Portugal e Espanha: dois eternos olhares distintos
Depois da Grécia, como já se sabe por não se falar de outra coisa nos últimos meses, sãos os défices externos de Portugal e Espanha que estão na ordem do dia, a exigirem planos apertados de controlo, sob forte pressão da União Europeia. Enquanto Portugal opta pela aprovação de um aumento generalizado dos impostos, fazendo recair sobre os contribuintes a factura mais pesada para pagar a crise; Espanha prefere atacar a despesa pública do Estado e, entre outras coisas, decreta o adiamento das grandes obras públicas e a anulação dos respectivos contratos firmados.
Percebe-se que portugueses e espanhóis, cansados da sua eterna condição de PIGS da União Europeia, se vejam subitamente tentados a esquecer a secular rivalidade e acometidos de uma fraternidade outrora impensável, manifestando-se cada vez mais favoráveis à união ibérica. Olhando a História, e para sermos inteiramente francos, também não é menos verdade que o furor independentista do povo de Afonso Henriques, sempre foi acompanhado de uma corrente minoritária, inteiramente defensora de uma fusão de forças e fronteiras com o pais vizinho.
Todavia, quando se olha para os dois exemplos acima mencionados, facilmente se percebe que a verdade filosófica que aponta a existência de diferentes formas de olhar para um mesmo problema e, como tal, múltiplas e diversas formas de procurar respondê-lo, facilmente se percebe como é outra a perpectiva de Espanha e Portugal.
Uma questão de alcance profundo que haveria de dar muito que reflectir e dificilmente seria pacífica se fossemos um Estado único e tivéssemos que nos decidir por uma via comum para fazer face à crise, tão distinto é o entendimento dos Governos de Sócrates e Zapatero, um considerando que são os cidadãos quem devem responsabilizar-se pelo descarrilar das finanças, outro assumindo ser o Estado quem deve chamar a si a tarefa maior de contribuir para colocar em ordem as contas públicas.


