Entretanto, em Portugal: 19 toneladas de velas e 300 mil em culto no Santuário de Fátima

Santuário, esta noite, durante a habitual Procissão das Velas de 12 para 13 de Maio. foto de Paulo Cunha
Leio na Agência Lusa:
Cerca de 19 toneladas de velas foram vendidas e queimadas hoje no Santuário de Fátima, informou o administrador da instituição, Cristiano Saraiva. Oito toneladas de velas foram derretidas entre as 08:00 e as 13:00 e as restantes 11 toneladas entre as 13:00 e as 21:00, revelou o mesmo responsável.
O administrador do Santuário de Fátima disse que a grande afluência de peregrinos ao tocheiro, localizado nas proximidades da Capelinha das Aparições, mobilizou o serviço de sete funcionários do santuário, quer no abastecimento de velas para aquisição, quer na manutenção do espaço onde a cera é derretida.
As autoridades estimam em cerca de 300 mil o número de católicos presentes.
As cerimónias desta peregrinação, que tiveram início no sábado, assinalam os 95 anos da primeira aparição mariana aos três videntes de Fátima: Jacinta, Francisco e Lúcia.

O Santuário de Fátima está a registar uma afluência de peregrinos superior à verificada noutras peregrinações aniversárias de Maio, o que está a ser justificado pelo facto de as cerimónias decorrerem este ano ao fim de semana e pela violenta crise económica e social que o país vive. [VER VÍDEO]
foto de Paulo Cunha

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A propósito do dito popular: "Pimenta no c** dos outros é refresco!"


Confrontado pelos jornalistas, no almoço da Chairmen’s Conference da YEPP (Juventude do Partido Popular Europeu), sobre as críticas da oposição às suas afirmações sobre o desemprego, Passos Coelho respondeu: «Sei bem o que disse e mantenho o que disse».
Para retocar um pouco a face, foi dando uma no cravo outra na ferradura, queixou-se de más interpretações intencionais, insinuou que existe quem queira criar «crises artificiais», negou a contradição com a percepção da situação que, no mesmo dia, o ministro das Finanças fez e lá voltou à carga: «As pessoas que estão desempregadas percebem que precisam de novas oportunidades na sua vida e que essa situação não as vai vencer. É uma situação que elas têm de vencer».

É aflitivo que o primeiro-ministro insista em fazer 'considerandos' ao arrepio da realidade que se vive em Portugal. O desemprego de longa duração é hoje em dia o que mais se acentua no país, ou seja, o de pessoas que buscam trabalho há pelo menos um ano sem sucesso. Dentro deste, é assustador o número de desempregados que persistem nessa missão impossível há dois anos ou mais. Os números constam das estatísticas quer do INE, quer do Eurostat. Basta consultá-las. Ainda esta semana, a UNICEF divulgou um relatório que coloca Portugal entre os países onde as crianças são mais maltratadas, muito por conta da insuficiência económica dos pais, para lhes garantirem uma refeição quente diária e os cuidados de saúde devidos. As pessoas já venderam quase tudo o que tinham, perdem inclusivamente as suas casas, estão a passar fome, a prescindir de remédios e tratamentos e as taxas de suicídios e depressões disparam para níveis sem precedentes.
Às classes mais desfavorecidas soma-se hoje uma massa de gente que, por ter estudado, por ter investido na formação e na especialização, por ter tempo de trabalho, experiência acumulada, curriculum feito nesta e naquela área, se vê completamente rejeitada pelo Portugal que agora há, que lhes vira as costas, encolhe os ombros, sacode a água do capote e reza para que emigrem de uma vez e lhe desampararem a loja.

Os desempregados a que Passos Coelho se dirige são pessoas que, à conta do seu esforço e do empenho das suas famílias depois do 25 de Abril, tinham atingido mínimos de dignidade e conforto, gente que, de uma hora para a outra, não consegue pagar a conta da luz e da água, que cancela o contrato para continuar a ter telefone e televisão, que já vendeu o carro ou não tem dinheiro para lhe pôr combustível, que não pode pagar os transportes públicos; gente que se viu obrigada a tirar os filhos das escolas, que deixou de ir ao dentista, que nunca mais soube o que era comprar um livro ou ir ao cinema, que prescindiu de descanso e de férias, que nunca mais viajou a não ser até ao fim da rua do bairro onde mora; gente que se alimenta a custo e mal, a si e aos seus, mesmo que crianças ou velhos; gente que estremece quando abre o correio, que entra em pânico se lhe tocam à campainha, num quotidiano aterrorizado pelas dívidas e pelas contas que não tem mais como pagar; gente que perde o sono e passa noites em branco a perguntar se amanhã voltará a acontecer um milagre para sobreviver a mais um dia; gente que tem as energias esgotadas de tanto lutar pelo básico, que tem o cérebro exausto e totalmente preenchido por uma única preocupação: manter-se vivo mais um dia.

É a esses desempregados que Passos Coelho vem – pela segunda vez em dois dias – dizer que «ser despedido» não é mau, que pode até ser ainda melhor do que continuar empregado. Para não causar a repugnância de lhe cuspir na cara só por causa disso, era preciso que, ao menos tivesse experimentado na pele os efeitos da receita que recomenda. Era preciso que não tivesse a leviandade de falar de cor, de ousar impingir aos outros o que nunca quis para si, de defender o que nem sequer conhece. Não obstante, é a esses desempregados que Passos Coelho vem – pela segunda vez em dois dias – mostrar a sua indignação, acusando-os de não acreditarem, criticando-os por não se deixarem convencer que «ser despedido» pode «mudar-lhes» a vida para melhor.
Bem pode ensaiar teorias: as pessoas conhecem na prática o que elas custam e significam.

As declarações do primeiro-ministro provocam asco pela hipocrisia que transportam. O homem que, com as suas políticas e medidas, está empurrar a vida de milhares de pessoas para a impossibilidade de sobrevivência, ainda ousa vir dizer-lhes para se deixarem de pieguices e verem a coisa por outro ângulo: aquilo que lhes parece uma calamidade é um imenso favor que deviam agradecer. Podem morrer de fome, mas não podem dizer que o Governo não se esforçou por as ajudar a «mudar de vida»: ontem tinham um emprego? Pronto, hoje já não têm. Se a mudança foi para pior, não importa. O que interessa é que mudaram e isso «é positivo». Não lhes agrada? Meus amigos, o Estado não é 'paizinho'!... Resolvam o problema. Ninguém nos pode ajudar a não ser nós próprios.

Acontece que só um alienado social acredita que existe vício e prazer em sobreviver diariamente no limiar da pobreza. Como se alguém se conseguisse acomodar a este nível de degradação da existência e não matasse os dias, as noites, a cabeça e o lombo a tentar encontrar solução que lhe devolva, pelo menos, as condições mínimas. Como se as pessoas não estivessem, elas próprias, desesperadas pela tal «oportunidade» de «mudar de vida» de que fala o primeiro-ministro! A questão, aliás, reside precisamente aí: os portugueses já não aguentam esperar mais tempo para saírem da lástima para onde os governos sistematicamente ruinosos do país as lançaram, não obstante o que se prepararam, estudaram, esforçaram, provaram, construíram.

Os jovens, por seu lado, aqueles que Passos Coelho acusava nessas mesmas declarações de serem pouco «empreendedores» e se encostarem ao trabalho por conta de outrem, em vez de se lançarem na criação do seu próprio emprego ou negócio – os jovens, esses, são aqueles que estão a ser forçados a abandonar as universidades por não as poderem pagar, aqueles que confessam às reportagens passarem a semana a comer fruta para poupar para as despesas de estudo, aqueles a quem o Governo ainda veio cortar bolsas e permite a ameaça de verem suspensas as licenciaturas, caso não paguem as propinas em atraso. Esquece o primeiro-ministro que esses jovens são os que já estão endividados antes mesmo de concluírem os seus cursos, por força dos empréstimos que se viram obrigados a contrair no banco para os custear. Esses jovens, são os que nem sequer conseguem um primeiro emprego e que, quando o conseguem, recebem salários inferiores a 600 euros, sem direito a contrato de trabalho que lhes garanta outra coisa que não a precariedade. Esses jovens são aqueles que não estão condenados à casa dos pais para lá dos 30 anos, que não conseguem tornar-se independentes, morar sozinhos, casar, formar uma família, viajar, trocar experiências, ampliar horizontes.

