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Centro de Investigação para o Desconhecido da Fundação Champalimaud, dedicado ao cancro e às neurociências


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Foi hoje inaugurado, em Lisboa, o Centro Champalimaud para o Desconhecido. O projecto, dedicado à investigação do cancro e às neurociências, vai contar com duas áreas: uma clínica e uma de investigação.

Charles Correa, 80 anos, o arquitecto que projectou o centro de investigação, com o Primeiro-ministro, José Sócrates, o presidente da República, Cavaco Silva, e a Presidente da Fundação, Leonor Beleza

Três anos após a sua apresentação, o Centro Champalimaud inaugurou ontem, na doca de Pedrouços, nas proximidades da Torre de Belém, em Lisboa. O Champalimaud Centre for the Unknown (Centro para o Desconhecido), da Fundação Champalimaud), já se sabe, irá proporcionar “uma interligação considerada única no mundo” entre “investigação científica e prática médica”, como se por ler no P2 (04/10/2010). Mas com esta inauguração não foi só Portugal que ganhou maior competitividade no domínio científico internacional.
 Também Lisboa lucrou uma nova atracção turística e local de lazer. Isto porque apenas um dos três núcleos que o compõem tem acesso restrito: o edifício maior, onde investigação e prestação de serviços de ambulatório a doentes oncológicos se cruzam. Os outros dois não se encontram vedados e convidam a visita: um segundo edifício, ligado ao primeiro por um tubo de vidro, que inclui uma área de exposições temporárias, um auditório e um restaurante; e um terceiro núcleo composto por toda a envolvente exterior, coroada por um anfiteatro, cuja implantação segue a curva do passeio público que já lá estava. Charles Correa, o arquitecto indiano de origem goesa, explicava, ontem no P2, que o sítio o impressionou. Por isso, não poderia aceitar fazer o projecto "a menos que tivesse uma boa ideia". E conclui: "seria estúpido vir de tão longe e fazer uma coisa vulgar".



Apresentação em 3D (29.Nov.2007):

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Centro de Investigação Champalimaud inaugurado em Lisboa

Projeto envolveu um investimento de €100 milhões
Projeto envolveu um investimento de €100 milhões
O Centro de Investigação para o Desconhecido da Fundação Champalimaud , que envolveu um investimento de 100 milhões de euros, foi ontem inaugurado na frente ribeirinha de Lisboa (Pedrouços), com a presença de 400 convidados.
Dedicado à cura do cancro e às neurociências, o centro vai ter 350 a 400 cientistas de todo o mundo quando estiver a funcionar em velocidade de cruzeiro e atenderá cerca de 300 doentes por dia, porque junta investigação com atividade clínica (prevenção, diagnóstico e tratamento).
A inauguração foi muito concorrida, tendo contado com a presença de Cavaco Silva, José Sócrates, os ministros da Ciência, Educação e Saúde, a família Champalimaud, dirigentes de fundações, empresários e gestores - incluindo os presidentes dos grandes bancos -, líderes políticos, ex-Presidentes da República, prémios Nobel e conhecidos cientistas portugueses e estrangeiros.
Foram necessários 730 dias para construir o centro
Foram necessários 730 dias para construir o centro

Arranque espetacular


A cerimónia arrancou de uma forma espetacular, com a projeção num ecrã gigante no palco de uma animação que começava com a explosão das velhas construções que ocupavam o terreno.
Depois, todos os fragmentos se voltavam a reunir e emergia daí o centro de investigação já concluído, visto do estuário do Tejo. Ao mesmo tempo, um contador no canto superior esquerdo do ecrã marcava em contagem crescente os 730 dias que foram necessários para construir o centro (menos de dois anos desde o lançamento da primeira pedra).
Então, o ecrã gigante partia-se em dois e, como uma porta automática, abria-se sobre os dois enormes "pilares para o desconhecido" e sobre o grande lago do complexo, com um mar imenso e um magnífico céu azul manchado de branco como cenário de fundo.
«Este Centro foi inaugurado por Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, no dia 5 de Outubro», escreveu Leonor Beleza num pilar
«Este Centro foi inaugurado por Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, no dia 5 de Outubro», escreveu Leonor Beleza num pilar

