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Ponto de situação: o que está a ser feito para travar a vaga de 'mortes encomendadas' no Pará?

O coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra, Dirceu Fumagalli, o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, falam sobre os assassinatos de ambientalistas na Região Amazônica. foto: Wilson Dias

Na semana seguinte a quatro assassinatos de ativistas na Amazônia, o governo reconheceu, nesta terça-feira, não ter instrumentos e condições para garantir a segurança de todos os líderes que correm risco de serem assassinados no campo e que constam da lista de ameaçados feita pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou ser necessário fazer uma triagem na relação da entidade e escolher quais são os prioritários entre os mais ameaçados.
- Seria errôneo e uma ilusão dizer que temos condições para atender a esta lista. Vamos analisar a listagem da CPT e fazer uma avaliação. Vamos buscar os casos mais graves, sobre os quais nos debruçaremos - disse Maria do Rosário, após encontro com líderes da CPT em seu gabinete.
A ministra afirmou que será feita uma triagem da relação e atender aos casos mais graves. A CPT selecionou 30 nomes de lideranças no campo que julgam serem prioritários.
Questionada por sua declaração, a ministra justificou sua afirmação.
A CPT entregou ao governo uma lista com 207 nomes de líderes rurais, indígenas, quilombolas, sem-terra e ambientalistas que, entre 2000 e 2011, sofreram mais de uma ameaça ou foram vítimas de tentativas de assassinato. Mas, desse total, 42 foram assassinados. Dos 165 ameaçados ainda vivos, a CPT destacou 30 líderes, cujos casos são considerados mais vulneráveis.
A ministra não garantiu quantos dos relacionados poderão contar com a proteção do governo. Essa análise ainda será feita e não há data prevista para encerrar esse trabalho. Questionada após admitir que o governo não assegura a proteção da totalidade dos ameaçados, a ministra tentou se justificar.
- O que quero dizer é que é errôneo garantir escolta para os 1.850 (número total da lista da CPT). Não poderia prometer ao Brasil oito ou nove policiais para cada um desses ameaçados. Mas nunca houve uma articulação desse nível.

Rainha entre os que podem ter proteção

Na relação dos 30 camponeses mais ameaçados da CPT estão os nomes de dois líderes expressivos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST): José Rainha, em São Paulo, e Jaime Amorim, em Recife. Entre os ameaçados também estão religiosos e agentes da Pastoral.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que participou da reunião, afirmou que a garantia da segurança a esses camponeses necessariamente não se dá com a escolta policial, mas pode ser feita com outro tipo de ação.
- O propósito não é só punir os homicídios, mas também as ameaças. Faremos uma análise mais detalhada da relação e destacar quais casos necessitam da vigilância presencial, se a ameaça de fato é consistente ou não, se o ameaçado está no centro do conflito. É preciso levar em conta fatores pessoais e circunstanciais - disse Luiz Paulo Barreto.
Os dirigentes da CPT participaram da entrevista coletiva e, em algumas vezes, Maria do Rosário demonstrou irritação com suas declarações, em especial com as cobranças que faziam ao governo. Um desses momentos se deu quando José Batista Afonso, advogado da CPT em Marabá (PA), afirmou que, entre as causas das quatro mortes de líderes na semana passada estão a discussão e a aprovação do Código Florestal, no Congresso Nacional. A ministra reagiu na hora, interrompendo a fala de Batista.
- Não é esse o entendimento do governo. Podemos divergir - disse Maria do Rosário.
Batista ainda foi cortado pela ministra quando dizia que proteção aos ameaçados não resolve o problema e que é necessário haver políticas públicas efetivas, segundo ele, como priorizar a reforma agrária. Ao afirmar que, no Pará, dos 20 defensores dos direitos humanos ameaçados, apenas seis são protegidos, Rosário reagiu novamente:
- E o Pará é o que tem o maior número de protegidos. O Brasil é o único país do mundo com programa de proteção aos defensores dos direitos humanos.
No final, Rosário afirmou que a proteção com escolta policial é também uma forma de violação de direitos humanos.
- Não é bom viver permanentemente num programa desses. É para ser uma excepcionalidade. Viver sob escolta na missa, na escola, no supermercado é também uma violação dos direitos humanos. É uma violação da privacidade - disse Rosário.
Passados oito dias da morte de José Cláudio e sua mulher, Maria do Espírito Santo, a direção nacional do PT divulgou nota nesta terça-feira para manifestar indignação com os assassinatos ocorridos na Região Amazônica. A nota é assinada pelo presidente do partido, Rui Falcão, e por secretários petistas. O PT afirma que apoia a iniciativa do governo federal "de dar prioridade máxima ao assunto". "É preciso estancar a violência, dar proteção às lideranças locais e investigar a fundo os crimes cometidos", diz a nota. 