Passos Coelho esquece que o Governo e a sua trupe, orgulhosos e ufanos de irem muito para lá do que seria razoável ou admissível, se encarregam diariamente de esvaziar as pessoas de tudo: emprego, dinheiro, saúde, comida, casa, opções, alternativas, oportunidades, liberdade, ideias, imaginação, ânimo, alento... tudo. Aquilo que lhe falta perceber é que depois de aprisionar a vida alheia com tantos e tão cegos nós, de ter as pessoas de pernas cortadas, de pés amarrados e mãos atadas, as lançou irremediavelmente para um estado de completa impotência. Há já muito pouco que consigam fazer. A não ser votar, quando chegar a hora. Votar para o estancar: para o tornar tão impotente como as tornou a elas e ao país.
Inventar todos os dias uma forma de, pelo menos, matar a fome é, por agora, sinal renovado de empreendedorismo bastante.

19:27 | Posted in , , , , | Read More »

Sugestão de palco: Festival Conexão Lusófona, esta noite, em Lisboa


Tito Paris, Júlio Pereira, Sara Ta­vares, Yuri da Cunha, Su­sana Félix, Ma­necas Costa, Couple Coffee, Luiz Ca­racol, Aline Frazão, Pi­erre Aderne, Costa Neto, Tu­bias Vaiana e Kay Limak são bons argumentos para, quem estiver em Lisboa, passar hoje pelo Mercado da Ribeira a partir das 21h.
O fes­tival encerra a pro­gra­mação ofi­cial da se­mana cul­tural da CPLP, um conjunto de ini­ci­a­tivas da Co­nexão Lu­só­fona que têm andado pela cidade com o objectivo de criar um efeito mul­ti­pli­cador, capaz de despertar o interesse pelo tema da Lu­so­fonia. Seja no âm­bito cul­tural, por meio de novas ex­pe­ri­ên­cias mu­si­cais, li­te­rá­rias e ar­tís­ticas, ou de uma pre­sença mais activa e cons­ci­ente na di­nâ­mica da ci­da­dania lu­só­fona. Mú­sica, dança, de­bates, ex­po­si­ções, po­esia e ofi­cinas, muita in­te­ra­ti­vi­dade, per­for­mances va­ri­adas e diá­logo ge­ra­ci­onal, têm sido as notas de re­fe­rência de uma se­mana in­tensa que hoje termina com chave de ouro.


O que é Lusofonia?

Uma dica: passe pelo site oficial e, além de explorar este projecto que nasceu na Internet e promete estender-se em breve a outros países, aproveite o player online e antecipe o que pode ouvir passar pelo palco, logo mais.

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16:03 | Posted in , , , | Read More »

Da série: 'Importa-se de repetir?!' | «Ser despedido é uma oportunidade para mudar de vida», diz Passos Coelho

Leio no Público:
Durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, (...) Passos Coelho referiu-se em especial aos portugueses que estão sem emprego: “Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”.

Pedro Passos Coelho lamentou que “a cultura média” em Portugal seja a “da aversão ao risco” e que os jovens licenciados portugueses prefiram, na sua maioria, “ser trabalhadores por conta de outrem do que empreendedores”.
Numa intervenção de cerca de vinte minutos, o primeiro-ministro defendeu que “essa cultura tem de ser alterada” e substituída por “um maior dinamismo e uma cultura de risco e de maior responsabilidade, seja nos jovens, seja na população em geral”. (...) Segundo Passos Coelho, a Europa e Portugal precisam de apostar em “modelos de desenvolvimento de valor acrescentado, de forte base tecnológica” para ganharem competitividade económica, e não nos preços baixos.
“Essa não é a competitividade que nos interessa. No curto prazo, no meio da crise em que estamos, claro que é preferível ter trabalho, mesmo precário, do que não ter, claro que é preferível trabalhar mais do que não trabalhar, vender mais barato do que não vender”, mas “o modelo para o futuro tem de ser o de acrescentar valor”, reforçou.
O primeiro-ministro terminou o seu discurso considerando que, para isso, “a economia pública tem de investir alguma coisa” na ciência, na tecnologia, na inovação, mas que também deve haver “uma participação crescente do capital privado” nestas áreas.

Reacção dos partidos [VER VÍDEO]:

PS:
“Isto é muito grave e de uma grande insensibilidade, estas declarações, num país com uma taxa historicamente elevada de desemprego, em que as pessoas não têm oportunidades de emprego”, disse o deputado socialista, Pedro Marques. O ex-secretário de Estado da Segurança Social considerou ainda que as declarações de Passos Coelho “são um remake” do que ele tinha dito há uns meses aos portugueses, para que deixassem de ser piegas e aconselhou Passos Coelho a interpelar algum desempregado sobre as escolhas que tem em termos de emprego e alertou para o facto de maioria dos desempregados, tendo em conta a situação do país, só terem “a direcção da pobreza generalizada”.

PCP:
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse que a ideia do primeiro-ministro de que o desemprego pode ser uma oportunidade é uma “ofensa”, acusando Pedro Passos Coelho de não conhecer “o que é a vida” nem as “dificuldades dos portugueses”.
“O Governo esconde o número [do desemprego] aos portugueses, particularmente aos desempregados e não é por erro de cálculo, não é por erro de contas. É para tentar mistificar aquilo que hoje é um dos problemas centrais do nosso país, um dos problemas centrais da juventude, particularmente, que ainda por cima tem como resposta, como concepção, por parte do primeiro-ministro esta ideia ofensiva para mais de um milhão de desempregados”.
O secretário-geral do PCP questionou como é que “um primeiro-ministro pode ofender esses que estão numa situação desesperada não por não querem encontrar emprego, não porque não querem trabalhar, antes pelo contrário”. Jerónimo de Sousa recordou que num debate com o primeiro-ministro lhe disse que ele não sabia o que era a vida acrescentando que “esta declaração é uma afirmação, é uma demonstração clara que o primeiro-ministro de Portugal, do Governo português não conhece o que é a vida, não conhece as dificuldades dos portugueses”. “É uma ofensa. É ofensivo. E não venha com este ou aquele exemplo isolado. Estamos a falar à escala de mais de um milhão de portugueses, estamos a falar de pessoas que se virem despedidas e ficaram sem alternativa e vemos também esses mais de 35 por cento de percentagem de jovens que gostariam muito de ter o seu emprego”, enfatizou.

BE:
“Ouvi essa frase e é indignante. Depois de um governo ter provocado a facilidade dos despedimentos, que tem como consequência mais despedimentos, depois de provocar a facilitação da precariedade, que causa mais precariedade, depois de reduzir a indemnização pelos despedimentos, depois de atacar as pessoas de todas as formas, ainda lhes diz que a sua desgraça é uma oportunidade para elas”, afirmou o coordenador do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã.
Louçã reconheceu que na política há diferenças entre as diferentes forças, mas defendeu que “é preciso que haja um sentido de respeito pelas pessoas que este Governo não demonstra ter”. Disse ainda que “há 800 mil desempregados que já não têm subsídio de desemprego e um milhão que quer trabalhar, tem direito a trabalhar, levou uma vida a puxar por este país e não tem nada” e Pedro Passos Coelho “dizer a estas pessoas que esta economia é uma oportunidade é cinismo, inaceitável e sobretudo falta de respeito”.O dirigente do BE disse ainda que gostava que “o Governo, que atira a pedra do desemprego, não escondesse a mão atrás das costas”.Na opinião do líder “bloquista”, é o executivo de coligação PSD/CDS-PP que “está a fazer a crise quando reduz o investimento, facilita despedimento, promove precarização do trabalho, aumenta taxas moderadoras, o custo do gás, da electricidade”, políticas que “tiram dinheiro às pessoas”. Recordou a perda do 13.º e do 14.º mês, que se vai manter até 2018, e considerou que esta economia de saque é uma economia de crise” e “a crise é o nome deste governo”.



via SIC

VER VÍDEO: RTP e TVI

No mesmo dia em que o primeiro-ministro se permitia estas afirmações, a Comissão Europeia agravava as previsões da taxa de desemprego em Portugal, estimando-a em 15,5% sem tendência para se inverter a curto prazo. Como o vídeo mostra, até o ministro da Finanças lá foi admitindo, esta manhã, que o desemprego é um dos «maiores problemas» do país. Vítor Gaspar citou, aliás, um estudo alemão que, analisando várias experiências traumáticas extremas, concluía ser a perda do emprego mais difícil de superar do que a perda causada pela morte de entes queridos.

