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Fazenda Aruanã : o Amazonas exportando os frutos da sustentabilidade


Quando se conhece a terra em que se planta, quando se suja a mão que nela toca, é possível construir o futuro por meio dela. E a semente dá bons frutos. Que o diga o engenheiro agrônomo Gabriel Teixeira Neto, 77, há mais de 40 anos no ramo da agroindústria, sendo mais da metade desse tempo dedicado ao cultivo da castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa) na fazenda Aruanã, da qual é diretor administrativo.

Localizada no quilômetro 213 da AM – 010 (Manaus-Itacoatiara), a fazenda Aruanã conta, atualmente, com uma área de 12 mil hectares, onde há mais de 1,2 milhão de árvores, a maior plantação de castanha do Brasil, exemplo para outras regiões do país. No local, o plantio cresce a todo o vapor, e o que é melhor, de forma sustentável.

A propriedade também possui o maior reflorestamento registrado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) do Amazonas. O engenheiro agrônomo lembra que os primeiros plantios começaram em 1981. Segundo ele, foram investidos, aproximadamente, R$ 10 milhões em infraestrutura, mão de obra, produção e logística.

Desde o início da década de 80, a fazenda realiza a reposição florestal obrigatória por lei para as maiores empresas madeireiras do Amazonas, por meio de plantios aprovados e fiscalizados pelo Ibama. De acordo com Teixeira Neto, no ano passado, mais de 200 mil mudas produzidas pela Aruanã foram utilizadas em programas oficiais de recuperação de área degradadas em diversas comunidades no Amazonas e Roraima.

O engenheiro agrônomo explica que a fazenda tem a capacidade de atender à demanda de até 800 mil mudas de castanheiras ao ano, prontas para o plantio (raiz nua ou em sacos plásticos) ou pré-germinadas.

Ana Luiza Vergueiro, uma das coordenadoras da fazenda, destaca que de 2006 até 2011, por meio do Instituto Excelsa, entidade sem fins lucrativos, foram distribuídas gratuitamente 380.034 mudas de castanheiras e palmeiras de pupunha para mais de 800 famílias de 62 comunidades de Itacoatiara, Silves, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e do Anamã.

Em breve, esses pequenos agricultores serão certificados como orgânicos e poderão se tornar nossos fornecedores de castanha-do-brasil, recebendo preços justos pela sua produção e, simultaneamente, valorizando a ‘floresta em pé’. Entre as perspectivas e metas da fazenda Aruanã, há o objetivo de se formar a 1ª “Região de Denominação de Origem Controlada de Castanha-do-Brasil” do mundo, e de forma sustentável.

Sobre a castanha

A castanha-do-brasil é também conhecida como a castanha-da-amazônia e castanha-do-pará. Trata-se de uma árvore ligada intimamente à cultura das populações tradicionais da Amazônia. Seus produtos e subprodutos são utilizados há varias gerações, como fonte de alimento e renda. Uma castanheira pode atingir facilmente a altura de 50 metros, com idade estimada entre 800 e 1,2 mil anos. O fruto da castanheira é chamado de ouriço, pesa, aproximadamente, um quilo, e pode conter de 15 a 24 sementes (castanhas).

Fazenda Aruanã, Amazônia – AM 
Criação de critérios para ocupação rural na Amazônia.

Conceito do Projeto:
Pelo Código Florestal, pode-se ocupar 50% da propriedade e deve-se preservar outros 50%. Criação de norma de projeto. Em co-autoria com o Eng. Agr. Sérgio Vergueiro, elaboramos projetos na região amazônica centrados na idéia de criar bolsões de abertura de mata para uso agrícola, dispersos na área total da propriedade. Pelo Código Florestal, pode-se ocupar 50% da propriedade e deve-se preservar outros 50%. Esta diretriz veio em contraposição à tendência de abrir metade da propriedade e preservar ao outra metade, criando assim, a possibilidade do proprietário vender a metade coberta de matas naturais para terceiros, os quais por sua vez também derrubariam uma metade. Esta última tendência terminaria com a derrubada total das matas.

Vista aérea da Fazenda Aruanã, Itacoatiara, AM, seguindo tais diretrizes. A área está ocupada por um reflorestamento de castanheiras-do-pará, onde não tem nenhum lugar ocupado pelo reflorestamento que diste mais de 1500 metros da floresta nativa, o que é altamente importante para a polinização da cultura cujos insetos vivem na floresta.

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