publicado em O Globo

Os governadores Confucio Moura, de Rondônia, Simão Jatene, do Para, e Omar Aziz, do Amazonas, após reunião com o ministro Luis Eduardo Cardozo e a presidente Dilma Rousseff. foto: Gustavo Miranda
 
Uma reunião nesta quinta-feira entre a presidente Dilma Rousseff, quatro ministros e os governadores do Pará, Amazonas e Rondônia definiu que uma grande ação policial será desencadeada nesses três estados que vêm enfrentando violência no campo com o assassinato, nos últimos dez dias, de cinco lideranças ambientalistas. Pelo plano traçado, participarão da ofensiva a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança e até mesmo as Forças Armadas. Não está definido de que forma as Forças Armadas agirão nem as cidades onde atuarão. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, caberá aos governadores solicitarem a presença das tropas e depois, em comum acordo, definirão as áreas onde serão necessárias. O objetivo dessa ação coordenada, segundo Cardozo, é coibir novos homicídios e, ao mesmo tempo, fazer a apuração imediata dos crimes já ocorridos. A operação já tem nome: Operação em Defesa da Vida.
O ministro afirmou que na semana que vem ele, os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, acompanhados de representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) visitarão os três estados para apurar a situação de impunidade nesses locais.
- É necessário que tenhamos inquéritos rápidos para apurar homicídios e é necessário que tenhamos também ações judiciais rápidas para que sejam punidos aqueles que praticaram atos ilícitos - disse Cardozo.
Apesar de o governo federal ter adotado ações semelhantes às anunciadas nesta quarta-feira em situações que ocorreram no passado - e que não resolveram o problema da violência no campo no Norte do país - Cardozo prometeu que agora as coisas serão diferentes.
- Não estamos jogando palavras ao vento. O que foi falado será cumprido - declarou.
O ministro lamentou a morte do lavrador Marcos Gomes da Silva , assassinado quarta-feira em Eldorado dos Carajás (PA). Apesar da violência e diante de uma lista apresentada pela Comissão Pastoral da Terra em que aponta mais de 1.800 pessoas ameaçadas de morte no campo, Cardozo reafirmou o que a ministra da Secretaria de Direitos Humanos havia dito no início da semana: é impossível colocar proteção individual para cada uma dessas pessoas
- A proteção a pessoas ameaçadas entra em uma política global - declarou.
Os governadores elogiaram a reunião e destacaram que é preciso união entre os entes federativos para poder superar o problema.
- Se temos alguma chance efetiva de vencer isso, a exigência fundamental é que estejamos juntos - afirmou Simão Jatene, do Pará, que observou que o combate ao crime não tem fronteiras e que os estados não sentem que haverá uma intromissão federal indevida em seus territórios.
- O crime não tem essa história de ser federal, estadual ou municipal. Ele tem de ser esclarecido e punido - defendeu.
Parfa Confúcio Moura, de Rondônia, houve uma manifestação política clara de que o governo federal e os estaduais querem resolver a questão. Omar Aziz, do amazonas, disse que, além da força policial, é preciso haver políticas de desenvolvimento sustentável para os estados.
- Não adianta só força policial. É preciso haver regularização fundiária e desenvolvimento sustentável para a região.

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NO SÁBADO : Testemunha da morte de extrativistas foi encontrada morta
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  Deputados fazem manifestação contra onda de assassinatos no campo. foto: Aílton de Freitas

Temer se reúne com ministros no Palácio do Planalto. foto: Aílton de Freitas

 A ministra Maria do Rosário ao lado do secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Barreto, durante encontro com a Comissão Pastoral da Terra. foto: Wilson Dias

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Governo não poderá proteger todos os ameaçados no campo, diz ministra

