18h numa cerimónia que terá em Paris. O vencedor irá receber 2.500 euros (aproximadamente R$ 5,9 mil).

    # Entrevista a Leonnardo Sakamoto para OUVIR AQUI


    # Lista dos países "Inimigos da Internet 2012" (documento em pdf)

    [ACTUALIZAÇÃO]

    Saiu o resultado: o prémio Netizen 2012 foi para os cidadãos, activistas e jornalistas sírios do centro de media do Comité de Coordenação Local.



    Para ler na íntegra:

    Jasmine, a 27-year-old Syrian activist who lives now in Canada, accepted the award on behalf of the activists inside of the country

    Syrian citizen journalists and activists capture 2012 Netizen Prize

    Syrian citizen journalists and activists Monday were awarded the 2012 Reporters Without Borders Netizen Prize sponsored by Google.
    The media center of the Local Coordination Committees brings together groups of citizen journalists to collect and disseminate, in real time, information and images of Syria’s uprising. Jasmine, a 27-year-old Syrian activist who lives now in Canada, accepted the award on behalf of the activists inside of the country.
    “The Netizen Prize proves that our voices were heard and that we succeeded in delivering the stories of millions of Syrians who are struggling on the ground to achieve what they have always dreamed - to live in freedom and dignity,” Jasmine said. “Thank you for acknowledging our presence as an active and effective media organization.”
    Syrian journalists and bloggers are threatened and arrested by the government. International news organizations are, for the most part, kept out of the country. In their absence, the committees are almost the only way to keep the world abreast of the violence wracking the country. They emerged spontaneously following the start of the Syrian revolution last March, bringing together human rights activists and local journalists, and now are found in most cities and towns across the country.
    Informants on the ground send information and the committees confirm it from multiple sources. A third group translates the news into English and distributes it on the group’s website. Videos and pictures are posted on Facebook and on a photo blog.
    ‘There are millions of stories that made us cry, laugh, get mixed emotions since the uprising began,” Jasmine explained “We were talking to a mother of three detainees and she made us promise each other that no matter what, we will never stop covering the events of our beloved Syria."
    The award was distributed on World Day Against Cyber Censorship at a ceremony in Paris. 2012 nominees came from around the globe, from Russia to Syria to Brazil, China and beyond. Their geographic diversity is a reflection of the growing impact of the Net. Once connected, each one of us is now able to share our thoughts and observations with the world.
    But freedom of information remains fragile and digital segregation increases. Reporters Without Borders has counted 200 cases of netizens arrests in 2011, up 30% over the previous year. Five were killed. This is the highest level of violence against netizens ever recorded. More than 120 netizens are currently in jail for keeping us informed.
    "Netizens are more and more persecuted also because they have become instrumental in the news gathering process” said Dominique Gerbaud, President of Reporters Without Borders. Governments are clamping down with increasingly sophisticated methods of censorship, surveillance and repression. More than ever, Reporters Without Borders is proud to have established with Google’s support an award that recognizes and rewards the courage of netizens."
    Google products are blocked in about 25 of 125 countries in which the company operates. Forty countries engage in active censorship, up from four a decade ago. “The Internet allows courageous individuals in Syria and elsewhere to tell their story to the world,” said Google France President Jean-Marc Tassetto. “The Netizen Prize and our work with Reporters Without Borders testifies to our belief that access to information will lead to greater freedom and greater social and economic development.”
    Reporters Without Borders inaugurated the annual World Day against Cyber Censorship in 2008, with the aim of protecting a single Internet, free, and accessible to all. Google joined in 2010 to sponsor the Netizen of the Year award, which recognises a user, a blogger or a dissident who stood up for his work in defence of freedom of expression on the Net. An international jury of media experts, bloggers and representatives of Reporters Without Borders branches has voted to choose the winner who receives prize money of EUR 2,500.
    In 2010, the Netizen Prize was awarded to Iranian cyberfeminists. Last year, it went to Nawaat, a group blog run by independent Tunisian bloggers.

    Pictures of the ceremony here

    10:53 | Posted in , , , , , , , | Read More »

    Povos indígenas receiam «cowboys do carbono«

    Os representantes dos povos que habitam áreas de grande floresta temem que os seus interesses passem a não ser respeitados isto após ter passado a ser mais barato para países e empresas pagar para travar a desflorestação do que tornar mais amigas do ambiente as tecnologias que utilizam.
    Em noime da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana, Roberto Espinoza pediu a mudança do mecanismo das Reduções das Emissões de Carbono devido à Desflorestação e Degradação da Floresta (REDD) para que se evitem a proliferação dos chamados «comboys do carbono».
    «O tema do REDD tem de ser um processo transparente, o que não acontece quando se fala dos operadores privados. Os comboys do carbono estão a corromper o processo do REDD a nível mundial», acrescentou.
    Roberto Espinoza defendeu mesmo que o Peru está a ser vítima desta situação, a par de países como a Papua Nova Guiné e a Indonésia.
    Os representantes dos povos indígenas estão preocupados com o mecanismo das Reduções das Emissões de Carbono devido à Desflorestação e Degradação da Floresta, que passou a permitir que as empresas poluidoras negociem directamente com as comunidades locais. 
    Por seu lado, Sónia Guajajara, da coordenadora das associações indígenas da Amazónia, pediu a inclusão dos direitos neste novo mecanismo, que «não pode ser visto somente como uma questão de mercado».
    «Tem de ser visto como um fortalecimento das culturas, como valorização do modo de vida dos povos indígenas», acrescentou.
    À margem da Cimeira do Clima que decorreu em Durban, na África do Sul, este mecanismo passou a estar disponível para empresas poluidoras que queiram negociar directamente com as comunidades locais.
    Os povos da floresta pretendem a redução das emissões por desflorestação, contudo, querem que isto não esteja misturado com o mercado de carbono, uma situação que está a levar que alguns chefes índios estejam a assinar papéis que não sabem ler.

