|

Confederação Europeia de Sindicatos estuda a realizção de uma manifestação internacional em Bruxelas

por João Manuel Rocha

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES), em que estão filiadas CGTP e UGT, está a ponderar a realização de uma manifestação internacional em Bruxelas, no início do Outono. A decisão tem vindo a ser amadurecida e pode ser confirmada na próxima semana. Mas a forma como a crise é encarada por diferentes países e organizações sindicais não facilita a acção comum.
Quanto à manifestação, as hipóteses que estão em cima da mesa, segundo informações recolhidas pelo PÚBLICO, são duas: fazê-la coincidir com a cimeira informal dos ministros das Finanças prevista para o fim de Setembro ou realizá-la durante a cimeira europeia de 29 e 30 de Outubro. A primeira tentativa para uma acção paneuropeia foi o pedido feito à Comissão Europeia pela CES, em meados do mês, para a convocação urgente de uma cimeira social tripartida destinada a atenuar os efeitos das políticas anticrise.
Se para os governos o momento actual é de desafios, o mesmo acontece com os sindicatos, que têm pela frente uma escolha difícil, como destacava ontem uma análise da Reuters: "Concordar com as medidas de austeridade e enfurecer os seus membros, ou combatê-las com greves e arriscar-se a uma reacção do mercado que piore a situação económica".
É nos países dos Sul da Europa, onde a crise mais se tem feito sentir, que as reacções são mais fortes. Sindicatos gregos, romenos, espanhóis, portugueses, franceses, e esta semana italianos, desencadearam acções de protesto. A Grécia, por onde começou a crise financeira que tem abalado a UE, viveu quatro greves gerais desde o início do ano, a última a 20 de Maio, quando dezenas de milhares de pessoas protestaram contra a terapia de choque imposta ao país a troco de empréstimos europeus e do Fundo Monetário Internacional. A 5 de Maio, numa anterior greve, três pessoas morreram asfixiadas devido ao lançamento de cocktailsMolotov para dentro de um banco.
A Roménia, que há pouco mais de uma semana, a 19 de Maio, assistiu a uma das maiores manifestações desde a queda do comunismo, em 1989, protagonizada por cerca de 40 mil pessoas, principalmente funcionários públicos e reformados, pode entrar na próxima semana em convulsão: os trabalhadores do Estado iniciam depois de amanhã uma greve por tempo ilimitado contra o corte de 25 por cento nos salários e 15 por cento nas pensões e apoios sociais. O Governo, em funções há apenas seis meses, pode ser em breve alvo de uma moção de censura.
Em Espanha, além das medidas de austeridade é também a reforma das leis laborais que alimenta o conflito social. A decisão de reduzir em cinco por cento os salários dos funcionários do Estado levou à convocação para dia 8 de Junho de uma greve de trabalhadores do Estado promovida pelas Comissiones Obreras e UGT. E anteontem as mesmas centrais sindicais ameaçaram apelar a uma greve geral se o Governo avançar com uma reforma laboral "prejudicial" para os assalariados.
Uma greve geral contra a austeridade foi também esta semana anunciada para breve pelo mais importante sindicato italiano, CGIL, depois de conhecido um plano governamental que reduz transferências para a administração regional e local, congela salários da função pública e aumenta o tempo de trabalho necessário para a reforma.
Em França é a intenção de atrasar a idade de reforma, actualmente nos 60 anos, que está na ordem do dia. Seis organizações sindicais, entre as quais CGT e CFDT, promoveram anteontem acções de luta que tiveram também como objectivo a defesa do emprego. Segundo os sindicatos, participou um milhão de pessoas, mas a mobilização ficou aquém dos 2,5 a três milhões que, no último Inverno, saíram à rua. De tal forma que, segundo a imprensa de ontem, o presidente Nicolas Sarkozy marcou pontos face à esquerda e aos sindicatos.
É num contexto difícil, em que a estratégia dos filiados não é necessariamente a mesma - a CES agrupa quase cem centrais e federações de 36 países - que a organização sindical europeia dá o seu "apoio muito claro" às acções que têm vindo a decorrer, mas, ao mesmo tempo, defende que a melhor forma de deixar a crise para trás é o "relançamento económico", como explicou ao PÚBLICO o vice-secretário-geral, Joel Decaillon.

Posted by por AMC on 12:48. Filed under , , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. Feel free to leave a response

0 comentários for "Confederação Europeia de Sindicatos estuda a realizção de uma manifestação internacional em Bruxelas"

Leave a reply