31/05/2011 15h44
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, afirmou nesta terça-feira (31) que o governo não tem condições de proteger todas as pessoas ameaçadas em decorrência de suas atividades políticas no campo. Segundo ela, o governo vai buscar atender os casos mais graves.
“Seria ilusório dizer que temos condições de atender uma lista com tantos nomes”, disse a ministra. Ela recebeu nesta terça da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, uma lista com 1.855 pessoas que foram ameaçadas nos últimos dez anos. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça, 42 foram assassinados e 30 sofreram tentativa de assassinato.
“Não podemos ter escolta policial para todos os nomes ameaçados”, afirmou a ministra. A CPT informou que não sabe quantas pessoas necessitam de proteção policial imediata e pediu que o governo faça uma triagem da lista para priorizar os casos mais graves. “Não queremos um policial para cada ameaçado. Queremos que a situação seja combatida e monitorada”, disse José Batista Afonso, que representou a CPT na reunião.
Maria do Rosário disse que não há prazo para definir quais pessoas da lista receberão proteção do governo, mas ressaltou que "o tempo dos direitos humanos é o tempo da urgência". Ela afirmou ainda que o governo fará a análise dos casos mais graves em conjunto com integrantes da CPT.

Ações contra o crime

De acordo com a ministra, a presidente Dilma Rousseff determinou que se leve adiante “um forte enfrentamento e ações contra o crime organizado”. Maria do Rosário classificou de “ousadia” do crime organizado as ameaças às lideranças camponesas e as quatro mortes ocorridas na última semana na região Norte, entre elas a do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.
O casal foi morto em uma estrada na Zona Rural de Nova Ipixuna (PA). De acordo com a Pastoral da Terra, eles estavam na lista das pessoas ameaçadas de morte. Os extrativistas eram conhecidos por denunciar a ação ilegal de madeireiros na região.
José Batista Afonso reclamou que o governo tenha feito uma reunião com a CPT somente após a morte do casal de extrativistas. "Essa reunião deveria ter ocorrido há alguns anos. É ruim quando ocorre no calor de um homicídio", disse.
Questionada porque somente agora o governo decidiu tomar providências contra a violência no campo, a ministra disse que o problema está sendo combatido desde a gestão anterior. "Se as medidas [do governo anterior] não tivessem sido efetivas, a situação estaria pior".

Medidas do governo

Na segunda, o governo anunciou medidas para o enfrentamento dos conflitos agrários. Entre as medidas anunciadas estava a análise da lista da CPT, de acordo com o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto.
De acordo com Barreto, a avaliação da lista tem como objetivo verificar a necessidade de fornecer proteção policial a essas pessoas. "O governo pretende, junto ao governo do estado, avaliar os casos mais críticos. Vamos estudar caso a caso e intensificar a proteção para aquelas pessoas que estão sendo mais ameaçadas", disse.
Outra medida anunciada foi a liberação até dezembro de R$ 500 mil para as superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Pará e no Amazonas. Com a liberação da verba, o governo quer aumentar a fiscalização em áreas de assentamento. Os recursos fazem parte do Orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
O governo federal anunciou ainda a criação de um grupo interministerial para discutir quais outras ações serão tomadas.

OAB culpa 'descaso' do governo por assassinatos de líderes rurais

03/06/2011 14h00
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, atribuiu nesta sexta-feira-feira (3) ao que chamou de “descaso dos governos estaduais e federal” a recente onda de assassinatos de líderes rurais no norte do país. O comentário foi feito enquanto ele participava da abertura de um encontro do Colégio de Seccionais da OAB, em Belo Horizonte (MG).
Segundo a OAB, Cavalcante acusou o governo de ser o “maior latifundiário da Amazônia” (local onde as mortes vêm ocorrendo) com o objetivo de preservar a segurança nacional, o que não vem fazendo. “E o que a União procura dizer? Que segurança pública não é com ela. E o estado diz que reforma agrária não é com ele, pois não é questão de segurança pública, mas uma questão social. Então um fica empurrando a responsabilidade para o outro", disse o presidente da OAB.
O G1 entrou em contato com a assessoria da Presidência, mas, de acordo com eles, quem responde em nome do governo por este assunto é o Ministério da Justiça. A reportagem também entrou em contato com a assessoria da pasta e aguarda retorno.
De acordo com uma lista divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta semana, 30 ambientalistas e trabalhadores do campo já sofreram ameaças de morte ou sobreviveram a atentados violentos no Brasil, entre os anos de 2000 e 2010. A lista completa, segundo a Comissão, contém 165 pessoas que sofreram ameaça de morte mais de uma vez.
Ainda de acordo com a CPT, outro documento apresenta 1.855 nomes de trabalhadores do campo que sofreram algum tipo de ameaça no período. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça e 42 foram assassinados.
Na quinta-feira (2), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou, após uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, que as Forças Armadas, ao lado da Polícia Federal, Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal, atuarão em conjunto numa operação para conter os crimes resultantes de conflitos fundiários no norte do país.