    # Trabalho de José Milheiro sobre o mecanismo de Redução de Emissões de Carbono devido à Degradação da Floresta, que passou na TSF: para OUVIR AQUI.

    Cf. também:

    19:00 | Posted in , , , | Read More »

    Dilma Rousseff força demissão de Nelson Jobim: Celso Amorim é o novo ministro da Defesa

    A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, pediu nesta quinta-feira ao ministro da Defesa que se demita, devido a declarações que este terá prestado à revista Piauí. Nelson Jobim terá dito que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, é “muito fraquinha” e que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”, adiantou o jornal O Globo.
    A confirmar-se a demissão, que já terá sido decidida por Rousseff e que deverá ser formalizada quando Jobim regressar de uma viagem oficial a Tabatinga, na fronteira do Amazonas com a Colômbia, esta será a terceira baixa no Governo brasileiro desde que tomou posse, a 1 de Janeiro deste ano.
    O antigo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, renunciou ao cargo no início de Julho, depois de ter sido envolvido num escândalo de fraudes em concursos públicos para obras supervisionadas pelo seu ministério. Ocupava a pasta desde 2003, no Governo de Lula da Silva. Um mês antes da sua demissão já tinha sido destituído o então ministro da Casa Civil, António Palocci, que se viu envolvido num escândalo de enriquecimento ilícito.
    Dilma Rousseff conversou com Nelson Jobim ao telefone e disse-lhe que, perante a polémica causada pelas suas declarações sobre os outros membros do Governo, ele deveria pedir a demissão. Caso contrário, não lhe restaria outra opção senão demiti-lo, noticiou o Folha de São Paulo.
    Jobim nega que se tenha referido de forma pejorativa ao trabalho de Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann, ao contrário do que é referido em excertos da entrevista à revista Piauí, que só chega amanhã às bancas, publicados pelo Folha de São Paulo.
    O ministro já tinha causado polémica quando tornou público, durante uma entrevista a uma estação de televisão, que votou em José Serra, candidato que Dilma Rousseff venceu na segunda volta das presidenciais disputadas no ano passado.
    Dilma Rousseff convocou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, para uma reunião de emergência que deverá decorrer hoje, noticiou O Globo. Ele e o senador Aldo Rebelo são apontados como prováveis sucessores de Jobim.

    publicado em O Público

    Leia abaixo trecho da reportagem da revista
    "Ao fim da cerimônia, à uma da tarde, Jobim foi para o gabinete do senador Fernando Collor, onde ficou por mais de uma hora conversando sobre a questão da liberação dos documentos sigilosos, projeto do qual o ex-presidente discorda. No amplo gabinete de Collor, enquanto o chefe falava com o senador de Alagoas, seus assessores recordavam episódios do tempo de caserna. Seu assessor parlamentar, o coronel Gonçalves, explicava porque, no meio militar, é mais difícil haver corrupção. "O cara que rouba é desprezado pelos outros", sustentou. E contou o seguinte caso da sua época de cavalaria.
    (....) Jobim deixou a sala de Collor e foi para o Ministério, onde almoçou rapidamente. Enquanto comia uma salada, comentou a discussão da liberação de documentos sigilosos do Estado. "É muita trapalhada, a Ideli é muito fraquinha e Gleisi nem sequer conhece Brasília", falou, referindo-se à ministra das Relações Institucionais e à da Casa Civil.
    Disse que o Collor não criaria empecilhos, mas que estava chateado porque, enquanto ele discutia o projeto, foi atropelado por um pedido de urgência na votação, feito pelo senador Romero Jucá, da base governista. "Ele se sentiu desrespeitado, não havia razão para o pedido de urgência", afirmou Jobim. Na conversa, Collor lhe contou que faria um discurso contra o projeto e Jobim lhe pediu que não o fizesse, no que foi atendido. "Eu disse a ele que havia muito espaço para negociação e que, se ele fizesse o discurso atacando o governo, estreitaria essa possibilidade." Perguntado sobre por que havia tantas idas e vindas no governo na relação com o Congresso, Jobim não teve dúvidas: "Falta um Genoíno para ir lá negociar."