Vítor Gaspar: “A satisfação de vida de um desempregado não se recupera”  

O ministro das Finanças considerou esta sexta-feira que o desemprego é um dos “maiores problemas” da actual crise e afirmou que “a satisfação de vida de um desempregado não se recupera”. Vítor Gaspar falava, em inglês, durante uma intervenção, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, sobre a crise na zona euro e o desemprego jovem.
Recordando um artigo que leu, afirmou aos membros de juventudes partidárias europeias de centro-direita: “O que o autor diz é que a maioria das pessoas se adapta surpreendentemente bem às mudanças nas suas vidas. Mesmo após acontecimentos trágicos, como a morte de um familiar ou de uma doença crónica, recuperam o bem-estar anterior quase completamente… Mas há um acontecimento para o qual isto parece não ser verdade: o desemprego."
“Comparado com outras experiências negativas, a satisfação de vida de um desempregado não se recupera, mesmo depois de estar desempregado há muito tempo”, acrescentou esta manhã, em declarações citadas pela SIC.
Na Casa das Histórias, Vítor Gaspar afirmou que: “O desemprego é, realmente, um dos maiores problemas que enfrentamos hoje em dia, se não o maior. A actual crise expôs vários problemas estruturais que afectam várias economias desenvolvidas. O desemprego destaca-se nessas economias”.
Segundo o relato da mesma estação, os jornalistas só puderam estar presentes na sala para ouvir os primeiros minutos da intervenção do ministro das Finanças.
À saída do museu, Vítor Gaspar recusou comentar a previsão da Comissão Europeia para o desemprego em Portugal este ano (15,5% da população activa). link

20:30 | Posted in , , | Read More »



The past ten years have seen unprecedented progress in fighting deforestation in the Amazon. Indigenous rights, payments for ecosystem services, government enforcement, satellite imagery, and a spirit of cooperation amongst old foes has resulted in a decline of 80 percent in Brazil's deforestation rates.
A new video Hanging in the Balance by the Skoll Foundation celebrates the various successes in the Amazon, while also warning of on-going threats and a need to quickly reproduce successful programs throughout the Brazilian Amazon.

15:42 | Posted in , | Read More »

Campanha "Veta Tudo, Dilma!" ganha escala mundial


Três das maiores organizações internacionais de conservação lançam hoje uma campanha para pedir aos seus 22 milhões de seguidores que exijam à Presidente do Brasil o veto total do Código Florestal, que consideram condenar o futuro da Amazónia.
A WWF (Internacional e Brasil), a Greenpeace (Internacional e Brasil) e a Avaaz (inglês e português) consideram que as mudanças previstas no Código Florestal, aprovado a 25 de Abril pelo Congresso dos Deputados, representam um duro revés nos avanços alcançados até agora para travar a desflorestação da Amazónia e lançam por terra os esforços realizados para combater a corrupção na região.
Num comunicado divulgado hoje, a WWF informa que, até agora, mais de 1,5 milhões de pessoas de todo o mundo assinaram uma petição lançada pela Avaaz a exigir à Presidente brasileira, Dilma Rousseff, o veto do Código Florestal e as organizações estimam que este número aumente exponencialmente nos próximos dias.
Além disso, acrescenta, centenas de milhares de seguidores da WWF e da Greenpeace têm aderido a uma campanha de mobilização através das redes sociais, utilizando #SOSBrazil e #DilmaVetaTudo (actualização do #VetaTudoDilma) no Twitter e colocando mensagens directamente na página do Facebook do Partido dos Trabalhadores, de Dilma Rousseff.
A petição será difundida através dos milhões de seguidores das organizações, que farão chegar às embaixadas brasileiras nos respectivos países a sua frontal oposição a esta lei, que acusam de pôr em causa o futuro da Amazónia.

Até agora, a Presidente não fez qualquer declaração pública sobre qual a sua posição sobre o texto aprovado a 25 de Abril, mas as organizações ambientalistas defendem que só o veto total poderá salvar as florestas brasileiras e o clima mundial.
Dilma Rousseff recebeu esta semana o diploma e tem até 25 de Maio para decidir se veta total ou parcialmente a lei ou se a promulga. As organizações ambientalistas esperam que na sua decisão pese o facto de, dentro de semanas, o Brasil acolher a maior cimeira ambiental do mundo: "Só o veto integral do novo Código Florestal pode garantir a credibilidade do Brasil como anfitrião da cimeira do Rio+20", diz a Greenpeace.
“Na última década, o Brasil tem realizado um progresso exemplar na redução da desflorestação da Amazónia. Sabemos que a presidente Rousseff está a ser muito pressionada pelos que procuram retirar benefícios de curto prazo das florestas, mas exigimos que defenda a protecção dos recursos florestais, que são de importância vital para o futuro da população brasileira e para o resto do mundo”, afirma Jim Leape, director geral da WWF Internacional.
O Instituto Brasileiro de Investigação Económica Aplicada (IPEA) estimou que a nova lei poderá representar uma perda de 76,5 milhões de hectares de floresta, permitindo libertar para a atmosfera 28.000 milhões de toneladas de CO2. Isto impediria que o Brasil cumprisse os seus objectivos de reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa.
A lei prevê ainda uma amnistia para quem destruiu ilegalmente a floresta até 2008, o que se traduz numa perda de 4.800 milhões de dólares (3.700 milhões de euros) em sanções.
Segundo as organizações, cerca de 80 por cento da população brasileira está contra a lei e mais de um milhão de pessoas em todo o mundo já se juntaram à campanha.
Manifestações sob o lema "Veta Tudo, Dilma!", organizada por organizações ambientalistas, têm decorrido no Brasil, prevendo-se para sábado mais uma concentração no Rio de Janeiro


Durante a campanha às Presidenciais, em 2010, Dilma Rousseff prometeu assumir um compromisso ambiental de irredutível defesa da 'floresta em pé' e de combate ao desmatamento. Em entrevista à imprensa no dia 25 de Maio do ano passado, comentando a aprovação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre o Código Florestal, a presidente Dilma Rousseff assumia-se contra as alterações, lembrando: «eu tenho ainda o direito do veto». É justamente isso que se espera e exige agora: que o exerça e VETE na íntegra as emendas introduzidas no documento.

Cf. também:

NOTA: para compensar algumas deficiências de som, segue a transcrição, clicando no link em baixo.


Transcrição da entrevista

Dilma Rousseff: [...]A segunda questão diz respeito à votação do Código Florestal. Eu quero reiterar, aqui, a minha posição a respeito dessa questão. Eu não concordo que o Brasil seja um país que não tenha condição de combinar a situação de grande potência agrícola que ele é com a grande potência ambiental que ele também é. Nós temos, sim, condições de fazer isso. Por isso, eu não sou a favor da consolidação dos desmatamentos, da anistia aos desmatamentos. Eu acho que no Brasil houve uma prática que a gente não pode deixar que se repita. Muitas vezes se anistiava, por exemplo, dívidas, e novamente se anistiava dívidas, e as dívidas eram novamente anistiadas. O desmatamento não pode ser anistiado, não por nenhuma vingança, mas porque as pessoas têm de perceber que o meio ambiente é algo muito valioso que nós temos de preservar, e que é possível preservar meio ambiente -- extremamente possível --, produzir os nossos alimentos, sermos a maior... uma das maiores... Eu não vou dizer a maior porque podia parecer muita pretensão, mas nós estamos, sem sombra de dúvida, entre os maiores produtores de alimentos do mundo, e acho que seremos, nas próximas décadas, o maior produtor de alimentos. Nós podemos fazer isso perfeitamente, preservando o meio ambiente, como temos feito sistematicamente um esforço nessa direção. Não sou a favor, não sou a favor da emenda, fui contra a aprovação da emenda e, obviamente, respeitando a posição de todos aqueles que divergem de mim, continuarei firme, defendendo a mudança dessa emenda no Senado.

Jornalista: A senhora pode vetar a emenda?

Dilma Rousseff: Eu, primeiro, tentarei construir uma solução que não leve a essa situação de impasse que ocorreu na Câmara, lá no Senado. Agora, quero dizer a vocês que eu tenho compromisso com o Brasil. Eu não abrirei mão de compromisso com o Brasil. Nós temos obrigações diferentes e prerrogativas diferentes. Somos Poderes e temos de nos respeitar: Judiciário, Legislativo e Executivo. Eu tenho a prerrogativa do veto. Se eu julgar que qualquer coisa prejudica o país, eu vetarei. A Câmara pode derrubar o veto, não é? Você tem ainda as instâncias judiciais. O que eu quero dizer é que eu sou a favor do caminho da compreensão e do entendimento, eu sou a favor deste caminho. O governo tem uma posição, espero que a base siga a posição do governo. Não tem dois governos, tem um governo.[...]"