Pastoral da Terra divulga lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte 

01/06/2011 13h12
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou, nesta semana, uma lista com o nome de 30 pessoas que trabalham no campo e de ambientalistas que já sofreram ameaças de morte ou sobreviveram a atentados violentos no país, entre os anos de 2000 a 2010.
De acordo com a organização, a lista completa apresenta 165 pessoas que foram ameaçados de morte mais de uma vez. Uma outra lista, que foi apresentada para o governo Federal, tem 1.855 nome de trabalhadores no campo que sofreram algum tipo de ameaça no período. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça e 42 foram assassinados.
Segundo a CPT, o Ministério da Justiça informou que teria condições de oferecer proteção policial apenas para os 30 ambientalistas que já sofreram um atentando, considerados os mais graves.
Em menos de uma semana, quatro pessoas morerram na Região Norte, três delas no Pará e uma em Rondônia. No Pará, a morte de um agricultor, segundo a Polícia local, não tem relação com a morte de ambientalistas na mesma região. Há possibilidade de elo do agricultor com tráfico de drogas. No entanto, a Delegacia de Conflitos Agrários ainda investiga o caso antes de descartar que o assassinato tenha ocorrido por questão agrária.
Nesta segunda-feira (30), para conter os conflitos agrários na Região Norte do país, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, analisou uma lista com 125 nomes feita pela CPT de ambientalistas e trabalhadores rurais ameaçados de morte.


Lista de ambientalistas e trabalhadores rurais que sobreviveram a atentados:

Edmar Brito - quilombola em Codó (MA)
Edmar Mendes Guajajara - índio em Grajaú (MA)
Edmar Aparecido dos Santos - geraizeiro em Guaraciama (MG)
Darcy - sem-terra em Pirapora (MG)
Darlan da Silva - sem-terra em Pirapora (MG)
Roniery Bezerra Lopes - aliados em Anapu (PA)
Luiz Rodrigues - ambientalista em Conceição do Araguaia (PA)
Edvan da Silva Rodrigues - trabalhador rural em Cumaru do Norte (PA)
Francisco dos Santos - sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA)
Antonio Francelino de Sousa - sem-terra em Itupiranga (PA)
Janio Santos da Silva - assentado em Marabá (PA)
Domingos da Silva "Índio" - sem-terra em Marabá (PA) em Itupiranga (PA)
Osino da Silva Monteiro - ambientalista em Parauapebas (PA)
Nivaldo Pereira Cunha - ambientalista em Santa Maria das Barreira (PA)
Hélio da Costa Bom Jardim - posseiro em São Féliz do Xingu (PA) e Anapu (PA)
Geraldo Sebastião dos Santos - assentado em São João do Araguaia (PA)
Valdecir Nunes Castro - sem-terra em Xinguara (PA)
Severino Augusto Silva - posseiro em Mogeiro (PA)
Josias Pereira Nunes - posseiro em Santa Rita (PB)
Josivaldo Ferreira Santana - ambientalista em Gameleira (PE) e Ribeirão (PE)
Reginaldo Bernardes da Silva - sem-terra em Passira (PE), Itambé (PE) e Salgadinho (PE)
Jaime Amorim - ambientalista em Vertentes (PE)
Samir Ribeiro - sem-terra em Nova Laranjeiras (PR)
Gentil Couto Vieira - sem-terra em Santa Teresa do Oeste (PR)
Márcio Castro das Mercês - ambientalista em Nova Iguaçu (RJ)
Alexandre Anderson - ambientalista em Magé (RJ), Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ)
Deaize Menezes de Sousa - ambientalista em Magé (RJ), Niterói (RJ) e São Gonçalo (RJ)
Domingos Barbosa Costa - ambientalista em Bonfim (RR)
Rosângela da Silva Elias "Janja" - ambientalista em Porto Alegre
José Rainha Júnior - ambientalista em Rosana (SP)


