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Entrevista do primeiro-ministro José Sócrates à RTP



Entrevista do primeiro-ministro José Sócrates à RTP, conduzida por José Alberto Carvalho e Judite de Sousa.
Para ver na íntegra, aqui no Conexão, clicando no link a baixo para expansão do texto.



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Durante a entrevista conduzida por José Alberto Carvalho e Judite de Sousa, o primeiro-ministro garantiu que não há nenhuma divergência entre ele e o ministro das Finanças sobre a duração das medidas de austeridade. Na semana passada José Sócrates tinha falado de medidas para durarem ano e meio e Teixeira dos Santos admitiu entretanto que talvez seja necessário prolongar as medidas até 2013.
Referindo-se especificamente ao imposto extraordinário e ao aumento do IVA Sócrates afirmou: "temos a intenção de as aplicar imediatamente, para vigorar em 2010 e em 2011, mas se chegar o fim de 2011 e se revelar necessário manter essas medidas, mantê-las-emos" garantindo ainda que as restantes medidas de redução da despesa "vão manter-se até 2013".
A este respeito o chefe do Governo enfatizou que "o ministro das Finanças disse que se for preciso manteremos as medidas", sublinhando no entanto que as mesmas só têm o apoio do PSD "até o final de 2011".
Relativamente à promessas anteriores de não aumentar impostos, o primeiro-ministro invocou a mudança nas condições de financiamento internacional, explicando que "o mundo mudou" no final de Abril e no princípio de Maio. Sócrates lembrou que "os juros das Obrigações do Tesouro passaram de cerca de 5 por cento, e uma semana depois estavam nos 7 por cento".
"O mundo mudou nessa semana", enfatizou o chefe do Governo, tendo havido "mudanças muito significativas nos mercados internacionais" e um ataque "especulativo e inesperado ao euro".
"Essas três semanas (entre o final de Abril e meados de Maio) foram decisivas para mudar toda a Europa", disse o líder do Executivo, salientando que os outros países europeus também estão a tomar medidas para acelerar a redução do défice.

"Não peço desculpa"
Questionado sobre se não devia pedir desculpas aos portugueses por ter aumentado os impostos, contrariamente ao que tinha prometido durante a última campanha eleitoral e confrontado com a atitude do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que pediu desculpa por ter viabilizado as medidas de austeridade, José Sócrates disse que só o teria de fazer se não tivesse coragem para tomar as medidas necessárias face a um quadro de crise financeira.
"Não peço desculpa por cumprir o meu dever e fazer o que é imprescindível para defender o país. Teria de pedir desculpa se não tivesse a coragem de tomar as medidas necessárias", respondeu o líder do Executivo.
José Sócrates reforçou depois que "só pede desculpa quem não faz aquilo que deve" e que "a ética da responsabilidade deve prevalecer". Já sobre a atitude de Pedro Passos Coelho ter pedido desculpa, Sócrates limitou-se a comentar: "cada um fala por si".


Sacrifícios são um esforço colectivo
Sócrates explicou as actuais dificuldades de dívida orçamental como um problema que atinge todos os países Europeus. Sublinhando que nenhum líder, de nenhum país, podia ter previsto a actual conjuntura, fez questão de lembrar que "a Europa agiu em conjunto" para fazer face à situação.
No que respeita a Portugal, o primeiro-ministro defendeu que as medidas que o Governo tomou foram estudadas para ser "um esforço colectivo de todos" e não são dirigidas contra nenhum sector em particular. Sublinhou ainda que existiu uma discriminação positiva em relação aos portugueses com salários mais baixos e que a taxação das mais-valias e o escalão suplementar de 45 por cento no IRS constituem uma forma de aumentar a justiça social.
Sobre as negociações com o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, Sócrates sublinhou que o "essencial das medidas acordadas" foram as do Governo, admitindo como única cedência ao PSD a redução em cinco por cento no vencimentos dos políticos. Uma medida que José Sócrates admitiu que não teria tomado por considerar populista.
Ainda a respeito do acordo com o PSD, José Sócrates lembrou que o Governo tem maioria relativa e precisa do apoio de outros partidos e reforçou a ideia de que os compromissos internacionais devem ser assumidos pelo país, e não apenas por quem exerce o poder numa dada conjuntura.


Emprego depende de crescimento económico
No que respeita ao desemprego, que no primeiro trimestre deste ano subiu para 10,6 por cento, o primeiro-ministro defendeu que as medidas de austeridade são uma chave essencial para o combate ao desemprego, afirmando que "só se recupera o emprego com mais crescimento económico" e que "se não tomássemos estas medidas a recessão seria muito maior ".
O primeiro-ministro sublinhou ainda que pela primeira vez em Abril o número de desempregados inscritos nos centros de emprego recuou 0,2 por cento, o que, segundo ele, se explica pela retoma da economia e pelo aumento do número de ofertas de emprego.