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Cheias no Amazonas: um fenómeno natural que ameaça extremos mais frequentes

Careiro da Várzea, no  Amazonas
Dando notícias de Manaus, o Conexão vem reportando sobre as cheias imensas que vêm tomando conta da cidade e que, aliás, começaram no início do ano no Acre e se estenderam depois por todo o Amazonas, antes de atingirem a capital do Estado. 
Falemos, então, um pouco do assunto, para esclarecer a situação.
Convém lembrar que a região da Amazônia é uma zona de alagamento, onde os rios se comportam um pouco como sucede com o Nilo. Grosso modo, em metade do ano, durante o período das chuvas, os rios enchem e cobrem as várzeas e praias fluviais; na outra metade, eles entram na vazante e descobrem as áreas. Esse é um movimento normal, responsável, aliás, pela elevada fertilização dos solos e pela renovação da vida na floresta. 
Aquilo que merece alarme não é apenas quando o fenómeno ocorre numa escala extrema, mas o encurtamento da cadência a que isso se tem verificado ultimamente.
No Amazonas, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com o Instituto Max Plant de Química, da Alemanha, traz em campo um dos raros estudos sobre as cheias. O objectivo é recuar no tempo e traçar a cronologia das maiores enchentes, por forma a averiguar as ocorrências de picos extremos e retirar conclusões que permitam perceber se a maior regularidade com que estão a acontecer se deve a uma resposta da natureza, se é consequência da acção humana, ou se resulta da conjugação de ambas.
Em resultado dessa investigação do Inpa, sabe-se que no final do século XIX, a bacia amazônica registou um período de enchente pronunciada. Algures entre os anos de 1850 e 1880, os rios Solimões e Negro atingiram cotas elevadas para a média do período. A cheia recorde viria a acontecer já no século passado, por volta dos anos 50, e só seria batida quase 60 anos depois, com a célebre cheia de 2009. 
Acontece que este ano, o fenómeno aproxima-se novamente desses máximos, encontrando-se a escassos centímetros de vir a superá-la desde Março, sendo que por norma o auge do período das chuvas e alagamento só costuma ser atingido no mês de Junho. O que perturba a comunidade científica, é este curto intervalo que decorreu até se atingirem cotas tão elevadas. As equipas estão na área tentando perceber, justamente, a razão da repetição do fenómeno em tão larga escala, apenas três anos volvidos sobre a cheia de 2009, considerada a maior dos últimos 100 anos. 
Para já, uma nota a reter é que as explicações associam os extremos – vazante e enchente – na bacia amazônica aos fenómenos La Niña (resfriamento do Oceano Atlântico) e El Niño (aquecimento do Oceano Atlântico).


Cientistas desconhecem dimensão da cheia no Amazonas

A comunidade científica está “perplexa” com um evento climático extremo que vem se repetido em tão pouco tempo na bacia amazônica. A avaliação é do hidrólogo e pesquisador Javier Tomasella, conhecido por seus estudos sobre a seca na Amazônia, desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com José A. Marengo.
Se uma vazante pronunciada na bacia amazônica causa impacto na sociedade, incluindo a comunidade acadêmica, somente a partir de agora é que a maioria das pesquisas deverá direcionar esforços para compreender o que está resultando na ocorrência de uma cheia de grande magnitude apenas três anos após a de 2009 (a maior em cem anos), segundo Tomasella.
“A cheia recorde aconteceu nos anos 50 e foi batida quase 60 anos depois. Se bater novamente, será um evento extremo. É preciso aprender mais com extremos. A gente não sabe se o que ocorre é uma resposta da natureza à ação humana, mas, independente disso, vai exigir um esforço de todas as esferas do governo para responder a isso”, comentou.
No Amazonas, um dos raros estudos que tem a cheia como recorte vem sendo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com o Instituto Max Plant de Química, da Alemanha.
O modelo que pretende fazer uma reconstrução climática na Amazônia, de 400 anos, já apresentou alguns resultados. Um deles aponta que nos últimos 25 anos aumentou a frequência e a intensidade dos eventos extremos – vazante e enchente – na bacia amazônica e está associado aos fenômenos La Niña (resfriamento do Oceano Atlântico) e El Niño (aquecimento do Oceano Atlântico).
Outro resultado indica que no final do século 19, a bacia amazônica já havia registrado um período de enchente pronunciada. Segundo o estudo, entre os anos 1850 e 1880, os rios Solimões e Negro também registraram cotas elevadas para a média do período e também estava relacionado ao “La Niña”.
O coordenador da pesquisa, Jochen Schöngart, explica que o modelo cronológico dos cientistas consiste em analisar as camadas de crescimento do ciclo de vida das árvores das planícies alagadas (várzea e igapó) durante a fase não alagada. “O ritmo das árvores é controlado pelo ciclo hidrológico. Isto é registrado nos anéis de crescimento”. Como estes eventos extremos estão se repetindo desde o final do século 20, os cientistas ainda batem a cabeça para apontar as causas: isso seria consequência da variabilidade natural do clima e do ciclo hidrológico ou resultado das mudanças climáticas pelas interferências do homem? Ou as duas situações juntas? “Seja qual for a resposta, isso já deveria estar incorporado ao planejamento do poder público para evitar que, a cada situação extrema, as ações sejam tomadas de forma improvisada e sempre em cima da hora”, alerta Schöngart.
Enquanto o cenário do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (mais conhecido pela sua sigla em inglês, IPCC) aponta que eventos extremos climáticos vão aumentar, a comunidade científica reconhece que é preciso criar modelos mais avançados para prever situações como a cheia pronunciada de 2012 da bacia amazônica. Estas pesquisas são necessárias, sobretudo, para que as políticas públicas tomem decisões a tempo de preparar a população.
“Precisamos de mais pesquisa para responder de forma mais evidente. É preciso criar modelos para prever para cada ano. Todos sabem, por exemplo, que os bairros de Manaus vão sofrer com a cheia. Se já se sabe, a partir de março, já se pode começar a atuar. Não precisa esperar o rio atingir o nível crítico. É preciso começar muito mais cedo, já que a burocracia dificulta as ações emergenciais”, diz Schöngart.
O cientista sugere a criação de uma plataforma ou um fórum no qual se discuta os prognósticos e os tomadores de decisão planejem ações antecipadas. “O conhecimento é importante para se fazer previsões. Sem isso, os modelos de cenários futuros são fracos. Por isso que nossa meta é chegar a 400 anos atrás. A medição de cem anos da cota é importante e algo excepcional, mas não é suficiente”, disse.

Prejuízos com fenômenos das águas

A previsão do Inpa/Max Plant para a cheia do rio Negro este ano será de 29,67m (margem de erro de 29,29m-30,05m).
Mais do que a seca, é a cheia que realmente preocupa a população amazônica
Além dos problemas de moradias, a cheia causa prejuízo na atividade econômica: agricultura, pecuária e pesca´.
A única atividade beneficiada é a extração de madeira, porque as toras são arrastadas na água.
Cheia e seca afetam os serviços públicos, sobretudo escolas e hospitais.
A cheia de 2012 se distingue da de 2009 pelo período em que começou a ficar mais pronunciada. Schöngart diz que a de 2012 começou “de um nível normal”, mas já em março, passou as marcas de 2009. Em 12 de março, o Inpa/Max Plant divulgou nota afirmando essa tendência,.

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Crédito malparado bate recordes em Portugal

[ACTUALIZAÇÃO]
Leio no Público:
É o reflexo das sucessivas medidas de austeridade, do desemprego-recorde e da recessão na economia: nos primeiros três meses do ano, 27.822 famílias engrossaram o rol dos que não conseguem pagar os seus empréstimos. É uma média de 306 novos casos por dia. Neste momento, há quase 700 mil portugueses com crédito vencido. E é no crédito à habitação que mais estão a aumentar os incumprimentos, o que mostra que a crise está a atingir em força os portugueses. (...) O agravamento é notório quando se olha para os números de 2011: no ano passado, 34.632 famílias deixaram de pagar os seus empréstimos - 95 por dia.


Leio no Público:
De acordo com os dados do Banco de Portugal, hoje divulgados, os bancos continuam a apertar o financiamento à economia e as dificuldades financeiras estão a fazer com que o incumprimento dispare.
O volume acumulado de empréstimos concedidos pelos bancos portugueses a famílias e empresas atingiu em Março os 250,5 mil milhões de euros, menos 2,4% do que em igual período do ano passado. Desde Julho de 2011 que o volume acumulado de crédito está em queda. Em sentido contrário segue o crédito malparado, que tem vindo a aumentar e voltou a bater novo recorde em Março. (...) Cerca de 5,3% do crédito existente à economia é considerado de cobrança duvidosa. O nível de incumprimento é particularmente elevado no caso das empresas – 7,42% dos empréstimos estão malparados – enquanto entre os particulares a percentagem é de 3,53%. Em ambos os casos está ao nível mais alto de sempre.No caso dos particulares, o malparado é mais elevado nos empréstimos ao consumo (para compra de automóvel, por exemplo), onde atingiu em Março 10,7% do total de empréstimos. No caso do crédito à habitação, essa percentagem desce para 1,94% - ainda assim, um recorde histórico – o que comprova que, quando confrontados com dificuldades financeiras, os particulares deixam primeiro de pagar os seus créditos ao consumo e só em último caso o empréstimo da casa. 