Pastoral da Terra diz que Planalto não pode alegar desconhecer situação porque todo ano é divulgada lista de ameçados

01/06/2011 23h28
Assassinatos como os registrados semana passada no Pará e em Rondônia mostram que o governo tem sido omisso no combate aos conflitos de terra e, neste momento, está perdido na condução de uma solução para o problema. Essa é a avaliação de entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Sem-Terra (MST), sobre as ações do governo na região de maior tensão fundiária do país.
A CPT aponta razões políticas para o que chama de inércia.
- Essa omissão é reflexo de uma opção política. O governo desde o início optou por acordos com setores ligados ao agronegócio para garantir a governabilidade e abriu mão de implementar políticas públicas que contrariassem esses interesses. A reação do governo agora, com força-tarefa e operações, é típica de quem está perdido no meio do conflito - criticou o advogado da CPT em Marabá, José Batista Afonso.
Depois dos assassinatos de ativistas na Amazônia e de muita pressão social, uma força-tarefa da Polícia Federal, Incra e Ibama está na região. O governo realizou nesta terça-feira uma reunião para discutir a situação. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, admitiu que o governo não tem condições de dar proteção policial a todas as lideranças rurais, indígenas, sem-terra e ambientalistas ameaçadas ou vítimas de tentativas de assassinatos na disputa pela posse de terra.
A Pastoral entregou uma lista com 207 nomes, dos quais 42 já foram assassinados. Dos 165 restantes, a CPT destacou 30 líderes mais vulneráveis.
- Essa declaração (de proteção apenas para alguns) é a expressão de um governo que não tem política de combate à violência no campo. A reunião que aconteceu terça-feira veio atrasada. A situação de conflito no campo e de mortes vem de longa data, e o governo não tem como alegar desconhecimento, porque só a Pastoral divulga todo ano um relatório de conflitos - reagiu Afonso.
Liderança do MST no Pará, Ulisses Manaças reforça a crítica e diz que o governo sempre age como "bombeiro" em momentos de tragédia, escancarando a falta de planejamento e de compromisso permanente com as questões no campo.
Para as duas entidades, o governo, pressionado pela sociedade em momentos de comoção social, anuncia ações pontuais e paliativas.
- Faltam ações estruturantes, como concluir as demarcações de terras indígenas, de quilombolas, melhorar as condições dos assentamentos e reservas já existentes, priorizar a reforma agrária e fazer uma investigação séria para desmontar essa rede criminosa que mata e fica impune - reivindica Afonso.
O Judiciário também é apontado como responsável pela situação dramática no Pará.
- Os números são vergonhosos. Nos últimos 20 anos, cerca de 800 pessoas foram assassinadas em razão de conflitos pela posse da terra. Até hoje, só nove mandantes foram a julgamento e um continua preso - disse o líder do MST, que tem 25 mil pessoas em assentamentos ou acampamentos no Pará.
Nesta quinta-feira, MST, CPT, integrantes do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) farão manifesto público, em Belém, sobre o que chamam de inoperância do Judiciário.
 
 
Senado cria comissão para acompanhar conflitos rurais

O Senado aprovou nesta terça-feira, em votação simbólica, requerimento da senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM) que cria uma comissão externa para visitar as áreas de conflito rural nos estados do Amazonas, Rondônia, Acre e Pará. Serão designados pelo menos três senadores para compor esta comissão. Na última semana foram registrados pelo menos quatro assassinatos de agricultores e ambientalistas no Pará e em Rondônia.


Governo vai analisar lista de ambientalistas ameaçados de morte

31/05/2011 16h03
Entre as medidas anunciadas nesta segunda-feira (30) para conter os conflitos agrários na Região Norte do país, está a análise de uma lista com 125 nomes feita pela Comissão Pastoral da Terra de ambientalistas e trabalhadores rurais ameaçados de morte, de acordo com o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto.
Em menos de uma semana, quatro pessoas morerram na Região Norte, três delas no Pará e uma em Rondônia. No Pará, a morte de um agricultor, segundo a Polícia local, não tem relação com a morte de ambientalistas na mesma região. Há possibilidade de elo do agricultor com tráfico de drogas. No entanto, a Delegacia de Conflitos Agrários ainda investiga o caso antes de descartar que o assassinato tenha ocorrido por questão agrária.
De acordo com Barreto, a avaliação da lista tem como objetivo verificar a necessidade de fornecer proteção policial a essas pessoas.
"O governo pretende, junto ao governo do estado, avaliar os casos mais críticos. Vamos estudar caso a caso e intensificar a proteção para aquelas pessoas que estão sendo mais ameaçadas", disse.
De acordo com a Pastoral da Terra, o casal de ambientalistas assassinado no Pará estava na lista das pessoas ameaçadas de morte. Eles eram conhecidos por denunciar a ação ilegal de madeireiros na região. Nesta terça (31), representantes da Comissão Pastoral da Terra se reúnem com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário. O objetivo, segundo a assessoria da CPT, é discutir medidas de proteção aos trabalhadores rurais que já receberam ameaças de morte.