Sócrates diz que moção de censura do PCP é irresponsável
Sócrates referiu-se brevemente à moção de censura que o PCP vai apresentar sexta-feira na Assembleia da República, classificando-a de "irresponsável e incompreensível", neste momento que o país atravessa.
Sobre a possibilidade de 2010 ser um ano de grande contestação social por causa das medidas de austeridade, o primeiro-ministro disse não esperar que isso aconteça. Afirmando que "há muitos que confundem os seus desejos com a realidade ", acrescentou: "eu espero, isso sim, que os portugueses percebam bem que este esforço é necessário ".

Obras de TGV confirmadas para Setembro
Sobre o adiamento das grandes Obras Públicas, o chefe do Governo garantiu que "em Setembro haverá obras no TGV" e admitiu que a suspensão do troço entre Poceirão e Lisboa pode ser adiada por mais de seis meses, dependendo das condições de financiamento do mercado.
"Decidimos fazer o TGV entre Poceirão e Caia e em Setembro haverá obras no TGV. Não desistimos de combater a periferia", disse José Sócrates, sublinhando que "o que o Governo fez foi suspender por seis meses o troço entre Poceirão e Lisboa, isto é, a terceira travessia (do Tejo), porque precisa não da totalidade, mas de grande financiamento da banca portuguesa, e veremos se estamos em condições de o lançar (nessa altura)", afirmou o chefe do Executivo.
"Não vamos lançar o concurso em Junho, vamos esperar pela estabilização dos mercados", conclui o primeiro-ministro.
Questionado sobre o adiamento das grandes obras públicas, José Sócrates começou por "desfazer um mito". Os grandes investimentos públicos, disse, não estão a ser feitos no TGV, no novo aeroporto ou na terceira travessia do Tejo.
"O maior investimento este ano é na requalificação da rede de escolas secundárias, com mais de mil milhões de euros, e nas barragens, nos hospitais, nas creches e lares de idosos", acrescentou o líder do Executivo.
"A realidade mudou", repetiu o primeiro-ministro, garantindo, ainda assim, que "o TGV e o novo aeroporto são fundamentais". Sócrates insistiu que "não se pode gerir um país com base no medo" e vincou que "modernizar as infra-estruturas é não aceitar que Portugal seja colocado na periferia da Europa".


Preparado para tudo
Durante a entrevista de cerca de cinquenta minutos José Alberto Carvalho e Judite de Sousa questionaram também José Sócrates sobre o negócio PT/TVI. O primeiro-ministro afirmou-se "preparado para tudo" face à comissão de inquérito parlamentar que investiga e a eventual interferência do Governo na tentativa de negócio entre a PT e a Média Capital .
"Estou preparado para tudo depois do que passei e nada temo", disse José Sócrates quando foi questionado se estava preparado para responder por escrito, pela segunda vez, à comissão de inquérito parlamentar.
Sobre o tipo de trabalho político feito pela comissão de inquérito, José Sócrates revelou-se extremamente crítico, dizendo estar perante "um espectáculo lamentável e escandaloso".
"É uma comissão de inquérito que dura há meses com um único objectivo: atingir-me pessoalmente, sem nenhum elemento", disse.
"Havia tantos rumores sobre a situação financeira da Prisa, mas a questão não é essa. Disse no Parlamento que nunca tinha dado indicações à PT para fazer fosse que negócio fosse e disse também que não tinha conhecimento do negócio, o que mantenho", referiu.
No entanto, Sócrates lamentou que "há meses a fio que políticos andem a dizer que menti sem apresentarem nenhuma prova".


Nada decidido sobre as presidenciais
Já sobre o tema das eleições presidenciais, José Sócrates frisou que o PS ainda não decidiu apoiar Manuel Alegre, mas apenas ouvir vários órgãos do partido.
"Nada está decidido sobre as eleições presidenciais", afirmou Sócrates, dizendo que sobre a candidatura presidencial de Manuel Alegre apresentará a sua posição na reunião da Comissão Nacional do PS no próximo dia 29.
Interrogado se da sua parte havia falta de convicção num eventual apoio a Manuel Alegre, Sócrates respondeu que "essas interpretações psicanalíticas nem sempre são verdadeiras".
"Nas presidenciais, a questão não é de convicção mas de tempo político", contrapôs Sócrates.

via RTP

Posted by por AMC on 22:46. Filed under , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. Feel free to leave a response

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