Há cada vez mais particulares e empresas a deixarem de conseguir pagar os seus empréstimos.
Detalhando: no final de Março, tinham o crédito vencido

  • 699.129 particulares (15,3% do total de devedores particulares)
  • 635.810 famílias que contraíram empréstimos ao consumo e para outros fins (17% do total)
  • 148.717 famílias que contraíram empréstimos à habitação (6,1% do total)
  • 124.221 empresários por conta própria (28,5% do total)
  •  26,1% das empresas

No início de Abril, o número de famílias falidas já era superior ao de empresas, representando 64% do total de insolvências. No primeiro trimestre deste ano, os tribunais decretaram a falência de 30 famílias por dia, um aumento de 140% face a igual período de 2011 e de 1.297% quando comparado a 2008 [VER VÍDEO].
Os processos com valores mais baixos (de 1000 a 9999 euros) foram os que mais subiram (11,3%). Cada processo de insolvência custa, em média, 2090 euros ao Estado, sendo que o seu retorno é deficitário: por cada 100 euros em dívida, os credores só conseguem um reaver 5 euros [VER VÍDEO].

Possuir casa própria – um investimento amplamente incentivado nas últimas décadas pelo próprio Estado, inclusivamente através da atribuição de benefícios fiscais – transformou-se hoje na maior fonte de problemas para o grosso da população portuguesa. Os juros dos empréstimos à habitação descontrolaram-se, tornando-se insustentáveis num quadro de desemprego a raiar os 15,3% (a 2ª maior subida na Europa, com tendência a aumentar), redução sistemática das indemnizações por rescisão de contrato de trabalho, cortes de salário (metade do praticado na UE), aumento generalizado da carga de impostos e do custo de vida (da saúde aos transportes, passando pela alimentação, água, gás, electricidade, combustíveis, etc).

É este o quotidiano que se oferece, num país onde existem, pelo menos, de 300 mil desempregados sem direito sequer a subsídio e a certeza de que a taxa real de desemprego ultrapassa em muito os números oficiais que, na UE, só ficam a baixo dos da Espanha e da Grécia. No final de três anos de troika, estima-se que terão desaparecido 350 mil postos de trabalho em Portugal, 174 mil dos quais serão eliminados até ao final deste ano.

De acordo com dados revelados em Fevereiro pelo INE, é fundamental sublinhar que 400 mil portugueses procuram emprego há mais de um ano e quase 250 mil há mais de dois, ou seja, a taxa de desemprego de longa duração atingiu os 7,4%, o que significa que estão nessas condições mais de metade dos desempregados no país.

O cenário torna-se ainda mais dramático, tendo em conta que, desde Julho de 2011, se regista um aumento em cadeia do número de casais em que ambos os cônjuges estão desempregados. Em Março deste ano, aliás, essa percentagem bateu o recorde: 15.098 pessoas estavam nessa situação, o que representa um aumento de 61,4% dos casos [VER VÍDEO].

A partir do final da década de 80, passou a ser frequente comprar casa em nome dos filhos, uma prática que se acreditava ser uma mais valia, uma espécie de herança ainda em vida que lhes proporcionasse uma garantia futura. Agora, com os pais impossibilitados de continuarem a pagar as prestações, o incumprimento carrega em cima dos titulares oficiais do empréstimo: os filhos.
Acontece que 40% dos jovens até aos 34 anos ganham menos de 600 euros, possuem em regra vínculo de trabalho precário, sendo que a taxa de desemprego jovem já ultrapassa os 35% e é alarmante o número dos que não conseguem sequer aceder ao primeiro emprego.
Está bom de ver que não têm como substituir-se aos pais, assumindo o pagamento da casa colocada em seu nome e que o gesto paterno, ao invés de os dotar de algum património, antes se traduziu numa hipoteca pesada que agora lhes corta as pernas e os deixa de mãos atadas, quando não mesmo às voltas com a própria dívida, o credor e a Justiça.
Vale ainda lembrar que a exigência de um fiador, por parte dos bancos, fez com que a maioria dos empréstimos para comprar casa acabassem arrolando também familiares ao contrato, de modo a que este pudesse ser celebrado. Os pais eram os fiadores naturais escolhidos por quem, a dada altura, se decidia a investir na compra de casa própria. Agora, diante do incumprimento dos filhos é à sua porta que o crédito vai bater. A situação atinge proporções de calamidade social, sobretudo se ao congelamento das reformas que as medidas de austeridade do Governo lhe impuseram, se tiver em conta que aumentaram os pensionistas no escalão mais baixo da Segurança Social e que, em 2011, 85% dos reformados receberam menos 500 euros.
No Portugal em crise, tornou-se frequente os filhos regressarem a casa dos idosos. São eles que, além de acolhimento, estão a ajudar a manter as despesas dos netos e das famílias, especialmente quando o desemprego afecta ambos os elementos do casal. Este auxílio sai comprometido quando os bancos exigem que honrem a condição de fiadores dos filhos, ameaçando-os com penhoras e obrigando a que muitos reformados estejam, eles mesmos a pedir a insolvência, atormentados com a possibilidade de perderem as suas próprias casas e bens.

Os números mais elevados do incumprimento bancário no crédito ao consumo (destinado, por exemplo, à compra de carro, electrodomésticos, bolsas de estudo, despesas de saúde, etc) mostram que as pessoas tentam até ao limite salvar a casa onde moram e continuar a pagar a prestação, mas são cada vez mais as que deixam de o conseguir fazer e se vêem rendidas à evidência de a perderem [VER VIDEO].
Só no primeiro trimestre deste ano foram entregues aos bancos 2300 imóveis. São cerca de 25 casas por dia, devolvidas ao ritmo de uma por hora. Até Março já tinham sido executadas 25.111 penhoras, ou seja, quase 12 por hora. Não por acaso, o sector da construção e imobiliárias têm 54% do crédito malparado.
 Apesar da crise estar a fechar 26 empresas por dia desde Janeiro, o crédito concedido às empresas cai  pelo sexto mês consecutivo e os bancos dizem que contam apertar ainda mais os critérios para conceder empréstimos ao consumo. A pressão está a desestruturar muitas famílias e os bancos não hesitam em servir-se disso para retirar novos dividendos. Em caso de divórcio, por exemplo, alegam que o risco aumenta e e fazem subir os juros do crédito à habitação, dificultando mais ainda a vida a quem procura acordos que permitam asseguram as casas e o pagamento das mensalidades.
Arrendar os imóveis também não é solução. O banco usa o argumento de que este deixa de poder ser considerado casa de morada de família e faz disparar o spread associado ao valor do empréstimo, tornando a prestação exorbitante.
Vender a casa é quase uma missão impossível. Com a crise, a procura caiu e a oferta tornou-se demasiada, já para não dizer que os impostos e custos associados ao simples acto de aquisição de um imóvel subiram bastante. Acresce ao problema a própria desvalorização do mercado imobiliário, que faz com que as casas dificilmente consigam ser vendidas pelo preço a que foram adquiridas, sobrando como tal uma parte considerável do empréstimo em divida ao banco que não é coberta sequer pela alienação do imóvel
A realidade tornou-se um beco sem saída para as famílias: é impraticável conservar a casa, é inviável alugá-la e é impossível conseguir vendê-la. O desespero é tal que começam a surgir em Portugal práticas bizarras para pôr fim à dor de cabeça que representa ser proprietário, como "rifar" a casa, por exemplo.

Por tudo isto e outro tanto que ficou omisso, desde Janeiro, mais de 10.600 famílias em dificuldade pediram ajuda ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS) da Deco, ou seja, mais 55% em apenas 4 meses.
O Público de hoje traz uma entrevista com a coordenadora do GAS, Natália Nunes, que permite traçar de forma muito clara aquilo que está a acontecer, actualmente, em Portugal. É nesse dia-a-dia de absoluta impotência e sufoco que, hoje, se imobiliza a vida de grande parte das famílias portuguesas. Uma tragédia que jamais aflora no discurso do Governo, nem mesmo quando calha a referir-se a ela pela tangente. Uma tragédia de que, talvez, não se consiga ter plena dimensão, nem mesmo escutando os momentos mais eloquentes das denuncias da oposição. Uma tragédia que, à conversa com Natália Nunes, resulta imediata e óbvia.
Quem acorre ao Gas da Deco subtrai-se à amálgama sem rosto que se sabe andar asfixiada com a austeridade e a crise. Fica cara a cara e deixa de ser mera estatística. Atender essas pessoas implica, inevitavelmente, ficar a conhecer as suas histórias, ter que lidar com os seus dramas e desesperos. E se a regra número um para as ajudar passa por assumir que cada caso é um caso, a conclusão a que quase sempre se chega é a de que, por mais diferentes que sejam os caminhos que levaram cada uma delas à situação de aflição em que se encontra, todas acabaram invariavelmente no mesmo lugar: afogadas em dívidas que não têm como pagar, por motivos que, esses sim, têm quase sempre muito em comum.