Liberação de verba

Outra medida anunciada foi a liberação até dezembro de R$ 500 mil para as superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Pará e no Amazonas. Com a liberação da verba, o governo quer aumentar a fiscalização em áreas de assentamento. Os recursos fazem parte do Orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
A liberação foi publicada nesta segunda no "Diário Oficial da União". Metade do valor destinado às duas superintendências será transferido até junho. "Está no 'Diário Oficial' de hoje a liberação de recursos do Orçamento na parte de diárias e providências no âmbito do Incra para deslocamentos e fiscalização. Os fiscais vão fiscalizar a vigência da lei nesses estados", afirmou Afonso Florence, ministro do Desenvolvimento Agrário.

Grupo interministerial

O governo federal anunciou ainda a criação de um grupo interministerial para discutir quais ações serão tomadas para conter a violência no campo. A reunião foi comandada pelo presidente da República em exercício, Michel Temer, e representantes de alguns ministérios.
O grupo interministerial será formado pelos ministérios da Justiça, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Secretaria de Direitos Humanos, Secretaria Geral da Presidência e Gabinete de Segurança Institucional.
“Nós tomamos a decisão de um grupo interministerial que se reunirá diariamente nos vários níveis de governo, identificando as providências para implantação imediata nos assentamentos no Amazônia, assentamento florestal”, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário.

Governadores convocados

O Planalto convocou ainda para esta terça (31) uma reunião de emergência com os governadores de Roraima, Rondônia, Amazonas e Pará para discutir o aumento da violência fundiária nos quatro estados. Luiz Paulo Barreto, do Ministério da Justiça, afirmou que Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional estão à disposição dos governos estaduais para o combate ao crime nessas regiões.
“O objetivo [da reunião com governadores] é aliarmos essas ações para que se possa potencializar. No caso da segurança, é importante trabalharmos em equipe. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Civil e Militar do estado, assim como o Ministério Público, a fim de punir esse tipo de crime e cortar a principal causa desse tipo de crime, que é a extração ilegal de madeira” afirmou o secretário-executivo do Ministério da Justiça.
Segundo Barreto, o ministério da Justiça vai determinar ainda a intensificação da operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, voltada para combate ao desmatamento na região amazônica.

Alap

Em entrevista ao G1 na noite deste domingo (29), o ministro interino do Meio Ambiente, Roberto Vizentin - que estava no cargo em razão de uma viagem internacional da ministra Izabella Teixeira -, afirmou que apresentaria como proposta a decretação de uma Área sob Limitação Administrativa Provisória (Alap) na região chamada de Tríplice Divisa, que inclui os estados do Amazonas, Acre e Rondônia. A ideia é reduzir os conflitos e regularizar as terras.
"O quadro é complicado naquela região, que apresenta alto índice de desmatamento, violência e assassinatos. Vamos sugerir uma ação coordenada entre o governo federal e o estadual. (...) Temos que embasar melhor a proposta [de criação da Alap], mas mesmo que os crimes sejam esclarecidos, isso não vai resolver o problema. Será preciso uma ação mais enérgica e a decretação de uma Alap pode ser a opção", afirmou Vizentin.
O ministro interino disse que a Alap não é uma intervenção federal, quando a União passa a administrar diretamente a área, mas sim a aplicação de medidas integradas entre a União e o governo do estado. "É um ato do governo federal para ampliar a participação do Estado. Não é uma intervenção. Isso ocorre em áreas de domínio da União, áreas não destinadas ainda. Não se utiliza Alap onde não exista situação de conflito agrário."
A criação da Alap dependeria da assinatura de um decreto por parte da presidente Dilma Rousseff. Após a reunião desta segunda, ministros disseram que a proposta de criação de uma Alap será debatida no âmbito do grupo interministerial.