Frase escrita pela mão de Leonor Beleza


Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, escreveu de seguida num desses pilares, com um marcador preto, a seguinte frase: "Este Centro foi inaugurado por Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, no dia 5 de Outubro" e assinou "Leonor Beleza".
Segui-se um filme sobre António Champalimaud e o discurso de Leonor Beleza, onde a ex-ministra da Saúde salientou que "o centro de investigação tem como destinatários os cidadãos portugueses" e que a Fundação Champalimaud quer "transformar este conjunto arquitetónico no invólucro da melhor ciência que pode ser realizada" nas áreas do cancro e das neurociências.
Beleza recordou também que o prémio Nobel da Medicina James Watson, presidente do conselho científico da Fundação, incentivou sempre a sua equipa "a acreditar que este pode ser um centro de investigação de projeção mundial".
E sublinhou que 50% da área ocupada pelo complexo é aberta ao público (jardins, auditório ao ara livre, passeio marítimo, lago), "porque o centro quer ser uma ponte entre a ciência e o público".

James Watson: 10 anos para curar o cancro


James Watson, num discurso improvisado, insistiu "que os portugueses não são loucos, são competentes, e podem liderar a Europa na cura do cancro", explicando que "vencer a guerra contra o cancro significa curar mais casos do que falhar".
O Nobel da Medicina, co-descobridor do ADN, foi profético em relação ao trabalho da Fundação Champalimaud: "Tiveram um prazo de menos de dois anos para acabar a construção do Centro de Investigação para o Desconhecido. Dou-lhes 10 anos para mudarem a natureza do cancro, de modo a que este deixe de ser desconhecido".
Cavaco Silva disse que "a entrada em funcionamento deste centro será um marco importante para o desenvolvimento do nosso sistema científico" e, acima de tudo, uma enorme fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo".
Cavaco acredita que «o Centro será uma enorme fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo»
Cavaco acredita que «o Centro será uma enorme fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo»

Na vanguarda mundial


O Presidente da República acrescentou que Portugal conta, a partir de hoje, com um centro "que nos pode situar na vanguarda mundial da investigação biomédica".
E Charles Correa, 80 anos, o arquiteto que projetou o centro de investigação, começou o seu discurso da forma mais original, tendo posto todos os convidados a rir: "O que mais me orgulha neste edifício é que não é mais um novo museu de arte moderna".
É antes um complexo "destinado ao nível mais elevado da ciência e concebido para estar ao serviço das pessoas, onde a própria arquitetura funciona como terapia".

Centro na área da visão abre em Coimbra

A Fundação Champalimaud não está parada depois da inauguração do seu centro de investigação, e marcou para amanhã três iniciativas: um simpósio científico internacional sobre "A cura do cancro" no auditório ao ar livre do centro, a conferência "Prémio António Champalimaud de Visão 2010" no mesmo local, e a apresentação do C-Tracer 2 em Coimbra.
O C-Tracer 2 (Champalimaud - Translational Centre for Eye Research) é um centro que vai permitir fazer em Portugal investigação na área da visão para a aplicar no tratamento de doentes, a chamada investigação translacional.
Já existe o C-Tracer 1 em Hyderabad, na Índia, e o novo centro resulta de uma parceria com a Associação para a Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem (AIBILI) , localizada na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O simpósio internacional é organizado por James Watson, Nobel da Medicina e presidente do conselho científico da Fundação, e os dois eventos marcados para o auditório do centro são de entrada livre.

por Virgílio Azevedo (texto) e Alberto Frias (fotos)
publicado em O Expresso

(...)

