«Se se parece com a extrema-direita, age como a extrema-direita e fala como a extrema-direita é bem capaz de ser mesmo a extrema-direita»
Escreve o Daniel, para ler na íntegra no Arrastão:
(...) Explorar o medo é explorar a irracionalidade das pessoas. Quem faz política usando a irracionalidade alheia não é só intelectualmente preguiçoso. É eticamente leviano e politicamente irresponsável. E explora o medo plausível, porque só esse tem uma eficácia esmagadora. Assim como o desprezo pelo imigrante e a raiva ao vizinho que recebe o rendimento mínimo. Explora a irracionalidade maioritária, que nasce de percepções difusas da realidade que se conhece.
Até aqui, nada de novo. Foi feito, por políticos destrutivos, vezes sem conta na história. Mas [Paulo] Portas corresponde também a um novo tipo de populista. Nele se incluem homens como Sarkozy ou como o falecido Pim Fortuyn. Gente inteligente, intelectualmente sofisticada, mas que aposta a sua sobrevivência política nos instintos mais primários dos cidadãos: o medo, a vingança, o preconceito, o racismo, a intolerância. Não são boçais como Bossi ou Le Pen. Conquistaram maior respeitabilidade e alguma patine cultural. Estão mais próximos das elites e movem-se melhor nos meios mediáticos. E são, por isso, muito mais perigosos. O que arrepia nuns passa por razoável neles.


