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Exposição: estreou "Ouros de Eldorado: Arte Pré-Hispânica da Colômbia" na Pinacoteca de São Paulo

por Maria Hirszman

Segundo a lenda, existiria no Novo Mundo um paraíso chamado Eldorado, onde se poderiam encontrar riquezas incalculáveis em ouro. Fazendo referência a essa crença, e às descrições de que haveria entre os índios muíscas - que viviam onde hoje é a Colômbia - um cacique que se banhava no rio inteiramente coberto de pó de ouro, e mostrando que tal riqueza não é apenas feita do metal precioso mas de pura arte, o Museo del Oro da Colômbia, considerado o mais importante acervo de arte pré-hispânica do mundo, preparou a exposição Ouros de Eldorado: Arte Pré-Hispânica da Colômbia, que será inaugurada esta manhã na Pinacoteca do Estado, em São Paulo.
A mostra, que reúne quase 300 objetos feitos entre 500 a.C e 1.500 d.C, tem uma forte ênfase estética. O intuito é mostrar que não se trata apenas de admirar os peitorais, brincos, cintos, alfinetes, máscaras e outros objetos agregados ao acervo desde sua fundação, em 1939, apenas como registros de uma cultura material já desaparecida e sobre a qual se sabe tão pouco.
Mas sim de enfrentar o desafio, nada fácil, de buscar ver esses objetos como obras de arte. São valores muito concretos: "Formas, cores, texturas, relações espaciais internas, relações visuais com a realidade", como define o curador Efraín Sánchez em seu texto.
Num exercício instigante de ida e vinda entre esses objetos tangíveis, a sociedade e os homens que as engendraram (incluindo aí tanto os artistas que as produziam quanto os xamãs que as encomendavam), Sánchez procura desenvolver um amplo painel, mostrando ao público algumas das características principais desse tesouro. Destaca-se por exemplo uma indiferenciação entre figuração e abstração; a presença marcante da imagem do sol, astro associado pela cor e luminosidade ao ouro; e a sofisticação técnica no trabalho do metal, ainda mais surpreendente se considerarmos que estamos tratando de povos que - como ressalta ele - não tinham roda, cavalo, nem escritura. É fascinante, por exemplo, descobrir as gamas de cores obtidas a partir do mesmo material.
Hoje, às 10h30, a diretora do Museo del Oro, Clara Isabel Botero, realiza palestra sobre a cultura da metalurgia e o trabalho desenvolvido pela instituição, exemplo de ação no âmbito cultural. O museu, que pertence ao Banco de la República (banco central colombiano), foi fundado em 1939 para impedir o derretimento das peças ou seu envio ao exterior e possui hoje um acervo de cerca de 50 mil itens - mais de 33 mil deles feitos de metal. Há dois anos inaugurou nova sede em Bogotá e deve receber, no próximo ano, uma exposição de arte concreta brasileira.

Núcleos temáticos da exposição:
Gente Dourada / A Gente dourado e os animais fantásticos/ Animais Fantásticos / O homem animal / Abstração e natureza / O universo das formas / A metalurgia e as sociedades pré-hispânicas / A ourivesaria pré-hispânica da Colômbia / Martelamento / Fundição por cera perdida / Dourado por oxidação. Além disso, serão exibidos filmes que demonstram os diferentes processos de ourivesaria.

OUROS DE ELDORADO: ARTE PRÉ-HISPÂNICA DA COLÔMBIA
Pinacoteca do Estado. Pça. da Luz, 2, 3324-1000. 10h/18h (fecha 2ª). R$ 6 (sáb., grátis). Até 22/8. Abertura hoje, 11 h

# Site

Para ouvir:
Marcia Arcuri, assessora cientifica da mostra, explica que a originalidade da exposição assenta no facto de referenciar a diversidade étnica e cultural dos povos que ocuparam a antiga região da Colômbia e a importante relação estabelecida entre eles e outros grupos indígenas das terras baixas da América do Sul, sobretudo as interações entre povos que ocuparam preteritamente a Amazônia Ocidental.

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