Novo edifício é inaugurado no centenário da República

Fundação Champalimaud: Pôr a ciência no hospital para derrotar o cancro

"Esta é a Janela da Esperança", diz-nos Raghu Kalluri, apontando para um grande janelão que rasga a parede à nossa frente, por cima das nossas cabeças, ao nível dos andares superiores. Acabamos de entrar no átrio, com três andares de pé direito, do edifício principal das novas instalações da Fundação Champalimaud.
Ainda é um estaleiro - o PÚBLICO visitou a obra há uma semana de capacete de plástico, colete e botas especiais -, mas na companhia de Kalluri, especialista do cancro da Universidade de Harvard e director do futuro Centro do Cancro que aqui deverá começar a funcionar em meados do próximo ano, percebe-se como vai estar estruturada a principal componente do Centro Champalimaud de Investigação, situado na doca de Pedrouços, em Lisboa, e que vai ser inaugurado amanhã.
O poético nome da janela, salienta Kalluri, é do arquitecto do edifício, Charles Correa, e simboliza uma das visões de base que presidiu à sua concepção. "Este é um dos primeiros edifícios no mundo onde o hospital, a prática que consiste em ver doentes, e a investigação destinada a identificar novos medicamentos estão integradas", tinha-nos dito Kalluri, uns dias antes desta visita, numa entrevista que será publicada amanhã no P2. "É dos poucos lugares onde os doentes que entram no hospital podem ver cientistas a fazerem experiências. E os cientistas, enquanto trabalham, podem ver os doentes a entrar no hospital. Os doentes vêem que algo está a ser feito para eles, o que lhes dá esperança no futuro, e os investigadores percebem que vão ter de trabalhar ainda mais para salvar os doentes."
A "janela" não é o único ponto de ligação visual do mundo da ciência com o mundo da medicina. Um pouco mais à frente, entramos na área onde, do lado direito, ficará o hospital de dia. E, do lado esquerdo, abre-se um terraço com vista para um jardim interior (ao nível da cave) com altíssimas palmeiras e outras árvores tropicais. Um quadrilátero cujas paredes meias com o edifício também são de vidro, deixando ver o que se passa nos dois andares superiores, onde ficarão alojados todos os laboratórios científicos do centro. "As pessoas que estiverem à espera de uma consulta poderão ver daqui os cientistas a trabalhar", frisa Kalluri.
O Hospital do Cancro - cujo número de médicos ainda está por determinar, mas que foi concebido para receber, em velocidade de cruzeiro, 300 doentes por dia -, ocupa os dois andares inferiores: o piso térreo e a cave. "Não gostamos de lhe chamar clínica, é mesmo um hospital", diz Kalluri, enquanto percorremos os corredores ainda vazios. No andar de baixo ficará a área de exames e tratamento - quimioterapia, radioterapia, ressonância magnética, recolhas de sangue, etc. Também tem um pequeno jardim, mais privado, "onde, se quiserem, os doentes poderão deambular ou sentar-se enquanto recebem tratamento", salienta Kalluri. É o "Jardim da Quimioterapia".
Lá em cima, os dois andares destinados à investigação ocuparão enormes espaços abertos, com "alcovas" onde ficarão alojados os equipamentos e máquinas necessários, que serão partilhados por todos. Entre o segundo e o terceiro piso, a transparência mantém-se, graças a escadarias abertas e varandas de vidro, para facilitar a interacção entre os cientistas.
Completa-se este panorama com gabinetes e salas, todos com paredes de vidro para o interior e o exterior. Daqui, a vista para o rio e o pôr do sol lisboeta é magnífica. Nesta zona do edifício também ficará instalada uma biblioteca a que tanto os cientistas e os médicos como os próprios doentes poderão aceder. "Aliás", diz-nos Kalluri, "os doentes poderão, se o desejarem, vir para estes andares e até fazer perguntas aos investigadores."