    via Folha de S. Paulo

    Jobim diz que suas declarações foram tiradas do contexto

    Sob risco de deixar o governo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) negou na tarde desta quinta-feira que tenha se referido de forma pejorativa ao trabalho das ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).
    Após constranger o governo declarando ter votado em José Serra nas eleições de 2010, o peemedebista afirmou à revista "Piauí", cujos trechos foram antecipados pela colunista Mônica Bergamo na edição de hoje da Folha, que Ideli "é muito fraquinha" e que Gleisi "sequer conhece Brasília". A presidente Dilma Rousseff espera que o ministro antecipe-se e peça demissão do cargo.
    "Isso faz parte do jogo da intriga, da tentativa de desestabilizações. Ou seja, daquilo que passa pela cabeça de quem não percebe as necessidades do país", afirmou Jobim após cerimônia de assinatura de acordo entre Brasil e Colômbia para aumento da fiscalização na fronteira entre os dois países.
    De acordo com o ministro, suas declarações se referiam exclusivamente à discussão sobre a Lei de Acesso à Informações, em discussão no Senado, e foram tiradas do contexto. A edição da revista começa a circular amanhã.
    "Absolutamente [fez as críticas]. O que nós comentávamos, o que nós nos referíamos, era o projeto de lei sobre informações sigilosas. Em momento nenhum fiz referências dessa natureza. Aliás, reconheço em Ideli a capacidade e uma tenacidade importantíssimas na condução dos assuntos do governo", afirmou Jobim, também negando ter dito que o governo faz trapalhada.
    O vice-presidente Michel Temer, também presente à solenidade, defendeu o ministro, que integra o seu partido, o PMDB.
    "O ministro Jobim declarou que o contexto era a lei de informações públicas. A ministra Ideli e a ministra Gleisi têm um apreço pelo ministro Jobim, que se apoia em incentivo e práticas de elogio", disse o vice-presidente, completando: "Não haverá problema de nenhuma natureza. Reitero que o ministro Jobim não fez referência à pessoa ou à atuação da ministra A ou B, só em relação à aprovação do projeto de lei".
    O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), outro dos que foram a Tabatinga, comentou os rumores de que poderia substituir Jobim. "Há muita especulação. Meu trabalho é muito integrado ao do ministro Jobim. Qualquer coisa que se diga nesse momento é absolutamente especulação".
    Jobim ainda tem previsão de visitar um batalhão de fronteira, durante a tarde, na fronteira com a Colômbia.

    publicado na Folha de S.Paulo - 04/08/2011 

    Presidente constrange Jobim e cogita substituição

    A presidente Dilma Rousseff constrangeu ontem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao tratá-lo de forma protocolar durante evento oficial no Palácio do Planalto.
    Ela avalia a possibilidade de demiti-lo da pasta após Jobim declarar publicamente à Folha e ao UOL ter votado no tucano José Serra na eleição presidencial de 2010.
    Dilma ficou irritada com a declaração. Cogitou demitir Jobim, mas preferiu não fazer isso já. No governo avalia-se que, se o ministro tivesse pedido demissão, ela teria aceito na hora.
    Ontem, em um evento no Planalto, Dilma tratou o auxiliar com frieza ostensiva. Não o citou no discurso, como é praxe. O cumprimento entre ambos foi protocolar.
    Dilma já sabia da opção eleitoral do ministro por Serra desde o ano passado. Ainda assim, decidiu reconduzi-lo ao cargo por influência de Lula. Pesou a favor de Jobim seu reconhecimento no meio militar e seu trabalho para institucionalizar o Ministério da Defesa, criado há 12 anos.
    Ministro de Lula e Fernando Henrique, Jobim perdeu espaço sob Dilma. Deixou de ser mediador em negociações com o mundo jurídico e não conseguiu concluir a compra dos caças Rafale.
    O próprio Jobim confidenciou a amigos que não ficará por muito tempo no posto. A recente polêmica, porém, pode precipitar sua saída.
    Além de revelar o voto em Serra, o ministro afirmou que o tucano teria tomado as mesmas atitudes de Dilma se tivesse vencido a eleição.
    Essa foi a segunda controvérsia a incomodar o Planalto. Em junho, numa homenagem a FHC, o ministro havia dado declaração ambígua: "Os idiotas perderam a modéstia". Isso foi interpretado como uma referência à atual gestão. Ele negou.
    O Planalto registrou que Jobim revelou o voto em Serra na terça de manhã mas não antecipou a declaração, que seria publicada no dia seguinte, na reunião que teve com Dilma naquele dia. Ontem, integrantes do alto escalão tratavam da demissão sem cerimônia. Dilma chegou a ouvir de diversos interlocutores que o melhor seria demiti-lo de imediato.
    Na segunda, o ministro dará entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura.

    publicado na Folha de S.Paulo - 30/07/2011  

    Ministro de Dilma, Jobim diz que votou em Serra em 2010

    O ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), disse nesta terça-feira (26) ter votado em José Serra (PSDB) na eleição de 2010. Segundo ele, a então candidata Dilma Rousseff (PT) sabia de sua preferência pelo tucano. Depois de se eleger e de convidá-lo para o ministério, a petista não teria mais tocado no assunto.
    O ministro participou da estreia do programa "Poder e Política - Entrevista", conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.
    Além de revelar o voto em Serra, Jobim disse que o tucano teria tomado as mesmas atitudes de Dilma se tivesse vencido a eleição e fosse confrontado com escândalos como os que derrubaram os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes).
    Na entrevista, Jobim respondeu a perguntas sobre vários temas. Falou, por exemplo, sobre sigilo eterno de dados públicos, documentos da ditadura militar que foram destruídos, relação de dissidentes do PMDB com o governo Dilma e a perda de poder do Ministério da Defesa sobre a Aviação Civil.


    publicado na Folha de S.Paulo - 27/07/2011 

    Nelson Jobim ataca Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann e deve ser demitido nesta quinta-feira

    A presidente Dilma Rousseff deve demitir o ministro da Defesa, Nelson Jobim, nesta quinta-feira, segundo informou o colunista do GLOBO, Jorge Bastos Moreno, pelo Twitter . "Dilma, que havia adiado a saída de Jobim, não vai esperar mais ministro pedir demissão. Deve demiti-lo até o fim do dia", postou ele no microblog.
    Nelson Jobim teria dito à revista "Piauí" que a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, é "muito fraquinha" e que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, "nem sequer conhece Brasília". A revista chega às bancas na sexta-feira e, segundo a "Folha de S. Paulo" , traz outra crítica de Jobim ao governo Dilma. Sobre a discussão do "sigilo eterno" de documentos, o ministro da Defesa ataca os governistas: "É muito trapalhada".
    Na semana passada, o ministro da defesa também provocou polêmica após dizer, em entrevista a Folha de S. Paulo , que tinha votado em Serra em 2010. A declaração provocou reação dos petistas e desconforto com a presidente Dilma. O ex-presidente Lula ainda defendeu Jobim , mas as novas declarações dadas à revista Piauí complicam ainda mais a situação do ministro

    publicado em O Globo - 04/08/2011

    Cf. também:


    Dilma aceita pedido de demissão de Jobim e Celso Amorim é o novo ministro da Defesa

    O novo ministro da Defesa, Celso Amorim , em foto de Gustavo Miranda

    Em sete meses de governo, a presidente Dilma Rousseff demitiu nesta quinta-feira o terceiro ministro, todos indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram três demissões em apenas dois meses. Depois de Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes), foi a vez de Nelson Jobim deixar o Ministério da Defesa. O PMDB, partido de Jobim, tentou ficar com o posto, mas Dilma escolheu outro ex-ministro de Lula, o embaixador aposentado Celso Amorim, que foi chanceler de 2003 a 2010.
    Jobim perdeu o cargo depois de várias provocações à presidente, com quem nunca teve uma relação próxima. Sua saída foi decidida por Dilma ainda na noite de quarta-feira, quando ela soube do teor das declarações de Jobim à revista "Piauí" .
    Nos últimos dez dias, o ministro provocou polêmicas no governo, culminando com a revelação, à "Piauí", de um diálogo com a presidente sobre a contratação do ex-deputado petista José Genoino para a assessoria do Ministério da Defesa e também do que pensa sobre as ministras Ideli Salvatti - "bem fraquinha" - e Gleisi Hoffmann - "nem conhece Brasília". No caso de Genoino, Jobim contou à revista que, quando Dilma lhe perguntou se ele seria útil como assessor na Defesa, teria respondido: "Presidente, quem sabe se ele pode ser útil ou não sou eu". Para Dilma, isso foi a gota d'água.
    Jobim entregou a carta de demissão à presidente pouco depois das 20h, 15 minutos após desembarcar na Base Aérea de Brasília, num encontro rápido e frio no Palácio do Planalto que durou cerca de cinco minutos. Ele estava em Tabatinga (AM) quando recebeu um telefonema de Dilma, depois do almoço. Ele só voltaria a Brasília no fim da noite, mas ela pediu que ele antecipasse o retorno, pois não queria protelar a exoneração.

    Para militares, insubordinação

    O anúncio oficial da demissão de Jobim foi feito pela ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, por volta de 20h15m. Ela também disse que Dilma havia convidado Amorim para o cargo. Amorim é o segundo diplomata a ocupar o Ministério da Defesa e chegou a ser citado para o cargo em outras crises na pasta. O embaixador José Viegas foi o primeiro ministro da Defesa de Lula, depois substituído pelo então vice José Alencar.
    Da área militar, a presidente Dilma recebeu sinalizações, logo cedo, de que, apesar da atuação de Jobim no Ministério da Defesa, os comandantes não concordavam com o "comportamento de insubordinação" do ministro em relação à comandante-em-chefe das Forças Armadas.
    A presidente foi rápida na substituição de Jobim porque já tinha tomado a decisão de tirá-lo do posto desde que ele explicitou, em entrevista ao portal UOL, que tinha votado no tucano José Serra, no ano passado. Dilma tinha conhecimento disso, mas considerou deselegante e inoportuno ele confessar publicamente o voto em Serra. E ainda acrescentar que, se o tucano fosse o presidente, faria a mesma faxina que Dilma fez nos Transportes.
    A saída de Jobim já era dada como certa pela classe política desde as primeiras horas do dia. Tanto adversários como amigos do peemedebista diziam que ele havia extrapolado e perdido as condições de continuar no cargo. Já a escolha de Celso Amorim para a Defesa dividiu opiniões entre políticos governistas e de oposição.
    - Achei a escolha brilhante. Um nome muito preparado, uma solução muito boa. É um diplomata com grande experiência governamental, ficou oito anos no Ministério de Relações Exteriores e tem grande afinidade com Lula - disse Paulo Teixeira (SP), líder do PT na Câmara.
    O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), também elogiou a escolha de Amorim:
    - É uma bela escolha da presidente Dilma. Ótima escolha.
    Já o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), avaliou como temerária a ida de Amorim para um cargo estratégico como a Defesa, por seu viés esquerdista e sua política de aproximação com ditaduras, como a do Irã. Disse que Jobim era de competência incontestável e disciplinou as Forças Armadas.
    - Jobim foi trocado por um fanático esquerdista. Isso é um perigo na Defesa pelo seu passado de aproximação com ditaduras e suas ligações com Cuba e Venezuela. Muito mais que uma crítica, vejo a solução como extremamente temerária para um cargo estratégico de defesa nacional. Só falta o Amorim levar o Marco Aurélio Garcia e o Samuel Pinheiro Guimarães. Acho que será um desastre! - comentou Demóstenes.
    Mesma preocupação foi manifestada pelo líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP):
    - Espero que ele (Celso Amorim) não deixe se contaminar com o viés político-ideológico, o que muita vezes ocorreu no Ministério das Relações Exteriores. Gostaria de lamentar a saída de Jobim, com um currículo extremamente qualificado.
    - Essa é uma colocação totalmente descabida! Qualquer que fosse o ministro iria executar a política da presidente Dilma. A política externa implementada por Amorim não tinha viés ideológico. É um nome muito adequado para o cargo - retrucou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).
    Antes mesmo da oficialização da demissão de Jobim, já havia se estabelecido uma acirrada disputa entre petistas e peemedebistas pelo comando do Ministério da Defesa - nenhuma das partes ganhou. A lista de candidatos citados ao longo do dia tinha quase uma dezena de nomes: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o vice-presidente Michel Temer; o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP); o ministro Moreira Franco, que o PMDB tentou emplacar; e até o ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence, que era visto como uma solução institucional. O nome de Celso Amorim também entrou nessa lista, mas com algumas ressalvas de que ele teria resistência junto às Forças Armadas.