Dilma

A presidente não participou da reunião pois está em viagem para o Uruguai nesta segunda. Antes de embarcar para o Uruguai na manhã desta segunda, ela encontrou com o seu vice, Michel Temer, na base aérea de Brasília. O encontro seria uma tentativa de Dilma para recompor a relação política entre seu partido, o PT, e o partido do vice, o PMDB. A aliança ficou estremecida por conta das discussões em torno do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados.


Governo vai intensificar operação Arco de Fogo contra o desmatamento ilegal e assassinatos na Amazônia

30/05/2011 13h45
O governo decidiu intensificar a operação Arco de Fogo, lançada em fevereiro de 2008 com o objetivo de coibir o desmatamento ilegal na região amazônica. Além disso, de prático e imediato, o governo liberou recursos para o pagamento de diárias a fiscais e deslocamento de pessoal para atuar no local. Além de reprimir o desmatamento ilegal, a operação tem o objetivo de evitar os assassinatos na região amazônica. O governo vai oferecer ainda proteção imediata aos ambientalistas ameaçados de morte. Em reunião nesta segunda-feira, do presidente em exercício, Michel Temer, com ministros, ficou acertado ainda que a Força Nacional poderá ser chamada para cooperar. O encontro foi motivado pela morte de quatro agricultores nos estados do Pará e de Rondônia.
- O governo está preocupado, vigilante. Lamentavelmente as ameaças, na maioria das vezes, são concretizadas. O ministro Gilberto Carvalho disse que a prioridade máxima é dar proteção às vítimas de ameaças, as pessoas que estão marcadas para morrer. Todas as medidas necessárias serão tomadas para proteger essas pessoas. Mas o que pode impedir o alastramento da violência é a oferta de atividades sustentáveis. Precisamos ampliar políticas afirmativas e fazer valer o estado de direito - disse Roberto Vizentin, secretário de extrativismo e desenvolvimento rural sustentável do Ministério do Meio Ambiente.
O secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, informou ainda que o governo vai analisar caso a caso a lista da Pastoral da Terra com 125 nomes de pessoas ameaçadas de morte, para oferecer proteção imediata aos casos mais urgentes.
- A apuração desses crimes é de responsabilidade da polícia estadual, a segurança pública nessas regiões também é de responsabilidade da polícia estadual, mas o governo federal apoiará de maneira complementar.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, não soube dizer de que forma a Arco de Fogo será incrementada, nem quantos fiscais a mais serão enviados. Florence informou que o governo também irá instalar dois escritórios de regularização fundiária no Amazonas para agilizar os processos em terras da União. O governo federal também quer dividir as responsabilidades com os governos estaduais sobre a segurança nos assentamentos. Para isso, estão sendo chamados a Brasília os governadores do Amazonas, Roraima e Pará.
- Entendemos que as providências anunciadas hoje são uma resposta aos óbitos. Não aceitamos e vamos recrudescer a fiscalização e investigação e fortalecer as ações para desenvolvimento sustentável na região - afirmou Afonso Florence. - Nós também tomamos a decisão da constituição de um grupo interministerial que se reunirá diariamente nos vários níveis de governo, intensificando as providências para implantação imediata de assentamentos na Amazônia. Saiu licença ambiental no último dia 25. Além disso, estamos instalando dois escritórios de regularização fundiária no estado do Amazonas - informou o ministro.
Ministro não associa crimes à votação do Código Florestal
Segundo Florence, o governo federal não associa os crimes no campo com a votação do Código Florestal, que beneficiou os agropecuaristas em detrimento dos ambientalistas. Florence justificou a retomada da operação Arco de Fogo alegando que o governo é novo, embora seja de continuidade.
- O debate sobre o Código Florestal é outra dinâmica. Não é de agora o conflito de terra e demandas insustentáveis de desenvolvimento na região. Não há associação direta e, infelizmente, os óbitos ocorreram. Nós já tínhamos providências tomadas e agora vamos intensificá-las - declarou.
- Estamos retomando ações imediatas, intensificando. Houve a transição de governo, o início de mandato, e já tínhamos a decisão de continuidade da implementação e hoje pela manhã estamos adotando providências para a imediata retomada.


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