Segue a entrevista exemplar da realidade que se vive actualmente em Portugal e que, por isso mesmo, é imprescindível ler na íntegra.

[ENTREVISTA]
Natália Nunes. foto de Enric Vives-Rubio
Chegam à Deco com os bancos a baterem-lhes à porta, salários penhorados, casas em risco. Ficaram sem trabalho, sem salário, sem norte. Do outro lado, encontram Natália Nunes, a coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), e 17 técnicos que todos os dias lidam com estes casos de sobreendividamento. O número de pedidos de ajuda subiu 55% nos primeiros quatro meses do ano, face ao mesmo período de 2010. E, com o agudizar da crise no país e os seus reflexos na taxa de desemprego, as previsões "não são animadoras". A renegociação com as instituições de crédito é, para Natália Nunes, um ponto crítico e, por isso, incita o Governo a avançar com o novo pacote legislativo que está em cima da mesa.

Quantos pedidos de ajuda recebeu a Deco até Abril e qual foi a subida face a 2011?
Nestes últimos quatro meses, o número de famílias que nos contactaram ultrapassou as 10.600. Se compararmos com 2011, há um aumento significativo, porque nesse período do ano passado recebemos cerca de 6800 contactos. É uma evolução de 55%, que espelha o agravar da situação económica do país, com reflexos sérios nos orçamentos das famílias. As causas que estão a levar as famílias a entrar em dificuldades têm a ver essencialmente com questões relacionadas com o mercado de trabalho. Não só o problema do desemprego, mas também da instabilidade profissional.
Estas subidas tornaram-se mais expressivas no final de 2011, sempre com evoluções acima de 50% nos pedidos de ajuda.

O que explica este agudizar das dificuldades das famílias a partir deste período?
A justificação é o agravamento da situação económica, porque é este o factor que está a levar cada vez mais famílias a uma situação de sobreendividamento. Existem cada vez mais famílias sobreendividadas que até não foram confrontadas com situações de desemprego. Continuam a ter trabalho, mas sofreram fortes reduções de rendimentos porque deixaram de receber as horas extraordinárias ou as comissões e também porque tiveram cortes salariais. Nem sequer se trata de terem contraído mais crédito. Houve outros factores externos que os levaram a entrar em dificuldades. Por outro lado, as famílias foram expostas a sucessivos aumentos do custo de vida, seja na electricidade, nos transportes públicos ou nos combustíveis.

Há alguns anos, a acumulação desenfreada de créditos surgia logo à cabeça como rastilho para estas situações de sobreendividamento. Já não é assim?
Nessa altura seria inevitável apontar como motivos a falta de literacia financeira ou a sedução pelo crédito, mas hoje não são estas as causas. O acesso ao crédito não está tão facilitado como estava e, devido aos níveis de crédito malparado, existe por parte das instituições financeiras uma atitude mais rigorosa e responsável.

Como avalia o comportamento das instituições financeiras? Há aqui um dividir de culpas entre devedores e credores?
A culpa é dividida por muitas partes. O consumidor tem a sua responsabilidade, mas muitas instituições foram concedendo créditos de forma menos responsável. Por outro lado, o próprio Estado também andou durante muitos anos a incentivar o endividamento, nomeadamente através das bonificações aos empréstimos para habitação. O próprio Banco de Portugal deveria ter tido um papel muito mais activo, que não teve.

Tendo em conta que a deterioração das condições de trabalho hoje surge como a segunda maior causa do sobreendividamento, notou-se um aumento especial de casos de funcionários públicos?
Não só. É verdade, houve um grande impacto na função pública por causa dos cortes salariais e dos subsídios, mas também no privado, que não foi confrontado formalmente com estas medidas, há pessoas que têm vindo a sofrer com a austeridade. Vêem os seus rendimentos ser reduzidos, não por via de um corte directo, mas porque deixaram de lhes ser pagas as horas extraordinárias, as comissões e, em certos casos, os próprios salários porque as empresas onde trabalhavam entraram em dificuldades.

Surgiu mais algum novo perfil de sobreendividados nestes últimos meses?
Se formos a olhar para as principais causas que têm levado as pessoas a entrar em dificuldades, ao longo dos anos tem sido sempre o desemprego o principal motivo, seguido pela deterioração das condições de trabalho. Mas, até há pouco tempo, as situações de divórcio ou de doença surgiam em terceiro lugar. Agora o que aparece nessa posição são outras causas. E estas outras causas têm a ver com uma realidade relativamente recente, que é a dos fiadores que estão a começar a ser chamados para dar resposta às responsabilidades que assumiram e que não estão a ser pagas pelos efectivos devedores. São essencialmente pessoas reformadas, com rendimentos um pouco acima da média, que acabam por ter de pagar as dívidas dos filhos que entraram em situação de desemprego, por exemplo, levando a uma ruptura completa do orçamento familiar.

Apesar de o número de pedidos de ajuda ter subido, o número de processos abertos diminuiu 3%, para 433, face a Abril de 2011. O que explica este recuo?
Acredito que muitos dos pedidos de ajuda que recebemos ainda se vão transformar em processos. É só uma questão de tempo. De qualquer forma, cada vez nos chegam mais situações em que não podemos actuar porque as pessoas continuam a deixar passar demasiado tempo e, muitas vezes, quando chegam aqui, a situação já está na via judicial e aí a Deco não pode intervir. Também há casos em que o passivo já é tão grande face aos rendimentos que não há qualquer viabilidade de recuperação. Nestas situações, limitamo-nos a informar aquela família do que é que pode fazer, que muitas vezes significa pedir a insolvência pessoal. Em regra, mais de 90% das pessoas que nos contactam já estão em situação de incumprimento.

O que é preciso acontecer na vida dessas pessoas para que finalmente peçam ajuda?
As pessoas em regra só vêm quando começam a ser muito pressionadas pelos bancos ou quando são ameaçadas de penhoras. Muitas outras nem sequer vêm nesta fase, mas sim num momento posterior, quando começam a receber notificações do tribunal. Isto também tem a ver com diversos factores. Desde logo, com o desconhecimento das pessoas, porque muitas vezes recebem notificações do tribunal, injunções ou execuções, e não sabem do que se trata. Por outro lado, há a questão da vergonha e, em muitos casos, há a expectativa de que a situação se vai resolver. Mas estas situações não se resolvem por elas próprias.

O chegar tarde de mais para pedir ajuda é um problema cultural?
Claro que sim. O ficar a dever é visto como um sinónimo de vergonha. Muitas pessoas que nos contactam não querem que a família, os vizinhos, os amigos saibam aquilo por que estão a passar. A vergonha continua a ser uma das grandes barreiras. Leva as pessoas a adiar o pedido de ajuda.

Algum caso a marcou especialmente desde que está no GAS?
Há um caso que tenho mais presente e que de alguma forma demonstra as dificuldades em que as pessoas se encontram. É o de uma família de quatro elementos, com dois filhos a cargo, que já acompanhamos há cerca de três anos. Nessa altura, um dos elementos perdeu o emprego e fizeram um grande esforço de readaptação. Reestruturámos alguns dos créditos que tinham para aliviar o orçamento e, quando o subsídio de desemprego terminou, alguns empréstimos deixaram de ser pagos. Foi preciso fazer novas insistências junto das entidades credoras, mas houve uma delas que não aceitou, apesar de o elemento dessa família ter conseguido encontrar novo trabalho. A verdade é que essa entidade acabou por avançar para tribunal e o salário foi penhorado. Essa terá sido uma das razões pelas quais o contrato de trabalho não foi renovado e, como era de seis meses, não havia direito a subsídio. Uma situação que estava quase controlada acabou por resultar na venda judicial da casa desta família.

As instituições de crédito estão com maior abertura à renegociação?
Têm tido uma grande abertura, mas o problema é que estas situações são maioritariamente provocadas pelo desemprego e estamos a verificar que estas pessoas terminam o subsídio e não conseguem voltar ao mercado de trabalho. E, portanto, se já havia dificuldades em pagar os créditos, alguns deles vão entrar mesmo em incumprimento e acabar nos tribunais.