    publicado em O Globo - 04/08/2011

    Cf. também:

    via CBN:


    Declarações de Nelson Jobim criaram polêmicas no governo Dilma
    Declarações de Nelson Jobim criaram polêmicas no governo Dilma

    Quem morre pela boca é peixe, não pavão

    por Lucia Hippolito
    Alguém realmente acredita que o ministro Jobim disse o que disse sem pensar, inadvertidamente?
    Só quem não o conhece.
    Jobim e Dilma Rousseff nunca se bicaram. Nunca se entenderam. Não se suportam.
    Mas Lula, sempre ele, pediu a Dilma que mantivesse Jobim no Ministério da Defesa, alegando que ele se dá bem com os militares, que o plano nacional de defesa estava bem encaminhado, que isso, que aquilo. Resultado: Jobim ficou no ministério.
    Mas o ministro não queria ficar.
    Comprou apartamento em São Paulo, queria sair do governo para, quem sabe, candidatar-se a um cargo no ano que vem, ou mesmo trabalhar com o amigo José Serra numa eventual prefeitura do amigo e padrinho — isso se Serra decidir ser candidato a prefeito em 2012.
    Talvez candidato a vice de Serra em 2014.
    O fato é que Jobim decidiu sair do governo. Mas não queria pedir demissão.
    Se pedisse, Dilma se sentiria livre para nomear quem quisesse. E Aldo Rebelo (PCdoB)  já se assanhava para assumir a pasta.
    Mas o PMDB considera que a pasta da Defesa é do partido. Para isso, Jobim precisava ser demitido por Dilma.
    Daí a sequência infindável de grosserias, manifestações de falta de educação, descortesia, arrogância, pavonice.
    Tudo de caso pensado. Tudo de lingua trançada com a cúpula do PMDB.
    Por trás das cortinas, movimentava-se Wellington Moreira Franco, atual secretário de Assuntos Estratégicos, cargo decorativo, que significa praticamente coisa nenhuma.
    Moreira está há semanas articulando para credenciar-se junto às Forças Armadas como sucessor de Jobim.
    Moreira é ligadíssimo ao vice-presidente Michel Temer. Bingo!
    Ali não tem nenhum bobo.
    Jobim é um pavão, não é um parvo. Jamais faria um papelão desses se não houvesse um projeto que o justificasse.
    Peixes morrem pela boca. Pavões abrem o leque e cumprem missões.
    Mas… Como ensinava o dr. Tancredo Neves, esperteza quando é muita, cresce e come o dono.
    De nada adiantou a armação de Jobim, Moreira e Temer.
    O escolhido de Dilma foi o ex-chanceler Celso Amorim.
    Que Deus se apiede das Forças Armadas!

      21:29 | Posted in , , , | Read More »

      Actuais hábitos alimentares dos indígenas brasileiros está a arruinar-lhes a saúde

      A aproximação com o modo de vida ocidental - que inclui sedentarismo e alimentos industrializados - ampliou entre os índios de Mato Grosso a prevalência de males da vida moderna, como obesidade e diabetes. A constatação é de médicos pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que, desde 1965, presta atendimento médico aos índios do parque do Xingu. Há quatro anos, a instituição avalia as condições de saúde dos xavantes, que habitam o leste de Mato Grosso.
      A instalação de fazendas e o surgimento de estradas e cidades no entorno das terras indígenas vêm alterando rapidamente o estilo de vida dos índios. O consumo de alimentos tradicionais (milho, mandioca e abóbora) caiu, assim como a frequência de atividades que exigem esforço físico, como a caça.
      "A introdução maciça de alimentos industrializados, associada a mudanças no modo de viver desses povos, provocou o aparecimento de casos de hipertensão arterial e diabetes", diz o médico sanitarista Douglas Rodrigues, do departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, que integra o projeto. As comunidades mais isoladas e que mantêm o modo de vida tradicional ainda têm uma condição de saúde mais favorável, diz o médico.
      O reflexo dessas mudanças vem sendo analisado entre índios xavantes, em uma parceria da Unifesp com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).
      A coleta mais recente - feita entre 15 e 24 de abril em duas áreas com quase 4.000 índios - revelou que mais da metade dos maiores de 20 anos têm diabetes ou estão prestes a desenvolver a doença. A prevalência de sobrepeso e obesidade chega a 82% entre os adultos.
      O endocrinologista João Paulo Botelho Vieira Filho, um dos coordenadores do estudo, diz que até 1987 havia registro de apenas três índios diabéticos nesses locais. "Estamos diante de uma epidemia", afirma. A mudança nos hábitos não é o único fator de risco. Vieira Filho participou do estudo internacional que descreveu o gene ABCA1 ""uma variante que favorece o acúmulo de gordura no organismo e que já foi identificada em populações indígenas do Brasil, dos EUA e do Canadá.
      "Essa característica era uma vantagem no modo de vida tradicional, em que não havia alimento garantido e era necessário acumular energia. Em um contexto de sedentarismo e dieta industrializada, o efeito é trágico."
      As áreas xavantes já registram casos de catarata, insuficiência renal e amputações decorrentes do diabetes.
      O consumo de refrigerantes é alto, assim como o de bolachas recheadas e açúcar --fornecido em cestas básicas pelo governo federal.
      "Não estamos falando de casos tratáveis de pneumonia ou tuberculose. São doenças crônicas graves. É preciso uma ação urgente, principalmente para reeducar os mais jovens", diz Vieira Filho.