Investigação translacional

Tudo aqui está carregado de simbologia. Aliás, o próprio centro chama-se, em inglês, Center for the Unknown, com a ideia de desconhecido a ligar os feitos dos navegadores portugueses do século XV à exploração das terras incógnitas da ciência no século XXI e no futuro. A Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos estão mesmo ali ao lado, conferindo ainda mais força onírica às palavras.Mas a ideia-chave por detrás de tudo isto é muito concreta: "investigação translacional". A investigação translacional é uma tendência emergente na prática científica que tem por objectivo tornar os resultados científicos de base mais rapidamente utilizáveis na prática - na clínica, neste caso.
"Investigação translacional", diz-nos Fátima Cardoso, que vai dirigir a unidade de cancro da mama do centro (ver entrevista na página seguinte), "é fazer a ponte entre os que só fazem trabalho de laboratório e os que só fazem trabalho na parte clínica."
Mas como materializar essas pontes, com os médicos submersos em consultas e no dia-a-dia hospitalar? "Os médicos que contratarmos", diz Kalluri, "vão ter 50 por cento do seu tempo dedicado à investigação. Vão poder fazer investigação básica no laboratório, estudar a epidemiologia de um cancro, os tratamentos, os resultados clínicos, fazer ensaios clínicos de novos medicamentos. Não lhes vamos dizer como utilizar esse tempo, mas tem de ser para pensar. Pela maneira como o centro está construído, vamos ter constantemente médicos e cientistas a falarem uns com os outros sobre como gerir tal ou tal cancro. Nisso, não queremos apenas ser um exemplo para Portugal, queremos ser um exemplo para o mundo." Um dos grandes objectivos do Centro do Cancro é que os doentes tenham acesso às terapêuticas mais experimentais. "Os portugueses não devem precisar de sair de Portugal para experimentarem novas drogas", diz Kalluri.

As derradeiras fronteiras

Ao nível da investigação básica, vai ser colocada uma ênfase particular nos cancros que geram metástases. "É essa a derradeira fronteira que precisamos de conquistar, a disseminação do cancro no organismo", diz Kalluri. "Vai haver um grupo muito forte de investigação básica e, daqui a cinco anos, gostaríamos de ser reconhecidos como um dos melhores sítios do mundo para a investigação na área das metástases." A outra grande aposta em ciência de base do Centro Champalimaud de Investigação são as neurociências (ver artigo ao lado).
Ao todo, várias centenas de investigadores de topo, recrutados em todo o mundo, irão ocupar para o ano os andares superiores do edifício, sem fronteiras físicas definidas a separar as suas especialidades. Também haverá, "obviamente", diz Kalluri, pontes entre cancro e neurociências. "A investigação básica está sempre interligada, seja qual for o tema. Um neurocientista pode descobrir mecanismos essenciais do cancro e, da mesma maneira, uma descoberta importante na área do cancro pode ser essencial em termos de desenvolvimento cerebral. Esta interligação será sempre muito forte. É por isso que não separámos os programas de neurociências e de cancro. Entrelaçámo-los."
Já cá fora, e até ao Tejo, há toda uma área totalmente pública - e também desprovida de barreiras físicas -, que inclui um anfiteatro ao ar livre ao pé da água e, no segundo edifício do complexo, um restaurante, um auditório e um espaço de exposições. "Por enquanto, ainda é um estaleiro", diz Kalluri. "Mas dá para imaginar como irá ser."

Lista (incompleta) dos cientistas envolvidos no projecto

O português António Damásio e o norte-americano James Watson são sem dúvida os dois cientistas mais mediáticos que norteiam a estratégia de investigação da Fundação Champalimaud.
Damásio é mundialmente conhecido pelo seu trabalho sobre o cérebro e as emoções; Watson, Nobel da Medicina em 1962, foi co-descobridor da estrutura molecular do ADN. Integram também os órgãos da fundação o japonês Susumo Tonegawa (Nobel da Medicina de 1987 por ter desvendado as bases genéticas da gigantesca diversidade dos anticorpos), o português António Coutinho, director do Instituto Gulbenkian de Ciência, e o britânico Alan Ashworth, co-descobridor em 1992 do gene BRCA2 do cancro da mama. 

por Ana Gerschenfeld
publicado em O Público


Cf. também:


# Site da Fundação Champalimaud

Posted by por AMC on 19:07. Filed under , , , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. Feel free to leave a response

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