O Governo está a preparar um novo pacote legislativo para alterar as regras e facilitar a renegociação destes contratos. O que é essencial estar contido nestas medidas?
Já é muito positivo haver toda esta discussão a que temos assistido e haver a preocupação de legislar. Agora este pacote deve começar por assentar na questão da reestruturação, porque a verdade é que não se pode pensar, como ultimamente se tem ouvido, que a solução é a entrega da casa para a liquidação da dívida. Essa é apenas uma das soluções. O primeiro caminho tem de ser necessariamente haver a possibilidade de se reestruturar as dívidas, de encontrar carências, de alargar prazos, mas sem haver alterações de spread. Todo o enfoque deve ser dado ao nível da reestruturação para que as pessoas continuem com as suas casas e para que a banca não fique a acumular imóveis e receba o seu dinheiro. E claro que deve ser previsto que, nas situações em que não há viabilidade para a reestruturação, a entrega da casa seja suficiente para liquidar a dívida.

Como é que viu o que aconteceu no 1.º de Maio, com a corrida às promoções do Pingo Doce?
Foi um reflexo daquilo que se passa, das necessidades que as pessoas têm, tanto que o que vi foi que compraram essencialmente produtos de primeira necessidade. Além disso, é preocupante porque mostra o desespero das famílias portuguesas. Caso contrário, não teria a dimensão que teve.

Tendo em conta que as previsões apontam para um aumento da taxa de desemprego, quais são as suas expectativas para este ano, em termos de aumento dos pedidos de ajuda?
Antevemos que o número de famílias em dificuldades que nos pedem ajuda vai ser cada vez maior, vai crescer muito durante este ano. Os números já são assustadores e as perspectivas não são animadoras. Tudo indica que o desemprego terá tendência para aumentar, continuam a existir cortes salariais, os subsídios não vão ser pagos tão cedo. Tudo isto nos deixa com alguma angústia.

Alguma vez pensou que o GAS receberia tantos pedidos de ajuda?
Deste volume, não. Não só pelo número de contactos em si, mas porque são situações de cada vez maior desespero, de famílias que têm rendimentos mas que não chegam para honrar os compromissos, que poderiam ter alguma qualidade de vida e não têm.

Estão preparados para esta avalanche?
Estamos a trabalhar numa reestruturação dos procedimentos, de forma a termos mais capacidade de resposta, mas não posso adiantar mais nada do que isto. O objectivo é conseguir dar uma resposta com mais qualidade a um cada vez maior número de solicitações.
(...)

Valeria a pena ouvir, a propósito das palavras de Natália Nunes, o que João Ferreira do Amaral está cansado de dizer e ainda este sábado voltou a repetir na conferência Crise da zona euro: cenários para a Europa, organizada pelo Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal e pela Fundação Friedrich Ebert.
O modelo que está a ser seguido como solução para Portugal sair da crise é «errado». Implica uma redução «drástica» do nível vida, aniquila a procura interna e produz efeitos recessivos na actividade económica, elevando o desemprego para níveis históricos, a uma velocidade vertiginosa. Um modelo que passa pela redução dos rendimentos, – sobretudo dos salários – ignora que as dívidas das famílias não desaparecem por causa disso. Pelo contrário, essas dívidas não só continuam a persistir, como são valorizadas, na medida em que, dispondo de cada vez menos rendimento para lhes fazer face, elas se tornam mais elevadas e difíceis de pagar. O resultado está à vista e é aquele a que estamos a assistir: um aumento galopante das insolvências que, como João Ferreira do Amaral alerta, se não for rapidamente estancado «pode mesmo pôr em causa o sistema financeiro».

Para ver na íntegra:

17:48 | Posted in , , , , | Read More »

Camila Pitanga quebra protocolo de cerimónia oficial e pede: «VETA, DILMA!»

via NBR TV- 04.05.2012

A actriz Camila Pitanga acaba de demonstrar que não só deu a cara, como está de alma e coração na luta contra o novo Código Florestal. Agora há pouco, enquanto apresentava a cerimónia oficial da atribuição dos cinco honoris causa a Lula, ela quebrou o protocolo e, apanhando todos de surpresa, dirigiu-se à presidente Dilma com um pedido que a deixou desconcertada e fez a sala explodir em aplausos: «... VETA, DILMA!». Valeu!

"Veta, Dilma!": fenómeno nas redes sociais

A discussão sobre o novo Código Florestal brasileiro é árida, técnica e gera dúvidas até entre aqueles que acompanham o assunto pela mídia. Apesar disso, o esforço das equipas de comunicação de várias  ONGs empenhadas no seu debate público tem conseguido a façanha de fazer o assunto "bombar" nas redes sociais.
Se você usa o Facebook ou o Twitter, certamente já viu algum amigo compartilhar alguma imagem bem-humorada da campanha "VETA, DILMA!".
Tudo começou em Agosto do ano passado, quando as ONGs, começaram a usar a web para informar o público leigo sobre o projecto que altera o Código Florestal. Durante as votações, faziam vigília e colocavam especialistas para explicar, online, os pontos polémicos dos textos, como a questão da amnistia aos desmatadores.
Em Outubro, foi lançada a campanha "Floresta Faz a Diferença" (#florestafazadiferenca), encabeçada pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, uma coligação formada por 163 organizações da sociedade civil. Com a participação do cineasta Fernando Meirelles, a campanha juntou celebridades como Wagner Moura, Gisele Bündchen, Alice Braga e Rodrigo Santoro dispostas a alertar as pessoas, por meio de vídeos e fotos, sobre os prejuízos que os termos da revisão do Código Florestal poderia causar ao Brasil . Foi o primeiro passo para popularizar o tema, até então restrito a políticos, ambientalistas e gente politizada.

O movimento com os dizeres "Veta, Dilma!" começou logo depois, em dezembro. "O texto que saiu do Senado era tão ruim, que começamos a campanha desde então", conta Bazileu Margarido, integrante do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), uma das organizações que ficou responsável pelo trabalho nas redes sociais.
Mas a repercussão só aumentou em abril deste ano, com um grande movimento organizado para o dia 22 (Dia da Terra) e, logo em seguida, no dia 25, quando a Câmara dos Deputados aprovou uma nova versão do texto, com as alterações propostas pelo relator Paulo Piau (PMDB-MG). Como ironiza Margarido, em vez de ficar com o "texto ruim" do Senado, os deputados optaram pelo "horroroso, péssimo".
A discussão entrou para o rol de assuntos mais abordados do Twitter e continuou em alta mesmo quando as ONGs decidiram modificar os dizeres para "Veta tudo, Dilma!". "Por uma questão técnica, não é mais possível corrigir o texto com vetos parciais; não é possível recuperar o que foi suprimido, como o Art. 1º", explica Margarido, justificando a leve mudança de estratégia. O objetivo das ONGs, agora, é mobilizar a opinião pública para que a presidente vete o projeto por inteiro e o debate seja recomeçado do zero (argumentos: AQUI).
"Achamos que o assunto ia esfriar no feriado, mas só cresceu", comemora Carolina Stanisci, assessora de comunicação do IDS. Além das peças postadas pelas ONGs, o público começou a fazer suas próprias montagens, creditando a frase "Veta, Dilma" a personagens como Spock (de "O Caminho / A Jornada nas Estrelas") e Mafalda (do cartunista Quino).
Resta saber qual a influência disso tudo na decisão da presidente. link

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Cobertura especial: Lula recebe cinco títulos de doutor honoris causa no Rio de Janeiro


Sem bengala, mas escorando-se ora na ex-ministra Nilcéia Freire, ora na presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, esta na manhã, no Teatro João Caetano, no centro do Rio, mais cinco títulos de Doutor Honoris Causa, desta vez das cinco universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ), Fluminense (UFF), do Estado do Rio (UniRio), Rural do Rio (UFRRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Ao chamado da mesa, Lula subiu ao palco aclamado pela plateia, que gritava: "Lula, guerreiro, do povo brasileiro". Dilma emocionou-se e enxugou duas lágrimas discretamente. Além da presidente, o governador Sérgio Cabral (mergulhado no escândalo da construtora Delta) e o prefeito Eduardo Paes também assistiram à cerimónia, mas apenas como ilustres convidados e sem lugar a discurso.
Agora, Lula acumula um total de 12 títulos de Doutor Honoris Causa, honraria concedida àqueles que, independentemente de sua formação académica, tenham dado uma grande contribuição à sociedade nas áreas da educação, cultura ou humanidade. O ex-presidente foi presenteado com uma toga vermelha, cor destinada aos graduados em Ciências Humanas, e recebeu os diplomas das mãos dos reitores das cinco universidades.
"Vocês não podem imaginar o que significa para alguém como eu, que não teve as oportunidades escolares que todo jovem deveria ter, mas que sempre acreditou no potencial libertador do conhecimento, e que a vida inteira apoiou a luta pela educação, tornar-se Doutor Honoris Causa dessas magníficas universidades", agradeceu.