      # crónica do Ruy Castro na Band News sobre o assunto: para OUVIR AQUI.

      15:45 | Posted in , , | Read More »

      Última edição do programa "O Eixo do Mal": Especial Eleições e ... um extra do "Governo Sombra" sobre o mesmo tema



      Ontem na SIC Notícias, já madrugada alta e excepcionalmente ao domingo, para um 'Especial Eleições' com comentários aos resultados das Legislativas 2011: Clara Ferreira Alves, Daniel Oliveira, Luís Pedro Nunes, Pedro Marques Lopes e Nuno Artur Silva.
      Para ver ou rever na íntegra.
      (...)

      Num registo diferente, mas igualmente a valer a pena, fica também a 'reunião extraordinária' do "Governo Sombra":


      [versão opcional: só em áudio]

      Excepcionalmente, João Miguel Tavares, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira e Carlos Vaz Marques trocaram os estúdios da TSF pelo bar Frágil, no Bairro Alto.
      Como os próprios explicaram: «depois de contados os votos, dos discursos de vencedores e derrotados», nada como o mítico espaço, no tradicional bairro lisboeta das tertúlias e boémias, para «o digestivo da noite eleitoral».
      Enquanto «uns beberam para comemorar, outros beberam para esquecer» e, 'nos entretantos', ficaram os comentários e a «reunião extraordinária que faltava».

      16:05 | Posted in , , , , , | Read More »

      Dilma recebe Chávez mas não vai receber a Nobel da Paz Iraniana


      Leio em O Estado de S.Paulo:
      A presidente Dilma Rousseff decidiu não se encontrar com a advogada iraniana e Nobel da Paz Shirin Ebadi, que chega ao Brasil na terça-feira. Principal voz da oposição a Teerã no exílio, Shirin será recepcionada no Palácio do Planalto apenas pelo assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. 
      "Se Dilma defende os direitos humanos e as mulheres, ela me receberá", insistiu a iraniana em entrevista ao Estado. O governo brasileiro, porém, acredita que receber a ativista enviaria "a mensagem errada".
      A decisão do Planalto vai na contramão da mudança na diplomacia para os direitos humanos que Dilma vinha conduzindo até agora. Antes de tomar posse, a presidente criticou publicamente a abstenção do Itamaraty em uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU condenando o apedrejamento de mulheres no Irã. Dilma chamou de "ato bárbaro" a lapidação, posição reiterada em entrevista ao jornal Washington Post.
      Em março, Dilma rompeu com o padrão de voto do governo Lula nas Nações Unidas e apoiou a criação de um relator especial para o Irã – sob críticas do ex-chanceler Celso Amorim. Uma semana depois, Shirin foi convidada a um jantar na embaixada do Brasil em Genebra.
      "Dilma recebeu a (cantora) Shakira, mas se recusa a se encontrar com uma mulher Nobel da Paz?", questiona Flávio Rassekh, representante da advogada no Brasil. "Ainda não desistimos e vamos continuar tentando organizar esse encontro."
      Oficialmente, o Planalto justifica que, pelo protocolo, a presidente recebe apenas chefes de Estado e de governo. "Dependendo da agenda", ministros de países estrangeiros e outras personalidades – como, por exemplo, os integrantes do U2 – conseguiram uma audiência com Dilma.

      e, o mesmo jornal, leio também:
      Em meio à crise envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidente Dilma Rousseff reservou parte da agenda desta segunda-feira para receber o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. É o primeiro encontro dos dois chefes de Estado desde a posse de Dilma, em janeiro. Chávez, que foi recebido 16 vezes pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2010, usará a visita para mostrar sintonia com o governo Dilma, observam assessores do Planalto.
      Temas polêmicos como a parceria das estatais Petrobras e PDVSA não estão na agenda do encontro. A visita terá caráter meramente protocolar, avaliam auxiliares de Dilma. Os dois presidentes deverão assinar apenas acordos formais em parceria já consolidada na área de fronteira.
      Em nota, o Itamaraty observou que o encontro de Dilma e Chávez ocorre em momento de "recuperação" do comércio bilateral, após retração em 2009, em decorrência da crise financeira internacional. Dados do Itamaraty indicam que, em 2010, o comércio bilateral totalizou US$ 4,6 bilhões - um aumento de 11,8% em relação ao ano anterior. O Brasil exportou US$ 3,8 bilhões e importou US$ 832 milhões.

      A conclusão não tem grande volta a dar: Dilma encontrou uma manhã na agenda para receber Hugo Chávez, mas não uma hora de disponibilidade para receber Shirin Ebadi. O Planalto bem pode alinhar justificações, mas o que fica é que - mesmo não sendo o dia elástico, nem tendo mais de 24h - Dilma preferiu tempo com o presidente da Venezuela, ditador com obra vasta em matéria de violação de Direitos Humanos (um vídeo exemplar), do que com a activista humanitária, Nobel da Paz consagrada por trabalho feito em defesa da mesma área.

      Creio que Dilma faz mal, muito mal, em agir deste modo. A decisão traduz uma inversão no plano das convicções que vem tornando públicas e uma contradição abissal com a orientação diplomática que, desde o início, a diferenciou de Lula. Mais: ao fazê-lo envia um péssimo sinal ao Mundo, no que respeita ao posicionamento do governo brasileiro quanto a questões de Direitos Humanos.

      A recusa em receber Shirin acontece, precisamente, num momento em que os olhos andam postos nos países emergentes, cobrando que o crescimento económico aconteça a par com uma maturidade social que combata todo e qualquer tipo de desrespeito ou desigualdade de direitos fundamentas. Dilma não só sabe disso como tem, ela própria, assumido essa mesma bandeira, considerando-a uma meta decisiva a cumprir e defendendo, inclusivamente, - quer junto dos BRIC, quer dos vizinhos da América Latina - que sem a sua justa consolidação nenhum desenvolvimento se poderá alcançar de forma consistente. Basta, aliás, recuar uns dias e escutar as ideias que advogou durante a apresentação do Plano Brasil Sem Miséria ou do anúncio da data de arranque da 2ª fase do programa Minha Casa, Minha Vida, e que se encontram pressupostas nos próprios projectos (já para não falar no miolo nuclear do seu Programa de Governo).
      A um país como o Brasil, que aspira a assumir cargos de topo na governança internacional do Mundo, não basta olhar para dentro das suas próprias fronteiras. Exige-se que mostre ser capaz de firmeza na prossecução incondicional de princípios e valores universais.

      Shirin lutou pela Revolução Islâmica acreditando na promessa de democracia e justiça de aiatolá Khomeini. Hoje refere-se ao episódio como «a revolução traída». Forçada ao exílio desde 2009, a activista é uma das principais vozes em favor da liberdade, justiça e Direitos Humanos universais no Mundo. É inquestionável o papel que tem desempenhado, nomeadamente, na defesa da condição das mulheres: as tais que Dilma tem visado com os seus ideais de 'empowerment', elegendo-as - por exemplo - como motor central do sucesso do Bolsa Família.
      Creio, portanto, que mais do que cometer um erro ao não receber a Nobel da Paz, Dilma Rousseff perdeu uma extraordinária oportunidade de provar que, em matéria de Direitos Humanos, o governo do Brasil não vacila nem cede, que não se intimida com possíveis embaraços nas relações bilaterais com países - como, por exemplo, o Irão - e muito menos recua mediante formalidades inerentes a parcerias de interesse económico estabelecidas - como, neste caso, com a Venezuela.

      protesto organizado por estudantes venezuelanos, no dia 2 de Junho, frente ao Supremo Tribunal de Justiça, em Caracas. fotos: Reuters

      (...)

      Segue em baixo, na íntegra, a entrevista de Shirin mencionada na notícia e um texto do Gustavo Chacra, que vale ler: Porque o Brasil tem medo de Irão?.


      [ENTREVISTA A SHIRIN EBADI]

      A poucos dias de aterrissar no Brasil, Shirin Ebadi diz não ter perdido ainda as esperanças de ser recebida pela presidente Dilma Rousseff – por quem guarda "grande admiração e respeito". A advogada iraniana, ganhadora do Nobel da Paz de 2003, comemora o fato de o Brasil ter levado pela primeira uma mulher ao poder e pressiona: "Se Dilma defende os direitos humanos e as mulheres, sei que ela vai me receber".
      Shirin concedeu a entrevista ao Estado em farsi, através do Skype, de Londres. Em 2005, com a chegada de Mahmoud Ahmadinejad à presidência, ela viu-se obrigada a partir para o exílio. Entre as perguntas do repórter, a advogada iraniana disse ao tradutor várias vezes que teme por sua vida.

      O governo brasileiro afirmou que a presidente não vai recebê-la pessoalmente. Que resposta a senhora dá à essa recusa?
      Desejo e espero me encontrar pessoalmente com a presidente Dilma. Ainda tenho esperança de que isso ocorra. Guardo uma grande admiração e respeito por ela. Considero muito significativo o fato de Dilma ter sido a primeira mulher eleita presidente do Brasil. E é por isso que gostaria de me encontrar com ela. Quero, sobretudo, parabenizá-la por sua conquista.

      E se a presidente não mudar de ideia e continuar a evitar um encontro com a senhora, isso significará uma derrota?
      De jeito nenhum, não há derrota. Para mim, o aspecto mais importante da minha viagem ao Brasil é o encontro com grupos e pessoas organizadas que trabalham pelo bem-estar da população. Se Dilma defende os direitos humanos e os direitos das mulheres, sei que ela também vai me receber.

      A senhora parece indicar que não se contentará com um encontro com outras autoridades, como o assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ou o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota.
      Como disse, tenho respeito e admiração pela figura da presidente Dilma e quero falar com ela sobre vários temas, incluindo os direitos das mulheres. Mantenho minha esperança de que esse encontro possa ocorrera, apesar de tudo.

      Em março a senhora elogiou a mudança que Dilma promoveu em relação à promoção dos direitos humanos no mundo. Qual é o significado da recusa da presidente em recebê-la para esses novos rumos que a diplomacia brasileira parecia estar tomando?
      Essa é uma resposta que os próprios brasileiros devem dar. Não sou eu, iraniana, que vou respondê-la. Como vocês leem essa recusa de Dilma? Por que não dar continuidade à nova posição diplomática em relação aos direitos humanos?

      O governo iraniano acusa a senhora de trabalhar com EUA e ‘potências ocidentais’ para afastar o Brasil do Irã.
      Eu vou a São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Rio para aumentar a amizade e aproximar os povos do Brasil e do Irã. É essa a razão principal de minha visita. Não tenho vínculo nenhum com os EUA. Peço aos brasileiros que leiam com atenção o discurso que pronunciei quando recebi o Prêmio Nobel da Paz, em 2003. Nele faço uma dura crítica aos EUA e aos países europeus – você pode achar a íntegra do texto em inglês no site do Prêmio Nobel. Essas informações divulgadas pelo governo iraniano são totalmente falsas, forjadas.