O segundo discurso de Lula

Em 22 minutos de discurso, a voz de Lula, que ainda se recupera do tratamento contra um tumor na laringe, falhou apenas uma vez. Nada que o obrigasse a interromper a leitura do texto ou a delegá-la no governador Sérgio Cabral - seu "reserva", nas palavras do próprio ex-presidente. Esta foi a segunda vez que Lula falou em público (Cf. AQUI), desde o silêncio dos últimos sete meses imposto pela doença.
O ex-presidente começou, justamente, pedindo desculpas por falar sentado e sem improviso, ao contrário do que sempre foi seu hábito, justificando ser mais fácil por ainda se encontrar em processo de recuperação. Depois passou a destacar a importância da educação para o País e a prioridade que lhe foi dada pelo seu governo. "A educação é o alicerce sobre o qual se constrói a igualdade social. Sempre insisti que o dinheiro público aplicado em educação é investimento e não gasto, pois ajuda a construir um futuro mais digno para as pessoas e para o País", afirmou. Em tom emocionado, lembrou que ele e o ex-vice-presidente José Alencar foram as primeiras pessoas a chegar à Presidência da República sem um curso superior. "Parecíamos que tínhamos [um diploma universitário], mas não tínhamos", atirou com humor, arrancando risos à plateia.
No seu discurso, Lula citou alguns programas implementados pelo governo federal para ampliar o acesso de jovens ao ensino superior, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que, segundo sublinhou, possibilitou a entrada de mais um milhão de jovens de baixa renda em instituições privadas, a criação de novas universidades federais e a redução da pobreza no País. Citando dados recém-divulgados pelo Censo 2010, do IBGE, o ex-presidente lembrou que, em dez anos, o percentual de brasileiros com ensino superior completo quase duplicou, passando de 4,4% para 7,9%. "Isso aqui é percentual, né? Em números exactos fica mais forte", não deixou de frisar. "Os alunos do Prouni têm se destacado em quase todas as áreas liderando exames do MEC [Ministério da Educação]. Bastou uma chance e a juventude refutou com firmeza o mito elitista de que a qualidade é incompatível com a ampliação de oportunidades”, acrescentou ainda.
Sentado ao lado da presidente Dilma Rousseff, Lula não deixou de dividir com ela o êxito das políticas e medidas citadas, recordando que, na qualidade de ministra chefe da Casa Civil do seu governo, Dilma foi responsável pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O ex-presidente dedicou os títulos que recebeu das universidades a todos os que contribuem “com sua inteligência e esforço” para melhorar a qualidade da educação no Brasil, “dando esperança a milhões de jovens e construindo um país mais justo e solidário”.
"Entendo essa honraria não como um reconhecimento pessoal, mas como uma homenagem ao povo brasileiro que, nos últimos nove anos, realizou uma verdadeira revolução económica e social", disse Lula a respeito das cinco distinções. A "revolução", como lhe chamou, atribuiu-a aos avanços do Brasil e ao que considerou como um novo projecto de desenvolvimento nacional. "Fomos capazes de tirar 28 milhões de pessoas da miséria e de levar cerca de 40 milhões para a classe média, no maior processo de mobilidade social que este país já conheceu", sublinhou.
Sem perder a ocasião, Lula aproveitou ainda para comemorar publicamente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na semana passada declarou constitucionais as cotas raciais nas universidades. "Tenho certeza de que a política de cotas raciais, que o STF referendou por unanimidade, contribuirá para tornar mais justo o acesso ao ensino superior ”, fez questão de afirmar.

[NOTAS À MARGEM]

Elogios e cobranças dos reitores

Os reitores aproveitaram para rasgar elogios aos governos petistas, mas não deixaram de fazer alguns reparos à presidente Dilma e ao ministro da Educação, Aloísio Mercadante.
O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto de Souza Salles cobrou a consolidação do Reuni, instituído em 2007 pelo governo federal, e o aumento salarial para o magistério.
“O governo tem o ambicioso e admirável plano de alcançar a marca de 12 milhões de alunos em faculdades públicas, mas isso não pode acontecer enquanto professores de redes públicas recebem salários abaixo de 1.400 reais ou enquanto planos de carreira não são implementados. (...) Não podemos aceitar que nem o mínimo para professores da rede pública, previsto no Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], de R$ 1.400, não esteja sendo acatado pelos governos dos estados e municípios. Além disso, é inaceitável que um professor federal titular [de nível superior] em final de carreira, com regime de dedicação exclusiva, ganhe em torno de R$ 11 mil, enquanto um advogado da União em começo de carreira recebe R$ 18 mil, ou um auditor fiscal recebe como salário inicial R$ 14 mil”, disse.
Salles acrescentou que para alcançar essas metas é fundamental que haja o repasse de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação até 2020.
Já o reitor da Unirio, Luiz Pedro San Gil, preferiu dirigir as críticas aos presidentes anteriores a Lula. "Diferente de governantes letrados que o antecederam, foi o que mais investiu na educação. Programas como o FIES e o Prouni deram mais acesso ao ensino superior no Brasil", reconheceu San Gil.

 Manifestação e reclamação de estudantes

Na porta do teatro, alunos do curso de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro em Macaé, no norte do estado, em greve há um mês, protestavam contra a falta de professores, de laboratórios adequados e de Hospital Escola para práticas clínicas.
Aluna do 6º período de medicina da UFRJ de Macaé, Carla Guedes Braga, disse que os alunos se sentem abandonados pela reitoria. “Somos fruto do Reuni, que é a expansão da universidade para o interior, e o nosso curso não recebeu os investimentos necessários, nem a atenção da gestão da universidade. Estamos há três anos reivindicando uma série de coisas e chegou a um ponto que não podemos mais aguentar e tivemos que vir até aqui para reivindicar por melhorias”, disse.
A assessoria de imprensa do gabinete da reitoria informou que a instituição está em negociação com os estudantes. Segundo avançou, alguns professores da UFRJ na capital fluminense devem em breve reforçar o quadro de Macaé. Além disso, serão implementadas melhorias nos laboratórios e fechados convénios com clínicas especializadas para ampliar a prática médica para residentes.

Um pedido e uma ovação de peso

A apresentadora da cerimónia, a actriz Camila Pitanga, surpreendeu a presidente Dilma Rousseff, convidada de honra do doutoramento honoris causa, pedindo publicamente o veto ao novo texto do Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados.
"Vou quebrar o protocolo para fazer um pedido: ... 'VETA, DILMA!'" - interveio inesperadamente Pitanga, antes de anunciar Lula da Silva. A presidente sorriu-lhe, mas não respondeu. [VER VÍDEO]

Fim de festa

Após a cerimónia, Dilma, o ex-presidente, o governador do Estado e o prefeito da cidade seguiram para o Palácio Laranjeiras, onde foi servido um almoço vedado à imprensa. 

[ACTUALIZAÇÃO: para ver na íntegra]

1ª parte:
2ª parte:

# Outras coberturas: aqui.

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Em análise: 'este' insólito 1º de Maio português

Os acontecimentos do dia, a saber, a celebração do Dia do Trabalhador e a polémica campanha de promoção do Pingo Doce, em análise no programa Contracorrente, a noite passada, na SIC Notícias.

1ª parte:




Convidados: António Saraiva (presidente da CIP) e Arménio Carlos (secretário-geral da CGTP).

2ª parte:





Convidados: Frei Fernando Ventura, Manuel Carvalho da Silva (ex-líder da CGTP e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra), João Duque (presidente ISEG) e Elísio Estanque (sociólogo).

Para ouvir:
  • Fórum TSF - Trabalhadores vs. Consumidores: o que é que a polémica ontem suscitada nos diz sobre o país que somos? AQUI 
  • Mixórdia de Temáticas - AQUI
Para ver:

Política Mesmo com Garcia Pereira e Silva Peneda (TVI24 - 01.05.2012)
Política Mesmo com Helena André, Manuel Carvalho da Silva, Luís pais Antunes e Francisco van Zeller (TVI24 - 02.05.2012)
Prova dos 9 com Pedro Santana Lopes e Fernando Rosas e Manuel Pizarro (TVI24 - 02.05.2012)

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