      O que os brasileiros podem fazer para ajudar na defesa dos direitos de iranianos perseguidos pelo governo?
      Pedimos somente uma coisa muito importante: escute o que o povo iraniano está dizendo e não as declarações oficiais do governo. É preciso entender realmente que tipo de tratamento os iranianos recebem de seu próprio governo e como estão descontentes com a atual situação em seu país.

       publicado em O Estado de S.Paulo - 04.06.2011

      (...)

      por Gustavo Chacra *

      O regime do Irã tem medo da defensora dos direitos humanos e Nobel da Paz Shirin Ebadi. E a administração de Dilma Rousseff, assim como a de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, tem medo de Mahmoud Ahmadinejad e do aiatolá Khamanei.
      Nesta semana, com medo de Teerã, a presidente do Brasil cancelou encontro com a iraniana por problemas de agenda. A Nobel da Paz não teve a mesma sorte que a cantora colombiana-libanesa Shakira, que se reuniu com a líder brasileira. A defensora dos direitos humanos, talvez antecipando este risco, disse, no passado, que “se Dilma defende os direitos humanos, ela me receberá”. Mas a presidente brasileira não defende os direitos humanos no caso iraniano.
      Dilma prefere agradar a um regime que reprime as mulheres, minorias religiosas e opositores. Um regime que mata e tortura. Esta é a liderança que o Brasil parece querer propagar. A administração de Dilma, como a de Lula, quer ser amiga do regime iraniano.
      A presidente ficou com medo de nota da embaixada do Irã em Brasília dizendo que “Shirin Ebadi, autointitulada ativista dos direitos humanos, está tentando enfraquecer a firme política do Brasil em relação ao programa nuclear iraniano. Ela provavelmente tentará se aproveitar da nova política de direitos humanos da presidente Dilma (…) e tentará convencer autoridades brasileiras a se distanciar do Irã.”
      O que eu não entendo é a necessidade de puxar o saco de Teerã. O inverso deveria ocorrer. O Brasil é um gigante econômico, não o Irã. Nós não dependemos de nenhum produto iraniano. Não possuímos nenhum problema geopolítico. Não temos nenhum inimigo. Ninguém ameaça nos atacar. Mais grave, a aliança com o regime persa deteriorou as relações do Brasil com nações mais importantes economicamente para os brasileiros, como com os Estados Unidos.
      Já o Irã está com a economia em crise. Precisa de investimentos econômicos brasileiros. Dois de seus vizinhos (Afeganistão e Iraque) estão em guerra civil. É inimigo de Israel, Arábia Saudita e Estados Unidos, para ficar apenas em três. Está ameaçado de sofrer ataques de americanos e de israelenses e apoio dos brasileiros para evitar estas ações é fundamental. A aliança com o Brasil também serviu para o regime de Teerã tentar exibir uma inexistente credibilidade em fóruns internacionais.
      Caso Dilma se reunisse com Ebadi, o que poderia acontecer? O Irã iria romper relações com o Brasil? Iria dizer o que da presidente brasileira? Que ela é uma traidora por ter recebido uma Nobel da Paz e defensora dos direitos humanos e das mulheres? A presidente do Brasil ainda tem tempo de encontrar um horário na sua agenda. Caso contrário, será uma covarde neste caso.

      No ano passado, entrevistei Shirin Ebadi e fiz a pergunta abaixo
      Estado – Há também dezenas de mulheres presas no Irã. A sra. espera que a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, faça algo para ajudá-las?
      Ebadi – Depois da revolução, uma série de leis discriminatórias contra as mulheres foram aprovadas no Irã. A vida de uma mulher equivale à metade da de um homem. Por exemplo, se um homem e uma mulher saem para a rua e são atacados, a indenização que a mulher receberá será o equivalente à metade da do homem. Na Justiça, o testemunho de duas mulheres equivalem ao de um homem. Um homem pode casar com quatro mulheres. E existem várias outras leis discriminatórias.
      A presidente eleita do Brasil, como mulher, certamente não concorda com estas leis. E as mulheres iranianas tampouco as aceitam. Mas, quando elas protestam contra esta legislação, são detidas por terem agido contra a segurança nacional, segundo argumento do governo. As advogadas que as defendem também acabam nas prisões. Uma destas advogadas é minha colega Nasrin Soutodeh. Ela foi presa há dois meses. Está em uma solitária e sem poder ver os advogados. Não tem acesso a televisão, rádio ou jornais. Além disso, sofre com pressões físicas e psicológicas. Desde o domingo, está em greve de fome (continuava até o fechamento desta edição). Estamos preocupados com a vida dela. Gostaria que a nova presidente do Brasil a ajudasse.
      Todas as mulheres, sendo muçulmanas ou não, que viajem ao Irã, precisam cobrir a cabeça. É uma lei estranha, pois quem não é muçulmana não precisa usar o véu. Por favor, diga à sua presidente, em meu nome, para ela não se cobrir com o véu se for ao Irã. Não precisa ter medo da lei no Irã. Por ser presidente, possui imunidade diplomática. Alguém precisa mostrar ao governo do Irã que esta lei não é correta.

      * jornalista, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia, é correspondente de “O Estado de S. Paulo” em Nova York. Fez reportagens do Líbano, Israel, Síria, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jordânia, Egito, Turquia, Omã, Emirados Árabes, Yemen e Chipre como correspondente do jornal no Oriente Médio. Participou da cobertura da Guerra de Gaza, Crise em Honduras, Crise Econômica nos EUA e na Argentina, Guerra no Líbano, Terremoto no Haiti e crescimento da Al Qaeda no Yemen. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires.

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